Direito & Mídia: As maléficas interferências da Igreja na vida civil

Spacca

Lembro da surpresa que foi ler a reportagem de capa da revista alternativa portenha La Maga sobre os gastos do governo com as viagens periódicas dos bispos argentinos a Roma. Relançada no ano passado, La Maga foi um marco na contracultura do país vizinho nos anos 90. Era impressa em papel barato e se propunha a discutir temas ignorados pela chamada indústria cultural. Já as visitas dos bispos a Roma, conhecidas como viagens “ad limina apostolorum”, é ainda hoje uma obrigação imposta pelo Código do Direito Canônico de os prelados realizarem a cada cinco anos uma visita ao papa e realizar uma prestação de contas dos trabalhos em suas dioceses.

Por que o governo argentino banca os custos dessas viagens dos dignitários da Igreja Católica Apostólica Romana? Faz parte dos usos e costumes daquele país e consta no artigo segundo da Constituição Argentina, que diz: “El Gobierno federal sostiene el culto católico apostólico romano.

Também o Brasil imperial teve laços dessa natureza com a igreja católica. A Constituição de 1824, no artigo 5º, definia o catolicismo como a religião do Império, embora permitindo outros cultos desde que realizados em locais sem aparência de tempo. Mais adiante, no artigo 102, define como atribuição do imperador: “§ II. Nomear Bispos, e prover os Benefícios Ecclesiasticos.” Ou seja, os bispos ocupavam posição de funcionários do Estado, com salário e tudo. Foi essa a causa da “questão religiosa”, um dos motivos da queda do regime monárquico em 1889. Dois bispos, Dom Vital de Oliveira, de Olinda, e D. Antônio de Macedo, de Belém do Pará, que haviam ido estudar Teologia em Roma com bolsa concedida pelo imperador, se recusaram a aceitar como membro das confrarias religiosas os adeptos da maçonaria. Velha aliada da Igreja, a maçonaria caíra em desgraça sob o papado ultramontano de Pio IX. Os dois bispos acabaram presos e depois anistiados pelo então conciliador chefe de governo Duque de Caxias (o ministro anterior, Barão do Rio Branco, era grão-mestre da maçonaria, daí a saia-justa).

Essas picuinhas todas terminaram com a República, que formalizou a separação entre o Estado e a Igreja. Foi bom para todo mundo. Infelizmente não é o que se vê hoje em dia na Rússia. Ali, a Igreja Ortodoxa Russa está cada vez mais intrincada com o atual governo de Vladimir Putin, dando apoio e suporte à série de desmandos que leva aquele país, um dos membros dos BRICs, a cada vez mais perder o barco da história. Uma potência nuclear e pioneira na corrida espacial para a Lua, hoje a Rússia não é referência nem em indústria automobilística (todos os carros que circulam em desabrida velocidade pelas amplas avenidas de Moscou são das conhecidas marcas alemãs, japonesas e coreanas), nem da informática ou das telecomunicações. A Rússia esbanja os recursos naturais, devasta seu território, vendendo florestas inteiras para os vizinhos chineses, tem um dos regimes mais corruptos do planeta (e olha que esse é um duro páreo) e boa parte de sua população mais jovem (exígua para o tamanho do país), dizem as pesquisas, se pudesse iria viver em outros lugares, como de fato fazem os que conseguem.

A que vem todas essas considerações? A dois fatos amplamente divulgados esses dias. Um deles foi a condenação a dois anos de prisão das três integrantes da banda punk Pussy Riot pela Justiça russa na sexta-feira passada (17/8). O nome da banda já é um atrevimento, algo assim como a “revolta das xoxotas”. E elas têm mandado bem. Mas essa decisão de dois anos de prisão despertou forte repercussão internacional, com manifestações em diversas capitais (Barcelona, Viena, Berlim e Hamburgo, Londres, Paris, Nova York, Sydney, Buenos Aires, Oslo, Kiev, na vizinha e inimiga Ucrânia), pedindo a liberdade do grupo — punido após protestar no altar da maior igreja ortodoxa do país, a Catedral de Cristo Salvador, em Moscou. As moças do trio haviam se oposto, entre outras coisas, à recondução de Putin à Presidência e à falta de lisura nas últimas eleições daquele país.

A catedral de Cristo Salvador é um marco emblemático na Igreja Ortodoxa Russa. Foi construída a partir de 1812 por ordem de Alexandre I, para celebrar a vitória sobre as tropas napoleônicas. Ela disputa com a igreja de São Basílio, dentro do Kremlin, o prestígio de ser o principal templo da cidade, onde acontecem as principais solenidades da Igreja Ortodoxa. Consagrada em 1883, com a coroação de Alexandre III, se tornou símbolo sagrado no imaginário russo.

