Bacharéis criticam exame da Ordem em audiência no Senado Federal

O exame da Ordem dos Advogados do Brasil foi criticado durante audiência pública que a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) promoveu nessa quinta-feira (24/4). Para entidades contrárias à prova, a exigência de habilitação antes do ingresso no mercado profissional não pode ser imposta apenas aos que se formam em Direito. Se o exame tiver que ocorrer, entendem que sua aplicação deve ficar sob a tutela do Ministério da Educação, e não da OAB.

Apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal pela constitucionalidade do exame, os representantes das entidades dos bacharéis em Direito reiteraram posição contrária. O entendimento é de que apenas o Executivo federal poderia regulamentar o tema. Outro argumento apresentado é que há ausência de isonomia de tratamento em relação às demais profissões.

Os opositores contestaram afirmações de que o exame é útil à sociedade, tendo em vista o papel crucial dos advogados na defesa de direitos fundamentais dos indivíduos, inclusive a própria liberdade. A avaliação comum aos participantes do debate contrários ao exame é que a prova representa uma rendosa fonte de receitas, da ordem de R$ 80 milhões anuais decorrentes das inscrições cobradas, sendo esta a razão da veemente defesa de sua manutenção.

O interesse econômico seria também a explicação para os altos índices de reprovação registrados, como assinalaram os contrários ao exame. Para isso, conforme Reynaldo Arantes, que preside a Organização dos Acadêmicos e Bacharéis do Brasil (OABB), a entidade “manipula” a prova, adotando “pegadinhas” entre os quesitos. Assim, sempre restariam cerca de 100 mil reprovados para o próximo exame. Somente com esses, já haveria uma arrecadação garantida de R$ 20 milhões, com base no atual valor da taxa de inscrição, de R$ 200. Com os novos formandos, a receita sobe para R$ 80 milhões.

Para acabar com essa distorção, Reynaldo Arantes defendeu a gratuidade do exame. Segundo ele, os custos podem ser cobertos com as receitas já arrecadadas pela OAB, especialmente a anuidade paga pelos advogados, que hoje seria superior a R$ 900. Ele também apontou uma contradição na OAB, que, conforme assinalou, “ora se diz pública”, para não pagar impostos, e “paralelamente privada”, para não prestar contas ao Tribunal de Contas da União.

O professor da Faculdade Evangélica das Assembleias de Deus (Faecad), Rubens da Silva, reforçou que exame da OAB é injusto, por causa do alto grau de dificuldade das provas e do valor elevado da inscrição.

O secretário-geral do Conselho Federal da OAB, Cláudio Pereira Neto, defendeu a manutenção do exame como um dever da entidade pela cidadania. Ele criticou a explosão de cursos de Direito, sob a permissão do governo, especialmente na década de 1990. Segundo disse, o número aumentou de 200, na década de 1970, para 1.285 atualmente.

O secretário disse que a OAB não vê os bacharéis como adversários e que está aberta a solucionar o problema do grande número de reprovações nas provas. Ele explicou que a Ordem vem tomando medidas para conseguir aumentar as aprovações. Entre elas, a informação às faculdades da média de notas dos alunos em cada disciplina e o fato de permitir ao candidato repetir, por ao menos mais um certame, a segunda etapa da prova no caso de reprovação, sem ter que refazer a primeira.

Em relação ao valor das inscrições, o secretário da OAB justificou o alto custo pelo fato de o exame ser prestado em 178 polos, incluindo o interior do país. Ele disse que a instituição não tem interesse econômico no valor das inscrições, porque se os candidatos reprovados tivessem sido aprovados, o que eles pagariam à OAB seria muito maior do que a taxa da inscrição. Com informações da Assessoria de Imprensa do Senado Federal.

Eduardo. Adv. disse:
27 de abril de 2014 às 21:16

O Jornal Carta Forense deste mês trouxe um caso interessante de bacharel aprovada no Exame... Sugiro a leitura.
Aos parlamentares, há de ser relembrado que a graduação é de Direito, não de Advocacia.
Logo, a anuidade que pago depois de aprovado não é para subsidiar Exame de reprovado.

Marcos Alves Pintar disse:
27 de abril de 2014 às 21:45

Minha nossa! Os bacharéis que não conseguiram aprovação no exame de ordem são estudante fracos, de pouca aptidão, QUE NÃO CONHECEM O EXERCÍCIO DA ADVOCACIA. Chamá-los a tratar sob o aspecto teórico do exame, é o mesmo que chamar Fernandinho Beiramar para redigir o Código Penal. A obrigatoriedade do exame de ordem é tema a ser tratado por profissionais experientes, de destaque na profissão, não por reprovados inaptos.

