O ex-juiz João Carlos da Rocha Mattos, que completa nesse domingo (15/5) 43 dias em regime semiaberto, declara que "não existe praticamente ninguém preso por aquilo de que fui acusado. Estive preso com um juiz que teria matado a mulher; ele ficou menos tempo do que eu”. A reportagem é do jornalista Daniel Roncaglia, do jornal Folha de S. Paulo.
Processado na Operação Anaconda sob acusação de venda de sentenças, ele cumpriu pena de cinco anos no regime fechado e dois no semiaberto. Pai de cinco filhos, está no quarto casamento. Trabalha em escritório de advocacia e quer um novo registro na OAB.
Leia as declarações do ex-juiz:
A prisão me prejudicou, mas não me matou. Nela, aprendi a conviver com as limitações e tive uma experiência que ninguém tira.
É difícil esquecer, não passei por lavagem cerebral e meus juízos estão intactos.
Mas cumpri o que foi determinado pela Justiça e lutei para diminuir a pena.
Agora a gente tem que ir para frente, não adianta ficar com raiva. Não vou dizer que você fica contente na prisão, amigo de todo mundo.
A situação do processo me fez criar inimigos, mas foram de momento. Obviamente não frequento festas com as pessoas da magistratura. Não seria bem-vindo e não me sentiria bem.
Nesta semana mesmo estive no tribunal e vi dois juízes que me julgaram – um de uma maneira mais dura e outro menos. Eu cumprimentei e me cumprimentaram. Não preciso agredir ninguém, nem mesmo verbalmente.
Não encontrei problema no presídio, nunca fui agredido. Tenho um gênio difícil, mas tive um bom comportamento carcerário.
Nesse mês em que fui para o regime aberto, fiquei organizando meus papéis. Preciso de tempo, porque, quando você está em determinados lugares como a prisão, pode receber uma quantidade limitada de coisas.
A minha vida é praticamente isso: examinar, organizar, limpar o arquivo.
Minha diversão é assistir ao futebol pela televisão. Saio pouco, até por falta de dinheiro. Não sei se ficam me vigiando, mas à noite tenho que ficar em casa por causa da pena.
Você aprende a ficar menos dependente dessas coisas materiais. Acostumei a andar de trem e metrô e aprendi a usar menos celular, até porque fiquei cinco anos sem.
A minha situação financeira é precária, ganho muito pouco no escritório. Tenho que trabalhar, você não pode viver da caridade pública.
Nenhum dos meus bens foi tomado definitivamente, tenho algumas coisas bloqueadas e sequestradas.
O que eu não tenho feito são as atividades esportivas. Desacostumei a correr, já que na prisão não tem espaço. Estou fora de forma, apesar de não estar gordo.
Estive mais de cinco anos fora de tudo. Na prisão, você não consegue ler jornal diariamente. Tem televisão, mas é um aparelho para vários.
Passei por diversas prisões. Fiquei em cela individual e dividi com duas, três e até dez pessoas.
Tinha ainda um atestado médico para ter uma alimentação mais natural. A comida da cadeia é péssima, gordurosa e salgada.
Fiquei com problemas de saúde. Por mais que fosse esportista, não fumasse e não bebesse, sou uma pessoa que tem 62 anos.
Antes da prisão, tinha depressão, tomava medicamentos como Prozac. Melhorei e diminuí os remédios.
Já até pensei em entrar na vida política. Muita gente me sugere. Mas é complicado, até porque tem esse negócio da Lei da Ficha Limpa, apesar de ainda existir dúvida sobre ela.
Sou conhecido, não que seja algo de louvor. Sou abordado por até cinco pessoas por dia.
De cada 10, umas 8 falam que fui o bode expiatório de tudo o que aconteceu neste país. A maioria das pessoas é agradável comigo.
Encontrei também ex-réus na rua. "Você foi juiz do meu caso, foi muito justo comigo", dizem.
O tempo de prisão foi complicado para a família, o mais difícil foi a separação. Houve traumas com os meus filhos.
Até porque as notícias sempre são distorcidas. Os fatos são retratados de maneira muito mais grave do que são. O julgamento da mídia é praticamente irreversível. O que aconteceu é irreparável, tenho plena consciência disso.
Meu mal foi ter sido juiz daquele caso [Celso Daniel]. Aquilo me atrapalhou muito. Foi um processo político.
Foram 300 escândalos e só uma pessoa teve um tratamento tão avassalador.
Não existe praticamente ninguém preso por aquilo de que fui acusado. Não cometi um crime de violência ou hediondo.
Quem afetou a economia pública deve ter um tratamento como o sequestro de bens. Quem comete violência tem que ficar segregado, porque é um perigo.
Estive preso com um juiz que teria matado a mulher e recebe o salário. Ele ficou menos tempo na prisão do que eu. Se eu tivesse matado alguém, sairia antes.
Em 2001, já tinha requisitos para me aposentar. Mesmo afastado, deveria receber, porque contribuí por mais de 30 anos.
Recebi o salário de juiz até 2008. Foi por conta de um processo contra o Fausto De Sanctis que deixei de ganhar. É a única condenação que tenho transitada em julgado dos 16 processos que tive.