Com a torre principal chegando a 103 metros, o templo tem um jogo de cinco belas cúpulas douradas e capacidade de abrigar 7 mil fieis. Com o regime stalinista, a igreja foi dinamitada em 1933, para dar lugar a um Palácio dos Sovietes, que deveria ter uma torre de 400 metros de altura e a estátua de Lênin no cimo, com 98 metros. A ideia não chegou a se concretizar e, com a morte de Stálin, Krushev decidiu construir uma piscina pública com capacidade para atender a 20 mil frequentadores simultaneamente. Com o final do regime, o patriarca da igreja ortodoxo russa liderou um movimento, encampado pelo prefeito de Moscou de refazer a igreja. A piscina foi fechada em 1994 e a catedral reconstruída exatamente como a original, abrindo novamente suas portas na noite de 31 de dezembro de 1999.

A condenação das Pussy Riot aconteceu pouco depois de o Tribunal Municipal de Moscou confirmar, no dia 7 de agosto, a validade de uma lei da cidade que proíbe pelos próximos 100 anos a realização de paradas gays na capital russa. Outra vez o dedo da Igreja Ortodoxa. Ecoa, de certo modo, a famosa frase do cardeal ítalo-argentino Antonio Quarracino, que afirmou na época do general Videla que o lugar dos gays era no zoológico.

No ano passado, numa entrevista que realizei com o diretor da Academia de Música do Hermitage, de São Petersburgo, o compositor Sergey Yevtushenko, ele contava que diversos projetos de homenagem ao centenário da morte do grande escritor Leon Tolstoi, ocorrido em 2010, tiveram o financiamento cortado pelo governo, por pressão da Igreja Ortodoxa Russa. Yevtushenko é autor da trilha de filmes como A Arca Russa, de Aleksandr Sokurov, e A Última Estação, do alemão Michael Hoffman — justamente sobre os últimos anos de vida de Tolstoi, excomungado pela Igreja Russa. E esta, apesar de ter vivido meio na clandestinidade durante o longo regime comunista, nunca voltou atrás em sua condenação.

Tolstoi, filho de um conde e uma princesa, casado com uma nobre russa, Sophia Andreievna Bers, com quem teve 13 filhos, ele mesmo portador do título de conde, ficou famoso por tornar-se, na velhice, um líder pacifista. Muitos de seus textos e ideias, libertários, batiam de frente com as normas da igreja ortodoxa e do governo czarista, por pregar uma vida simples e em proximidade com natureza. Na busca desse ideal, de um sentido para a sua vida, Tolstoi deixou a família e as riquizas para ir viver como um agricultor ou mujique qualquer. Em seu tempo, ele chegou a ser comparado com a figura de Jesus. E sua doutrina pacífica da desobediência civil, bebida nas leituras do pensador americano Henry Thoreau, influenciou diversos pacifistas e ativistas da resistência não-violenta — os mais notáveis deles foram o Mahatma Gandhi, responsável pela independência da Índia do domínio britânico, e o homem que conseguiu vencer o apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

No segunda metade do século XIX, preocupado com a precariedade da educação no meio rural russo, Tolstoi criou em seu povoado natal Iasnaia Poliana, a 200 km de Moscou, uma escola para filhos de camponeses. Ele mesmo escreveu grande parte do material didático e, contrariando a ridigez da pedagogia da época, deixava os alunos livres, sem excessivas regras e sem punições. Tudo isso enquanto escrevia, ao longo de sete anos, o seu portentoso Guerra e Paz (1869) e depois o Anna Karenina (1878), obras que já prenunciam essa preocupação com a situação miserável dos mujiques.

O cristianismo do escritor recusava a autoridade de qualquer governo organizado e de qualquer igreja. Criticava também o direito à propriedade privada e os tribunais e pregou o conceito de não-violência. Para difundir suas ideias Tolstoi escreveu panfletos, ensaios e peças teatrais, criticando a sociedade e o intelectualismo estéril das discussões teológicas da Igreja. A Igreja russa o excomungou em 1901 e nunca mais admitiu homenagens, pegando pesado na pressão ao governo para não dar suporte às comemorações previstas para 1910.

Mas deixemos de lado a Rússia, e vamos falar da China, a bola da vez. E não apenas pela eleição, no sábado passado, da bela Wen Xiayu como a Miss Mundo 2012, no certame realizado no estádio de Ordos, na Mongólia interior. Esse será o tema de uma série de crônicas a partir da próxima semana, visto que o editor deste site deu sinal verde para, em tempos de julgamento do mensalão e das enrolações da CPMI, essa coluna viaje por outros mares. Até a próxima semana.

Carlos Costa

é jornalista, professor da Faculdade Cásper Líbero e editor da revista diálogos & debates.

Raphael Luiz Piaia disse:
22 de agosto de 2012 às 16:16

Excelente crônica! Os defensores do multicultualismo, de certa maneira, acabam agredindo a própria liberdade cultural inconscientemente.

