Senso Incomum: E eles têm a vantagem de não saber que não sabem…!

Spacca

E o Cego de Paris pode esperar mais um pouco…
A coluna da semana passada deveria ser a continuidade do Cego de Paris, tratando da desmi(s)tificação do “princípio” da verdade real. Contingencialmente, exsurgiu a coluna sobre a PEC 37. Mas, agora, de novo, a continuação do Cego de Paris vai ter de aguardar. Andei navegando pela internet nesses dias (inclusive na ConJur) e vi que os néscios estão se multiplicando. Por isso, a coluna de hoje é sobre eles: os néscios, sua história, sua natureza jurídica etc. O título poderia ser “Por uma epistemologia dos néscios”.

Afinal, já dizia o Marques de Maricá: “não admira que os néscios se julguem muito sabedores, eles que têm vantagem de desconhecer que ignoram”. Leiamos de novo: “…eles que têm vantagem de desconhecer que ignoram”. Está no título!

Origem e natureza jurídica
Os néscios já estavam listados para embarcarem na Nau dos Insensatos, o best seller pré-moderno de Sebastian Brant, que foi traduzido para 40 línguas. No entremeio de toda aquela gente, lá estavam eles: os néscios. No Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, havia, ao que consta, lugares reservados a eles, os néscios. Um capítulo secreto, descoberto há pouco em escavações, mostra que Cervantes se irritava com os néscios. Antes da modernidade, ficavam em volta dos castelos, chateando tanto os senhores feudais quanto os burgueses em ascensão. Voltaire, no seu O Ingênuo, chamava-os de linóstolos e pastóforos.

Atravessaram os séculos e, com o advento da computação e das redes sociais, finalmente saíram da toca. Perderam sua timidez. E passaram a se manifestar. E com um subterfúgio: os sites permitem que eles, os néscios, façam suas inscrições com codinomes. E eles se esbaldam, escondidos em epítetos e nicknames, como “pretor”, “Adamastor”, “A. P. deuta”, “olhador”, “justiceiro”, “hercúleo”, “jupiteriano” etc. E, como o corsário, escondidos atrás de codinome, ficam afundando e atirando… Nota: nem todo mundo que usa codinome é néscio, mas quase todos os néscio usam codinome!

Sua natureza jurídica é a ficção. Eles existem e não existem. Não leem nada que tenha profundidade maior do que os calcanhares de uma formiga. Normalmente, não escreveram na vida mais do que um fonograma (e seus [minúsculos] textos na internet, é claro). Odeiam metáforas, metonímias, ironias. Sarcasmos, nem falar. Gostam de “pegar” as coisas “ao pé da letra” (embora não saibam que letra não tem pé!) Há que se explicar a um néscio, sempre, o “sentido da ironia”. Aliás, eles não sabem o que é a dobra da linguagem. Néscios não fazem a “barra” entre significante e significado. Dizem até que Saussure, perturbado pelos néscios, quase desistiu de trabalhar a ideia do signo e as quatro caraterísticas que havia desenvolvido.

O néscio é fã de resumos e resumo de resumos no Direito. Folhas plastificadas com pequenos conceitos e conceitos pequenos: eis o alimento principal do néscio. Dizem que adoram tuitar (a maioria), porque seu raciocínio nem chega aos 140 caracteres. Cansam quando chegam ao centésimo clique. Outra nota: é óbvio que nem todo mundo que usa Twitter é néscio, mas todo néscio adora tuitar. Néscios odeiam literatura. E quando alguém aprofunda e fala coisas como “epistemologia”, consideram-se ofendidos. Para eles, o mundo é como as Ideias de Canário, de Machado de Assis: uma gaiola pendurada em um brechó. “O resto tudo é mentira e ilusão”, como diz o falante canário ao Senhor Macedo, que o descobriu.

Os néscios também só conseguem falar sobre algo depois que a coisificam. Isto é, transformam palavras em coisas. É como se a dobra da linguagem fosse uma verdadeira e concreta dobradura, como em uma roupa ou uma folha de papel. Para eles, sempre há uma essência. Coisa julgada, para um “bom” néscio, é uma senhora rechonchuda. E litisconsorte ativo é um rapaz alto, com gel no cabelo. Já o litisconsorte passivo… Para decorar conteúdos de livros resumidos, néscios usam de “truques”, com palavras chave, como democracia é “dopelopá” (Do povo, Pelo povo, Para o povo). Ou o conceito de crime como “tipancul” (fato Típico, Antijurídico e Culpável). Que profundidade, não? A internet é fabulosa. Como falei em outra coluna, parafraseando uma canção de 1936 feita para criticar o comportamento dos franceses, “tout va très bien dans le monde juridique”.

Natureza filosófica
O que os filósofos diriam dos néscios? Como responderiam, por exemplo, à pergunta “por que um néscio somente perde a timidez escondido nas redes sociais”? Por que a internet é o locus privilegiado dos néscios?

Parmênides: tudo permanece (inclusive os néscios).

Platão: os néscios fazem parte do mundo sensível. Jamais alcançarão o suprassensível. Por isso, para eles, as sombras são a realidade. Não sairão jamais da caverna.

Gorgias de Leôncio, o sofista mais famoso: um néscio é incognoscível e, se for cognoscível, é impossível contar para o vizinho.

Santo Agostinho: toma [algum livro] e lê (a frase é autoexplicativa).

Guilherme de Ockham: não há néscios universais; apenas néscios singulares;

Maquiavel: atrás de um néscio sempre surge outro. Não deixe nenhum perto de você.

Heidegger: faz parte do modo próprio de ser no mundo o néscio ser assim; há uma pré-compreensão que funciona como um “adiantamento de sentido”: o sentido de quem é néscio sempre chega antes.

Descartes: néscios não possuem cogito, por isso, não existem.

Kant: não existe um néscio em si.

Hegel: Deutschland ist kein Staat mehr (a Alemanha não é mais um Estado, disse Hegel [de verdade] apavorado com o número de néscios na Alemanha).

Wittgenstein (do Tractatus): se os limites da linguagem são os limites do mundo, néscios possuem apenas um “mundinho”.[1]

Marx: néscios são o lúmpen; não falo deles; com eles não há revolução.

Gadamer: sempre sobra algo no ato de interpretar, mas o néscio deixa passar tudo.

Dworkin: a raposa sabe muitas coisas, o ouriço sabe uma grande coisa, mas o néscio não sabe nenhuma coisa.

E há uma frase famosa atribuída a Martin Luther King: não me preocupa o barulho feito pelos néscios; o que me inquieta é o silêncio dos não-néscios (dos anti-néscios).

