Joaquim Barbosa será lembrado pelo que é, não pelo que fez

Gil Ferreira/SCO/STF

O ministro Joaquim Benedito Barbosa, que despediu-se do Supremo Tribunal Federal e do Judiciário nesta quinta-feira (31/7), vai deixar saudades, para o bem e para o mal. Barbosa dedicou 41 anos de sua vida ao serviço público e decidiu abandonar o mais honroso posto da magistratura 13 anos antes do prazo estabelecido por lei.

Antes de atravessar os umbrais da mais alta corte do país como ministro, foi funcionário da gráfica do Senado, oficial de chancelaria do Itamaraty, advogado do Serpro, o serviço de informática do governo federal, e procurador do Ministério Público Federal. Durante todo esse período brilhou mais por suas graduações e pós-graduações acadêmicas em cursos na Finlândia, Inglaterra, Estados Unidos, França, Áustria e Alemanha do que por sua atuação nos órgãos públicos.

Os 11 anos que passou no Supremo Tribunal Federal, igualmente, ficaram mais marcados pelos traços de sua personalidade do que pela sua produção jurisdicional. Esta peculiaridade ficou ainda mais realçada quando presidiu a corte, por um ano e sete meses.

O ministro do STF Luis Roberto Barroso, ao fazer a retrospectiva de 2013 para esta revista eletrônica Consultor Jurídico, elencou as grandes causas julgadas pela corte no ano em que Barbosa esteve na presidência:

“Neste ano de 2013, o tribunal, entre outras decisões emblemáticas: (i) admitiu os embargos infringentes na AP 470; (ii) deliberou sobre a perda do mandato parlamentar em razão de condenação criminal transitada em julgado; (iii) pronunciou-se sobre o devido processo legal legislativo em matéria de veto, criação de novos partidos e demarcação de terras indígenas; (iv) suspendeu liminarmente a criação de quatro novos tribunais regionais federais; (v) impediu cautelarmente a mudança das regras de repartição dos royalties do petróleo; (vi) iniciou a modulação dos efeitos das normas sobre precatórios, declaradas inconstitucionais; (vii) impôs o compartilhamento entre Estados e Municípios das competências relacionadas ao saneamento básico; (viii) declarou inconstitucional a reintrodução do voto impresso; (ix) considerou válida a introdução de um prazo de decadência para revisão dos benefícios previdenciários; e (x) definiu o alcance restrito das condicionantes impostas na demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol”.

A retrospectiva feita por Barroso pode ser vista como o balanço da atuação de Joaquim Barbosa como presidente do Supremo. O ministro, porém, foi alçado à condição de celebridade não só do mundo jurídico, mas também — ou principalmente — das colunas e redes sociais, por sua atuação como relator da Ação Penal 470, mais conhecida como o processo do mensalão. Ação originária do Supremo em função do foro especial de que gozavam alguns poucos réus da causa, o processo era por si de limitada repercussão jurídica, mas de forte impacto político. Joaquim Barbosa soube capitalizar a onda moralizante anticorrupção que envolveu toda a sociedade brasileira no caso e conseguiu um julgamento no chamado “prazo razoável” estipulado pela Constituição e, ainda por cima, obteve a condenação da maioria dos réus — já, a esta altura, amplamente condenada pela mídia e pela opinião pública.  

Apesar de terem sido do ministro Ricardo Lewandowski os entendimentos seguidos pela maioria dos ministros no julgamento da AP 470, Barbosa ganhou em popularidade e chegou a ser apontado como um possível candidato a presidente da República. Mas encerrou sua participação no processo com duas derrotas que podem ser consideradas pessoais e que podem também ter apressado sua decisão de antecipar a aposentadoria. A primeira delas foi quando os ministros do Supremo, por maioria, admitiram a possibilidade de Embargos Infringentes para os réus da AP 470 condenados por maioria de votos, mas que tiveram pelo menos quatro votos contrários à condenação. A segunda, já em 2014, quando o Supremo rejeitou a tese defendida por ele de que condenados com direito ao regime semiaberto só teriam direito a trabalhar fora do presídio depois de cumprir um sexto da pena.

Quando do julgamento dos primeiros embargos infringentes, em que a corte rejeitou a denúncia de formação de quadrilha contra o ex-ministro José Dirceu e outros seis condenados do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, inconformado com a derrota, afirmou que aquela era uma “tarde triste” para o Supremo. “Com argumentos pífios foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida e extremamente bem fundamentada.” A fez um alerta: “Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira que esse é apenas o primeiro passo”.

