Juiz federal Ali Mazloum revela detalhes sobre a Operação Anaconda

O juiz federal Ali Mazloum revelou pela primeira vez detalhes sobre a Operação Anaconda, que o investigou por suposta participação em um esquema de venda de sentenças judiciais, à revista Joyce Pascowitch deste mês. Em entrevista ao jornalista Claudio Tognolli, o juiz criticou colegas da magistratura e também o Ministério Público Federal pelas "acusações bizarras, sem base empírica".

"Hoje está claro que, na ocasião, eu presidia dois procedimentos que, caso levados adiante, revelariam a atuação criminosa de membros do Ministério Público Federal, que faziam investigações ilegais fotografando veículos de juízes, levantavam seus endereços residenciais, para assim apontar supostas irregularidades. E também mostrariam a atuação de policiais rodoviários na realização de grampos ilegais por meio de equipamento pertencente ao MPF."

Segundo o juiz, o procurador-geral da República, em 2007, confirmou a compra de um "guardião", software de R$ 500 mil que intercepta milhares de ligações telefônicas ao mesmo tempo, mas disse que não foi usado. "Para que compraram então?", questionou Malzoum.

Ele afirmou ainda que a Operação Anaconda foi uma farsa e por isso foi reconduzido ao cargo em 2006. Segundo Mazloum, enquanto seu irmão, Casem Mazloum, também investigado pela Operação Anaconda, era "perseguido" por usar placas reservadas do Detran, alguns desembargadores praticavam ilicitudes com carros oficiais, de acordo com o Conselho da Justiça Federal. "Até capotamento de dois veículos com perda total. O MPF nada fez. Isso é o cúmulo da hipocrisia. Tenho vergonha desse TRF."

A entrevista revelou também caso em que Mazloum foi vítima de racismo. "Eu estava de plantão judiciário, dei um Habeas Corpus para um médico de sobrenome Hussein e uma desembargadora disse que eu havia feito isso porque ele tinha o mesmo sobrenome do meu pai. Acredita que foi escrito nos autos que éramos parentes do ditador Saddam Hussein? Na época, ele era o maior inimigo do mundo. Eu e minha família fomos satanizados, quiseram dizer que éramos inimigos do mundo também. Isso foi puro racismo, e disso eu jamais vou me esquecer."

Ainda sobre a Anaconda, afirmou que o fato de ter sido investigado pela Polícia Federal não tem relação com o fato de ter condenado o delegado Protógenes Queiroz. "Ninguém que participou da Anaconda estava na investigação da Satiagraha." Mazloum também criticou a postura de juízes que julgam casos envolvendo o crime organizado. "Não gosto do perfil ‘robinhoodiano’ que essas varas [especializadas em crimes financeiros] têm adotado."

Clique aqui para ler a reportagem na íntegra.

Advogado Santista 31 disse:
23 de fevereiro de 2011 às 10:25

É isso que se tornou o TRF da 3ª Região. Poucos se salvam, como o Dr. Ali e o Dr. Cazem. Cadê o CNJ pra fazer uma devassa? Cadê o Ministério da Justiça pra investigar a série de abusos cometidos por esses pseudo-juizes que usam e abusam do poder da toga para fazerem o que bem entendem, prejudicando mais e mais todos os cidadãos?

Fernando Casado disse:
23 de fevereiro de 2011 às 10:26

...

Marcos Alves Pintar disse:
23 de fevereiro de 2011 às 10:32

O mais grave de tudo isso é que o CNJ e CNMP foram criados justamente para combater essas mazelas, mas o que vemos tão somente é gente se gabando de cargos pomposos, muita despesa com vencimentos e estrutura, e quase nada de resultados práticos em favor da sociedade. Nos últimos anos as mazelas que assolam a Justiça brasileira na verdade se agravaram, enquanto os Conselhos, compostos em sua maioria por magistrados e membros do Ministério Público, transformaram-se rapidamente em "arquivadorias chiques".