Em tempo
Antes que me “acusem” (e néscios adoram fazer isso) de “instrumentalizar a filosofia”, ressalto que vários destes filósofos realmente discutiram sobre (e com) os néscios nos seus escritos. O filósofo que dá origem ao pensamento ocidental, Heráclito, em diversas histórias a seu respeito, desprezava os néscios que não entendiam que um filósofo também realiza atividades mundanas, como brincar com crianças ou se aquecer em frente a uma lareira nos dias de frio, dizendo preferir que eles cuidem da polis a cuidar da vida dele.

Platão, por exemplo, já disse que a opinião pública (e os néscios adoram opinar sobre tudo, mas apenas repetindo o que já diz o senso comum) nem de perto se assemelha à doxa alethe, a opinião verdadeira.

Marx também leva a cabo a questão do néscio. Para ele, existe a categoria do Lumpenproletariat, um estrato da classe trabalhadora que não alcançará a consciência de classe e que não colaborará (ou atrapalhará) para a realização do projeto de construção de uma sociedade sem classes.

Søren Kierkegaard é outro que passou anos escrevendo sobre os néscios, o público-alvo do Cristianismo, do modo como ele se apresentava na Dinamarca em sua época.

Friedrich Nietzsche dedica seu Assim Falava Zaratustra ao néscios (um livro para todos, os néscios, e para ninguém, aqueles que já superaram esta condição), os burros de carga alienados pelos valores da sociedade do fim do século XIX e presos no eterno retorno.

Por fim, cabe ainda nessa lista exemplificativa da “história epocal do néscio”, Martin Heidegger, que dedica longas passagens ao das Man, o homem inautêntico, que vive das e para as coisas mundanas e esquece do essencial: o pensar, em especial o pensar filosófico.

Contemporaneamente, os néscios vêm assumindo lugar de destaque em outros campos. Estão na música, por exemplo, fazendo videoclipes em estrebaria (como no caso daquele sujeito da Coreia do Sul, cujo videoclipe é o mais acessado do mundo, o que mostra, empiricamente, que a “nesciedade” é um vírus transmitido pelas redes sociais). Também se iluminam com sertanejo universitário (ou algo do gênero ou espécie). Frases idiotas — e portanto, absolutamente efêmeras — são transformados em hits, como “Luiza não veio do Canadá” (ou algo tão néscio quanto). Notícias bizarras ocupam o espaço na mente do néscio de forma privilegiada. Por isso, qualquer notícia sobre um advogado que queria fornicar com suas clientes é hit. No Direito, adoram “a simplicidade do simples”, como dizer que “alheio é tudo aquilo que não é meu”… O professor néscio (ou aprendiz de néscio) chega na sala de aula e diz: “paremos com essa coisa de filosofia ou teoria; agora vocês vão aprender Direito… e tira da mochila um livro de resumos para concursos”. Os jargões preferidos dos néscios são: “chega de filosofar”; “o mundo deve ser descomplicado”; “parem com essa discussão inútil: vamos ser práticos”…!

Só que o problema da prática é que ela tem a capacidade de anestesiar, de naturalizar, de embrutecer. Como diz Heidegger, não há nada mais distante de nós, na cotidianidade, do que nossos óculos.[2] O néscio fica preso na cotidianidade, no dia a dia, perde o referencial crítico e se torna presa fácil para o reducionismo e a simplificação. Desde já, advertimos que toda solução simples para questões complexas é um engodo. E toda postura de se contentar com respostas prontas, argumentos de autoridade e reducionismos revela falta de senso crítico. Um existência autêntica é feita de esforço, leitura e abertura. A suspensão dos prejuízos (no sentido gadameriano de conceitos prévios sobre algo) é o que possibilita a ampliação de horizontes. Viver com autenticidade requer reflexão.

Deve haver algo…
Sem dúvida, deve haver algo que faça com que esse imaginário “prêt-à-porter” faça tanto sucesso no Brasil. Muita gente já tentou explicar essa fragmentação “pós-moderna”. Há pouco escrevi aqui sobre isso, trazendo o que dissera o escritor russo O.V. Vainshtein, em 1993, numa mesa redonda sobre pós-modernismo e cultura: “sob o signo de pós-modernismo pode-se não apenas ver performances e poesia escrita, como também fazer panquecas, vestir roupas extravagantes, fazer sexo e brigar, além de arrolar como predecessor qualquer autor que se queira o panteão da cultura mundial, de Marquês de Sade a Santo Agostinho. (…) O que importa para o pós-modernismo não é a profundidade nem a intensidade, mas o deslizar sobre a superfície, o optar entre vários significados.”

Como se explica que, quando alguém faz um texto sobre determinado assunto e o conteúdo seja um pouco acima da média de compreensão, parcela considerável dos internautas (ou “ignorautas”) fique irritada? Que fenômeno é esse? Isso leva quem escreve à exaustão. Ao limite. Por que alguém vai escrever textos sofisticados? Para receber “piadinhas idiotas” de néscios (não) identificados?

Nessa mesma linha, outras coisas aparecem mais claras. Como se explica que os concursos sejam quiz shows? Como se explica o sucesso dos raciocínios pequeno-gnosiológicos de uma parte dos internautas? Quando um diz uma bobagem, o outro, ao invés de lhe fazer uma censura epistêmica, o elogia. Quando se critica o imaginário jurídico, aparece um contingente para dizer “isso é assim mesmo”; “o que vale é a prática”; “não adianta sofisticar” (por isso, repito aqui um jargão que inventei há mais de 15 anos, quando isso tudo estava no nascedouro: parcela considerável da literatura jurídica utilizada hoje nas salas de aula – lato sensu – deveria ter uma tarja como as que encontramos nas carteiras de cigarro, com os dizeres “o uso constante desse material fará mal a sua saúde mental”, tendo no verso da carteira uma foto de um “usuário” com cara de néscio, dizendo “usei e fiquei assim”!).

Como sobrevivem — e aqui utilizo o exemplo no plano simbólico — coisas como alguém tentando explicar o direito de propriedade por intermédio de algo como uma reza para uma determinada santa, a partir das iniciais, onde: C = Complexo; A = Absoluto; P = Perpétuo e assim por diante… Isso é implicância minha? Pergunto: e então? E eu conclamo: Indignemo-nos! Urgentemente! Ou estoquemos comida. Muita!

Enfim, que mania é essa de dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa e receber aplausos e congratulações por isso?! Que praga é essa de que “tudo é relativo”? Que ausência de responsabilidade é essa que aplaudimos, esquecendo-nos da corresponsabilidade que teremos quando tudo já estiver perdido defronte a tais práticas?!