Primeiro negro a ser presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa nunca se conformou com o fato de ter chegado ao topo da carreira no Judiciário beneficiado por uma espécie de cota racial. Embora preencha todos os requisitos constitucionais para preencher o cargo, muito especialmente o “notório saber jurídico” de que fala a Constituição, é também notório que ao escolhê-lo para ocupar a vaga do constitucionalista José Carlos Moreira Alves, o presidente Luis Inácio Lula da Silva tinha a intenção manifesta de colocar um negro no Supremo, da mesma forma que Fernando Henrique fez de Ellen Gracie ministra para contemplar a "cota das mulheres". Só que Joaquim Barbosa sempre considerou esse detalhe um demérito. "Dizer que eu entrei numa cota é uma manifestação racista. Por quê? Porque simplesmente, as pessoas que fazem isso deixam de lado, não olham meu currículo. Aliás, pouca gente olha meu currículo", afirmou em entrevista ao jornalista Roberto d’Ávila, da Globo News.

Além da Ação Penal 470, a passagem de Joaquim Barbosa pelo Supremo será sempre lembrada pela relação conflituosa que manteve com a maioria de seus colegas. Em 2004, Joaquim Barbosa chegou a ser chamado pelo ministro Marco Aurélio “para resolver a questão fora do tribunal”. Foi o primeiro de vários confrontos entre ambos. Outro desafeto antigo foi o ministro Gilmar Mendes: "Quando se dirigir a mim, não pense que está falando com seus capangas de Mato Grosso”, apelou Barbosa, referindo-se ao estado natal de Gilmar. Durante o Julgamento da AP 470, as rusgas com o ministro Ricardo Lewandowski, revisor da ação, foram frequentes e as discussões acaloradas quase sempre descambavam para a ofensa pessoal. Uma de suas últimas investidas foi contra o ministro Roberto Barroso. Barbosa levantou-se contra o voto de Barroso pela redução de pena de alguns condenados, acusando-o de “fazer discurso político” e de “contribuir para a impunidade”. 

Desde que assumiu a presidência do Supremo, revelou-se um crítico feroz da instituição que o cargo que ocupava colocou sob seu comando. Em seu discurso de posse fez uma manifestação de desejo que pode ser entendida, por oposição, como um diagnóstico do Judiciário: "Gastam-se bilhões de reais anualmente para que tenhamos um bom funcionamento da máquina judiciária, porém, é importante que se diga: o Judiciário a que aspiramos é um Judiciário sem firulas, sem floreios, sem rapapés. O que buscamos é um Judiciário célere, efetivo e justo." Falando na ordem direta das coisas emendou: “É preciso ter a honestidade intelectual para reconhecer que há grande déficit de Justiça entre nós. Nem todos os cidadãos são tratados com a mesma consideração quando buscam a Justiça. O que se vê aqui e acolá é o tratamento privilegiado”.

Seu relacionamento com as bases da magistratura foi igualmente tenso. Antes de torpedear a aplicação da Lei que  criou novos tribunais federais, em reunião com os presidentes de associações de magistrados, disse que o projeto tinha sido aprovado de "maneira açodada e sorrateira", e que os novos tribunais estavam sendo instalados em resorts, à beira de alguma praia" e que serviriam para dar emprego aos advogados.

Em sua última trombada numa sessão plenária do Supremo, quando já tinha anunciado sua aposentadoria precoce, atropelou o advogado Luiz Fernando Pacheco, que da tribuna da corte pedia que o ministro colocasse em votação o pedido de prisão domiciliar para seu cliente, o ex-presidente do PT, José Genoíno. Incomodado com a insistência do advogado, Barbosa mandou desligar o microfone e em seguida ordenou que os seguranças da corte o retirassem, à força, do recinto. Em nota, Barbosa explicou que  o advogado agiu “de modo violento” e fez “ameaças contra o chefe do Poder Judiciário”.