JMAF disse:
22 de agosto de 2012 às 17:32

Bom texto, porém o autor parece querer levar a acreditar que todos os males provém da Igreja e da religião em geral.
Diz que a proclamação da República "foi bom para todo mundo", contudo esse é um posicionamento muito controverso atualmente.
Posteriormente cita as mazelas da Rússia, concluindo com uma crítica à Igreja Ortodoxa Russa, contudo, esquece que tais problemas daquele país são reflexos do passado, no qual a igreja e a religião era proibida.
E conforme o comentário do colega Raphael Piaia, "os defensores do multiculturalismo...", vejo uma verdade atual pouco abordada, pois todos tem direito de se manifestar, contudo, quando a Igreja se posiciona é amplamente criticada.
Esquecem-se de lembrar a influência da religião em nossa sociedade, que apesar dos erros e abusos, em muitos pontos foi positiva, certamente nem teríamos a internet para debater e expormos nossos pontos de vista, não fosse o influência da Igreja no passado.
Quanto ao auxílio financeiro do Estado à Igreja, me pergunto qual a razão para a oposição, levando-se em consideração que o Estado apoia a cultura, a educação e muitos outros projetos, e a Igreja, queira a sociedade atual ou não, faz parte de nossa vida, cultura, moral, ciência, dentre outros pontos que sofreu e sofre influência, e desde que os auxílios não sejam absurdos, não há porque serem proibidos.
Devemos lembrar que vivemos numa democracia, e a voz da maioria deve ser respeitada, logo, o Brasil sendo o maior país católico do planeta, será influenciado pelos cristãos de uma forma ou de outra.
Também não há nenhum fato que demonstre ser a religião a raiz do mal no homem, ela é apenas uma ferramenta utilizado para justificar, contudo, regimes ateus também cometeram barbáries sob a égide de outras filosofias.

Richard Smith disse:
22 de agosto de 2012 às 18:51

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Em primeiro lugar, a posição, hum, "espiritual-ideológica" do sempre brilhante autor, fica evidenciada já logo de cara!;
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Em segundo lugar: a Igreja SEMPRE FOI CONTRA A MAÇONARIA, desde o seu surgimento no formato atual, em 1723 com as "Constituições de Anderson" (pastor Protestante presbiteriano), tanto que data de 1738 a primeira carta encíclica de autoria do Papa Clemente XII ("In Emininti") com a grave pena de EXCOMUNHÃO contra Católicos que deem seu nome à Maçonaria. Esta pena está em vigor e foi recepcionada pelo novo Código de Direito Canônico e esclarecida pelo então Cardeal Ratzinger da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, através de resposta a consulta de bispos, em 1983!
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Quanto ao episódio dos Bispos, que foram fiéis à sua Igreja e não ao poder Imperial, verifique-se como exemplo, que durante o episódio dos Farrapos, o então Marques de Caxias, glória do nosso Exército e grão- mestre substituto da Sociedade tendo surpreendido e prendido o líder Farrapo David Canabarro, o "Centauro dos Pampas" foi OBRIGADO a dar-lhe fuga após este ter-lhe feito o sinal secreto de "auxílio" da Maçonaria. Um belo exemplo, não?!
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Depois, o chamado regime do "Padroado" aonde o governo civil sustenta o Clero com "côngruas" - mas tem poder sobre a indicação de Bispos e de veto! - fere o princípio da Liberdade Religiosa e é desaconselhado pela própria Igreja ("dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!").
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Depois ainda, quanto à importância da Igreja Católica na formação do Ocidente, da preservação da cultura durante as invasões bárbaras, da criação das primeiras universidades e na formação e preservação territorial do próprio Brasil...bem, é algo tão notável e já por demais conhecido, que dispensa maiores cometários!
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Richard Smith disse:
22 de agosto de 2012 às 19:06

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E em se falando de "influências danosas da Igreja" e da China, espero que o escriba se ocupe um tantinho da chamada "Igreja Católica Patriótica", "igreja" chapa-branca, criada por Chú-En-Lai para fazer contraponto à verdadeira Igreja Católica Apostólica Romana Chinesa, fiel ao Papa e ao Vaticano (como deve ser todo o Católico, aliás!) e que é tratada como "potência estrangeira" e seus fiéis, Sacerdotes e Bispos cruelmente perseguidos!
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Não seria um bom assunto?!
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Vagner Ribeiro disse:
22 de agosto de 2012 às 19:40

Falta ao povo brasileiro um senso crítico.Todos entendem de futebol e seus esquemas táticos, mas não veem que os países católicos são os mais atrasados em seus respectivos continentes.Basta ver Portugal e Espanha na europa, os países da américa latina face aos Eua e Canadá. Só não ver quem não quer.

Vagner Ribeiro disse:
22 de agosto de 2012 às 19:58

Falta ao povo brasileiro um senso crítico.Todos entendem de futebol e seus esquemas táticos, mas não veem que os países católicos são os mais atrasados em seus respectivos continentes.Basta ver Portugal e Espanha na europa, os países da américa latina face aos Eua e Canadá. Só não ver quem não quer.