De como Machado já sabia disso tudo…
O grande Machado de Assis, nosso Flaubert, antecipou em mais de 100 anos o que hoje acontece nas redes sociais e com o “encantamento nescial” (sim, os néscios seduzem pela nesciedade que lhes é inerente). Quando ele escreveu a Teoria do Medalhão, teve a grande epifania que explica, hoje, magnificamente, o processo de forma de um néscio. Na verdade, o conto de Machado é uma “epistemologia do néscio”. Querem ver? Conto o conto, rapidamente, sem aumentar um ponto (no livro Compreender Direito – RT, 2013, a teoria está mais bem desenvolvida), apenas substituo a palavra “medalhão” por “néscio”.

Um pai, no aniversário de 21 anos de seu filho, explica-lhe a teoria pela qual este poderia se dar bem vida afora. Para o pai, o filho tinha os requisitos para ser um “néscio”: “tens o valente recurso de mesclar-te aos pasmatórios, em que toda a poeira da solidão se dissipa. As livrarias, ou por causa da atmosfera do lugar ou por qualquer outra razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim”.

E o pai continua. Observemos uma das máximas da teoria: “longe de inventar um Tratado Científico da Criação de Carneiros, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar…. É bem fácil, útil e proveitoso…”.

Outro conselho importante do pai para o filho-candidato-a-néscio (medalhão): “Deves reduzir o intelecto à sobriedade, à disciplina, ao equilíbrio comum… O vocabulário deve ser naturalmente simples, tíbio, apoucado, sem notas vermelhas, sem cores de clarimEis a receita do sucesso” (aqui me parece estar o cerne da epistemologia do néscio!).

Ao final do diálogo com o filho Janjão (candidato a néscio), o pai arremata: “Rumina bem o que eu te disse, meu filho. Guardadas as proporções, a conversa desta noite vale o Príncipe de Maquiavel”.

Este é, pois, o meu tributo aos néscios. E, como dizia o Barão do Itararé: “diga-me com quem andas e verei se posso sair contigo.”


[1] Outro trecho da obra de Wittgenstein, também do Tractatus, bem aplicável aos néscios, é a proposição 7, vulgarmente conhecida como “Em boca fechada não entra mosca”. Uma pena que eles não costumam ler Wittgenstein.
[2] “Para quem, por exemplo, usa óculos, estes estão tão perto segundo a distância, já que os ‘tem no próprio nariz’, pois como instrumento de emprego estão no mundo-ambiente mais longe do que uma figura exposta na parede da frente.” (HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Tradução Fausto Castilho. Petrópolis: Vozes, 2012, p. 313, página 107 do original).
PAULO FRANCIS disse:
23 de maio de 2013 às 08:51

Fantástica sua coluna. Entretanto, os néscios, provovelmente, por nada entenderem, vão pensar que elogio.
O mundo do direito esta cabanalizada por esta súscia de néscios.
Parabéns pela coluna. Está ótima.

p9lli disse:
23 de maio de 2013 às 09:18

Olá. Conheci seus textos não sei precisar há quanto tempo, talvez ano e meio, ou mais. Me agradaram desde o início, embora, confesso, fiquei meio ressabiado: afinal, demonstras ter muito conteúdo, o que vai contra o que se vê em nosso mundo (sou advogado). Enfim, como gostava de filosofia (neófito, curioso, "amador", nada profissional ou acadêmico) seus textos me cativaram: eram uma forma de aprender, de identificar, em uma prosa interessante e superior, aquilo que lera, mas com conteúdo jurídico.
Quer um palpite, te dou: sua erudição espanta (causa admiração), e também espanta (afugenta). E o porquê: ninguém quer se dar ao trabalho. Falo por mim: não li a maioria dos textos ou autores que referes, e me dou ao trabalho de pelo menos tentar encontrar pela internet a passagem citada, ou a linha de raciocínio de alguns deles: isso cansa! Mas vale o esforço.
Enfim, agradeço o compartilhar daquilo que sabes comigo. Gostei da passagem abaixo. Tenha um bom dia. Paulo Novelli
"Só que o problema da prática é que ela tem a capacidade de anestesiar, de naturalizar, de embrutecer. Como diz Heidegger, não há nada mais distante de nós, na cotidianidade, do que nossos óculos.[2] O néscio fica preso na cotidianidade, no dia a dia, perde o referencial crítico e se torna presa fácil para o reducionismo e a simplificação. Desde já, advertimos que toda solução simples para questões complexas é um engodo. E toda postura de se contentar com respostas prontas, argumentos de autoridade e reducionismos revela falta de senso crítico. Um existência autêntica é feita de esforço, leitura e abertura. A suspensão dos prejuízos (no sentido gadameriano de conceitos prévios sobre algo) é o que possibilita a ampliação de horizontes. Viver com autenticidade requer reflexão."

p9lli disse:
23 de maio de 2013 às 09:18

Olá. Conheci seus textos não sei precisar há quanto tempo, talvez ano e meio, ou mais. Me agradaram desde o início, embora, confesso, fiquei meio ressabiado: afinal, demonstras ter muito conteúdo, o que vai contra o que se vê em nosso mundo (sou advogado). Enfim, como gostava de filosofia (neófito, curioso, "amador", nada profissional ou acadêmico) seus textos me cativaram: eram uma forma de aprender, de identificar, em uma prosa interessante e superior, aquilo que lera, mas com conteúdo jurídico.
Quer um palpite, te dou: sua erudição espanta (causa admiração), e também espanta (afugenta). E o porquê: ninguém quer se dar ao trabalho. Falo por mim: não li a maioria dos textos ou autores que referes, e me dou ao trabalho de pelo menos tentar encontrar pela internet a passagem citada, ou a linha de raciocínio de alguns deles: isso cansa! Mas vale o esforço.
Enfim, agradeço o compartilhar daquilo que sabes comigo. Gostei da passagem abaixo. Tenha um bom dia. Paulo Novelli
"Só que o problema da prática é que ela tem a capacidade de anestesiar, de naturalizar, de embrutecer. Como diz Heidegger, não há nada mais distante de nós, na cotidianidade, do que nossos óculos.[2] O néscio fica preso na cotidianidade, no dia a dia, perde o referencial crítico e se torna presa fácil para o reducionismo e a simplificação. Desde já, advertimos que toda solução simples para questões complexas é um engodo. E toda postura de se contentar com respostas prontas, argumentos de autoridade e reducionismos revela falta de senso crítico. Um existência autêntica é feita de esforço, leitura e abertura. A suspensão dos prejuízos (no sentido gadameriano de conceitos prévios sobre algo) é o que possibilita a ampliação de horizontes. Viver com autenticidade requer reflexão."