Maurício Cardoso

é diretor de redação da revista Consultor Jurídico.

hammer eduardo disse:
31 de julho de 2014 às 14:04

Joaquim Barbosa sai do STF mas entra sem a menor duvida na historia recente do Brasil mais pelo que "tentou" fazer do que realmente do que conseguiu. Ja li trocentas criticas baixando o pau nele por tudo e por tudo tambem porem NENHUM chegou tão proximo dos verdadeiros anseios de Justiça por parte da População como Ele . Joaquinzão ( como Eu sempre me referi a Ele de forma descolada porem com o respeito que sua Figura merece) foi quem mais aproximou a Justiça dos anseios do Povo , nada daquele chantilly seboso de frus frus variados em que variados elementos comprometidos com isso ou com aquilo terminavam empurrando resultados para a direção de interesses obscuros. Ele sai no momento EXATO em que todo o trabalho positivo conseguido atraves do processo do mensalão começa a ser "cirurgicamente desmontado" por elementos de uma fleuma que não merecem no nivel pratico. O STF acaba por tabelinha pois com as ultimas nomeações , e mais os "nominhos" mencionados para as proximas , cai o veu e fica a vista de todos que se torna apenas mais um "braço aparelhado" dos petralhas que estão nos conduzindo celeremente ao atraso politico e social , pior de tudo , a carneirada nem esta muito preocupada com isso. No mensalão a coisa descambou para o DEBOCHE travestido de direito quando preciosismos repugnantes foram levantados em prol da QUADRILHA nojenta de bandidos do PT , preciosismos estes que , mister se faz chamar a atenção , JAMAIS estiveram ou estarão um dia ao alcance do Cidadão comum ,foi apenas uma IMUNDA picaretagem travestida de "Justiça" , cirquinho mabembe de quinta categoria por sinal. Agora ´esperar a deterioração final acelerada do Brasil e ver ate onde vai , ao menos a "ultima reserva moral" existe e tem nome, va em paz Joaquinzão!

PAULO FRANCIS disse:
31 de julho de 2014 às 15:44

Denegrir é fácil. E isto reafirma o preconceito contra Joaquim Barbosa e todos os demais negros do Brasil. Porque ninguém fala dos demais que condenaram? Sabe porque? Porque não presidiram o Supremo no julgamento dos corruptos e pilhadores da coisa pública.
Puro preconceito. Quero afirma

PAULO FRANCIS disse:
31 de julho de 2014 às 15:46

Quero afirmar que sou branco, mas não gosto de gente preconceituosa.

Observador.. disse:
31 de julho de 2014 às 15:59

Não imaginava uma aposentadoria precoce do eminente Ministro.Acho que sua impaciência não o permite "esquentar a cadeira", por muito tempo, em qualquer órgão que seja.Nem mesmo no órgão máximo do Judiciário.
Como lembrou outro comentarista, pessoas que escolhem o serviço público como carreira, deveriam ser "treinadas" (como está na moda) a voltar o resultado de seus cursos, aprimoramentos e benefícios para a sociedade, esta que é a mesma de onde se tira os recursos que pagam os salários e cursos destes servidores.
Quem quer ter uma carreira voltada para si, digo sempre e repito, deveria ter mais ousadia e escolher por se arriscar na iniciativa privada.
O Brasil um dia ( e não está distante ) verá o preço caro que se paga ao gastar dinheiro sem contrapartidas e sem se preocupar com as contas.
Quando se "queima caixa" da forma que fazemos aqui, algo muito ruim pode começar a aparecer no horizonte.Não precisa ser "analista de banco" (com cabeça rolada) para perceber isto.
Apesar de tudo, o legado do Ministro Barbosa será o de ter presidido o tribunal e usado a lei - mesmo incomodando o establishment atual - para condenar quem usa o Estado à bel prazer, como se fosse propriedade privada.Por isso será lembrado merecidamente.
Desejo uma boa aposentaria ao eminente Ministro.

