Instituto Vladimir Herzog afirma que general defendeu tortura em entrevista

O instituto Vladmir Herzog enviou uma nota de repúdio contra os comentários do general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, feitos em entrevista à jornalista Miriam Leitão, em programa da Rede Globo. 

Segundo a nota, o general disse no dia primeiro de março que a Comissão da Verdade, prevista em lei sancionada pela Presidência da República em novembro de 2010, é “maniqueísta” e parcial porque seu objetivo é “promover o esclarecimento de torturas, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres”. Ele também afirmou que para assegurar a imparcialidade da comissão, ela deveria investigar, também, atos de violência cometidos por aqueles que combatiam a ditadura.

De acordo com o instituto, depois de sugerir que os desaparecimentos do deputado Rubens Paiva e de Stuart Angel só sensibilizam até hoje a opinião pública porque eles pertenciam às “classes favorecidas”, o general Rocha Paiva mostra duvidar de que a presidente Dilma Rousseff tenha sido torturada na época da ditadura. Quando Miriam Leitão lembrou que “Vladimir Herzog foi se apresentar para depor e morreu”, Rocha Paiva questionou: “E quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar.”

“…como se alguém que se apresentara para depor não estivesse sob a guarda e a responsabilidade do Estado e de seus agentes; como se assegurar a integridade física e a própria vida de um depoente, qualquer depoente, não fosse obrigação oficial fundamental do Estado e de seus agentes, a quem ele se apresentara; como se a Justiça do Brasil já não houvesse reconhecido oficialmente, há 33 anos, em decorrência de processo movido pela viúva Clarice Herzog e seus filhos, que Vladimir Herzog foi preso, torturado e assassinado nos porões da ditadura, por agentes do Estado”, diz a nota.

A instituição alegou ainda que, em julgamento na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei 9.140/1996, o próprio Estado brasileiro ratificou o reconhecimento dessa prisão ilegal, tortura e morte.

Ainda segundo a nota, ao indagar: "quando é que não houve tortura no Brasil?", o general tenta justificar os martírios que foram perpetrados pela ditadura deixando entender que torturar é uma atividade legitimada e consagrada pelos usos e costumes nacionais.

Como resposta ao general, a instituição argumenta que “tortura nunca foi uso e costume, nem no Brasil nem em lugar algum. Sempre foi e é a violação do império da lei, que condena quem tortura. Tanto que a nossa Constituição Federal é taxativa ao determinar que ‘ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante’ (art. 5º, inciso III). E impor o respeito à lei — não violá-la — é o dever precípuo mais básico dos agentes do Estado. Esses agentes estão cobertos pelo manto institucional, portanto exercem um poder infinitamente maior que qualquer outro cidadão.”

Por fim, a entidade afirma que, por ser um crime cometido pelo Estado e não por cidadãos comuns, julgados pela Justiça comum, as torturas e mortes perpetradas por agentes do Estado e sob sua bandeira são o que precisa ser investigado e exposto pela Comissão da Verdade e "não acobertado pelo Estado ou por qualquer de suas instituições".

Procurador Raulino disse:
06 de março de 2012 às 17:49

A inoportunidade histórica dessa "Comissão da Verdade(?)", que alguns querem sugerir identidade com a Comissão da Verdade instituída na África do Sul, pelo Mandela, ao fim do regime racista, é inequívoca e à toda prova, nada justificando-a no passado, e muito menos hoje, a não ser a estúpida busca de uma revanche pelos derrotados militarmente em 1969, na guerrilha urbana, e em 1974, no Araguaia. Em 1985, esses que hoje defendem a "Comissão da Verdade(?)" foram novamente derrotados, mas política e democraticamente, quando a emenda constitucional que convou a ANC - Assembléia Nacional Constituinte, recepcionou e declarou a validade da Lei da Anistia. Em 2011, o Supremo reafirmou a validade jurídica desta, recepcionada pelos princípios que embasam e orientam a Carta Política.
Então, se essa "Comissão da Verdade(?)" dos revanchistas vir mesmo a ser constituída, em desfavor da pacificação empreendida em 1979 e em 1985/86, seria o caso de se ouvir os dois lados, em respeito ao contraditório e à ampla defesa, o que valida plenamente a sugestão do general Rocha Paiva, no sentido de que essa tal comissão ouça, por exemplo, a presidente Dilma Roussef, enquanto ex-guerrilheira e integrante dos quadros da organização terrorista marxista-leninista VAR-Palmares, que assassinou o soldado Klotzel, bem como outros militares e civis.