Jadir C. Souza disse:
23 de maio de 2013 às 09:25

Toda quinta-feira, depois de mais de 2 horas de estudo, aguardo ansiosamente a coluna do prof. Lenio. Nela me inspiro para aprender cada vez mais. Estou feliz com a qualidade e a profundidade do texto. Também, fico triste e impotente por não possuir 10% do seu conhecimento. Tenho vontade de começar de novo, tudo, desde o ensino fundamental, pelo menos para aprender filosofia. Ele tem razão. Como os debates e as opiniões são simplistas e, algumas vezes, ofensivas, nas redes sociais! Um dado é relevante. Não se sinta ofendido e, muito menos, desista. Torça para que os críticos consigam entender, ainda que parcialmente, suas palavras. De tanto ler, em breve, muitos mudarão de opinião. Vá em frente. Vou repassar mais um texto para meus queridos alunos.

Dxtech Advocacia disse:
23 de maio de 2013 às 09:46

De antemão parabenizo-o pela excelente coluna. Os néscios estão em todos os locais, em todas as esquinas, em todos os bares, em todos os sites, literalmente eles estão dominando o mundo, este mundo cada vez mais globalizado que ao invés de estar havendo uma troca de ideologias e conhecimento entre os povos estamos nos contaminando com este vírus chamado "néscio", músicas com hits cada vez mais bizarros ganham uma proporção absurda e poluem as nossas mentes, a solução viável caro professor seria esta mesmo - vamos estocar comida e muita!

Warley Belo disse:
23 de maio de 2013 às 10:08

Excepcional texto. Digno e sensato. Parabéns.

Jarbas Andrade Machioni disse:
23 de maio de 2013 às 10:15

Lenio, a internet deu voz ( ativa ) ao que antes conhecíamos como "vacas de presépio " , elas viraram "ovelhas orwelianas" disseminadas pelas redes sociais da internet . São como zumbis, pois não tem cérebro, mas quase "câmaras de eco". Elas não balem "quatro patas é bom mas duas é melhor " como no livro Revolução dos Bichos, balem palavras e frases como "discriminação" , "racismo" , "anglofobia" (ah, essa é nova, aprendi recentemente, ao procurar o origem da velha frase "Perfída Albion"; que coisa não, justo com a Inglaterra que nunca fez mal a ninguém ) etc .

Aiolia disse:
23 de maio de 2013 às 11:22

Gente, tragam um captopril pro homem!!!!

Gustavo S. disse:
23 de maio de 2013 às 11:57

Concordo quando o autor relaciona os néscios à PEC 37!
Os opositores da PEC 37, via de regra os néscios - e integrantes do MP, movidos por interesses corporativistas -, emitem opiniões sem qualquer embasamento jurídico e teórico. Conduzem a questão para o campo do maniqueísmo, do politicamente correto, do bem e do mal. Propalam as mais variadas falácias, como, por exemplo, a CRFB/88 outorgou poderes investigativos em matéria criminal ao MP, as investigações administrativas de órgãos públicos serão prejudicadas, a imprensa deixará de ser livre, o direito de defesa será atingido (http://www.conjur.com.br/2013-mai-21/rodrigo-cabral-pec-37-atinge-poder-judiciario-direito-defesa), só existem três países em que o MP não investiga.
Não critico o MP lutar por receber mais poder (mesmo que sem o respectivo dever), visto se tratar de algo natural em todas as instituições.
O lamentável é ficar seduzindo os néscios com argumentos falsos e simplistas - que são facilmente absorvidos por quem não possui senso crítico.

Marcos Alves Pintar disse:
23 de maio de 2013 às 12:11

Parabéns ao prof. Lenio por abordar essa temática. Este veículo, e tanto outros, estão cheios desse tipo de gente que se esconde por detrás de pseudônimos. Homens mostram a cara e o nome (e alguns até o endereço).

Ítalo Oliveira disse:
23 de maio de 2013 às 13:25

Acho o texto do Lênio inspirador. Era dos manuais simplificadores, não sou mais, desde "senso incomum", quando comecei a ler há uns dois meses. Fui convencido de que o Direito é complexo, bem complexo e isso tem me levado à tentativa de me aprofundar nos temas sobre os quais queira falar, principalmente. Também tenho observado mormente nas redes sociais, a revolução dos néscios.
Que eles não te deixem abater Lênio!

Diego H. A. Santos disse:
23 de maio de 2013 às 13:49

http://www.youtube.com/watch?v=W01VksujDbI

Diego H. A. Santos disse:
23 de maio de 2013 às 13:49

http://www.youtube.com/watch?v=W01VksujDbI

Luis Alberto da Costa disse:
23 de maio de 2013 às 13:56

Mais um execelente texto, como de praxe.
Não há como discordar dos argumentos do Prof. Lenio, entretanto, entendo que seria válido lembrar que há uma certa dose de manifestação democrática nesta, digamos, "nesciomania", enfim, em toda esta "nesciedade compartilhada" em redes sociais. Não estou a defender aqui uma "nesciocracia", longe disso, mas é preciso lembrar que as redes sociais, assim como todos os meios de comunicação de massa, como, por exemplo, este próprio Conjur, nos dão uma ótima oportunidade para expressar ideias, críticas e, porque não, opiniões, que podem inclusive estar bem fundamentadas. O problema é que nossa débil formação não permite à grande maioria das pessoas expressar-se com coerência e senso crítico. É antes muito mais um problema de formação do na própria forma e nos mecanismos de expressão. Acredito, enfim, que são oportunos os meios de menifestação do pensamento e a aderência a esses meios. O que falta, decerto, é o senso crítico, que só se adquire com o estudo propedêutico, com a Filosofia, Sociologia, Antropologia...E nisso, estamos tão deficientes, que toda essa nesciedade nem chega a surpreender. Mas, acredito, a nesciedade não é uma moléstia incurável. É possível que alguém, que hoje se encontre acometido desse mal, possa algum dia adquirir senso crítico, pensar e se expressar com coerência, desde que a Filosofia passe a ser seu alicerce de compreensão.

Franco QM disse:
23 de maio de 2013 às 14:33

Certa vez, chegaram ao reino dois alfaiates dizendo-se capazes de tecer uma roupa que não poderia ser visto pelas pessoas destituídas de inteligência...
Certa vez, um autor escreveu um texto que não dizia nada com nada, mas ainda assim os puxa-sacos de plantão disseram que o texto era brilhante e que os néscios não o entenderiam.