Ghercos disse:
01 de agosto de 2014 às 04:01

Acho que é a primeira vez que me deparo com uma matéria tão ruim publicada pelo Conjur. Na minha opinião, tendenciosa demais, denegrindo a imagem de uma pessoa que realizou tantas coisas boas para o país. Ademais, como advogado, acho um absurdo um colega de profissão entrar na mais alta corte do país e achar que lá é a "casa da mãe Joana". Todos sabem que existe uma pauta e o direito de petição está resguardado na Constituição Federal.
No que tange a Ação do mensalão, nada foi feito além de cumprir a lei. Joaquim Barbosa tentou aplicar o que manda a Carta Magna no princípio da igualdade (todos são iguais perante a lei, devendo ser tratados mediante as suas desigualdades). Pessoas que tem um forte poder político, além do poder financeiro (como os políticos julgados na Ação do Mensalão) não podem ser tratados como um simples ladrão de galinhas defendido pela Defensoria Pública, pois estes sujeitos têm dinheiro e acesso ao melhores criminalistas do país.
Joaquim Barbosa apenas aplicou a lei sem distinguir e sem temer retaliações !! Temos que bater palma para uma pessoa sendo filho de gente pobre e humilde, calgou um caminho brilhante e que culminou na mais alta corte desse país, não apenas pela cor da pele, e sim, pelo seu excepcional currículo. Com esse exemplo, vemos que a ascensão social é plenamente possível no Brasil "apenas" estudando e trabalhando duro, e não apenas roubando, como muitos políticos fazem no país.
Joaquim Barbosa pode ter um gênio até um pouco difícil, como dizem por aí, mas COM CERTEZA absoluta é um exemplo a ser seguido por qualquer pessoa nesse país. Com certeza fará falta no Supremo.

Ghercos disse:
01 de agosto de 2014 às 04:01

Acho que é a primeira vez que me deparo com uma matéria tão ruim publicada pelo Conjur. Na minha opinião, tendenciosa demais, denegrindo a imagem de uma pessoa que realizou tantas coisas boas para o país. Ademais, como advogado, acho um absurdo um colega de profissão entrar na mais alta corte do país e achar que lá é a "casa da mãe Joana". Todos sabem que existe uma pauta e o direito de petição está resguardado na Constituição Federal.
No que tange a Ação do mensalão, nada foi feito além de cumprir a lei. Joaquim Barbosa tentou aplicar o que manda a Carta Magna no princípio da igualdade (todos são iguais perante a lei, devendo ser tratados mediante as suas desigualdades). Pessoas que tem um forte poder político, além do poder financeiro (como os políticos julgados na Ação do Mensalão) não podem ser tratados como um simples ladrão de galinhas defendido pela Defensoria Pública, pois estes sujeitos têm dinheiro e acesso ao melhores criminalistas do país.
Joaquim Barbosa apenas aplicou a lei sem distinguir e sem temer retaliações !! Temos que bater palma para uma pessoa sendo filho de gente pobre e humilde, calgou um caminho brilhante e que culminou na mais alta corte desse país, não apenas pela cor da pele, e sim, pelo seu excepcional currículo. Com esse exemplo, vemos que a ascensão social é plenamente possível no Brasil "apenas" estudando e trabalhando duro, e não apenas roubando, como muitos políticos fazem no país.
Joaquim Barbosa pode ter um gênio até um pouco difícil, como dizem por aí, mas COM CERTEZA absoluta é um exemplo a ser seguido por qualquer pessoa nesse país. Com certeza fará falta no Supremo.

Mário Evangelista da Silva Neto disse:
01 de agosto de 2014 às 07:37

Joaquim Barbosa fica na história do Brasil porque não se deixou manipular, ser cooptado ou corrompido pelo poder. Defendeu os brasileiros com maestria. Mas aqui no Brasil as pessoas honestas e corretas são vistas como estranhas, porque fugiu ao padrão dos incompetentes e corruptos e aí procuram qualquer coisa para denegrir a imagem das pessoas, pois pensam que pessoas honestas não existem.
Tenha certeza Joaquim Barbosa, o Brasil e o seu povo está contigo e não o esquecerá.
Boa aposentadoria e esperamos que continue a sua luta para salvar o Brasil.
Grande abraço.

AnaP. disse:
01 de agosto de 2014 às 07:53

Talvez o Ministro tenha saído no momento certo e por motivos que somente ELE próprio conhece e nós não. Pois se pode cogitar algumas hipóteses, entre outras, pelo motivo de sua saída, que são:
1. Possíveis (bem prováveis) ameaças recebidas.
2. Técnicas de assédio moral:
Uma delas é típica de ocorrer com funcionários públicos que, neste REGIME, insistem em trabalhar (errando ou acertando) honestamente. É uma das últimas táticas usadas durante um assédio sobre um alvo e consiste em armar uma "pegadinha" para incriminar e desabonar o alvo de tal maneira que ele seja exonerado e sua reputação manchada para sempre.
3. Outro motivo pela saída do Ministro é a sua saúde e/ou a segurança de sua família.
E assim, aos poucos, os bons deixam mais espaço aos corruptos para se manterem no poder.
Este país está atravessando uma crise de tal monta, que assusta. Longa vida ao Ministro, que imagino ter saído na hora certa.

