Antes ele foi promotor de Justiça no Rio de Janeiro, por concurso, depois juiz de Direito, primeiro lugar no concurso e foi nessa época que eu o conheci como um dos garotos prodígios que o Sálvio, ministro Sálvio Figueiredo, descobria para os seminários e congressos jurídicos da Escola Nacional da Magistratura.
O Sálvio tinha esse lado Midas. Quem sobre cujo ombro ele botasse a mão teria futuro venturoso.
As duas secretárias que o Sálvio levou para sua escolinha foram indicadas por notório saber jurídico e ilibada reputação para o Superior Tribunal de Justiça – a Eliana, ministra Eliana Calmon e a Nancy, ministra Nancy Andrigüi. Ambas eram desembargadoras, uma federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a outra do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Ele ainda fez campanha no STJ para a Ellen, ministra Ellen Gracie, então desembargadora federal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, mas ela apesar de aprovada na lista do STJ foi preterida por razões politicas, o que foi melhor para o Supremo Tribunal Federal, porque o Nelson, ministro Nelson Jobim, depois a tomou pelo braço e a levou ao Alvorada apresentando-a ao Fernando Henrique e à dona Ruth Cardoso, quando fervilhava a ideia uma mulher no STF.
O Sálvio daria certo agora em que há muito mais espaços para as mulheres na República. Começou a levar aos eventos de grande densidade a Cármen, professora Cármen Lúcia, uma fera do direito constitucional em Minas Gerais, sua conterrânea. A saúde frágil não lhe deu chance de sair recomendando o nome da Cármen para ministra do Supremo, onde ela hoje atua com grandes brio e brilho.
O Fux, o ministro Luiz Fux, foi guindado por merecimento ao cargo de desembargador, no qual demorou pouco porque logo o Sálvio lembrou para nós o nome daquele rapaz brilhante, monstro do direito processual civil, juiz moderno, estudioso, que não perdera a humanidade tocando guitarra, e bem, e cantando nos nossos eventos intra-muros.
Quando juiz, muito jovem, o Luizinho ainda ostentou extensas melenas como muitos garotos que, como eu, amavam os Beatles e os Rolling Stones.
Agora a Dilma começa seu governo dando excelente contribuição ao nível intelectual e moral, e à disposição para o trabalho, do Supremo Tribunal Federal, ao indicar o Ministro do STJ Luiz Fux para 11ª vaga aberta há mais de seis meses com a aposentadoria do Eros.
O novo ministro do STF tem 57 anos de idade, é professor de Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), faixa preta em jiu-jitsu. Seu pai é um imigrante da Romênia, Mendel Wolf Fux. Sua mãe é uma brasileira, Eliene Fux.
Não vem ao caso lembrar aqui as mutretas que lá bem atrás armaram contra o Fux para ele não ser, na época, indicado Ministro do STF. O tempo agora lhe faz justiça.
Bom nome. A altura do cargo. Espero seja independente.
É o jurista da reforma do CPC. Tem envergadura, notável saber juridico e nada há que o desabone.
Espero que corresponda aos anseios de JUSTIÇA e não seja subserviente ao Executivo.
Espera-se de um Ministro que ele seja efetivamento um Ministro do Supremo Tribunal Federal, a nossa maior instituição.
Independentemente da "cultura" e "nível intelectual que o novel (será, com certeza) Ministro possa ter, não coloco isso em debate --- não obstante o fato de aprovação em concurso para o Ministério Público e Magistratura não querer dizer muita coisa, quando se trata de "cultura jurídica" ---, o articulista, com muito bom humor retratou bem como as coisas "acontencem" nos bastidores do PODER: alguém, que já está lá estabelcido precisa botar a mão em seu ombro e bafejá-lo com sua benção; precisa aparecer com você nos locais certos, alçá-lo a este ou aquele patamar para você, finalmente, poder alçar vôo próprio. É uma dança das cadeiras entre amigos. Pelo visto, uma só pessoa pode ter o PODER (de fato) de "nomear" toda a estrutura de um PODER DA REPÚBLICA (REPÚBLICA??????). Ora, por maior valor individual, maior credibilidade, moralidade, probidade, etc., NÃO PODEMOS ACEITAR QUE AS COISAS SE PASSEM DESSA MANEIRA. A O.A.B. e outras entidades da SOCIEDADE CIVIL dveriam iniciar um movimento para que os ocupantes do STF fossem ELEITOS (não tenho a menor idéia de como fazer isso, mas precisa ser feito). Da forma como está hoje (indicações que se vão sucedendo, até ficar irreversível a nomeação) depõe contra um ESTADO que se pretende uma REPÚBLICA.
Como cantaria o velho guerreiro: "o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais".....
Pobre república que precisa de "mãos no ombro". Lamentável.
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