Idec critica exigência da Fifa de suspender CDC durante a Copa do Mundo

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) enviou nesta segunda-feira (3/10) uma carta à presidenta Dilma Rousseff criticando a intenção do governo de rever pontos da Lei Geral da Copa para atender exigências feitas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), como tornar o Código de Defesa do Consumidor sem validade durante a Copa do Mundo de 2014. Cópias do documento também foram encaminhadas aos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do Esporte, Orlando Silva Junior.

A Fifa diz que é fundamental rever a concessão da meia-entrada para idosos e estudantes e a proibição à venda de bebidas alcoólicas nos estádios. A federação também quer o aumento da pena de prisão por falsificação de produtos durante o mundial de futebol.

Na avaliação do Idec, as últimas manifestações do governo indicam o afastamento de direitos conquistados, como o Estatuto do Idoso, o Estatuto do Torcedor, as leis estaduais de meia-entrada para estudantes e, especialmente, o Código de Defesa do Consumidor durante o evento. "É inaceitável que qualquer evento, de cunho desportivo ou de qualquer natureza, justifique o descumprimento de direitos e garantias constitucionais, viole conquistas sociais e afronte às leis nacionais vigentes."

O instituto também critica o ponto da Lei Geral da Copa referente à determinação da venda avulsa ou conjunta dos ingressos pela Fifa. "Na prática, esse dispositivo permite que ocorra um dos principais problemas para os consumidores brasileiros: a venda casada." Para o Idec, isso configura prática abusiva, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

A Lei Geral da Copa permite ainda que a Fifa estipule uma cláusula penal em seus contratos com os torcedores consumidores em caso de desistência ou cancelamento do ingresso comprado. Segundo o Idec, isso significa que a federação pode imputar penas (como prisão e multa) ao consumidor. Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, o projeto da Lei Geral da Copa "atribui poderes supralegais à Fifa, que passa a ser o único fornecedor eximido de obedecer à normas nacionais vigentes durante o período da Copa".

A Lei Geral da Copa foi enviada há cerca de 15 dias ao Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), criou uma comissão especial para analisá-la e encaminhá-la o mais rápido possível para o plenário da Casa. Uma vez aprovada na Câmara, a lei deve ser encaminha ao Senado. A previsão é que os senadores votem a proposta no próximo ano. Com informações da Assessoria de imprensa Agência Brasil.

Stanley M.D.Tenório disse:
04 de outubro de 2011 às 08:44

É simplesmente inacreditável que uma modalidade esportiva permeada por escândalos mil, suplante a soberania de um Estado, menoscabando todo o seu povo, com vistas a atender interesses de um grupo. Espera-se que as instituições não permitam tal desatino.
Sinceramente, é simplesmente inacreditável o que essa copa vem promovendo em termos de lesão ao ordenamento pátrio.
Acorda, Brasil!

Marcelo Augusto Pedromônico disse:
04 de outubro de 2011 às 09:09

Minha indignação é a mesma, ou seja, acho mesmo inaceitável, inacreditável, ultrajante.
Porém, isso tudo segue a lógica das coisas, o que sempre acontece, nada de "surpreendente".
Mas com a publicidade que se deu às divergências entre a federação e a Presidente Dilma, ficou um pouco complicado para o congresso nacional abrir mão da nossa utópica soberania. Quem sabe desta vez a fifa não consiga... assim espero.

Enos Nogueira disse:
04 de outubro de 2011 às 09:45

A imprensa inglesa já disse que são alguns desses senhores, sendo assim querem mudar o ordenamento jurídico de um país, que acredito soberano, para que seja adaptado as suas "regras" não muito transparentes. Não quero a copa no Brasil (quem sou eu para não querer, mas não quero).

Enos Nogueira disse:
04 de outubro de 2011 às 09:59

Será que não querem também mudar o Código Penal para que se algum dirigente cometer crime fique impune? Será que eles fariam essas exigências aos Estados Unidos?

Luiz Gustavo Marques disse:
04 de outubro de 2011 às 10:47

Algumas das exigências da FIFA até poderiam ser implantadas sem maiores problemas, como a liberação de vendas de bebidas alcoólicas e, ao menos na minha singela opinião, poder-si-ía até chegar em um meio-termo com relação à qestão da meia-entrada, mesmo porque se trata de uma Copa do Mundo, um evento que movimenta largas cifras e tem que ser garantido o retorno financeiro necessário senão a realização dele fica inviável. Além do mais o evento é internacional, sendo necessário buscar um equilíbrio entre as culturas dos países. Como por exemplo, iríamos proibir o uso das vuvuzelas barulhentas nas cercanias de um conglomerado de sul-africanos? Não é questão de ser contra ou a favor da realização da Copa, pois já nos comprometemos com tal evento e não há mais nada a ser discutido nesse particular.
Mas agora, afastar a vigência do Código do Consumidor, isso seria incontestavelmente inconstitucional.

disse:
04 de outubro de 2011 às 10:57

Desde já sendo preconceituoso! Mas, catapultar a lei de um país em nome de "jogo"? Que me perdoem os que pensam diferente, entretanto, smj, as coisas não se misturam. A legislação de um país soberano é coisa séria. Até gosto de futebol, sei que há interesses econômicos e mais uma série deles, mas vamos falar sério! Estão achincalhando o país. Aí, não venham dizer que aquele "rapaizinho" não tinha parcela de razão quando disse não sermos sérios, caso assim aceitem... Jogo é jogo, treino é treino, lei é lei, e, não há como suspender seus efeitos por um determinado "tempinho". Isto é um atentado, pior do que ás torres gêmeas, à nossa vocação como país soberano. Pau neles!

EdsonCosta disse:
04 de outubro de 2011 às 10:59

Revoga-se o Estatuto do Idoso;
revoga-se o CDC;
revoga-se a Constituição Federal.
Vamos difundir em todas as mídias os nomes daqueles que aprovarem ou apoiarem este atentado à soberania nacional.

EdsonCosta disse:
04 de outubro de 2011 às 11:00

Revoga-se o Estatuto do Idoso;
revoga-se o CDC;
revoga-se a Constituição Federal.
Vamos difundir em todas as mídias os nomes daqueles que aprovarem ou apoiarem este atentado à soberania nacional.

Marcos Alves Pintar disse:
04 de outubro de 2011 às 11:47

Uma ofensa à soberania nacional e a todo o povo brasileiro. Se a FIFA de fato propôs isso deve ser tratada a partir de agora como uma organização criminosa, e banida definitivamente de todo o território nacional.

Ricardo T. disse:
04 de outubro de 2011 às 12:19

SIMPLES ASSIM. O Brasil foi lá e se candidatou a sediar a Copa. Agora, tem que seguir as regras, sob pena de ser chamado de caloteiro.

Armando do Prado disse:
04 de outubro de 2011 às 13:10

A FIFA poderia mudar o nome para Cosa Nostra e ninuguém notaria diferença alguma.

Iartelli755 disse:
04 de outubro de 2011 às 14:10

Desde quando uma entidade privada consegue alterar a legislação de um Estado (Brasil) ou uma unidade da federação e não viola a Soberania ?
A ordem de extradição de Cezare Batisti solicitada pelo Estado italiano, segundo alguns rábulas do STF foi uma afronta a soberania brasileira, pois contrariava a decisão administrativa do Presidente Lula, e não contrariava o Tratado Internacional firmado e ratificado pelo Congresso.!
Agora, que quebrada a barreira do respeito às normas com o caso Batisti, pode a PRESIDENTE e seu acecla falastrão, contrariar as Leis Brasileiras!!!

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