Câmara aprova texto-base de projeto que regulamenta terceirização

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (8/4) o texto-base do projeto de lei que autoriza a terceirização de serviços em todos os setores da economia, inclusive das atividades-fim das empresas. Antes de votar o texto, os deputados acordaram em deixar para a próxima terça-feira (14/4). A aprovação se deu por 324 votos a 173, com duas abstenções.

A Câmara aprovou nesta quarta um substitutivo apresentado pelo deputado Arthur Maia (SD-BA), que relatou a matéria em Plenário em nome de todas as comissões. O texto, entretanto, manteve o principal do PL original, como a abertura para se terceirizar qualquer tipo de serviço, em qualquer ramo da economia, inclusive no setor público.

Hoje, não existe lei geral sobre a terceirização. A regra vem da Justiça do Trabalho, que segue a Súmula 343 do Tribunal Superior do Trabalho. Diz a norma que a terceirização de serviços ligados à atividade-fim de uma empresa é ilegal, só permitindo a terceirização das chamadas atividades-meio, não ligadas ao produto final das companhias.

O texto aprovado pela Câmara não fala em atividade-fim ou atividade-meio, apenas permite a terceirização. O PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) são contra o projeto. A visão da CUT é a de que a terceirização precariza as relações de trabalho. Afirmam, por exemplo, que os trabalhadores terceirizados ganham salários 27% menores que os contratos diretamente e estão mais sujeitos a acidentes de trabalho.

Empresas apoiam o projeto por permitir mais liberdade nas contratações de funcionários, além de baratear suas operações. Os juízes do Trabalho também são contra a proposta, por entender que ela promove a precarização das relações de trabalho e prejudica o trabalhador.

Antes do início da discussão, o PT foi à Justiça para tentar anular a sessão desta quarta. Afirmam que a sessão foi “atropelada” pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Diz o PT que a Casa deveria votar a conversão em lei de uma Medida Provisória que está com prazo de validade perto de vencer e chegou lá na terça-feira (7/4).

Cunha já disse que contestará qualquer alegação do tipo tão logo seja intimado da ação do PT. Ele defende a tese de que a MP só obstrui a votação das demais matérias depois de lida em Plenário. É o que faz o Senado.

Entre os destaques deixados para a próxima terça-feira está a obrigação de que as empresas terceirizadas também estejam sujeitas às cotas de contratação de deficientes físicos. Na noite desta quarta, a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) fez um aparte apelando ao presidente para que isso seja mantido. Cunha já respondeu que, no entendimento dele, o PL aprovado não isenta ninguém de cumprir as cotas, previstas em outra lei. Com informações da Agência Câmara Notícias.

Marcos Alves Pintar disse:
08 de abril de 2015 às 22:59

O PT e os juízes do trabalho estão preocupados com a arrecadação das contribuições previdenciárias e imposto de renda. Nenhum deles estão preocupado com o trabalhador.

Resec disse:
09 de abril de 2015 às 08:27

Um grande avanço. O país ficará um pouquinho menos socialista.

João B. disse:
09 de abril de 2015 às 09:41

Apenas complementaria o irretocável comentário, pois faltou falar dos sindicatos e entidades de classe, que são contaminadas por um ranço ideológico que atrasa nosso país, pois aumentam o desemprego. Alguém tem de lutar pelos desempregados, afinal, e tal projeto veio a isso.

João B. disse:
09 de abril de 2015 às 11:13

Mas trazer escravos cubanos? Aí tá tudo certo.

Fernando José Gonçalves disse:
09 de abril de 2015 às 11:17

Dentre os vários conceitos de "empresa", para essa classificação nos diversos ramos do direito (tributário, cível, trabalhista, consumerista, etc.) talvez quele de maior relevância diga respeito a Justiça Obreira. Nessa seara, e em definição flexível, empresa é aquela que "atuando no mercado de bens e/ou serviços assume os riscos da atividade perante o trabalhador". É a denominada teoria do "risco do negócio", que deve ser suportado em contrapartida a lucratividade obtida. A terceirização da própria "atividade fim", S.M.J., joga por terra esse elemento crucial: a assunção da responsabilidade pelo risco do negócio "perante o trabalhador", que passa a ser, teoricamente pelo menos,da contratada, a terceirizada.Supondo-se, num exemplo comum, que uma "transportadora", que até então estava obrigada a manter a sua própria frota e motoristas, para o desempenho da sua "atividade fim", possa terceirizá-la,
desfazendo-se dos veículos, demitindo os motoristas e ajudantes. Sem dúvida que é um tema preocupante, não só pela sabida redução dos salários dos profissionais, no âmbito das terceirizadas, como pela própria insegurança jurídica quanto a responsabilidade pelos haveres trabalhistas no caso de desemprego e/ou acidente de trabalho. Responderão solidariamente as contratantes, junto com as terceirizadas? Subsidiariamente? Ou simplesmente não responderão ! Talvez esse Texto Base já tenha se atido a tais questões (não li nada a respeito) contudo é preciso cautela. A vingar amplamente a tese, poder-se-á até pensar em terceirizar a governança do país por pessoas (alienígenas ou não) mais capacitadas e menos corruptas, aptas a assumir os ônus do eventual mal gerenciamento. Nesse ponto, com certeza,o país vai sair ganhando.

Gusto disse:
09 de abril de 2015 às 11:36

Parabéns à Câmara. Finalmente, uma bola dentro. Golaço! Nada de prejudicial aos trabalhadores, apenas assim pensando aqueles que querem manter a casta, as mamatas, notadamente os funcionários públicos, que já estão com os pelos púbicos arrepiados. Essa medida é mais do que necessária, é imprescindível em face da evolução natural dos serviços e empreendimentos em todos os segmentos, não só desafogando as empresas da extorsão que sofrem com os encargos trabalhistas, mas também gerando milhares e milhares de empregos. Portanto, parabéns à Câmara e chupem os dedos os mimimi's.

Leandro Melo disse:
09 de abril de 2015 às 11:58

Gostei da proposta do Dr. Fernando José Gonçalves: Vamos terceirizar os políticos!!!
A corrupção será menor, em quase todos os países os subsídios são menores do que no Brasil, geralmente eles representam o povo, ainda economizaremos com gabinetes, veículos, apartamentos funcionais, passagens para esposas, aviões da FAB, etc.

Leandro Melo disse:
10 de abril de 2015 às 17:26

O TJ-BA tem contrato com terceirizados e eu já fui procurado por diversos funcionários deles, pois eles passam pouco tempo e a empresa sai, não paga verbas rescisórias e simplesmente some, além de sempre deixar 2 ou 3 meses de salários em atraso.
Por que digo sempre? Porque esses mesmos funcionários são contratados pela nova terceirizada, que depois faz a mesma coisa, isso já aconteceu várias vezes.

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