Existe um movimento bem articulado para conquistar a legalização das drogas, hoje ilícitas, no Brasil. Ele se constitui num verdadeiro Partido Pró-Drogas, que se manifesta de maneira planejada e utiliza uma tática progressiva. O primeiro passo seria a descriminalização do uso, depois a liberação da maconha, e logo após a legalização de todas as drogas, deixando que o mercado regule seu uso. É uma cruzada, que interessa a uma pequena, mas influente parcela da sociedade, e que conta com parte da grande imprensa nacional. Essa parcela aglutina usuários que não querem correr riscos, filósofos da liberdade individual acima de tudo e poderosos interesses comerciais.
Na matéria do caderno Proa, no ZH Notícias de 19 de outubro, aparece uma entrevista com o diretor do filme "Ilegal", Raphael Erichsen, onde, a título de preocupação com o tratamento para doenças raras em crianças, tenta justificar a liberação da maconha. Argumenta no filme que essas crianças deveriam ter o acesso ao "canabidiol", molécula presente na composição da planta da maconha, para seu tratamento. Exibe o desespero de mães que buscam tratamento para seus filhos, para de forma sub-reptícia passar a ideia de que então é importante legalizar a maconha (não só o canabidiol), para uso medicinal. Logo depois, por que não? Liberar seu uso recreativo.
O argumento central, mas dissimulado dentro da entrevista, é o de que existe uma molécula na droga, com efeito medicinal, e que por isso a droga é remédio e deveria ser liberada. Nada mais falso.
No cigarro de maconha existem mais de 400 substâncias que causam danos à saúde. Uma delas, o THC, causa transtornos mentais agudos e crônicos, desencadeia a esquizofrenia, incurável, e transtornos de humor como a depressão, com risco maior de suicídio. É causa importante de interdição de adultos jovens. Reduz reflexos, a memória, a inteligência, e a capacidade de trabalho. Seus usuários têm mais dificuldade de conseguir emprego e de chegar ao curso superior. Quando conseguem, ficam entre os mais baixos salários (Ferguson,DM, 2013 -Ferguson DM & Broden JM,2008).
Pesquisa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre mostrou que a maconha é a droga mais envolvida em acidentes de transito com vítimas fatais, o álcool ficou em segundo lugar. (Pechansky et cols, 2010). Além disso, a maconha causa dependência química, e quanto mais jovem o usuário, maior o risco. A dependência química também é uma doença incurável, e no caso da maconha, atinge 50% entre os que usam diariamente na adolescência ( NIDA, 2010). Sem falar que a maconha usada hoje é uma variedade 10 a 20 vezes mais potente que a maconha de 15 anos atrás. Segundo a UNDOC, órgão da ONU, 83% dos dependentes de crack e heroína, começaram nas drogas ilícitas com a maconha.
Estudos da Fundação Britânica de Pneumologia (2012) mostram que o cigarro da maconha causa mais câncer de pulmão nos seus usuários que o de tabaco.
Um dos maiores psiquiatras brasileiros, Valentim Gentil Filho, professor titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP escreve em artigo para a Scientific American( SC, 148, Set. 2014): "Um dos possíveis facilitadores dessa atitude liberalizantes em relação à cannabis é que seus efeitos agudos e transitórios sempre chamaram mais a atenção que as ações permanentes e irreversíveis. Talvez por isso se afirme que a maconha é menos prejudicial que o álcool o tabaco. Na realidade, a discussão sobre drogas ilícitas tenta transmitir uma mensagem de segurança que as evidências absolutamente não justificam."
Assim, afirmar que fumar maconha pode ser tratamento é uma manipulação absurda.
Isso não impede, porém, que uma molécula, como o canabidiol, da planta, não possa ter efeito benéfico em alguma doença rara. Se comprovado, ela deverá ser retirada da planta, isolada e utilizada para aquela finalidade específica, como um comprimido ou líquido. É muito diferente de fumar maconha "para se tratar".
Só para lembrar, a morfina é uma substância derivada da papoula, a planta que produz a heroína. No entanto é utilizada, em casos específicos de dor intensa. A bradicinina é uma substância com excelentes resultados em hipertensão arterial e vem do veneno da jararaca. Mas ninguém receita injeção de heroína para tratar dor, nem picada de jararaca para "pressão alta"!
Uma coisa é usar determinada molécula de uma planta para fins medicinais, outra coisa é usar isso como desculpa para se drogar. Usar drogas nunca foi nem será tratamento para qualquer doença, muito pelo contrário.
Quanto à exploração emocional do sofrimento alheio, para empurrar de contrabando a legalização das drogas, mostra que o Partido Pró-Drogas não tem nem terá limites éticos ou morais para conseguir seu intento. Cabe ao restante da sociedade ficar alerta e contra-argumentar, quem sabe também com um filme, mostrando a relação verdadeira e direta da maconha e outras drogas com a destruição física e mental de milhões de brasileiros, história que bem poderia ser contada por suas famílias devastadas pelo sofrimento.
Reações anafiláticas, asma e edema de Quincke, HOMORRAGIA GASTRINTESTINAL oculta ou evidente. Úlcera e perfuração gastroduodenal.
Sim, estou falando dela... Da Aspirina.
Um dos perigos de uma pessoa que não é cientista quando fala de ciência é representar erroneamente os resultados encontrados. "Números não mentem!", nos ouvimos frequentemente. Porém, números confundem, e podem ser utilizados para defender qualquer ponto de vista. O senhor, enquanto médico, deveria estar ciente desses fatos.
Uma das características da integridade científica é apresentar estudos contrários, teses opostas, enquanto no texto acima o senhor, aparentemente, escolheu a dedo os estudos que confirmam uma posição já defendida anteriormente, em algo conhecido amplamente como "confirmation bias".
Confesso não ser nem a favor nem contra da regulamentação e descriminalização da maconha (ou qualquer outra droga). Eu seu que uso várias "drogas". Hoje mesmo tomei um comprimido de Dipirona. Já tomei medicamentos controlados com potencial de causar dependência, assim como opioides (legais) para uma cirurgia. Enquanto médico, acredito que o senhor já tenha receitado diversos destes, com pleno conhecimento que as vezes oferecem riscos e efeitos colaterais.
Infelizmente, o senhor parece estar aqui defendendo uma agenda política, e não uma agenda médica. O que é uma pena. Temos poucas pessoas de base nas ciências nos representando. E, infelizmente, por questão ideológicas, grande parte dos poucos que estão lá parecem esquecer suas raizes.
Quanta bobagem! Se drogas não cura doença, porque então há tantas farmácias no Brasil?
Mudaram o título. Ainda bem.
Discurso hipócrita que manifesta indisfarçável recalque.
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A sociedade se mata com álcool e outras drogas "lícitas", mas se insurge diante das (tímidas) tentativas de se avançar na questão da cannabis.
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Os EUA, protagonistas da proibição no passado, já perceberam o erro e estão corrigindo a forma de encarar o assunto.
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Parece-me que o Brasil mais uma vez chegará atrasado, a custa de preciosos direitos individuais.
Discurso sem fundamento, do tipo que coleta informações só para reforçar seu argumento. Tá parecendo o calouro do curso de direito que costuma achar no texto legislativo os artigos que lhe convém sem se importar em ler todo o arcabouço juridico.
O que alivia é saber que indivíduos desinformados como esse senhor estão com os dias contados e com prazo de validade vencido. Logo logo serão banidos como todos outros hipócritas de plantão.
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