Menslex disse:
01 de agosto de 2014 às 08:24

Joaquim Barbosa será lembrado pelo que fez, sim!

O artigo do Conjur é tendencioso, como tem costumado ser, quanto ao Ministro.

Mas muitos advogados como eu - e muito mais cidadãos brasileiros - vão sempre reconhecê-lo pelo que fez.

O Brasil precisa dele - estadista de mão cheia - que muito ainda vai contribuir para este país, mesmo fora do STF!

cac disse:
01 de agosto de 2014 às 09:28

O arrogante advogado partidário Joaquim Barbosa, agora, poderá exercer sua ideologia política com legitimidade. Apenas não terá a cobertura da PIG e, certamente, amargurará o ostracismo, descendo da ribalta onde se colocava como pop star, acenando para os fãs e concedendo autógrafos. Agora, suas incursões pela Europa, devem sair de seu próprio bolso. Se quiser enriquecer o currículo, que o faça por conta própria, desonerando o erário pátrio. Aliás, a respeito desse longo período que passou nos países relacionados no texto, seria bom esclarecer qual a fonte mantenedora e o que de positivo resultou para o direito brasileiro, fora realçar suas qualidades, como ele mesmo exalta. Quem sabe encontra resposta na teoria do domínio do fato, que , no dizer de Luis Greco, deve ser corretamente compreendida e aplicada, para, na melhor das hipóteses não descambar para o diletantismo e, na pior, no verdadeiro embuste.

Silvânia Klein disse:
01 de agosto de 2014 às 09:33

Cumpriu rigorosamente com o seu dever. Entretanto, devo lembrar que só se aplaude quem faz o tipo "Maria vai com as outras", para "ficar bem na foto". Que pena! A boa a velha crise moral continua a dar passos largos em nosso País. Criticar é facílimo! Quando se ocupa um cargo público, deve-se zelar pela legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Infelizmente, muitos se esquecem ou preferem se esquecer de tão importantes princípios.

Radar disse:
01 de agosto de 2014 às 09:55

O agora aposentado Joaquim perdeu a oportunidade de deixar uma marca mais relevante do que o seu destempero e dificuldade de lidar com a frustração. Tem méritos, sim, mas seria possível agir com rigor, sem perder a nobreza de espírito. Se bem que sua reação ao colonizador de mentes do STF foi mais do que adequada.

Jaderbal disse:
01 de agosto de 2014 às 12:57

Ele foi alçado ao cargo pelo que é, mas será lembrado pelo que fez. *** A comunidade jurídica jamais se esquecerá de quem valeu-se de teses esdrúxulas usadas condenar pessoas; da interpretação sempre contra o réu para atender a sabe-se-lá qual desígnio; de sua proverbial não urbanidade; da sua capacidade de convencer alguns dos homens mais poderosos do Judiciário a não refutarem suas teses; de seu empenho pessoal em dar prioridade ao chamado Mensalão em detrimento de outras causas; em seu desprezo ao direito humano fundamental da ampla defesa e do devido processo legal ao negar aos réus o duplo grau de jurisdição (cláusula pétrea, por força do §3º do art. 5º da CR e do tratado de São José da Costa Rica) e mais um sem-número de absurdos praticados na condução do mais espetacular processo criminal da história brasileira. *** O futuro dirá se algum advogado terá a coragem de citá-lo como fonte jurisprudencial, se algum próprio público do Poder Judiciário receberá seu nome quando ele falecer (não estou desejando isso, para mim é suficiente sua aposentadoria) ou se qualquer outra forma de homenagem será feita a ele por alguma entidade de expressão no mundo jurídico.

Alexis Souza disse:
01 de agosto de 2014 às 12:58

Dia triste para a Magistratura e para o país. O Ministro Joaquim Barbosa marcou seu nome na história de forma indelével. Já seus adversários ninguém vai lembrar e se lembrar vai ser pela defesa dos poderosos. O Poder Judiciário precisa mudar e muito. Enquanto a forma e o rito forem mais importes que o direito e a justiça o nosso judiciário continuará sendo apenas mais um instrumento em favor dos poderosos. Essa visão talvez seja o maior legado do Ministro Joaquim.

