Relator no processo da união entre gays, Ayres Britto ganha popularidade

O ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, teve seu voto favorável ao reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo difundido na internet. A fuga do juridiquês, aliado à temática do amor, deu popularidade ao voto. Versos de Caetano Veloso e dizeres do médium Chico Xavier estão mesclados entre filósofos e cientistas que sustentam a argumentação do ministro. Em reportagem do jornalista Diego Abreu publicada no jornal Correio Braziliense, o ministro comenta de onde tira inspiração para fazer seus votos.

Leia a reportagem. 

Doutor Britinho, pai do ministro do Supremo Tribunal Federal Ayres Britto, era um juiz muito conhecido em Propriá, município de 28 mil habitantes a 80km de Aracaju. João Fernandes de Britto, como assinava na Corte sergipana, criou os 10 filhos em uma casa espaçosa, grande o suficiente para receber sobrinhos e agregados da família. O pai de Ayres Britto, embora poeta, era conservador. Coube à mãe do ministro, Dalva Ayres de Freitas, compartilhar com os filhos a influência de seu “espírito aberto e cabeça arejada”. Tocava piano, violão e gostava de cantar, se recorda o ministro. 

Aos 94 anos, dona Dalva acompanha as decisões do filho nas sessões do Supremo. Aprovou o voto que reconheceu a aplicação dos direitos civis entre pessoas do mesmo sexo unidas por uma relação homoafetiva. Para se afastar da efervescência que seu entendimento causou entre homossexuais e heterossexuais, o ministro deixou Brasília para passar o Dia das Mães ao lado de dona Dalva, em Sergipe. Sua mulher e dois dos cinco filhos também estarão na comemoração familiar.

Apesar de ser dele o texto mais difundido em sites, blogs e microblogs brasileiros, o ministro do Supremo não quer trazer para si a responsabilidade da decisão histórica. Divide o mérito com os colegas que também votaram pela igualdade de direitos na união afetiva entre pessoas do mesmo sexo. Mas além da decisão, foi o caráter humanizado de seu voto que chamou a atenção da sociedade civil. Versos de Caetano Veloso e dizeres do médium Chico Xavier estão mesclados entre filósofos e cientistas que sustentam a argumentação do ministro. Ayres Britto costuma dizer que, onde tem lição de vida, ele vai atrás para tomar suas decisões.

A reação da sociedade às palavras do ministro despertou o ciúme do Legislativo, que há muito retém a atenção popular apenas pelos registros de conduta negativa. O magistrado, no entanto, afirma que não é intenção do Judiciário ofuscar as casas de leis, mas pondera que o povo é quem tem se aproximado. “Como a sociedade chegou bem mais perto do Supremo, o Supremo chegou mais perto da sociedade.”

A fuga do juridiquês, aliado à temática do amor, deu popularidade ao voto. A familiaridade com a poética literária foi conquistada graças ao hábito de ler e escrever sobre assuntos que escapam à rotina dos textos do direito. Mas, além dos escritos artísticos, Ayres Britto dedica tempo a estudos da espiritualidade. Completando o binômio do bem viver, resumido no corpo e na mente sã, o ministro revela veia esportista. Tem a rotina de correr 3km e andar outros três. Vascaíno, gaba-se de ser um bom futebolista, na posição de meio-campista “avançado”.

Ayres Britto é o próximo na linha de sucessão da presidência do Supremo. Assumirá o comando da corte no ano que vem. Mas o ministro, que tem 68 anos e completará 69 em novembro, pode ficar apenas sete meses no posto pois há previsão de que se aposente em novembro de 2012, quando completar 70 anos.

Diante da cobrança de ministros do Supremo Tribunal Federal , que reconheceram a existência da união estável entre casais gays, o Congresso deve chamar para si a responsabilidade de discutir amplamente os direitos dos casais homossexuais. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) vai propor um requerimento de urgência para a tramitação do projeto da colega Marta Suplicy (PT-SP) que criminaliza a homofobia. A proposta da parlamentar petista, que voltou a ser apreciada pelo Senado em fevereiro, prevê a possibilidade de padres e pastores pregarem contra à união homossexual em igrejas e templos, sem que estejam sujeitos às penalidades impostas pela legislação. Só na Câmara, há, atualmente, oito projeto em tramitação que tratam de direitos da união homoafetiva.