Veritas veritas disse:
23 de agosto de 2012 às 00:49

Achei o texto preconceituoso com a Igreja Católica, que tem todo direito, numa democracia, a fazer-se ouvir e buscar estender sua influência. Qualquer instituição, religiosa ou não, tem o direito de fazê-lo. O autor tenta convencer, de forma rasa, que a mais antiga instituição do mundo ocidental, não merece ser respeitada e ouvida. É um texto para ser esquecido.

Observador.. disse:
23 de agosto de 2012 às 09:53

Tinha pensado em dar minha opinião, fazendo um libelo contra este texto tão distorcido, tendencioso e - me desculpem - intelectualmente covarde.
Esquecer as notáveis contribuições da Igreja Católica à nossa civilização - e mesmo ao Direito - é desconhecer a história.
Lamentavelmente, está na "moda" bater na Igreja Católica.Diferente de outras religiões, esta tolera Charges, achincalhes e exageros retóricos ( quanto às suas falhas ) sem perseguir quem os fez ou escreveu.
Mas a sugestão do Richard Smith (Consultor) e a adjetivação do Prætor (Outros)já disseram tudo.

Marcus Venicius Nunes da Silva disse:
23 de agosto de 2012 às 10:29

No mínimo desrespeitosa a visão do jornalista, autor do texto. Digo isso, em razão da visão caolha que externou, uma vez que a Igreja Ortodoxa Russa sofreu um ataque deliberado e irresponsável.
Aliás, o ataque foi ao culto religioso, pois tais acontecimentos atingem a qualquer Igreja.
Permitir, apoiar, incentivar qualquer manifestação que exorbite da órbita do respeito, maculando templos religiosos, é permitir a proliferação do ódio contra religiosos.
O mundo caminha para um terreno perigoso. O terreno da intolerância. É certo que a Igreja precisa respeitar opiniões diversa. Repito, opiniões, não agressões.
O texto do jornalista precisa ser jogado na vala imunda dos depreciáveis.

Raphael Luiz Piaia disse:
23 de agosto de 2012 às 10:32

Prezados,
Vale recordar que democracia não significa, ipso facto, respeito à vontade da maioria ou acatamento da voz das massas. Um dos pressupostos do Estado não-confessional é sua eqüidistância da Igreja (seja ela qual for). O Estado Laico não é propriamente ateu, porém não pode imiscuir-se em assuntos religiosos – menos ainda estabelecer uma religião oficial, como faz o medonho art. 2º da Constituição Argentina, ou subvenionar esse ou aquele líder religioso.
Não se nega que a religião, v.g. católica, pode ter trazido benefícios ao Ocidente, contudo, quando sopesados, receio que os malefícios vençam. Note-se que todas as vezes em que a Igreja resolveu interferir nos assuntos de Estado pensadores foram ameaçados e o retrocesso científico se fez presente (salvo, por óbvio, período em que ser pensador pressupunha pertencer às fileiras da Igreja).
Christopher Hitches tem razão ao dizer que “religion poisons everything”. A represssão absolutamente desproporcional às garotas russas citadas pelo Carlos Costa demonstra isso, ou seja, quando possui poder efetivo, a religião de fato interfere coercitivamente na sociedade (interfere, frise-se, para minar o processo democrático). Em nossas paragens, sem dúvida, se pudesse ela interferiria tanto quanto os ortodoxos russos: só não o faz porque o Estado, até então, tem consigo se manter distante dela.
Em outras palavras, a(as) Igreja(as) tem todo o direito de se fazerem ouvir, o Estado, porém, tem o dever de fazer ouvidos moucos a ela - afinal, a Igreja fala aos seus súditos fieis, porém nem todos os súditos do Estado são fieis à Igreja.

Soust disse:
23 de agosto de 2012 às 15:30

Carlos Costa, como de costume, nos brindando com um excelente artigo.
Antes que critiquem o título do meu comentário, explico: Não desconheço que a herança religiosa de uma nação é traço marcante de sua identidade cultural, mas acredito que tal fato não autoriza que esta ou aquela igreja influencie a política de Estado - como denunciado pelo articulista no caso russo -, forje aliança com o governante ou mesmo receba subvenções, como o ilustre Judah pareceu apoiar em seu comentário.
E isto não pode ocorrer porque, ao contrário de outros elementos culturais, a igreja trabalha com argumentos de autoridade, não cedendo espaço para a contraposição dialética.
Esse sistema baseado em hierarquia e autoridade é assunto interno de cada denominação e cada religião, e é lá que deve ser deixado e tratado. Não serve ao Estado Democrático de Direito, onde a voz da maioria deve ser respeitada sim, mas a voz da minoria tampouco pode ser sufocada.
Não vi qualquer desrespeito ou preconceito de Carlos Costa com a Igreja de Roma. O autor denunciou o conluio entre Putin e outra denominação, apenas citando católicos de forma ilustrativa, demonstrando, assim, o malefício que a mistura entre religião e Estado representa para a democracia.
Aliás, penso eu, a reação exaltada dos eminentes comentaristas anteriores apenas reforçou a mensagem da coluna. Defenderam o Papa e sua Igreja com a mesma paixão que um militante que diz que o mensalão nunca existiu e o Presidente Lula nada sabia.