Observador.. disse:
23 de maio de 2013 às 14:41

Captei a mensagem...rs.Como quero apenas me (bem)informar,meu nick segue..
Espero que os "não néscios", tanto aquele que escreve e aqueles que opinam, lembrem-se que uma forma de impor o próprio pensamento, como verdade absoluta, é partir para o ataque às divergências que surgem.Constrange-se o outro para ir, com o tempo, silenciando aqueles que ousarem discordar ou tiverem visões diferentes sobre assuntos.
Sei que o professor é melhor que isto, e deve ter imaginado um outro propósito para o seu texto.Divagar sobre o analfabetismo funcional, não sei.Mas acho que ele se dirigiu, claramente,aos comentaristas deste site.
Este texto será um marco divisório.Quem o elogia ( e muitas vezes não entende o texto, tenho certeza ) se sentirá um eleito.Um "não néscio".Os outros se sentirão constrangidos em opinar de forma contrária.A reação é antecipada em seu texto.Se sentirão ofendidos.
Será divertido.
Enfim, mais uma vez aprendo com o senhor.Acho seus textos brilhantes.Tenho uma opinião sobre textos e considero o momento oportuno para expô-la.Acho que um texto pode ser sofisticado, pode não ser um "resumo do resumo" mas pode, também, ser um texto claro e objetivo.Sem circunlóquios.
Acho o excesso de citações uma maldição no Direito que cansa os leigos, os néscios e aqueles que apenas se cansam disso.O correto, para mim, seria aqueles que dominam alguma área do saber, sentirem prazer em conseguir passar suas idéias à diversas platéias e não, somente, aos mesmos círculos pensantes de sempre.O acesso à informação ficava na mão de poucos.Hoje, com a web, isto mudou.Tem seu lado negativo, como o senhor aponta alguns em seu texto.Mas o acesso ao conhecimento se tornou plural.Comemoremos.

Ciro C. disse:
23 de maio de 2013 às 15:02

Como foi dito pelo olhador, ops, digo observador, a informação (querendo ou não) hoje é muito mais acessível. Parece que isto incomoda a alguns; que gostam de ser detentores do monopólio do saber, prática muito comum entre os docentes, principalmente na pós-graduação. Não gosto da estética dos textos de Lênio, um trabalho antes de tudo, deve ser sedutor e convidativo à leitura. O excesso de citações vagas, estrangeirismos, verborragia e a excessiva auto propaganda são de muito mal gosto. Contudo, o anonimato é um péssimo cartão de visitas e retira de início a credibilidade de quem comenta.

Eduardo. Adv. disse:
23 de maio de 2013 às 15:10

Uns são detentores até de cargo público e, como dizem os mais antigos, mandam soltar ou prender. Outros atualmente já podem dizer que têm a discricionariedade, que é uma justificativa para fazer nada com o "amparo da lei". Ambos se esqueceram do "dopelopá"...
E dá um trabalho para reparar o estrago...
Aliás, acabei de lembrar de um fato. Dias atrás uma jovem magistrada conduzia a audiência com extrema autoridade. Como técnica de estímulo à "composição", desmerecia o direito de uma das partes, fazendo o julgamento antecipado - e informal - da lide. Mas era para "estimular a composição".
Sem querer, reparei que na parte superior à esquerda de seu "púlpito" ela estava munida com um resumo de uma antiga e ainda famosa coleção...
O mais engraçado eram os estagiários... Quanta admiração!

PAULO FRANCIS disse:
23 de maio de 2013 às 15:12

Ao contrário de alguns vejo os textos de Lennio Streck de absoluta clareza. A erudição é bela quando se a tem. Ele a tem.
O direito se empobrece quando os argumentos não são substantivos.
Entendo seus críticos, pois aí reside uma certa mágoa que alguns chamam de inveja má. Eu prefiro a inveja boa, pois ela nos faz crescer.
Quando não se há sólidos argumentos, começa a pancadaria.
Continue com suas críticas professor, elas nos fazem pensar. Estou com 63 anos e quase 40 anos de advocacia, 20 como professor, e cada vez que leio seus artigos,rejuvenesço.

Observador.. disse:
23 de maio de 2013 às 15:22

Tendo a concordar com o que escreveu, sobre o "cartão de visitas".Mantenho meu nick mas entendo o que o senhor disse.
Mas muitos, pela história, usaram pseudônimos (pais dos nicks de hoje).Me lembrei de um, em especial. Aquele que alguns consideram como o pai do existencialismo cristão, em oposição ao proto-existencialismo de Friedrich Nietzsche. Kierkegaard, Søren Aabye,importante teólogo e filósofo dinamarquês.Muito de sua obra foi escrita utilizando-se de pseudônimos.Muitos o desconhecem, talvez, por isto.
Ele dissertou, além de outros importantes temas, sobre o que considerou a crueldade, das consequências,da terrível mentalidade de rebanho que assolava a Europa em sua época.
Muitos - néscios e não néscios - ainda padecem de tal mentalidade.É só ler para ver.

Veritas veritas disse:
23 de maio de 2013 às 15:40

O articulista deveria dirigir sua queixa à empresa Conjur que o contrata. Pelas regras do Conjur, admite-se a participação de comentaristas que OPTEM por não se identificar, sendo LÍCITA tal conduta de acordo com as REGRAS do próprio CONJUR. Mero exercício de direito.
Se isto incomoda ao articulista, então, duas opções:
1 - "peça para sair" ou;
2 - acostume-se.

Sidarta Cabral disse:
23 de maio de 2013 às 15:42

A essência das palavras do autor.
As palavras revelam sua compreensão do mundo.
É comum que às vezes fiquemos decepcionados com tantas ofensas.
A decepção não vem com o contrário mas com a ofensa. Acho que o prof. Lênio dessa vez chutou a bola para fora. Deixou que seus conhecimentos teórico-filosóficos ficassem turvados pela cólera. Que pena! Mas foi muito bom para mim esses comentários. Pq? Agora consegui enxergar q. o Prof. Lênio, como tantos outros academicos de renome, não passam de grandes teórico-filosóficos, apenas. Qdo cita Martin Luther King ao lado de Platão e Kant. Qdo cita Marx e se entusiasma com a mentira lavada de Marx qdo diz "néscios são o lúmpen; não falo deles; com eles não há revolução". (-1) pra ele. Tem grande cabedal jurídico-filosófico. Mas está mto longe de ser um filósofo.

D. Avlis disse:
23 de maio de 2013 às 16:50

Não sou muito fã dessas carapuças lançadas a quem quiser prová-las para ver se servem. Mas, deve-se destacar a nota do Lenio: "Nota: nem todo mundo que usa codinome é néscio, mas quase todos os néscio usam codinome!"
De minha parte, não me considero um néscio e percebo a ironia do Lenio quando fala de Nietzsche e seu Zaratustra: "um livro para todos, os néscios, e para ninguém, aqueles que já superaram esta condição". Portanto, filio-me ao pensamento socrático e reconheço que só sei que nada sei e creio, provavelmente como Lenio, que é isso o que impulsiona ao conhecimento. Afinal, um verdadeiro néscio acredita que sabe alguma coisa!
PS: acredito que vários "comentaristas" não divulgam seu verdadeiro nome por possuírem vínculos que impedem a emissão de opinião.