Diogo Duarte Valverde disse:
27 de abril de 2014 às 22:18

Esse pessoal não cansa de passar vergonha e fazer papel de ridículo. Primeiro acusam o Exame de ser uma fonte de arrecadação, depois se contradizem ao dizer que os custos poderiam ser cobertos pelas anuidades, acabando por admitir que a OAB ganharia muito mais dinheiro se admitisse toda a turminha em seus quadros sem a realização do Exame.
.
Toda vez que esses bacharéis dizem qualquer coisa, acabam fornecendo provas ainda mais concretas de inaptidão. Deveriam ficar quietos e se valer do princípio "nemo tenetur se detegere".

Marcello P. Rodrigues disse:
28 de abril de 2014 às 08:01

Sou advogado, fiz o exame de ordem e não tive maiores dificuldades para obter minha aprovação... é um absurdo o desejo antigo de facilidades para o exercício da advocacia. o advogado deve honrar seu mister e se não detém de condições para ser aprovado não pode exercer profissão tão ilustre... O exame de ordem é um dos poucos filtros hoje para a advocacia...

Antônio dos Anjos disse:
28 de abril de 2014 às 08:57

A melhor solução para o Exame de Ordem chama-se estudo.
Se os bacharéis constantemente reprovados focassem seus esforços estudando para merecerem a aprovação ao invés de tentarem acabar com o certame, a coisa daria certo.
Outra coisa, NÃO É TODO MUNDO QUE QUER SER ADVOGADO QUE VAI SE FORMAR EM DIREITO E QUE VAI SER ADVOGADO.
Por fim, a analogia foi perfeita: querer que o Bacharel reprovado opine sobre o Exame de Ordem é querer que o homicida opine sobre a reforma do Código Penal.

Carlos disse:
28 de abril de 2014 às 09:22

Longe de achar que o exame não deva existir ou também deva ser afrouxado somente para abarcar aqueles que não têm mínimas condições intelectuais de exercer a profissão cujo objeto principal é justamente o conhecimento, ainda sim acho estranho o valor cobrado, e então me pergunto o porquê de não haver uma prestação de contas.
Se o valor cobrado é um dos pontos obscuros, preste-se contas. Ou a OAB está imune a isso.

Marcos Alves Pintar disse:
28 de abril de 2014 às 11:58

O valor cobrado para o Exame de Ordem, (salvo engano R$200,00) é ridiculamente baixo. Corresponde a menos de 1/3 de um salário mínimo, e menos de 1/4 do valor de uma anuidade. O que os bacharéis inaptos não entendem, devido à falta de conhecimento, é que quando forem um dia aprovados e começarem a trabalhar de verdade vão gastar R$200,00 por dia no exercício da advocacia.

Eduardo. Adv. disse:
28 de abril de 2014 às 12:47

O senhor contribui para a OAB?
Quem pode pedir exame de contas somos nós, os contribuintes.

Marcos Alves Pintar disse:
28 de abril de 2014 às 13:34

Temos um contador que presta serviços ao escritório, que estava cursando direito. "Ralava" o dia todo na contabilidade, e à noite ia à faculdade de direito. Formou-se o ano passado e já foi prestar o Exame de Ordem. Foi aprovado na primeira fase, e há algumas semanas veio até aqui, quando lhe perguntei sobre a segunda fase, cujo resultado havia sido divulgado há poucos dias. Teve nota 87, tendo sido aprovado no primeiro exame em todas as provas, em que pese o pouco tempo de estudo devido ao fato de trabalhar o dia todo. Assim, sem essa de que "a prova é difícil" ou coisas do gênero, pois o grande número de reprovados se dá na verdade DEVIDO À FALTA DE ESTUDO.

Observador.. disse:
28 de abril de 2014 às 14:11

Como bem escreveu alguém nos comentários, deveriam haver exames para todas as carreiras. Para filtrar os que não querem estudar e/ou se aprimorar na profissão que abraçaram.
Além de incentivar a procura de cargos técnicos naqueles que não tem aptidão para o curso que escolheram ou não sabem o que escolher; todos querem ter curso superior em um país onde, daqui a pouco, não teremos quem saiba operar equipamentos essenciais para a continuidade de projetos, obras, análises laboratoriais etc.É incrível mas já está acontecendo.
Todo mundo quer mandar em país de Doutores.Fazendo o mínimo de esforço e - absurdo - chegando até a procurar o parlamento com propostas de rejeição ao estudo e ao aprimoramento pessoal/profissional.
Não é à toa que estamos claudicando em nossa caminhada como nação rumo ao desenvolvimento.