Chiquinho disse:
08 de maio de 2011 às 12:52

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, é um homem digno, sensato e humanista ímpar. Precisou-me de 26 anos afastado dos bancos escolares; tomar a decisão de cursar Direito aqui no Recife ( pela FACIPE); ter tido contato com uma das mulheres mais lindas, sensível e maior autoridade em Direito das Famílias do mundo, Maria Berenice Dias, para compreender esses versos geniais do poeta português, que o jurista doutor José Paulo Cavalcati Filho trouxe à vida, à compreensão do mundo, no livro quase autobiográfico: "Fernando Pessoa - Uma quase autobiografia". "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos". Fernando Pessoa.
Parabéns ministro Carlos Ayres Brito. Parabéns STF. Aos poucos o Brasil vai se consolidando na mais democrática das democracias do mundo graças às sensatezes que norteiam as bentes brilhantes da Suprema Corte.

Chiquinho disse:
08 de maio de 2011 às 13:12

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, é um homem digno, sensato e humanista ímpar. Precisou-me de 26 anos afastado dos bancos escolares; tomar a decisão de cursar Direito aqui no Recife ( pela FACIPE); ter tido contato com uma das mulheres mais linda, sensível e maior autoridade em Direito das Famílias do mundo, Maria Berenice Dias, para compreender esses versos geniais do poeta português, que o jurista doutor José Paulo Cavalcati Filho trouxe à vida, à compreensão do mundo, no livro quase autobiográfico: "Fernando Pessoa - Uma quase autobiografia". "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos". Fernando Pessoa.
Parabéns ministro Carlos Ayres Brito. Parabéns STF. Aos poucos o Brasil vai se consolidando na mais democrática das democracias do mundo graças às sensatezes que norteiam as mentes brilhantes da Suprema Corte.Por que o Congresso Nacional fica tão apático à realidade científica, às mudanças comportamentais, à realidade mundial?...

Gusto disse:
09 de maio de 2011 às 14:34

Agora é só esperar a aposentadoria e já tem "acento garantido" na comunidade promíscua. Afinal, quem gosta do nabo...

Mais que coragem, é preciso humildade pra mudar de opinião. disse:
09 de maio de 2011 às 14:40

Gostei do seu comentárioe já estou copiando e tentando aplicar na minha práxis diária a reflexão do escritor Fernando Pessoa: "É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
Seria ótimo se os advogados e os juízes tivessem essa ideia no seu pensamento, teriamos um Judiciário mais atento às mudanças na sociedade pós-moderna.

ADEVANIR TURA - ÁRBITRO - MEDIADOR - CONCILIADOR disse:
09 de maio de 2011 às 19:29

O nobre Ministro deveria ler a Bíblia antes de votar.
AHHH!!! Esqueci que eles se acham que são DEUS!
E quem se acha que é Deus, não precisa nunca ler a Bíblia e nem precisa saber o que a Palavra de Deus diz a respeito.
Parabéns Ministro! O senhor está famoso entre os ímpios. Não se esqueça que nos finais do tempo os ímpios descem e não sobem. E o senhor estará descendo!

Igor M. disse:
09 de maio de 2011 às 21:07

Caso o Ministro optasse por negar seu – incontestável – notório saber jurídico, ele realmente deveria ter lido a Bíblia antes de votar. Mas como há um abismo colossal entre sua inteligência e a ignorância dos fundamentalistas, o Ministro enveredou-se pela democracia quando reafirmou o princípio da laicidade e reconheceu preceitos fundamentais – afastando os hediondos argumentos de muitos religiosos. Já os fundamentalistas militam pelo retorno da época medieval, onde a teocracia reinava sem nenhum escrúpulo e não havia o reconhecimento de nenhum direito fundamental. A única diferença é que agora não desejam mais o regalismo – pois só querem direitos.

Espero cada vez mais decisões neste sentido, reduzindo a insignificância todos àqueles que desejam se intrometer indevidamente – e ilegitimamente – na vida dos outros! Deve mandar se meter com a sua própria vida e ponto! Aos que são homofóbicos, repito o que um cidadão escreveu em outro comentário: efeito erga omnes e súmula vinculante!!!

CURIOSO DO DIREITO disse:
10 de maio de 2011 às 23:49

Eu nao tenho nada contra os ou as gays, agora que queria que eles mesmos se respeitassem, e vivessem com discricão, e nos deixemos de ser HIPOCRITAS, eu quero ver uma linda familia (tradicional - pai, mae, filho, avo etc) num restaurante almoçando em pleno centro da cidade, e um casal gay se beijando e se abracando como se fosse "normal", o filhinho todo inocente perguntando ao pai ou à mae: "papai, mamãe, homem nao deveria beijar mulher? ou isso pode tambem"? e ai, qual a resposta dos que falam que concordam com tal relacionamento, diante de esta cena? pensem, nao aceitar homossexualismo nao é crime, ou agora eu vou ser obrigado a aceitar isso!!!!! hipocrisia jamás!!!! verdade sempre, doa a quem doer.

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