R. Canan disse:
23 de maio de 2013 às 18:09

Em "Os tempos hipermodernos" Sébastien Charles (que faz uma introdução ao pensamento de Gilles Lipovestsky) observa que os indivíduos "hipermodernos" estão desapossados de qualquer sentido transcendente, com opiniões cada vez menos firmes, e são mais volúveis. Mas também observa que estes mesmos indivíduos são mais receptivos a críticas, mais tolerantes, mais abertos à diferença, à evidência e à argumentação do outro.
Enfim, ainda se pode salvar os néscios.
Uma emancipação do indivíduo nos moldes de Bourdieu. é papel da (boa) doutrina fazê-lo.
Parabéns Prof. Lênio, pela constante contribuição no resgate.

Bruno Vivas disse:
23 de maio de 2013 às 18:43

Ainda que houvesse diversas críticas ao estilo de escrita do Lênio, grande parte dos críticos procurou se utilizar de palavras de impacto, que, com certeza, copiaram de alguns livros. Sobre a simplificação do direito, infelizmente isso é uma realidade. Seria até compreensível esse direito resumido em um para alcançar um cargo público com boa remuneração, pois, gostando ou não, os concursos pedem isso e pra quem tem uma realidade de baixo podere aquisitivo, é um mal necessário. O que me entristece é acompanhar a deterioração de uma graduação, que fará com que muitos soberbos exijam serem chamados de doutores, seja tratada desta maneira simplista e "maceteada". A graduação perdeu sua razão de ser e passou tão somente a um preparatório para a OAB. Infelizmente. Portanto, não posso deixar de concordar com o Lênio em insistir na questão do emburrecimento geral.

Gonçalves Walter disse:
23 de maio de 2013 às 19:06

E o Promotor do Rio Grande do Sul que cumpriu mandado de prisão...heinnnnn.
Não vai falar nada Professor?
O Senhor também não está se escondendo????
Em tempo: Ainda bem que foi o Barroso para o STF, chega de arrogância.

Marceloh disse:
23 de maio de 2013 às 19:31

Os néscios devem estar em polvorosa, e certamente nem o sabem...

BORGES disse:
23 de maio de 2013 às 19:35

O Epiteto até encoraja os tímidos, mas escuda os crápulas e mal intencionados. Que venham os comentaristas nercios, tímidos, e porque não, os crápulas. Parabéns Professor.

Sidarta Cabral disse:
23 de maio de 2013 às 21:53

Torcia pela indicação do Prof. Lênio para vaga do STF. Há algum tempo venho lendo do professor Lênio tanto seus livros como seus artigos e comentários heidegger-gadamerianos. É difícil, mas compreensível de fato para alguns. Nas primeiras leituras logo me indentifiquei com seu tom de "protesto". Lia-o como se ele estivesse falando: "Acorda! comunidade jurídica brasileira, vcs estão e parecem que não se importam sair da idade da pedra." Se fosse por mérito era ele q achava mais preparado para o STF. Apenas fiz um comentário q., lendo alguns filósofos e cientistas políticos, a citação de Marx e Luther King foi uma derrapada. Ou uma revelação?. Deixa pra lá. Vou continuar a lê-lo, agora, juntamente com outros. Olhe qtos braços os marxistas petistas têm: Barroso não era bom qdo subscreveu a petição do aborto. Na época queriam voto dos cristãos. Agora é bom, porque patrocinou a causa gaysista e defende o italiano marxista. Só pra lembrar ...

Ubiratã Sena Nunes disse:
24 de maio de 2013 às 05:58

Conjugando o verbo nesciar: Eu néscio, tu néscia, ele néscia... e, se olharmos bem todos nós nesciamos!

Zé Machado disse:
24 de maio de 2013 às 07:22

Coluna não jurídica que chama a atenção. Do néscio como sinônimo de ignorância, ninguém escapa, por que sempre se ignora alguma coisa.Ninguém é onisciente. O pior, é quando um néscio de carteirinha cumula funções de pedante, desrespeitoso, atrevido, orgulhoso, invejoso, etc... Haja espírito de tolerância para convivência! Agora, coloque tais adjetivos em uma autoridade típica brasileira, e, o que teremos? A resposta com o ilustre colunista.

Zé Machado disse:
24 de maio de 2013 às 07:22

Coluna não jurídica que chama a atenção. Do néscio como sinônimo de ignorância, ninguém escapa, por que sempre se ignora alguma coisa.Ninguém é onisciente. O pior, é quando um néscio de carteirinha cumula funções de pedante, desrespeitoso, atrevido, orgulhoso, invejoso, etc... Haja espírito de tolerância para convivência! Agora, coloque tais adjetivos em uma autoridade típica brasileira, e, o que teremos? A resposta com o ilustre colunista.

jailton marques disse:
24 de maio de 2013 às 08:41

Que propriedade, consono "A inquietude intrínseca da epistemologia tem no conhecimento a virtude da ciência, não obstante o subjetivismo abstrato dos néscios".

RAFAEL ADV disse:
24 de maio de 2013 às 09:09

O maior vantagem de existirem os "néscios" é que o Prof. Lênio e puxa-sacos podem sair por aí dizendo que a PEC37 é a "PEC DA IMPUNIDADE" e terão inúmeros "néscios seguidores" compartilhando e difundindo este tipo de "mentira"... Já que uma mentira repetida inúmeras vezes por pessoas "cultas" torna-se uma verdade para os néscios. Este é o motivo pelo qual os néscios são favoráveis à campanha publicitária do MP denominada: "PEC37, A PEC DA IMPUNIDADE", enquanto em "sites" especializados, onde o público conhece o teor da PEC 37, a esmagadora maioria é favorável à tal, exceto membros do Ministério Público ou pessoas que acreditam em falácias.
Esta coluna nítidamente demonstrou que o Prof. Lênio, apesar de todo seu conhecimento e erudição, não suporta opiniões contrárias às suas, como por exemplo aquelas emitidas pela esmagadora maioria em sua publicação anterior, e lançou para os leitores este texto, demonstrando todo seu conhecimento e citando nomes de pessoas que influenciaram a cultura mundial, para inflar o seu ego e se sentir um deles, mas, nem mesmo isso tudo é capaz de lhe dar razão em sua opinião corporativista em relação à PEC37... Desculpem os erros de Português, pois não sou tão "adestrado" quanto o Autor, mas, ainda bem que o meu conhecimento jurídico é suficiente para saber que a PEC37 é a PEC da Legalidade, que apenas repete o que já consta na Constituição em relação ao poder investigatório do MP, mas, infelizmente pessoas "cultas" fazem textos e pareceres com interpretações forçadíssimas e sem a menor base jurídica, para convencer os "néscios" de que o MP perderá direitos com a referida PEC.
Abraço Prof. Lênio, e aprenda a lidar com opiniões divergentes, sem sentir a necessidade de "se exibir".

