[Artigo originalmente publicado na coluna Tendências/Debates do jornal Folha de S. Paulo do dia 30/1/2011]
No começo de 2010, pais de alunos da rede pública de Recife protestaram contra o livro de orientação sexual adotado pelas escolas. Destinada a crianças de sete a dez anos, a obra "Mamãe, Como Eu Nasci?", do professor Marcos Ribeiro, tem trechos como estes: "Olha, ele fica duro! O pênis do papai fica duro também? Algumas vezes, e o papai acha muito gostoso. Os homens gostam quando o seu pênis fica duro." "Se você abrir um pouquinho as pernas e olhar por um espelhinho, vai ver bem melhor. Aqui em cima está o seu clitóris, que faz as mulheres sentirem muito prazer ao ser tocado, porque é gostoso."
Inadequado? Bem, não é disso que vamos tratar no momento. O ponto que interessa está aqui: "Alguns meninos gostam de brincar com o seu pênis, e algumas meninas com a sua vulva, porque é gostoso. As pessoas grandes dizem que isso vicia ou ‘tira a mão daí que é feio’. Só sabem abrir a boca para proibir. Mas a verdade é que essa brincadeira não causa nenhum problema".
Considerando que entre as pessoas que "só sabem abrir a boca para proibir" estão os pais dos pequenos leitores dessa cartilha, pergunta-se: têm as escolas o direito de dizer aos nossos filhos o que é "a verdade" em matéria de moral?
De acordo com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH), a resposta é negativa. O artigo 12 da CADH reconhece expressamente o direito dos pais a que seus filhos "recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções". É fato notório, todavia, que esse direito não tem sido respeitado em nosso país.
Apesar de o Brasil ter aderido à CADH, o MEC não só não impede que o direito dos pais seja usurpado pelas escolas como concorre decisivamente para essa usurpação, ao prescrever a abordagem transversal de questões morais em todas as disciplinas do ensino básico.
Atendendo ao chamado, professores que não conseguem dar conta de sua principal obrigação – conforme demonstrado ano após ano por avaliações de desempenho escolar como o Saeb e o Pisa -, usam o tempo precioso de suas aulas para influenciar o juízo moral dos alunos sobre temas como sexualidade, homossexualismo, contracepção, relações e modelos familiares etc. Quando não afirmam em tom categórico determinada verdade moral, induzem os alunos a duvidar "criticamente" das que lhes são ensinadas em casa, solapando a confiança dos filhos em seus pais.
A ilegalidade é patente. Ainda que se reconhecesse ao Estado – não a seus agentes – o direito de usar o sistema de ensino para difundir uma agenda moral, esse direito não poderia inviabilizar o exercício da prerrogativa assegurada aos pais pela CADH, e isso fatalmente ocorrerá se os tópicos dessa agenda estiverem presentes nas disciplinas obrigatórias.
Além disso, se a família deve desfrutar da "especial proteção do Estado", como prevê a Constituição, o mínimo que se pode esperar desse Estado é que não contribua para enfraquecer a autoridade moral dos pais sobre seus filhos.
Impõe-se, portanto, que as questões morais sejam varridas dos programas das disciplinas obrigatórias. Quando muito, poderão ser veiculadas em disciplina facultativa, como ocorre com o ensino religioso. Assim, conhecendo previamente o conteúdo de tal disciplina, os pais decidirão se querem ou não compartilhar a educação moral de seus filhos com especialistas de mente aberta como o professor Marcos Ribeiro.
Os autores estão cobertos de razão. Incumbe aos pais, primeiramente, educar os filhos. O complemento educacional estatal está condicionado aos valores e diretrizes da família e da sociedade. Não é justo que a Escola (principalmente por iniciativa do MEC) atropele a autoridade de seus responsáveis, criando-lhes ainda mais problemas. Afinal, o Governo não tem mais autoridade sobre os filhos que os pais. É preciso colocar parâmetros à ingerência dos ditos "intelectuais de gabinete".
Sem entrar no mérito, ou discutir o conteúdo dos "ensinamentos", é muito confortável criticar com "moralismo". É hora de uma discussão séria!, sobre a interferência "educacional" do Estado ou da mídia "vanguardista do modismos" sobre o que é moral ou "preconceituoso" na educação das nossas crianças, diante das diversidades culturais que devem, sempre, serem respeitadas.
http://www.conjur.com.br/2008-jan-25/val ores_eticos_prosperidade_economica_tv
Senhores, acho bem importante a colocação de vocês no que tange ao campo de presença dos pais na educação/criação dos filhos. Mas quero deixar uma outra reflexão. Já em tempos idos,temos entre nós a experiência de M. Pombal, que vislumbrou a "Educação" como eficaz instrumento de controle do Estado, solapando a ação jesuítica e exterminando sua presença na Educação, atrasando com isso uns 200 anos, chamou para si (figura do Estado) essa responsabilidade. Por conta disso a "Educação" foi sendo tirada da mão de Educadores e assumida por "gestores", se tornando um negócio. Nossas crianças, mas que duvidar criticamente de seus pais e familiares, são preparadas como agentes multiplicadores do sistema desigual da educação neste país, assumindo "criticamente" mas sem criticidade alguma, acreditando realmente em educação para todos. Pensando a respeito surgem perguntas: Quem faz a escolha da educação a ser dada? Quem são os componentes do conjunto"todo"? E o que dizer do capital cultural dessas famílias que lutam diariamente para sobreviver e pouco poderão contribuir para a base desses futuros educandos. O problema é muito complexo e nós os brasileiros deveríamos discutí-lo mais à miúde como os senhores estão fazendo. Parabéns.
O Estado que paga R$ 750,00/mês para um professor é o mesmo que paga R$ 35 mil/mês para promotor da justiça do trabalho.Não pode participar disso.É incompetente onde põe a mão.Ajudaria muito não interferindo nessa matéria...A sexualidade chegará ao jovem de um jeito ou de outro.E om ele a prevenção etc...Não é problema de Estado.Tem outras matérias para explicar para os jovens,como Golpe de Estado de 1964,Corrupção, Forum Trabalhista (SP) em lugar de hospital (obrigado FHC e Lula)mensalão,aposentadoria humilhante para quem suou pelo Brasil e aposentadoria nababesca para quem não suou tanto,enchentes, Infraero, Paulipetro, Ilha do Gilberto Miranda.Isso já é sexo demais no do povo!!!
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