Richard Smith disse:
23 de agosto de 2012 às 17:34

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Ter de lembrar sempre a ordem das coisas para os "libertários", "livres-pensadores" e outros medíocres (ou pior, maliciosos mesmo) que pretendem atribuir poderes "divinos" à balela do "Estado Laico", construção bem recente, do Iluminismo e, essencialmente, anti-cristão (= ANTICATÓLICO, mesmo). Que conhece História há de lembrar os excessos e a inauguração dos primeiros atos anti-humanos contra o seu próprio povo no chamado "século das luzes", que vai do ultimo quarto do Século XVIII até o mesmo período do Século XIX, com os massacres inauditos da "Revolução" Francesa até os Carbonários e assassinos de Mazzini (de onde provém o vocábulo MAFIA, só para citar).
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Mas vamos lá: o INDIVÍDUO precede à FAMÍLIA e esta a SOCIEDADE, entendida como um agrupamento de pessoas reunidas para o incremento do bem-comum. Só depois é que surge o Estado, como produto de poderes delegados por aquela última, justamente para dirigir a coletividade em direção ao tal bem-comum mediante o estabelecimento de leis JUSTAS a serem seguidas por todos. Simples, não é?
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O convivio em Sociedade e, deste modo, a Liberdade de Religião, assim como a de expressão, pressupõe o respeito mútuo e a capacidade de convivência entre todos, com limites para ambas, para que não invadam o espaço alheio.
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Dassa forma, cabe ao Estado ser "neutral" e não LAICO porque assim não o são as diversas pessoas da Sociedade que o origina e lhe dá autoridade. Outra coisa bem simples de entender.
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Então, o verdadeiro "dogma" do Estado Laico, bem como das interpretações que dele se pretendem, oportunisticamente, fazer (retirada de crucifixos de repartições públicas, proibição de subvenção estatal à reparação de igrejas históricas, etc.) são meros pretextos. E ofensivos!
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Richard Smith disse:
23 de agosto de 2012 às 17:42

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Sem entrar em questões doutrinárias e teológicas, afirmar que o saldo das ações da Igreja seja "NEGATIVO", é, se não for apenas crassa ignorãncia, pura má-fé.
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Um estudo um pouco além das orelhas de livros anti-clericais e dos panfletos ídem, e além das "opiniões" muito "isentas" e "esclarecidas" - como as que eu ouvi certa vez de um professor de História (?!) da USP em determinada festa, que disse que a Inquisição havia matado "MILHÕES DE PESSOAS" (certamente despovoando toda a Europa, não?!) e que que Galileu havia sido uma de suas vítimas, morrendo na fogueira (!)- faz um bem danado à Cultura e também à própria face, eis que evita expô-la desnecessariamente à natural execração provocada pelo desvendamento da ignorância ou, pior, da má-fé (em ambos os sentidos!).
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Marcos Arraes disse:
24 de agosto de 2012 às 04:20

Como quem lê um manual de equipamento eletrônico, penso que deveriamos ler o texto bíblico, o catecismo da Igreja Católica Apostolócia Romana, ler atentamente seus rodapés e contextualizar suas articulações com os textos bíblicos indicados, daí extraindo conclusões.
Outrossim, deveria haver uma atenção aos documentos (encíclicas, principalmente, além de concluir o estudo buscando informa-se das tradições apostólica. Discípulares (primeiras comunidades - há um texto muito antigo a "didakè", bastante elucidativo).
Contudo, não nos iludamos que a busca por tal conhecimento, sem interesse por conhecer a "Verdade", pois somente Ela liberta (saliente-se que N.Senhor Jesus referia-se ao conjunto de preceitos explícitos e implicitos daquilo que Ele falou abertamente e daquilo que Ele transmitiu seja por parábolas, pregações ou atos).
Ouso sugerir que a cultura precisa ser empírica, ou seja, plasmada no mundo das realizações, das práticas. Logo precisa ser acompanhada de, no mínimo, um dia ou parte dele, numa antessala de ;ospital público de modo a ver, ouvir e respirar as ocorrências subjetivas vividas por aqueles que ali buscam atendimento (são vários os possíveis); frequentar um orfanato (como o "Poço de Jacó, em Três Lagoas, MS") ou um asilo de idosos (como um existente em Selviria, MS - montado por uma servidora aposentada Unicamp, com apoio de vários colaboradores). Indico ficar um final de semana na "Fazenda da Esperança" em Guaratinguetá, SP ouvindo relatos de dependentes químicos que buscam sua recuperação (dependentes de drogas ilícitas ou de álcool).