Procurador Raulino disse:
06 de março de 2012 às 17:49

A inoportunidade histórica dessa "Comissão da Verdade(?)", que alguns querem sugerir identidade com a Comissão da Verdade instituída na África do Sul, pelo Mandela, ao fim do regime racista, é inequívoca e à toda prova, nada justificando-a no passado, e muito menos hoje, a não ser a estúpida busca de uma revanche pelos derrotados militarmente em 1969, na guerrilha urbana, e em 1974, no Araguaia. Em 1985, esses que hoje defendem a "Comissão da Verdade(?)" foram novamente derrotados, mas política e democraticamente, quando a emenda constitucional que convou a ANC - Assembléia Nacional Constituinte, recepcionou e declarou a validade da Lei da Anistia. Em 2011, o Supremo reafirmou a validade jurídica desta, recepcionada pelos princípios que embasam e orientam a Carta Política.
Então, se essa "Comissão da Verdade(?)" dos revanchistas vir mesmo a ser constituída, em desfavor da pacificação empreendida em 1979 e em 1985/86, seria o caso de se ouvir os dois lados, em respeito ao contraditório e à ampla defesa, o que valida plenamente a sugestão do general Rocha Paiva, no sentido de que essa tal comissão ouça, por exemplo, a presidente Dilma Roussef, enquanto ex-guerrilheira e integrante dos quadros da organização terrorista marxista-leninista VAR-Palmares, que assassinou o soldado Klotzel, bem como outros militares e civis.

Procurador Raulino disse:
06 de março de 2012 às 18:16

Nessa matéria, à toda evidência a violação do direito do general Rocha Paiva ao exercício da contraditório, que lhe é assegurado pelo ordenamento jurídico vigente, mas ao mesmo não se faz qualquer referência no texto, quanto a isso.
Quanto ao direito de crítica dos internautas, especialmente, no caso deste leitor do Conjur foi iguialmente violado, porquanto embora devidamente enviado, não há qualquer registro sobre a sua crítica.

Procurador Raulino disse:
06 de março de 2012 às 18:16

Nessa matéria, à toda evidência a violação do direito do general Rocha Paiva ao exercício da contraditório, que lhe é assegurado pelo ordenamento jurídico vigente, mas ao mesmo não se faz qualquer referência no texto, quanto a isso.
Quanto ao direito de crítica dos internautas, especialmente, no caso deste leitor do Conjur foi iguialmente violado, porquanto embora devidamente enviado, não há qualquer registro sobre a sua crítica.

Museusp disse:
07 de março de 2012 às 14:15

Ao que parece, na condição de militar reformado, o General Rocha Paiva tem todo o direito de manifestar-se e colocar a sua opinião sobre o que considera consistente ou não na legislação brasileira, como qualquer cidadão comum. E, como qualquer cidadão comum, pode organizar o grupo que ele representa e fazer uma caravana à Brasília para exercer pressão e influenciar os parlamentares para que reformem a lei naquilo em que considera que essa merece reparos. Só não deve e não pode é pretender e insinuar que fala em nome daqueles da ativa que têm compromisso com o estado de direito e com a constituição federal de defender a população e a lei. Respeito à lei é bom e faz bem para todos.

Adilson Cabral de Souza Júnior disse:
07 de março de 2012 às 17:08

Museusp: eu assisti duas vezes a entrevista suscitada e em momento algum observei o general arvorar-se como representante de uma maioria, qualquer que fosse.
Procurador Raulino: faço minha as suas breves, claras e belas palavras.

Adilson Cabral de Souza Júnior disse:
07 de março de 2012 às 17:08

Museusp: eu assisti duas vezes a entrevista suscitada e em momento algum observei o general arvorar-se como representante de uma maioria, qualquer que fosse.
Procurador Raulino: faço minha as suas breves, claras e belas palavras.

João pirão disse:
07 de março de 2012 às 22:48

É bom saber que muitos dos atores políticos da ocasião ainda estão no Congresso, ou pelo menos seu espólio. Só mudaram de partido. Agora temos que pisar em ovos porque se trata de militares, como se fosse esta uma democracia condicionada, "meia-boca". Contraditório. Claro que terão... Coisa que aqueles torturados não tiveram....

Riobaldo disse:
08 de março de 2012 às 15:53

Infelizmente de vez em quando caio na tentação de enviar comentários que na maioria são censurados pelos responsáveis desse sítio jurídico, ao meu ver muito conservador, reacionário, direitista e antidemocrático.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também