Rossi Vieira disse:
23 de fevereiro de 2011 às 11:08

Caro magistrado, fique tranquilo pois as pessoas com maior amplitude de consciência sabem reconhecer seu trabalho,cordialidade e educação como homem de bem. Você é um vencedor. E isso incomoda os seres de pouca visão. Avante na vida e carreira. Meus cumprimentos pela sua atitude corajosa de homem de bem.
Otávio Augusto Rossi Vieira, 44
Advogado Criminal em São Paulo.

Richard Smith disse:
23 de fevereiro de 2011 às 11:35

É uma frase muito conhecida nos Estados Unidos, constante de diversas obras literárias e até de histórias em quadrinhos e que revela uma arraigada preocupação, por parte de uma sociedade livre, com abusos perpetrados por supostos "defensores da justiça" (porém jamais DA LEI!) que podem iludir a muitos, "punir" alguns "opressores" michurucas e virem a se tornar um problema ainda muito maior.
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Vide o exemplo das "milícias", lá no triste Rio de Janeiro. "Tão perto do Cristo, mas tão longe de Deus", com já disseram alguns.
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Bem como o dos "libertadores" descidos da Sierra Maestra que depuseram o tremebundo ditador fulgêncio batista, para encrustrar o criminoso "Estebán" - "este bandido" como o chamam a maioria dos cubanos - castro & cia. no poder por alguns aninhos!
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Essa notícia, lida em conjunto com aquela outra que revela a magnitude das conversas de sub-palhaço comunista anti-banqueiro (mas que vai contrair bodas com a filah de um!) com seus verdadeiros patrões e cúmplices, nos dá o retrato fiel da enormidade da preocupante situação pela qual estamos passando e que exige a máxima atenção e reação da parte de todos os homens de bem (não nos esqueçamos de Martin Niemoller senão logo chegará a nossa vez!).
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Abraços a todos.

Balboa disse:
23 de fevereiro de 2011 às 13:52

Tudo o que o brilhante e digno juiz falou é verdade. Porém, precisou sentir na pele para tomar uma posição firme. Se outros tivessem a mesma coragem, já teríamos uma lei de abuso de autoridade melhor. Denúncias absurdas devem responder civil e criminalmente. O mesmo com juízes que aceitam essas denúncias. Dá medo morar nesse país...

olhovivo disse:
23 de fevereiro de 2011 às 18:01

Foi essa dita "operação engana leigo" que gerou a frase do Min. Gilmar Mendes: "devemos rezar para não perder o senso de ridículo". Apesar disso, muitos dos sem-senso-de-ridículo continuam por aí, à solta, com ar circunspecto, posando de eruditos, enganando a si mesmos.

Luis Américo disse:
23 de fevereiro de 2011 às 18:14

Já conhecia a péssima imagem do TRF de São Paulo, onde até buscas e apreensões pela polícia federal foram realizadas. Agora, RACISMO, é coisa muito séria. Alguma comissão de direitos humanos deveria investigar o assédio de desembargadores e promotores contra os irmãos Mazloum, juízes que nos enchem de orgulho. Avante Dr. Ali.

Gilberto Serodio Silva disse:
24 de fevereiro de 2011 às 10:47

História mal contada. Existem fatos nos autos, aqueles que mais se aproximam da verdade e existem versões. Devia mostrar o despacho da desembargadora federal fazendo analogias e aleivosias segundo S. Excia entrevistada, com o ditador Sadam Husseim, títere criado pelo governo de Bush pai.

Gilberto Serodio Silva disse:
27 de fevereiro de 2011 às 10:33

Não basta serem honesto é preciso que pareçam honestas, devida venia não podém ser personagens de fatos/histórias mal contadas, bene trovatas ma nem sempre vero....Ah sim, isonomia e impessoalidade são incompatíveis com revanche e vingança/vendetta.

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