Marcos Arraes disse:
24 de agosto de 2012 às 04:25

Também indico uma tarde no Recanto da Comunidade Terapeutica Bethânia, que tem uma de sua casas em Lorena, SP, idealizado pelo Professor Felipe Aquino (Doutor em fisica e professor aposentado da USP da mesma cidade) e pelo saudoso Pe. Leo Tarcísio Gonçalves, SCJ, sem esquecer participar de dois ou tres encontros em qualquer um dos muitos GEVs da Fa-zenda da Esperança espalhados pelo Brasil ou nas re-uniões do Amor Exigente, também bastante difundida nas cidades brasileiras, tendo sido idealizado e im-plantado pelo Pe.Haroldo Hans e outros colabora-dores. Não se perca de vista o trabalho social firmado com os “irmãos de rua” pela Fraternidade Toca de Assis idealizada pelo Pe.Roberto Lettieri. Estes exemplos de instituições orientadas por ideais Cristãos Católicos, são alguns dos pouquíssimos elementos que podem servir de subsidio a verificar se a Igreja Católica Apostó-lica Romana, pode ou não, tem ou não legitimidade para interferir sociedade civil. De um modo mais direto ain-da, para eventual entendimento de que os exemplos ante-riores são superficiais e inconsistentes, consideremos o embrião da "Lei da Ficha Limpa" que teve sem marco inicial na coleta de assinaturas por Leigos Católicos, sob orientados de Padres e Bispos que apresen-taram a proposta no congresso, onde, um foi acolhida por um Congressista que apresentou o projeto de lei. Reitere-se, a Igreja tem autoridade moral ou legitimidade para interferir democraticamente na sociedade civil, ordina-riamente no que tange a espiritualidade e religiosida-de, sem esquecer que por estando no mundo viverá nele, não compactuando com suas mazelas.

Marcos Arraes disse:
24 de agosto de 2012 às 04:34

Empreendendo todas ou algumas destas atividades simples, que sequer implicariam em grande dispêndio financeiro, acredito que uma pessoa teria subsídios múltiplos e concretos para redigir um responsável texto criticando ou exaltando a Igreja Católica. Agora creio seja um despropósito, senão má-fé trazer-se afirmações amplas com apoio em meia dúzia de elementos que nao correspondem sequer a verdade histórica, já que no norte da Europa, a Igreja Protestante dizimou milhares de familias católicas ou simpatizantes, ao passo que homicídios ocorridos sob a alegação de ser a igreja, foram perpetrados pelos Governantes da época, posto que Estado e Igreja eram uma unica realidade, sendo conveniente justificar atrocidades com espeque em teses religiosas para se livrar de desafetos. Logo a veracidade dos argumentos trazidos em certos textos, sequer são críveis, talvez até tentando macular a cátedra do Sucessor Apostólico de S.Pedro, atualmente o Papa Bento XVI.
Não custa lembrar que a Santa Sé é a instituição com mais membros detentores de prêmios Nobel em todo o mundo, ao todo 31. Ora, poderia ser esta instituição ignota e sem credenciais para colaborar e interferir democraticamente na sociedade civil? Penso que a dúvida que alguns lançam seja apoiada em meias verdades premeditadas ou insipiência pura, derivada de uma incipiência retumbante (apesar dos anos vividos).

Marcos Arraes disse:
24 de agosto de 2012 às 04:36

No mais, quanto as viagens ordinárias a Roma pelos Bis-pos, visam estreitar os laços, revigorar a coerência de entendimentos dos Bispos Universais com a Santa Sé, que além de ser o depósito da Fé Católica Apostólica Romana, tem natureza jurídica de Estado Soberano, reco-nhecidos em tratados e leis internacionais com vigên-cia reconhecida (ainda que todos os bispos, signifi-quem "duas vezes pó", como humildemente, mas sem per-der a alegria e ternura, salienta o também Bispo de Lins, SP, D.Irineu Danelon, numa alusão a questão se-mântica).
Não posso deixar de trazer a baila um quesito que não me passa despercebido, qual seja, a curiosidade e ne-cessidade da mídia mundial (que por vezes tenta macu-lar a Igreja Católica Apostólica Romana), sempre busca saber o que o Santo Padre pensa sobre assuntos rele-vantes, deixando todavia, determinados cronistas de lado, posto que seus posicionamento não tem relevância suficiente a motivar a busca por sua opinião.
Por fim, mas não menos importante, mas muito pelo contrário, faço um tradução livre do que disse N.Senhor Jesus aos apóstolos quando disse que assim como o perseguiram, perseguiriam aos apóstolos e discípulos, nunca tendo prometido vida fácil àqueles que o seguiam, até porque disse, que quem quisesse segui-lo, que pegasse sua cruz de cada dia e viesse após Ele. Contudo disse, também que não tivessem medo, pois como Ele venceu o mundo, os seguidores também venceriam. Cumpre asseverar que, Ele mesmo disse a Pôncio Pilatos, que seu Reino não era neste mundo, donde se extrai que a vitória mais grandiosa nesta vida, não se equipara às delícias que virão no Reino de Deus, onde Ele estará sentado a direita do Pai.

