Advogada divulga “nota de repúdio” a reportagem da ConJur

Indignada com a reportagem da revista Consultor Jurídico sobre o novo escritório de Marielle Brito, focado na defesa de homens em separações, a presidente da Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas do Direito do Estado de São Paulo, Rosana Chiavassa, enviou à ConJur uma "nota de repúdio absoluto".

Leia a nota:

NOTA DE REPÚDIO ABSOLUTO

 No último dia 11/08, Dia do Advogado e da Advogada, um dos sites de notícias do meio jurídico, o Conjur[1], cometeu duas agressões, quando publicou entrevista feita com uma jovem advogada de Brasília.

A primeira foi à ADVOCACIA, talvez sem perceber, trazendo modelo de pensar que absolutamente não é o da maioria absoluta das advogadas e advogados do Brasil. A ADVOCACIA, traz dentro de si, o ideal da profissão. A segunda agressão foi contra as MULHERES.

Sob o articulado título “IDEAL FEMINISTA”, a matéria informa que a advogada Marielle Brito inaugurou escritório focado na defesa de homens em processo de separação. O título da matéria nada tem a ver com o seu conteúdo.

Onde que o conceito da luta feminista de igualdade se enquadra na fala dessa profissional, que pretende ensinar, aos coitados dos homens empoderados, a se defender de ‘mulheres oportunistas’? Não é a toa que ela escolheu abrir seu escritório na Capital Federal

Como defender dessa forma as mulheres?

“Estou fazendo um bem às mulheres [ao defender homens], que é acabar com a raça da mulher oportunista, porque o que mais tem por aí são mulheres interesseiras, que querem conseguir um bom marido e viver à custa dele. Sou a favor de as mulheres não dependerem dos homens”.’

Ouso afirmar que essa jovem profissional nada sabe sobre feminismo. E mais, ouso afirmar ainda que desconhece a ética-profissional.

Só não é mais assustador porque temos visto que a referência do direito/dever está distante da maioria, profissionais do direito ou não. Vive-se o ‘vale tudo’.

Infelizmente, não é privilégio dela esta forma de pensar e advogar. Outros (poucos) profissionais assim já agiram, mas minimamente, sem alarde e com elegância. Mas, nossa Sociedade também vem perdendo isso.

Voltando ao assunto principal, deveria ela entender que o ideal feminista não admite conceituação própria e ao bel prazer de cada um. Da mesma forma, a Justiça. A luta é pelo cumprimento de preceito constitucional – igualdade de oportunidades e direitos – na vida pública e particular. Havendo essa igualdade, cabe a cada mulher o direito de escolha. Curiosamente, para quem não sabe, também este está na CF – livre arbítrio.

A palavra feminismo geralmente é muito mal empregada, possivelmente como uma estratégia de manutenção da sociedade patriarcal. Oportunismo é atributo de um gênero? Claro que não, é forma de criação. Daquela criação brasileira, da Lei de Gerson. Aliás, também escolhida pela protagonista da matéria.

‘vi inúmeros casos de esposas que nunca fizeram o menor esforço para trabalhar, mas na hora da separação vinham pedir guarda integral dos filhos e quantias desproporcionais do patrimônio do casal, construído pelo marido.’

Se esta profissional quer que respeitemos sua escolha, que ela então respeite as mulheres que optam por serem esposas, nos moldes desejados por esses ‘cavalheiros’. Sim, pois estes cavalheiros escolhem – porque querem – este perfil de mulheres. Coincidência de desejos onde cada um responde por suas escolhas.

É muito fácil, de novo, culpar essas mulheres. Difícil é engolir que esses homens são ‘pobres coitados’. Desculpe-me. São homens mais do que empoderados.

Talvez por morar e querer se firmar no ‘Paraíso do Brasil’ essa profissional não sabe que 80% dos casos que superlotam o Judiciário, na cota do direito privado, referem-se às pensões alimentícias de mulheres trabalhadoras que foram à luta, com as poucas condições que tiveram.

