Presos podem reduzir até 48 dias de pena por ano com leitura de livros

Portaria conjunta assinada, no dia 20 de junho, pelo corregedor-geral da Justiça Federal, ministro João Otávio de Noronha, e o diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (Depen), Augusto Eduardo de Souza Rossini, trouxe como proposta a redução da pena do detento por meio da leitura. O preso se voluntaria a ler um livro no prazo de 21 a 30 dias. Depois da leitura, deve apresentar uma resenha. Caso cumpra todas as atividades, poderá ter quatro dias a menos de pena, por obra lida, ou até 48 dias, no prazo de um ano.

O projeto “Remição pela Leitura” foi criado em 2009, na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR). As demais penitenciárias federais, em Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN), também já adotam projeto. Com a Portaria conjunta nº 276, surgem as normas que regerão o programa nas unidades penintenciárias que o adotarem.

Tais unidades deverão dispor de uma biblioteca com, no mínimo, 20 exemplares de cada obra a ser trabalhada. Integram a iniciativa, em geral, livros direcionados à reflexão e à formação social do indivíduo, a fim de auxiliar o detento no processo de ressocialização. São títulos nacionais e internacionais como Crime e Castigo, de Dostoiévski, e Incidente em Antares, de Érico Veríssimo.

Modelo e paradigma
Pioneira da iniciativa, a Penitenciária Federal de Catanduvas conta com uma biblioteca cujo acervo ultrapassa os quatro mil exemplares. O projeto surgiu de uma parceria com a comunidade e a Justiça Federal, que doaram os primeiros livros. Atualmente, o modelo é adotado por outras Penitenciárias Federais e por alguns Sistemas Penitenciários Estaduais.

A “Remição pela Leitura” disputou o concurso de 1º Prêmio Nacional de Boas Práticas em Políticas Criminais e Penitenciárias do CNPCP em 2010. Antes, o Conselho da Justiça Federal (CJF) e o Depen, indicaram o projeto como paradigma a ser seguido, por meio do Enunciado nº 12:“O projeto de remição pela leitura será adotado, também, para reintegração social do preso”.

Segundo o delegado de Polícia Federal e diretor da unidade de Catanduvas, Fabiano Bordignon, desde o início do projeto, mais de 200 presos já tiveram suas penas reduzidas por meio da leitura. “A aprovação dessa portaria é o reconhecimento de que a iniciativa foi bem aplicada e a ideia é, de fato, inovadora. Acredito que a leitura qualificada influencia o positivamente os seres humanos”, avalia.

No início, conta o diretor, os presos receberam o projeto com desconfiança, mas hoje, assim que entram, já querem aderir. “Por isso, em breve, iremos implantar o estudo das obras em grupo e com os professores da penitenciária”, adianta. Fabiano revela, ainda, que o sucesso do projeto “Remição pela Leitura” já ultrapassa as fronteiras do Brasil. “A China quer conhecer o nosso modelo e, por isso, enviará representantes para uma visita à penitenciária neste mês”, comemora o delegado. Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Conselho da Justiça Federal.

daniel disse:
04 de julho de 2012 às 21:28

Os comunistas que tomaram conta do Governo atualmente querem transformar os presídios em mosteiros e acabam desvirtuando a finalidade da pena.
é melhor acabar com direito penal assim.
è cada uma que inventam como medir a capacidade de leitura por livro e por preso. Ora, eles vão terceirizar esta leitura....

João Szabo disse:
05 de julho de 2012 às 07:50

Se o sistema prisional não consegue nem sequer fiscalizar quem está dentro ou fora das prisões, vai fiscalizar e aferir se o preso leu os livros? Esta é apenas mais uma forma para que mantenham os bandidos fora da cadeia, e se aumente a impunidade. O que precisamos, realmente, é um sistema prisional sério, o que implica menos corrupto.

Advogada_carioca disse:
05 de julho de 2012 às 10:31

Isso só pode ser uma piada...quanta candura! Agora vão implementar nos presídios as vendas das resenhas. Mais uma modalidsde para se ganhar dinheiro na prisão. Vergonha!

Gilberto Strapazon - Escritor ocultista. Analista de Sistemas. disse:
05 de julho de 2012 às 11:10

Interessante mas acho que cada um vai estudar e procurar se desenvolver por vontade própria. O apenado que decide estudar está demonstrando intenção de aprender e isto pode indicar boa conduta. Creio que este é o âmbito e já é algo existente. Em todo cado, se a idéia pegar, já temos um livro que terá uma grande lista de leitores: "O Príncipe. Maquiavel".

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