Marcos Arraes disse:
24 de agosto de 2012 às 04:37

Por tudo, causa-me alegria fazer este comentário, de modo a lançar um feixe de luz, nas trevas intelectuais daqueles que vivem como quem tem escamas nos olhos (como outrora o covertido S.Paulo teve). Saliento ainda que não há como falar-se do tema, sem adentrar questões religiosas, para que não se tenha uma inverdade travestida de meia verdade. Quem tem visão ou audição e intelecto que busque a Verdade e regozije com a vitória! Que assim seja!

Raphael Luiz Piaia disse:
24 de agosto de 2012 às 08:40

O problema dos fãs do Recórter Hidrófobo da Veja, a.k.a. Reinaldo Azevedo, é essa virulência furibunda e corajosamente restrita à internet que termina por não dizer absolutamente nada. Um ou outro remendo de argumento jogado ao ar combinado com ausência do menor resquíscio de urbanidade e acompanhados de doses e mais doeses de argumentação ad hominem atrás de argumentação ad hominem. Não é sem motivo que a pronfundidade das idéias do Recórter agradem tanto aqueles que se sentem afogados quando mal chegam a molhar as canelas.
Há uns 4 anos levantei uma hipótese que talvez explique o porquê de esses sujeitos terem tanta amplitude por aqui. Acho que o Carlos Costa já comentou algo sobre isso, mas aí vai mesmo assim:
A fama de pessoas como Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo em nosso país é compreensível. Na realidade em que vivemos enquanto brasileiros poucas são as opções para aqueles que não estão completamente nas esquerdas . É principalmente devido a isso que por vezes liberais e conservadores são confundidos como sendo iguais.
Todos que não se alinham aos discursos da esquerda - homogênea na mídia e cultura latina como é - têm poucos refúgios se não nessa espécie de sujeitos. Dessa forma, não é de admirar que bom número de ateus racionais (e até teístas moderados) - ou seja, pessoas que conhecem as falácias do populismo e do politicamente correto - conheçam, acompanhem e até concordem com boa parte do trabalho de carolas feito os dois acima citados (Reinaldo e Olavo)
Continua...
http://pugnacitas.blogspot.com.br/2008/01/quem-financia-o-astrlogo.html

Raphael Luiz Piaia disse:
24 de agosto de 2012 às 08:45

Continuação...
A parte triste dessa história é essa. Na falta de opções, ficamos com o que temos... É evidente que em dias de internet, opções há. Cronistas lúcidos e de verve como Janer Cristaldo e Rodrigo Constantino estão aí (hoje eu incluiria outros, feito o Lenio). Blogs que abrigam boa quantidade de mentes independentes também. Enfim, esses redutos até existem, mas estão segregados da grande mídia. Forçados a escolher entre o ruim e o pior, somos obrigados a lidar com delírios de astrólogos ranzinzas e surtos de papistas que pretendem entender as idéias do Pontífice melhor que ele próprio.
Como tudo que é verdadeiramente estúpido não fica sem massificação, bandos deslumbrados seguem fielmente palavra por palavra que seus gurus proferem. Sendo assim, é impossível para qualquer mente independente tentar racionalizar com fundamentalistas que, com freqüência, pouco se distinguem dos bárbaros de Alá ou das viúvas de Marx.
Fazer o quê? Essa é nossa gloriosa realidade tupiniquim. Não temos Friedman, vai Olavo. Não temos Revel, vai Reinaldo. Tem sempre um jeitinho brasileiro para tudo.
É por aí mesmo. Entre os gulags e a Inquisição.
http://pugnacitas.blogspot.com.br/2008/01/quem-financia-o-astrlogo.html

Richard Smith disse:
24 de agosto de 2012 às 13:43

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O surto do comentador Raphael Luiz Piaia me remete a um côco: redondo, duro e difícil de abordar para a extração do sumo! Ou um tatú-bola!
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Ele fala em argumentos "ad hominem" e chama o blogueiro e comentarista político (e de costumes!) mais lido e influente do País de "recórter", certamente referindo-se ao seu hábito de fazer uma espécie de "clipping" das notícias mais importantes, para ao final comentá-las, chegando ao nível de uma verdadeira dissecação, inclusive e principalmente do PeTralhismo malicioso e enganoso que, via de regra, acaba por nortear o artigo.
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Então não há que se falar em absoluto da "falta de profundidade" do referido REPÓRTER, mas talvez, só de falta de condições para o adequado entendimento do que lá foi escrito ou, pura tendenciosidade, esta sim "hidrofóbica"!
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Quanto ao velhíssimo e depreciativo (?) termo "papista"
é por aí que se mostra o autor, sem dúvida alguma! Deve ser mais um daqueles "livres-pensadores" a quem a Igreja condena desde o seu surgimento (ver o meu primeiro comentário, lá para baixo) e procura esculhambar aos que tem uma Religião e a Ela (e ao seu líder) são FIÉIS. E isto, claro, sem nenhuma "hidrofobia" ou "virulência furibunda", não é?!
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Não atina o intoxicado, para o fato de o únicos cidadãos livres deste mundo serem os Católicos (os de verdade, é claro, não os apenas batizados!), vez que libertos da ESCRAVIDÃO do pecado e das garras do "Pai da Mentira" e do "Assassino desde o Princípio", são absolutamente LIVRES para aderirem às normas e dogmas de sua Religião, com amor e solicitude!
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Isto jamais coube na cabeça dos iludidos e doutrinados "liberais" e "'Livre'-Pensadores", dai a sua raivosa e risível (nem por isto, menos violenta e insidiosa!) reação!
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Rezemos por eles...
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Soust disse:
24 de agosto de 2012 às 15:57