Data máxima venia, a matéria demonstra desconhecimento de história da opressão da mulher.

‘Marielle recomenda a seus clientes homens que não ostentem luxo e que não se gabem de seu patrimônio em conversas em público, de forma que não produzam provas contra eles próprios. Além disso, a advogada orienta os clientes a não atrasarem pagamentos de despesas familiares e a fazer uma conta corrente à parte, para que não entre na partilha.’

A falta de entendimento dessa profissional é de causar espécie. Pior, faz incitação ao ilícito quando afirma publicamente que é assim que orienta os seus ‘clientes’.

Será que esta profissional não sabe que o Direito se exerce com intercomunicações de leis? A Lei Maria da Penha[2] reputa, como conduta ilícita e inadmissível, fazer conta bancária em separado para não entrar na partilha (ocultação de patrimônio).

A advocacia que orienta clientes fora da lisura, ética e legalidade é a que coloca na tábula rasa do descrédito toda a nossa profissão. A Lei autoriza que o casal faça sua escolha patrimonial podendo, inclusive um dos cônjuges, hoje homens e mulheres, blindar bens adquiridos antes e/ou durante o enlace.

O pior é que fica claro que essa profissional não tem nenhum ideal, muito menos o da ‘luta feminista’, pois além de afirmar que as mulheres em sua maioria são "interesseiras”, ofendendo o seu próprio gênero, informa que excepcionalmente aceita representar mulheres. Nós, mulheres da causa, perguntamos: coincidentemente serão as ricas?

O movimento feminista repudia a publicação da matéria pelo Conjur, pois é desconexa com interesse e utilidade. É meramente sensacionalista! E repudia também o ideal dessa profissional, distanciado da verdade histórica e atual da luta e dos princípios éticos da advocacia.

Conheço de longa data e respeito o Conjur. Por esta razão, sinto-me à vontade para lhe fazer dois questionamentos: Quais foram às razões que o levaram a publicar está matéria, que no fundo é uma propaganda de captação de clientela endinheirada, como se fosse um ideal? E por que no Dia do Advogado e das Advogadas?  A imprensa também deve ser politicamente correta.

Dessa advogada nada esperamos. Mas é importante que ela saiba que está contribuindo para o machismo.

Em verdade, a publicação dessa matéria pode, como um bumerangue, voltar-se contra essa profissional, de forma devastadora, pois provavelmente ‘homens inteligentes’ não a contratarão pelo ‘estigma’ que ela mesma criou. Afinal, quem vai querer que o Magistrado de seu processo imagine, de saída, que está ocorrendo, no mínimo, ocultação patrimonial?

Rosana Chiavassa
Presidente
Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas do Direito do Estado de São Paulo”
[1] www.conjur.com.br
[2] Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.

daniel disse:
14 de agosto de 2015 às 13:53

A associação está plenamente errada, pois no Brasil realmente há muitas mulheres que estão abusando desta postura de vítima. Em Israel prestam serviço militar obrigatório e não têm aposentadoria com cinco anos a menos.No Brasil querem apenas os cargos de Oficial e não de soldado.

Marcos Alves Pintar disse:
14 de agosto de 2015 às 14:25

Confesso que não entendi nada.

Papajojoy disse:
14 de agosto de 2015 às 14:27

Meu amigo e assessor, João Caminhoneiro, me disse que a coisa é muito pior. A mulher brasileira, principalmente se for educada no sudeste, com as exceções de praxe, é uma tremenda vagabunda, educada para sangrar o homem até não restar mais nada. Isso já vem da educação dada pela mãe, a qual lhe ensina que "homem é tudo (sic) uma merda só". João até cita um caso de marido que pagou e não pegou recibo. A advogada (também do sudeste) instruiu a criatura para dizer que nunca recebera nada. O infeliz teve que pagar tudo de novo.

ari ariadne disse:
14 de agosto de 2015 às 14:31

O caráter independe de gênero. Concordo com a associação na nota de repudio.
Além da advogada em questão ter agido com total falta de zelo à ética, em suas elucidações perante seus clientes, ela denegriu a imagem das mulheres ao sujeita-las "em sua maioria" na estrutura perversa.
Ademais, as pessoas escolhem seus parceiros, consciente ou inconscientemente, espelhos de sua própria estrutura emocional.
Não vamos deixar agora, mais uma vez, o gênero feminino ser a baila traiçoeira dos melhores presságios...
Como se pra nascer ninguém precisasse de uma mulher e como se falha de caráter fosse questão de gênero.