Sersilva disse:
24 de maio de 2013 às 09:25

Dizem que não se pode enganar todos por todo tempo, dito e feito ou bingo!!! Apelou perdeu, bingo de novo. Além de conhecimento, serenidade e humildade são essenciais para agregar adeptos a sua causa. Assim, o Promotor se enquadra aos demais “engavetadores da republica”. Lembram. Agora, recentemente, processo de repercussão nacional, que diziam abalaria a republica prescreveu, antes, o do paladino da moral, capa de revista famosa, quase escapa ileso com a colaboração dos seus. Ao STF, com tal atuação, nunca serás!!!

Maxuel Moura disse:
24 de maio de 2013 às 10:52

Praga multiplica-se em uma velocidade vertiginosa e sem controle, por isso os néscios estão em todo lugar na internet, são isso, uma praga!

Lucas A M disse:
24 de maio de 2013 às 13:30

Vê-se pessoas indignadas discutindo o poder de investigação do MP. Afirmam, por exemplo, que o articulista repete "inverdades"(?) para impor sua ideia contrária à PEC 37.
Pois bem.
Com base na própria teoria do articulista (a nova crítica do direito) não há interpretações erradas em si, pois não há apenas uma resposta. Um texto abre possibilidades faticamente. Assim, a resposta depende das pré-compreensões do interprete. Exige-se apenas que a extração da norma do texto seja conforme à constituição (direito à interpretação conforme).
Desta maneira, pergunta-se qual a conformidade constitucional da retirada do poder de investigação do MP?

Observador.. disse:
24 de maio de 2013 às 14:20

No final, lendo o artigo e os comentários com posições das mais diversas, percebo a falta de necessidade de tal discussão.
Todo site aberto, que permite inscrições, uso de nicks e comentários - como é o caso do Conjur - dá oportunidade a todo tipo de comentarista e análises sobre os mais diversos assuntos.
Uma pessoa como o Professor não deveria ter escrito um artigo tão raivoso.Ao contrário.Deveria gostar de ser lido pelos tipos mais diversos.A crítica existe e sempre existirá.Faz parte da vida de quem se apresenta publicamente.
Rotular pessoas, para mim, é a maior atitude néscia que existe.Muitas vezes rotulamos aquilo que achamos diferente, quem não conhecemos ou aqueles que nos incomodam.É uma postura válida mas deve ser usada com comedimento.Caso contrário, não passa de mera intolerância e manipulação do conhecimento para aos que discordam atingir.
O debate é sempre salutar.Há pessoas aqui nos comentários que são muito interessantes.Complementam muito bem artigos publicados neste sítio.Mesmo quando delas discordo.
Tem o Dr.Sérgio Niemeyer, Praetor, Dr.Pintar, Prof.Armando, Prof. Cid Moura, Herculano, Diogo Valverde, Hammer Eduardo e muitos outros que aqui comentam.Pessoas que, muitas vezes, discordam veementemente umas das outras.Mas sempre contribuem para o (bom)debate.
Enfim.Ah..tem o comentarista Sidarta Cabral, que vale à pena o senhor ler, principalmente no que ele aborda (com razão) sobre Marx.E o FrancoQM que nos lembra, através do rei nu, da humildade que nunca deve nos abandonar (até para não nos tornarmos ridículos).
Bom final de semana e boas colunas Professor!

Aiolia disse:
24 de maio de 2013 às 15:47

É isso aí, dps dos comentários todos, e de certamente já ter tomado o ilustre, douto e culto professor seu remédio pra pressão, posso dizer que a máscara caiu, o tiro saiu (pela culatra; talvez tenha mirado no padre e acertado na igreja), o texto não vale mais do que o nº de caracteres da OJ 140 da SbDI-1 do TST, lastreada na CLT (e não no CPP), meu nick não é "hercúleo", é meu verdadeiro nome, e cada macaco no seu galho...
ps: Aprenda a conviver com opiniões diversas da sua, ainda que vindas de néscios, ou na próxima é AVC na certa! Se não conseguir, peça pra Conjur bloquear os comentários às suas colunas.

Marcos Alves Pintar disse:
24 de maio de 2013 às 17:02

Eu não tenho procuração do prof. Lenio para o defender neste espaço, e acredito que ele nem precisa disso. Mas, a meu ver, penso que Lenio tenha ficado extasiado com as diversas críticas lançadas neste espaço em relação a sua coluna semanal. Isso porque, como sabemos, os medíocres se aborrecem com as críticas, mas os estudiosos se sentem extremamente felicitados quando suas teses e posições são confrontadas, pois isso significa a possibilidade de repensar, reconstruir e aperfeiçoar. Na minha lida como advogado, torço para que o advogado da parte contrária seja bom, pois ao tentar derrubar minhas teses ele está, na verdade, apontando falhas que me permitem aperfeiçoar ainda mais minhas fundamentações. A crítica, bem construída e sem ataque pessoal, é na verdade uma dádiva para quem a recebe e sabe ouvi-la.

Lucas A M disse:
24 de maio de 2013 às 18:52

Vislumbro 1 erro. Criticar o professor Lênio sem conhecer sua teoria.
A teoria dele é contra a dogmática (dominação ideológica) e afirma expressamente que não há resposta única e correta.
Com isso, p/ ele, NÃO HÁ DONOS DA VERDADE (isto ele deixa claro).
Por isso ele chama de néscio àquele que o critica sem conhecer sua teoria, imputando-lhe uma qualidade ("dono da verdade") que ele luta tanto p/ rebater, baseando-se em Pierre Bourdieu etc.
É certo que ele não introduz sua teoria no começo dos artigos (pressupondo que os críticos a conheçam), mas não poderia ser de outra maneira, porque ela é complexa e demandaria muitas pags.
Então, sugiro que leiam O Hermenêutica Jurídica e(m) crise e o Verdade e Consenso ou, ao menos, alguns artigos acadêmicos do professor.