Parabéns pelo comentário, prezado Raphael Piaia. É assim também que me sinto com esse maniqueísmo crescente em nossa sociedade. Parece não haver mais lugar para a troca de ideias com ponderação e argumentação nos espaços de discussão, sejam estes públicos ou privados, transformando qualquer discussão em uma espécie de Fla x Flu (ou Joaquim x lewandowiski, ou Cristo x Satã, conforme o caso...).
Ia dar prosseguimento ao debate proposto pelo colunista Carlos Costa, mas a "bomba" de teologia e metafísica lançada pelo ilustre Richard Smith foi como napalm na floresta do debate saudável e agradável.
Mas, pelo menos, das fogueiras (graças a Deus!) ainda estamos livres...

Richard Smith disse:
24 de agosto de 2012 às 20:44

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"Napalm na floresta"! Essa foi muito boa!
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Mas com relação às "fogueiras", devo dizer-lhe, caro Soust, e não se assuste com a minha revelação, que elas ainda existem e queimam a beça! Como nunca, aliás!
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A começar pela do "Iluminismo" que eu acho que quis ser bem grande para "iluminar" toda a Europa, mas conseguiu apenas vitimar UM MILHÃO de franceses (procure saber algo sobre a VENDEIA!).
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Uma vez iniciado o fogo, espalhou-se por diversas e diversas guerras, ditas (como sempre) "de libertação" (procure sobre Adam WEISCHAUPT e MAZZINI!)!
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E superamos o Século XIX, com o glorioso e tecnológico Século XX, no qual, bem no princípio, um dos "iluminados carbonários" (procure GAVRIL PRINCIP) provocou um atentado que levou (as condições, é bem verdade, já estavam criadas) ao PAN-Conflito medonho da I Guerra Mundial, aonde todas as normas de cortesia, nobreza, honra e humanidade foram definitivamente revogadas! E que acabou por levar a uma outra maior ainda, duas décadas depois, causada por um ente "perturbado" (procure por THULE ou VRIL), a quem o grande Papa Pio XII incluiu entre os pouquíssimos "possessos perfeitos" da História!
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Isso apenas em se falando de guerras formais, declaradas, porque se formos considerar as civis e internas, com os mais de CENTO E CINQUENTA MILHÕES de mortes causadas pelo Comunismo na sua ânsia da criação do "Homem Novo num Mundo Novo", ou seja, o Paraíso na Terra, ufa, haja lenha, hein?!
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Por último, "confundir" a defesa do Papa ("Doce Cristo na Terra", nos dizeres de Santa Catarina de Sienna - a qual não deixou-lhe de puxar as orelhas em público, literalmente falando, para que saísse de Avignon e voltasse a Roma!) com a "defesa" feita pela penas de aluguel do PIG, JEG e imensa fauna, é que é de doer!
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Raphael Luiz Piaia disse:
27 de agosto de 2012 às 09:02

Obrigado, prezado Soust! Infelizmente as coisas tem andando nesse sentido. Em tempos de pseudo-intelectuais popstars (feito o Recórter), a urbanidade tem adquirido traços de fraqueza na visão geral. Se não debatemos com eles nos termos deles (termos mais brutos), corremos o risco (não que eu me importe, diga-se) de passar por fracos.
Quanto aos comentários do fiel do Recórter, não deixa de ser curioso que ele siga o mestre inclusive nos erros de grafia. Nada contra tropeçar na gramática, pode acontecer com todos. Mas quando alguém se pretende quase um Torquemeda na defesa da gramática - como faz o R.A. quando corrige a tudo e a todos - há alguma obrigação de não errar no português.
No dia 23/08, o Recórter grafou "mau" ao invés de "mal" como apontou Janer Cristaldo:(http://cristaldo.blogspot.com.br/). Talvez seu assecla tenha resolvido ser solidário ao líder, afinal, se eu sou um cocô, meu acento deveria estar na última vogal. Se eu sou apenas uma fruta, acento eu não deveria ter.

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