Uma sociedade de consumo emergente não pode esperar por renovações constantes no cenário do acesso ao crédito e, principalmente, na melhora da renda, quando a inflação dá saltos de qualidade.
O fator determinante e qualificador se relaciona à mudança de mentalidade para uma economia globalizada sadia, sem grandes protecionismos ou entraves de balança comercial.
Atingimos a meta da irresponsabilidade fiscal, com a dívida pública passando de R$ 2 trilhões, sendo necessários quase dois anos de arrecadação para cobertura do rombo baseados no aumento das despesas.
A lei de responsabilidade fiscal vai sendo, ano a ano, revogada pela autoridade governamental, a qual pouco se importa o destinatário, que terá o dever de pagar as contas.
O mecanismo central e o eixo fundamental se referem à produção de ciência e tecnologia, com aplicações nas mais diversas áreas do conhecimento, desde o agronegócio, passando pela integração das pesquisas nos campus universitários para agregar o trabalho das empresas.
Nossa infraestrutura, que é carente de maiores atenções, emperra o crescimento do Brasil, nossas ferrovias estão engatinhando, os portos, até hoje, não foram abertos à concorrência, e os aeroportos apresentam uma malha pequena, se comparada com o tamanho e a extensão do Brasil.
Somente haverá crescimento de acordo com as expectativas se o governo, juntamente com a iniciativa privada, fomentar a exploração da tecnologia, da cultura, invertendo a polaridade com o setor de consumo, que dá sinais de cansaço, e de pouca imaginação na criatividade do crédito qualificado.
De pouco servirá o cadastro positivo se a malha dos inadimplentes for bem ampla e os bancos sinalizarem gargalo na concessão de empréstimos e não os reduzirem.
Houve uma explosão de produção no setor automobilístico, mas seus reflexos são perversos, basta olhar o trânsito em qualquer cidade média ou grande, o aumento da poluição, dos acidentes, afora o número de carros, alvo de busca e apreensão ou ação revisional por discussão em torno do contrato de financiamento.
Enquanto não nos propusermos a uma independência em tecnologia e pesquisa e nos limitarmos ao consumo de produtos vindos de qualquer região do globo, não poderemos entrar no seleto grupo de países desenvolvidos.
Demais disso, somente a Alemanha, com expertise na sua tecnologia de ponta, exporta muito mais produtos rentáveis do que toda a nossa economia do campo.
É certo que o governo centrou esforços em levar estudantes para o exterior e aperfeiçoar o trabalho de pesquisa, mas, no País, os mercados são limitados, a remuneração carente e a utilização muito precária do saber humano.
O vetor natural de uma sociedade é pendular e se associa à sua capacidade industrial e tecnológica, por tal razão nosso crescimento interno tem sido pífio e, a concorrência com Nações desenvolvidas, uma falta de qualidade total.
Precisamos, e muito, aprimorar, sem estatizar, ou ter a mão invisível do Estado, as empresas e centros de pesquisa, e trazer o retorno para o País, não é sem razão que uma boa leva de profissionais não volta mais ao Brasil e prefere continuar pesquisando no primeiro mundo.
Uma sociedade com grande tecnologia sinaliza a disciplina da educação e da inegável cultura, assim, os centros de pesquisa investem e tornam uma realidade o que o plantel asiático hoje nos oferece em termos de aparelhos celulares, televisões, transmissão de dados, internet, entre outros.
Bem por tudo isso, o retrato do País terá que se incorporar à mudança de estrutura e primazia na tecnologia, pois que o consumo exaurido de uma sociedade cambaleante encontra rápida e pronta saída na produção dos talentos, que investem na busca por um Brasil que esteja antenado com o mercado globalizado de ponta.
O exaurimento da indústria nacional se explica pela concorrência, competição e impostos, tirados esses da pesquisa, da ciência, e da inovação, o País dará um grande passo para sair do secular atraso e tentar se embrenhar por referências perenes, em prol da sociedade moderna.
Com suas exceções, a maioria das instituições do país são fracas, despreparadas, burocráticas, corruptas... Desde escolas, universidades, até hospitais, empresas públicas, autarquias... O Poder Judiciário também faz parte destas (com raras ressalvas). Tudo isso contribui para que o país se torne caro para produzir e inovar. Pessoas com pouca instrução, capazes na maioria para trabalhos braçais, e instituições ineficientes, causam inevitavelmente a pobreza de uma nação.
Na Europa e EUA não se é comum ver pessoas vendendo jornais, ou abastecendo carros, etc. Usam máquinas para ampliar a escala de trabalho de uma só pessoa. Aqui em minha cidade, ao invés de usarmos parquímetros, existe uma pessoa contratada por quadra para cuidar do estacionamento rotativo.
Muito embora se pense que processos como o excesso de computação ou automação possam diretamente causar grave crise social, de desemprego, o fato é que historicamente, devido a elas, à especialidade da divisão do trabalho, que o homem saiu do campo, aumentou sua expectativa e qualidade de vida.
O Judiciário também pode mudar e causar reflexo intenso na vida econômica de uma nação. Penso na quantidade absurda de execuções frustradas, certidões de oficiais de justiça, fraudes à execução, crimes não solucionados, demora de processos... Isto sem falar na quantidade de fraudes públicas, à previdência (desde seguro desemprego à auxílio-doença). Dinheiro gasto em segurança (privada e pública) quando podia ser gasto em educação ou melhoria de hospitais, por exemplo.
Pessoas eficientes, instituições eficientes, e trabalho. Não tem milagre, não tem muito mistério.
Concordo como o Articulista, e acrescento dizendo que o grande calcanhar de aquiles do Brasil hoje é a farta distribuição de recursos a servidores e agentes públicos, com vencimentos exorbitantes, quase nenhuma produtividade, ausência de controle efetivo e liberdade quase total para a corrupção, favorecimento pessoal, tráfico de influência, exploração e prestígios, e tantos outros crimes. As instituições públicas não funcionam adequadamente, e os cidadãos pagam caro por isso.
O jornal "The New York Times" divulgou uma reportagem interessantes sobre a lamentável cultura brasileira de distribuição de dinheiro público a servidores e agentes públicos, cuja leitura recomendo: http://www.nytimes.com/2013/02/11/world/ americas/brazil-seethes-over-public-offi cials-super-salaries.html?pagewanted=1&_ r=3&hp
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