Lucas Adorno disse:
28 de abril de 2014 às 15:18

No direito - O bacharel, ou mesmo na condição advogado, "seus erros" - não contribuem para ceifar vidas, no máximo, acordos relacionados a bens materiais em desfavor de cliente;
Na medicina - "erros" médicos significam Instituto Médico Legal
Na engenharia - "erros" podem também caracterizar desabamentos, ceifando dezenas de vidas
Apenas para ficar nessas profissões, pergunto: Qual o bem mais precioso - Vida, ou bens materiais.
Se CRM e CREA não defendem igual postura da OAB, então, a contrário senso, não deveria a OAB ser tão ferrenha na defesa do exame de ordem.

Eduardo. Adv. disse:
28 de abril de 2014 às 18:48

O CRM defende sim, senhor!
No entanto, porque nunca cobrou os estudantes, agora não consegue colocar em prática algo como o Exame de Ordem.
Todavia, já está dando os primeiros passos para instituir Exame de Proficiência.
O CRC já conta com Exame de Proficiência, também...

Roberto MP disse:
28 de abril de 2014 às 18:52

Estudar dá trabalho? Deve dar. Deve ser entediante para os reprovados. Os bacharéis falam das “pegadinhas” na prova. Quer dizer que se num contencioso a outra parte assim fizer, como irá ficar o pretenso advogado? Vai ser enrolado. E quem vai suportar o ônus da reprovação, quem vai pagar o pato, vai ser o seu cliente do “pegado”. Agora aqui pra nós, se a faculdade evangélica que foi referida não conseguir habilitar seus alunos do curso de Direito, restará habilitar e investir no curso de Teologia. Mas, aí é que mora o perigo, pois não será absurdo imaginar que os teólogos lá formados vão ensinar equivocadamente como amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. É um contrassenso não acham?

Eri Coelho - Jornalista disse:
28 de abril de 2014 às 19:03

O Exame de Ordem é fácil para quem levou a sério os cinco anos de faculdade e se dedicou para o mesmo.
.
Por outro lado, sei de casos nos quais o bacharel não foi um aluno bem aplicado, entretanto, fez um bom cursinho e
conseguiu passar no Exame de Ordem.
.
Enfim, só não passa quem não leva a sério os estudos.
.
Chega de choradeira, vai estudar pessoal!!!!

Neli disse:
28 de abril de 2014 às 20:23

O que falta a quem está prestando o exame é:calma, tranquilidade e não deve ter ansiedade . O estudante deveria começar a estudar desde o primeiro ano.estudar mais o Direito Constitucional.Sabendo direito constitucional sabe: administrativo,tributário, constitucional, previdenciário, trabalhista,internacional,penal e processo penal(art. 5ºXLVI )Querer acabar com o Exame é premiar pessoas que não se dedicaram ao estudo com seriedade.Deveria ter o Exame para todas as profissões. (sou formada há 34 anos!)Finalmente, o advogado subsidiar exame da OAB(para os reprovados?) Ah,poupe-me!

Roberto MP disse:
28 de abril de 2014 às 22:50

Eu acrescento mais uma, por experiência. Tenho uma filha que é procuradora do Estado há 10 anos. Quando ela estava terminando o primeiro ano de Direito eu trouxe um livro e entreguei a ela para ler. Disse eu que se ela não entendesse na primeira leitura, entenderia na segunda ou na terceira. E quando chegou a vez da disciplona ela tirou de letra, pois, o livrinho serviu de base. Não tem mistério. O manjado, mas eficaz, Teoria Geral do Processo, de Adda, Cintra e Dinamarco. Foi o começo de uma série de outras leituras. Passou de primeira no exame de ordem e no concurso da PGE que ela fez e passou havia 20 vagas e preencheram apenas 5. Não tem segredo, ou melhor, o segredo é estudar. Estudou, passou.

Resec disse:
29 de abril de 2014 às 09:11

A formação é em Direito. Ser advogado é outra coisa. Tem que se submeter ao exame da Ordem sim. Tem que estudar muito. Tem que saber o que está fazendo. A profissão é extremamente técnica e o exame de ordem é um dos poucos filtros hoje para a advocacia. Sem ele veríamos o caos.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.