Agora tenho seis ações que ainda tramitam. Daqui a uns dois anos não vai ter acabado, até pela própria mecânica na Justiça.
Como delegado e procurador eu só tive elogio. Será que eu mudei tanto assim quando virei juiz?

A afirmação do ex-juiz só é verdadeira se tivesse matado algum comum do povo ou um advogado. Se a vítima fosse alguém que despertasse interesse das cúpulas dos Tribunais ou do Executivo, estaria em uma situação muito pior.
Parafraseando Cazuza, o ex juix está vivendo da caridade dos que o odeiam...
Realmente só mesmo aqui no Brasil é que a lentidão da Justiça????????termina propiciando casos bizarros como esses. O rocha matos pelo o menos passou um periodo em cana o que "via de regra" é muito dificil pois nossa justiça?????? desmoralizada em sua essencia mais basica não gosta muito de engaiolar "seus pares". Agora o elemento posa de "injustiçado injustamente" como diria o lulla 9 dedos. Cabe perguntar se o mui digno Ministerio Publico é composto de moleques que inventaram tudo aquilo do nada , de minha parte tenho certeza que não foi o caso.
Continuo batendo ad eternum no mesmo ponto , servidores da Lei , PRINCIPALMENTE juizes etc etc deveriam apodrecer na cadeia nestes casos pois acima de tudo apunhalam pelas costas as mesmas Leis que juraram defender com unhas e dentes. Aqui não! Nossa zona tupiniquim termina transformando tudo nesta pizza nojenta com a qual ja nos acostumamos com o odor fetido , não muda nunca. Alias esquecendo um pouco o rocha matos , cabe perguntar qual seriedade que nossa justiça de fancaria espera em termos de respeito se via de regra termina patrocinando pela via paralela a bandidagem e a impunidade atraves de sua historica , nauseabunda e insuportavel lentidão. O melhor exemplo nem é o rocha matos e sim aquele bando de VAGABUNDOS envolvidos no mensalão em que absolutamente NINGUEM foi preso apesar das verdadeiras carretas de documentos levantados pelo MP e Policia Federal. Agora inclusive a ratalhada petista começa a voltar com a cara mais lavada como se nadinha tivesse acontecido, isto é o Brasil NOJENTO que tão bem conhecemos. Continuo na campanha pela libertação imediata do Fernandinho Beira Mar pois nosso estado PODRE carece de moral para mante-lo em cana. Que nojo minha gente!
Realmente. Ninguém, neste país, é tão punido como o foi Rocha Matos. Mas isso se deveu à repercussão midiática, não pelo nosso judiciário, que defende o que resta de sua “boa imagem” com segredos engendrados pela loman da ditadura.
Cumpriu sua pena, tornou-se livre, mas não pode mais freqüentar “festas com as pessoas da magistratura”. Mas nem também pode freqüentar ambientes de advogados. Não é bem-vindo. O advogado é essencial à administração da justiça não só na defesa das necessárias prerrogativas, mas também requer idoneidade moral que o juiz que matou a mulher pode ter, mas juiz corrupto não pode ser acolhido pela OAB.
".... ganho muito pouco no escritório. Tenho que trabalhar, você não pode viver da caridade pública."
Agora ele tem que trabalhar? Eantes, o que ele fazia?
Eu, particularmente, não tive o privilégio de conhecer nenhum advogado que tenha tido contato, ou seja, despachado ou participado em audiência com o Rocha Matos. 0-mai-25/tribunal-etica-oab-sp-mantem-re gistro-advogado-jose-dirceu
As minhas curiosidades são as seguintes:
Era arrogante? Ofendia as prerrogativas dos advogados?
Gostava de tripudiar em cima dos advogados? Fazia críticas a OAB?
Se para todas ou a maioria das respostas forem sim, aliados a idoneidade moral, que é um dos requisitos para inscrição na OAB, o meu posicionamento seria NÃO.
Vamos ver, pois, o futuro dirá.
Recentemente, tivemos neste sítio, uma representação de um advogado contra o José Dirceu, pleiteando a SUSPENSÃO PREVENTIVA (ART. 70, §3º, EAOAB) e não obteve êxito.
http://www.conjur.com.br/201
Estou ancioso para saber o posicionamento da OAB, sobre uma pretensa inscrição por parte do ex-magistrado!
Faço minhas as palavras do colega FERNANDO JOSÉ GONÇALVES. Sabemos todos que ninguém rouba sozinho e que quando "a casa cai" é tradição no Brasil arrumar um bode expiatório, que receberá sozinho toda a ira pelo desvio.
Não sei se o Rocha Mattos vai ingressar na advocacia. Mas se isso acontecer tenho certeza de que terá uma das bancas mais promissoras do País, uma vez que cliente adora "gente lá de dentro", que "tem esquema com os omi". Será um dos advogados mais requisitados do País.
Ele quis dizer que se tivesse matado um pobre, seria condenado a 9 ou 10 anos e cumpriria menos de 02 anos. Entretanto, se a vítima fosse um político ou juiz, seria condenado a 30 anos de prisão (ou mais) e teria que pagar um caminhão de indenizações. Esse é o verdadeiro princípio da igualdade do Direito brasileiro, não acham?????
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