Nazário Moreira Neto disse:
01 de agosto de 2014 às 15:37

“(...) tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas, e o de julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos”. Barão de Montesquieu - Fonte: Montesquieu, Charles de Secondat Baron de. “O Espírito das Leis.” São Paulo: Marins Fontes. Pág. 181. 1993.

Nazário Moreira Neto disse:
01 de agosto de 2014 às 15:40

“(...) tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas, e o de julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos”. Barão de Montesquieu - Fonte: Montesquieu, Charles de Secondat Baron de. “O Espírito das Leis.” São Paulo: Marins Fontes. Pág. 181. 1993.

Marcos Alves Pintar disse:
01 de agosto de 2014 às 22:46

Como o devido respeito eu discordo do colega Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório) quando afirma que o episódio que ficou conhecido como Mensalão foi o que houve de mais grave em toda a República. Não o foi, e para constatar basta responder a uma simples pergunta: quantas foram as leis declaradas inconstitucionais porque o Congresso Nacional ou boa parte de seus integrantes estariam "cooptados"? Em verdade, e aqui não estou tentando diminuir a culpa dos mensaleiros, o Mensalão foi somente mais um dia na longa história de crimes institucionais ocorridos nesta República ao longo das últimas décadas, com o único diferencial de que nesta oportunidade alguém foi para detrás das grades devido à imensa pressão da mídia apoiada pela população que teve seus interesses contrariados quando o PT, um partido até então de esquerda e "de trabalhadores", assumiu o poder. Muitos outros crimes muito mais graves ocorreram antes e depois do Mensalão, mais das vezes sem quer sequer se instaurasse uma investigação devido à cadeia de troca de favores montada pelos criminosos institucionais.

Marcos Alves Pintar disse:
01 de agosto de 2014 às 22:57

Em verdade, embora eu não duvide da culpa dos Mensaleiros nem estou aqui promovendo defesa desse grupo, a técnica utilizada no processo do mensalão é algo "sem pé nem cabeça" para usar aqui uma expressão popular. As condutas não estão identificadas, nem individualizadas, uma agressão ao devido processo legal que embora tenha iludido os mais afoitos com prisões (prisão é o que o povo gosta), significou um grave retrocesso à forma como se lida com o processo criminal no Brasil. Se a ação tivesse sido bem conduzida nós teríamos hoje uma lista com toda a atividade do Congresso Nacional que restou comprometida pelo suborno (ou seja, as leis que foram votadas com o pagamento), mas nós não temos nada disso. O Mensalão nasceu como hipótese no início da investigação, e continuou como hipótese após as condenações, conforme já muito bem colocou os mais doutos e imparciais. Com o "forobodó" feito no processo, e o circo armado, na verdade se perdeu a oportunidade de impor reformas no Parlamento, de modo a que essa situação espúria (que eu como dito nem de longe duvido que existiu) se findasse um dia. Enquanto os aviões recolhidam os condenados em pleno feriado, para dar entretenimento ao povo, as negociatas, as trocas de favores, o apoio político em troca de cargos continuava a ocorrer como sempre ocorreu, sem se alterar em um único milímetro. Apenas se moveu aquele pessoal para a cadeia, quando outros já haviam tomado seus lugares para fazer a mesma coisa.

Vanessa Farias disse:
02 de agosto de 2014 às 03:58

Infelizmente, mais uma vez deparo-me com uma matéria tendenciosa, e, no mínimo, vexatória publicada pelo ConJur. Este texto está bem longe daquilo que se espera de um veículo informativo que se preze. Não é preciso ser jornalista para saber que os fatos devem ser narrados de forma objetiva, sem que sejam utilizados argumentos falaciosos, como aqui se fez com o escopo nítido de denegrir a imagem do Eminente Ministro Joaquim Barbosa. O autor foi infeliz ao pensar que sua opinião representasse o que realmente pensam os cidadãos brasileiros HONESTOS, quando na verdade é o retrato daquilo que pensam aqueles cuja conduta se coaduna com os corruptores deste país. Percebe-se, infelizmente, que as notas da imparcialidade e da objetividade estão ausentes neste texto que prescinde da seriedade jornalística. Aqueles que 'comemoram' a aposentadoria antecipada do Ministro Joaquim Barbosa são aqueles mesmos que comemoram a IMPUNIDADE que corrói as bases morais deste país: aqueles que pugnam pela manutenção do 'status quo' do panorama socioeconômico nacional e que estão acostumados a procurar 'brechas' no ordenamento jurídico para acobertar suas condutas ilícitas ou daqueles que defendem. Ainda bem que ainda existem pessoas dotadas de sanidade mental e inteligência neste espaço, como os colegas: Ghercos, Mário Evangelista da Silva Neto, AnaP., Alexis Souza, Fernando José Gonçalves, Attila Barcelos, Paulo Francis, Hammer Eduardo e Marcos Alves Pintar (cujo comentário foi indevidamente removido por este site pelo simples fato de falar a verdade). Ao Ministro Joaquim minha eterna admiração pela sua trajetória PESSOAL e INTELECTUAL, pela sua competência, capacidade, perspicácia, coragem, distinção e HONRA e que será lembrado pelo que É e por tudo que fez na árdua (cont)