Diogo Duarte Valverde disse:
14 de agosto de 2015 às 14:32

Nem o ConJur escapa à patrulha das causas politicamente corretas. A insanidade do pensamento politicamente correto não conhece limites.

ari ariadne disse:
14 de agosto de 2015 às 14:33

O caráter independe de gênero. Concordo com a associação na nota de repudio.
Além da advogada em questão ter agido com total falta de zelo à ética, em suas elucidações perante seus clientes, ela denegriu a imagem das mulheres ao sujeita-las "em sua maioria" na estrutura perversa.
Ademais, as pessoas escolhem seus parceiros, consciente ou inconscientemente, espelhos de sua própria estrutura emocional.
Não vamos deixar agora, mais uma vez, o gênero feminino ser a baila traiçoeira dos melhores presságios...
Como se pra nascer ninguém precisasse de uma mulher e como se falha de caráter fosse questão de gênero.

Fabrini Ramos disse:
14 de agosto de 2015 às 14:52

Concordo veementemente com os dizeres da ilustre dra. Rosana Chiavassa.
Achei essa publicidade descabida e sou extremamente contra a essa ideia de que o homem é sempre vítima da mulher "oportunista".
Oportunismo é você ocultar patrimônio da sua antiga companheira e não pagar a pensão devida.

Gabriel RD disse:
14 de agosto de 2015 às 15:18

"E por que no Dia do Advogado e das Advogadas? A imprensa também deve ser politicamente correta."

Não, não deve. Não há lei que obrigue qualquer empresa ou profissional da imprensa a adotar uma linguagem politicamente correta, e como a Constituição é clara ao dizer que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei, resta ao Conjur o direito de realizar suas publicações sem ter de se render ao politicamente correto, podendo empregar os termos que entender adequados dentro da legalidade.

Gabriel Cabral Parente Bezerra disse:
14 de agosto de 2015 às 15:19

Bem, eu sou um homem. Pelo que dá pra deduzir do texto da advogada, minha opinião a respeito das atitudes das mulheres, qualquer que seja e independente do lastro probatório, será passível de uma exceção de suspeição.
No entanto, a partir do momento que ela divulga o texto em público, ela deve se comprometer pelas suas palavras e sua postura.
Postura essa que, qualquer advogada, promotora, procuradora, juíza que visite o site, qualquer mulher razoável há de verificar inconveniência do texto, tanto da iniciativa da advogada, da distorção do raciocínio do texto paradigma quanto da falta de congruência do texto.
É indiscutível que houve desequilíbrios no decorrer da história, e é admirável que as mulheres estejam buscando seu espaço. Mas não são textos extraordinariamente mal-escritos e radicais que irão ajudar em qualquer sentido. Se muito, apenas atrapalham.

Observador.. disse:
14 de agosto de 2015 às 15:55

É para deixar qualquer um perplexo.
Bom final de semana.

Gabriel da Silva Merlin disse:
14 de agosto de 2015 às 15:55

Apenas mais uma pessoa querendo aparecer polemizando coisas totalmente irrelevantes..., e o pior é que conseguiu.

Dr. Rafael disse:
14 de agosto de 2015 às 15:57

Quando li a reportagem, publicada no dia 11/08, tive a certeza de que, num surto de infelicidade, a colega "patrocinou" a publicação deste medíocre texto, ou melhor, desta medíocre publicidade que foge dos limites éticos impostos pelo Estatuto da OAB. Acredito que se a colega fosse mesmo a referência que pretende fazer acreditar, a propaganda seria desnecessária. Bastaria a propaganda "boca a boca" dos endinheirados clientes satisfeitos com a sua atuação.