Rodrigo Beleza disse:
24 de maio de 2013 às 18:58

Dr. Streck, passei a compreender melhor os néscios após ler dois artigos sombre primatologia em uma revista científica recentemente lançada. Aparentemente eles usam menos as partes mais evoluídas de nosso cérebro, responsáveis pelo pensamento racional, e são reféns das partes menos evoluídas, que foram úteis quando vivíamos em pequenos grupos espalhados pela savana, e que compartilhamos com outros primatas e mamíferos em geral. Seguem os "links":
http://nautil.us/issue/1/what-makes-you-so-special/the-cosmopolitan-ape
http://nautil.us/issue/1/what-makes-you-so-special/cooperation-is-what-makes-us-human
Grande abraço!

djavan high hopes disse:
24 de maio de 2013 às 19:23

Lendo os comentários, faço das palavras do p9lli as minhas e como disse o senhor advogado, os textos do professor Lênio sempre demonstram ter muito conteúdo, este desconhecido pela maioria dos docentes e ignorado pelos alunos que tem preguiça de ler ou pelo menos se darem ao trabalho de tentar entender os escritos do professor ou de qualquer outro, como Tércio Sampaio por acharem demasiado complexos. Conheci os texto de Lênio durante minhas aulas de hermenêutica com o Hermenêutica em Crise. Até hoje dou risada quando perguntaram ao nosso professor, que ficou muito bravo, se existia um livro do tipo simplificador, algo como "Para entender Lênio Streck". Jamais seremos nada desse jeito.
O que nos resta a fazer é aprender sobre o que não conhecemos, mas temos que começar pela raiz, saber como se planta a semente, pois quem começa pela folhas, começa pelo final.

Rivaldo Penha disse:
26 de maio de 2013 às 16:10

O professor está invertendo as coisas. Foi o MP que tentou formar um senso comum quando iniciou campanha midiática contra a PEC 37. Contudo, foi graças à manifestação de alguns "néscios" (Nucci, Afonso da Silva, Ives Gandra etc.) que outros perceberam que a coisa não era como estavam pintando.
Ora, as pessoas também pensam e não são obrigadas a concordar com nada.
Ninguém é dono da verdade, notadamente o Lenio que sempre demonstrou defender posições casuísticas. Porque ataca os resumos jurídicos? Será que estão prejudicando a venda seus livros?
Que mal fez Lutero ao traduzir a bíblia? Penso que criou mais uma opção. Ler a bíblia em latim ou em alemão. Conquanto inútil, as pessoas têm o direito de optar pelo “dopelopá”.
Concordo com a maioria de seus pontos de vista, mormente a questão da livre apreciação das provas dos juízes. Entretanto, começo a desconfiar que se o professor fosse juiz, talvez nem tocasse no assunto.
Enfim, acho que ele está se perdendo por causa dessa PEC. Pra mim é paradoxal que combata o poder discricionário do juiz, se por outro lado recomendou no artigo anterior se aplique o princípio da oportunidade colombiana na atuação do MP.
Estranho também que negue o "fator Júlia Roberts" quando suscita o fato de o STF já ter dito que o MP pode investigar.
Não lute contra os resumos e os telós da vida. Lute contra o sistema que permite que um sujeito passe num concurso a despeito de ter estudado por resumos. Não defenda que A ou B pode investigar. Defenda um sistema processual equilibrado que permita a qualquer um se defender de super acusadores, sem que lhes seja negada à CF.
Ela deveria valer tanto nos IP conduzido pela Polícia, quanto pelo MP. Mas na 2ª hipótese a maioria das garantias são ignoradas.

Rivaldo Penha disse:
26 de maio de 2013 às 16:10

O professor está invertendo as coisas. Foi o MP que tentou formar um senso comum quando iniciou campanha midiática contra a PEC 37. Contudo, foi graças à manifestação de alguns "néscios" (Nucci, Afonso da Silva, Ives Gandra etc.) que outros perceberam que a coisa não era como estavam pintando.
Ora, as pessoas também pensam e não são obrigadas a concordar com nada.
Ninguém é dono da verdade, notadamente o Lenio que sempre demonstrou defender posições casuísticas. Porque ataca os resumos jurídicos? Será que estão prejudicando a venda seus livros?
Que mal fez Lutero ao traduzir a bíblia? Penso que criou mais uma opção. Ler a bíblia em latim ou em alemão. Conquanto inútil, as pessoas têm o direito de optar pelo “dopelopá”.
Concordo com a maioria de seus pontos de vista, mormente a questão da livre apreciação das provas dos juízes. Entretanto, começo a desconfiar que se o professor fosse juiz, talvez nem tocasse no assunto.
Enfim, acho que ele está se perdendo por causa dessa PEC. Pra mim é paradoxal que combata o poder discricionário do juiz, se por outro lado recomendou no artigo anterior se aplique o princípio da oportunidade colombiana na atuação do MP.
Estranho também que negue o "fator Júlia Roberts" quando suscita o fato de o STF já ter dito que o MP pode investigar.
Não lute contra os resumos e os telós da vida. Lute contra o sistema que permite que um sujeito passe num concurso a despeito de ter estudado por resumos. Não defenda que A ou B pode investigar. Defenda um sistema processual equilibrado que permita a qualquer um se defender de super acusadores, sem que lhes seja negada à CF.
Ela deveria valer tanto nos IP conduzido pela Polícia, quanto pelo MP. Mas na 2ª hipótese a maioria das garantias são ignoradas.

Observador.. disse:
27 de maio de 2013 às 20:26

O Professor Sérgio Niemeyer, em comentário sobre Direito e Lógica,no quadro "Constituição e Poder", elegantemente respondeu à um comentário que fiz,cujo teor da resposta vai ao encontro do pensamento do senhor, quando ele versa sobre algumas teorias utilizadas em nosso Direito:
"A desconexão entre o direito brasileiro e o modo como é aplicado ou realizado por meio de decisões judiciais ou é fruto de um uso pervertido da Lógica, como faziam os sofistas a quem Aristóteles dedicou-se a desmascarar quando desenvolveu a lógica de modo sistemático (Categorias, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Tópicos, Sofistas, livros que compõem o que depois se batizou de Órganon), ou é fruto de desconhecimento da Lógica. Para dar uma aparência de legitimidade a tal prática, muitos dedicam seu tempo à criação de “teorias” nas quais depois vão fundar seus argumentos, como se fosse uma fonte de conhecimento válido e verdadeiro. Na verdade, são teorias com aplicação prática, o que as torna, pelo menos na aparência, teorias válidas. Contudo, quando examinadas sob a perspectiva da Lógica e submetidas a um escrutínio epistemológico rigoroso, não se sustentam. A mim, parece que os que agem desse modo o fazem com o reto propósito de transformar o Direito em uma ciência cada vez mais obscura, inacessível aos demais seres pensantes, como ocorria com as antigas ciências ocultas, muito parecido com o ocultismo das religiões. O direito não é para ser assim tão complicado. De rigor, quem quer que se oriente pela Lógica conseguirá compreender as soluções do Direito com maior ou menor esforço, por mais que excepcionalmente apareçam situações a exigirem maior esforço para serem resolvidas. Mas lembro: são excepcionais. Porém, indago: a quem interessa um direito descomplicado?"

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