Vanessa Farias disse:
02 de agosto de 2014 às 03:58

Infelizmente, mais uma vez deparo-me com uma matéria tendenciosa, e, no mínimo, vexatória publicada pelo ConJur. Este texto está bem longe daquilo que se espera de um veículo informativo que se preze. Não é preciso ser jornalista para saber que os fatos devem ser narrados de forma objetiva, sem que sejam utilizados argumentos falaciosos, como aqui se fez com o escopo nítido de denegrir a imagem do Eminente Ministro Joaquim Barbosa. O autor foi infeliz ao pensar que sua opinião representasse o que realmente pensam os cidadãos brasileiros HONESTOS, quando na verdade é o retrato daquilo que pensam aqueles cuja conduta se coaduna com os corruptores deste país. Percebe-se, infelizmente, que as notas da imparcialidade e da objetividade estão ausentes neste texto que prescinde da seriedade jornalística. Aqueles que 'comemoram' a aposentadoria antecipada do Ministro Joaquim Barbosa são aqueles mesmos que comemoram a IMPUNIDADE que corrói as bases morais deste país: aqueles que pugnam pela manutenção do 'status quo' do panorama socioeconômico nacional e que estão acostumados a procurar 'brechas' no ordenamento jurídico para acobertar suas condutas ilícitas ou daqueles que defendem. Ainda bem que ainda existem pessoas dotadas de sanidade mental e inteligência neste espaço, como os colegas: Ghercos, Mário Evangelista da Silva Neto, AnaP., Alexis Souza, Fernando José Gonçalves, Attila Barcelos, Paulo Francis, Hammer Eduardo e Marcos Alves Pintar (cujo comentário foi indevidamente removido por este site pelo simples fato de falar a verdade). Ao Ministro Joaquim minha eterna admiração pela sua trajetória PESSOAL e INTELECTUAL, pela sua competência, capacidade, perspicácia, coragem, distinção e HONRA e que será lembrado pelo que É e por tudo que fez na árdua (cont)

Vanessa Farias disse:
02 de agosto de 2014 às 04:12

Luta pela realização da JUSTIÇA em seu real significado. Exemplo de ser humano e de aplicador do direito, será sempre um modelo a ser seguido. Sentimos muito, mas mantemos firme a certeza de que outros que se lhe assemelhem virão para dar continuidade à sua missão.
Ao Ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes: MUITO OBRIGADA!

Vanessa Farias disse:
02 de agosto de 2014 às 04:12

Luta pela realização da JUSTIÇA em seu real significado. Exemplo de ser humano e de aplicador do direito, será sempre um modelo a ser seguido. Sentimos muito, mas mantemos firme a certeza de que outros que se lhe assemelhem virão para dar continuidade à sua missão.
Ao Ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes: MUITO OBRIGADA!

Ricardo R. disse:
04 de agosto de 2014 às 18:38

Mais uma vez sinto verdadeira repulsa e novamente nojo ao ler uma matéria nessa que se diz ser "revista jurídica". Muito pior quando escrita pelo redator chefe. É revelador. Revela os interesses que defende. Joaquim Barbosa atropelou o advogado (?) do criminoso mensaleito? What the hell? Advogado não está autorizado a tamanho desrespeito nem contra juiz de primeiro grau. Como advogado, senti-me envergonhado pela OAB ter defendido aquela conduta repugnante (e alcoólica?). Enfim. Lamentável, CONJUR!

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