O promotor de Justiça de Araguari (MG), André Luis Melo, lançou um alerta. Em entrevista ao jornal Gazeta do Triângulo, ele questionou a qualidade da perícia criminal no estado e afirma que a situação é precária.
Dados do Portal da Transparência do governo mineiro revelam que os gastos da Polícia Civil com investigação e perícia criminal no ano passado foram de R$ 17,6 milhões — menos de 2% do total das despesas da corporação, que alcançou R$ 1 bilhão, informa o Gazeta do Triângulo.
De acordo com o jornal, a quantia gasta com perícia e investigação é menor do que os recursos destinados aos presos que ainda estão sob custódia da Polícia Civil nas cadeias públicas, que foi de R$ 18 milhões. Cerca de 6.000 detentos aguardam transferência para o sistema prisional do estado.
No município, ele diz que precisa lidar com problemas como demora no recebimento dos laudos e baixa qualidade das fotos, impressas em preto e branco. "Uma imagem vale mais do que mil palavras. Algum detalhe que poderia ajudar a elucidar um crime pode passar despercebido", disse.
Segundo ele, há inclusive laudos que deixam de ser feitos. "A PM não pode acionar a perícia. O militar deve primeiro avisar o delegado. Se a vítima não morre no local do crime, a PM classifica a ocorrência como lesão corporal. Os peritos dizem que não foram chamados, a PM informa que avisou. Devido à falta de comunicação, ficamos sem provas", afirmou.
Em um caso, em que uma mulher confessou ter matado o amante, a promotoria enfrentou dificuldades por falta de perícia do local e necropsia nos inquéritos policiais.

A perícia criminal no Brasil sempre foi ruim e continuará a ser assim por muito tempo. A grande maioria dos crimes graves cometidos por aqui, inclusive assassinatos e estupros, são cometidos por ou a mando de quem de alguma forma tem poder para influir no trabalho das polícias, do Ministério Público e dos juízes. Assim, uma polícia científica independente, bem estruturada e remunerada, seria um obstáculo aos detentores do poder, pois apontaria facilmente os autores e mandantes dos crimes.
e, se fosse correta a assertiva abaixo, com a intermediacao de um ... (adivinhe VGogh)
As instituições brasileiras, lamentavelmente, foram erigidas sobre o alicerce do crime. Na época do Império, o embrião do que viria a ser a "justiça criminal" era comandada por aqueles que mantinham relações estreitas com o rei. Ninguém era punido porque matou o estuprou, mas porque entrou em rota de colisão com os interesses dos detentores do poder ou de seus bajuladores. A realidade só começou a mudar um pouco quando chegaram os imigrantes italianos e alemães (os japoneses não tinham a cultura de contestar atos do Estado ou seus agentes), quando se iniciou então um processo de assimilação pelo direito positivo de institutos do direito europeu. Porém, a realidade é que o instrumento de repressão do Estado ainda se encontra fortemente arraigado a suas origens, sendo que as mudanças legais operadas nos últimas décadas infelizmente ainda não se concretizaram na prática, notadamente por falta de cobrança por parte da população, que vota em políticos acumpliciados com práticas criminosas mesmo sabendo que eles só vão dar continuidade à situação de calamidade vigente em matéria de investigação de crimes.
Podemos tomar como exemplo a tragédia de Santa Maria. Qual será o resultado das investigações sobre a autoria a materialidade do delito? Podemos encontrar a resposta facilmente verificando-se quais foram os fatores que determinaram o relatório final da chamada "CPI do Cachoeira", uma comissão de investigação do Legislativo que consumiu meses e muito "falatório": a vontade e interesses do grupo dominante. Sim, o Partido dos Trabalhadores determinou que a "CPI do Cachoeira" tivesse um relatório final de 1,5 páginas. Pouco importa o que foi investigado ou os fatos como ocorreram. Na tragédia de Santa Maria e em todos os demais crimes graves cometidos a regra é exatamente a mesma: o que determina a conclusão é a vontade e interesses do grupo dominante. E isso ocorre porque a investigação criminal no Brasil não possui independência. É conduzida visando à satisfação dos interesses do grupo político dominante, com a total complacência do Ministério Público. Milhares de assassinatos no Brasil jamais foram investigados (algo em torno de 800 mil em 30 anos), levando-nos a uma verdadeira situação de guerra.
putz, nao havia imaginado isso. O PT esta por tras da recente tragédia nacional, talvez para desviar o foco do mensalão. Esse sistema e realmente perverso. essa associacao com a CPI do cachoeira era inimaginável, mas começa agora a fazer todo sentido. Realmente, se nao fossem os imigrantes europeus e asiáticos a situação estaria muito pior.
Foi citada perícia apenas no caso de assassinatos....
Mas e em casos de roubos, arrombamentos, danos ao patrimônio, etc.
No caso de arrombamentos, não comparece ninguém da perícia para retirar impressões digitais, fotos e fazer as anotações necessárias.
Isto só acontece no caso de arrombamentos a bancos, casas de autoridades ou gente influente, grandes empresas, etc.
Nos milhares de casos de arrombamentos de veículos que ocorrem diariamente no Brasil, nunca vi a imprensa citar a presença da perícia.
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