Miguel Cançado: Sociedade aplaude Supremo por estar produzindo resultados

Diz a pesquisa divulgada neste fim de semana pelo jornal Folha de S.Paulo: A “confiança no STF sobe em meio ao mensalão”. Ainda bem, apesar dos momentos dos duros, imprevisíveis e surpreendentes embates travados pelos ministros da Suprema Corte, com transmissão ao vivo pelos meios de comunicação. A sociedade, por fim, compreendeu que cúpula do Judiciário estava fazendo aquilo que todos esperavam: julgando!

Numa rápida avaliação das dezenas de sessões provocadas pela Ação Penal 470, vemos não só acalorados debates jurídicos de interpretação de normas, como era de se esperar, mas, intensamente, a exposição exacerbada de vaidades e cenas que, a rigor, não fosse a vontade que nutre o cidadão brasileiro de ver extirpada a impunidade tupiniquim histórica, poderiam trazer desgaste à corte. Tome-se como exemplo, o episódio em que um dos ministros, insatisfeito com a posição de outro colega, abandonou o plenário.

Contudo, já concluída a parte relativa à análise das condutas dos acusados e fixação das penas, a tendência das pessoas é ver com naturalidade, e até esquecer, os momentos em que Suas Excelências abandonaram a lhaneza no trato entre elas. Ou seja, vale o resultado, pouco importam os percalços do caminho!

Aliás, não podemos esquecer que vivemos num país em que o índice de congestionamento do Poder Judiciário beira os 80%, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. Logo, o senso quase generalizado é de paralisia da jurisdição, em todos os níveis, inclusive no STF.

Sintomático, portanto, o resultado da recente pesquisa realizada pelo Datafolha, pois revela o que todos já sabíamos: quando o Poder Judiciário produz resultados visíveis do cumprimento do seu papel republicano de julgar, a sociedade aplaude. Como se dissesse: “Isto mesmo, senhores juízes, briguem, arenguem, mas julguem. Façam aquilo que é cobrado de todo trabalhador, produzam resultados!”

Miguel Ângelo Cançado

é advogado e diretor-tesoureiro do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

Raimundo Benício Bezerra Junior disse:
18 de dezembro de 2012 às 16:50

Aliás, diga-se, somente o Judiciário mesmo para engrandecer a democracia no Brasil, não obstante o executivo haver negado merecido reajuste de salários ao Judiciário que se encontra há 6 longos anos sem qualquer majoração de vencimentos. A depender do Executivo e das intermináveis histórias de falcatraus envidadas pelo legislativo, continuaremos envergonhados com osdesmandos e conluio sempre presentes nesses dois poderes da República. Parabéns ao Judiciário que mais uma vez dá mostras de competencia e seriedade, tão distantes dos suntuosos salões executivos e legislativos. Uma vergonha! Aplausos ao Judiciário!

Paulo Jorge Andrade Trinchão disse:
18 de dezembro de 2012 às 20:45

Pelo visto, o Poder que carece de legitimidade popular(NÃO é eleito pela cidadania!) é o mais austero, o mais probo, o mais exemplar! Que beleza, de que país está-se falando, dos EUA, Canadá,Suíça, Suécia...
A propósito, NÃO existe corrupção no "imaculado" Poder Judiciário brasileiro, entendido, "defendam" a lei da sissomia, afinal, este país é o mais sério e depurado do planeta, mas qual planeta mesmo?

Marcos Alves Pintar disse:
19 de dezembro de 2012 às 00:33

O Articulista traz aqui, tão somente, um verdadeiro "hino de louvor" às mazelas da mídia brasileira. Ora, o Supremo Tribunal Federal não começou a trabalhar quando iniciou o julgamento do Mensalão (aliás, iniciou com extremo atraso), muito embora a mídia queira fazer o cidadão comum crer o contrário, ou seja, só trabalham quando há algum julgamento sendo acompanhado de perto. O Supremo trabalha todos os dias, e analisa milhares de matérias, embora muitas delas sejam extremamente difíceis de serem interpretadas pelos jornalistas, e explicadas de forma fácil à população.

Zé Machado disse:
19 de dezembro de 2012 às 08:08

A história nos mostra que também da sociedade nasce as turbas e linchamentos. Os ministros prometeram um julgamento técnico. Ficou mais perto de inquisição e os acusados na condição de bodes expiatórios.Ainda bem que os juízes inferiores são independentes!

Zé Machado disse:
19 de dezembro de 2012 às 08:08

A história nos mostra que também da sociedade nasce as turbas e linchamentos. Os ministros prometeram um julgamento técnico. Ficou mais perto de inquisição e os acusados na condição de bodes expiatórios.Ainda bem que os juízes inferiores são independentes!

Rui Telmo Fontoura Ferreira disse:
19 de dezembro de 2012 às 11:21

Prezados Senhores,
Paz e Bem!
O articulista expressa o sentimento nacional, a vitória da democracia fundamentada na liberdade.
Em pleno século XXI, não há mais espaço sideral à disposição aos interesses de grupos de diversas matizes, senhoras de si e avessas a Lei e a Ordem.
Bravo Zulu! Supremo Tribunal Federal.
Cordialmente,
Rui Telmo Fontoura Ferreira

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também