Adriano Ryba disse:
14 de agosto de 2015 às 16:14

Concordo plenamente com a Nota de Repudio. Foi lamentável essa propaganda como se fosse uma reportagem.

Adriano Ryba,
Presidente da Associação Brasileira dos Advogados de Família (abrafam.com.br)

Igor Drumond disse:
14 de agosto de 2015 às 16:42

Parabenizo à Rosana Chiavassa e toda a associação pela carta de repúdio, cuja crítica procede totalmente. Acredito que apenas com o apontamento de situações machistas, que fazem parte do nosso cotidiano, conseguiremos questionar o quanto que nós, homens, somos privilegiados sem perceber, e só assim haverá o real empoderamento das mulheres.
Parabéns à Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas do Direito do Estado de São Paulo pela crítica. Certamente a reportagem da Marielle Brito, e sua iniciativa, são reprováveis de diversas formas.
Nossa sociedade machista precisa aprender a ouvir mais as mulheres.

Igor Drumond disse:
14 de agosto de 2015 às 16:42

Parabenizo à Rosana Chiavassa e toda a associação pela carta de repúdio, cuja crítica procede totalmente. Acredito que apenas com o apontamento de situações machistas, que fazem parte do nosso cotidiano, conseguiremos questionar o quanto que nós, homens, somos privilegiados sem perceber, e só assim haverá o real empoderamento das mulheres.
Parabéns à Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas do Direito do Estado de São Paulo pela crítica. Certamente a reportagem da Marielle Brito, e sua iniciativa, são reprováveis de diversas formas.
Nossa sociedade machista precisa aprender a ouvir mais as mulheres.

MazinhoSP disse:
14 de agosto de 2015 às 17:14

Em nenhum momento, creia-se, não se defende a ideia de que as mulheres não sejam, muitas vezes, maltratadas por seus companheiros... Mas daí a dizer que todas o são, ou que, não existam mulheres "pilantras", há uma distância enorme.

Mas é sempre bom ler textos de repúdio, como este, porque demonstra que, estando numa democracia (creio que não de fachada), podemos também repudiar o repúdio.

C Mesmo Silva disse:
14 de agosto de 2015 às 17:55

Em tempos onde a Presidente da República reclama o tratamento de "PresidentA", logo se percebe que a idéia da "feminilização" das palavras encontra aliados naqueles que entendem necessário dizer, como na sobredita nota, "dia dos Advogados e 'Advogadas'".
Por favor. O léxico não é machista. Apelemos ao bom senso. O substantivo "advogado" engloba tanto homens, mulheres, transgeneros. Nada se ganha com essa necessidade em se citar o substantivo no masculino e feminino.
Parece-me que o politicamente correto, como é o teor do restante da nota de repúdio, vem sempre insuflado de ignorância e intolerância. Sinal dos tempos...

Observador.. disse:
14 de agosto de 2015 às 18:10

Alguém foi coerente, já que se escreve tanto sobre elegância e ética, e ligou para perguntar para colega sua posição, antes de crítica-la com tanto desembaraço?
E basta ler a notícia para notar que ela se refere à casos onde o homem se sinta prejudicado, nunca esquecendo que quem irá decidir é a Justiça, não a advogada.
Outra pessoa escreveu que os homens escolhem suas companheiras sabendo exatamente o que esperar, pois elas refletiriam suas condutas. Então o contrário também serve?
Mulheres casadas com homens abusivos, cafajestes, autoritários ou violentos, sabiam o que estavam fazendo?
A Juventude e a empolgação explicam muito mais do que qualquer outra coisa, quando se trata de comportamento humano e suas consequências. Muitas vezes, só a experiência de vida irá polir as escolhas que fazemos - homens e mulheres - em tudo que diz respeito às nossas condutas.
Precisamos de mais serenidade, respeito e harmonia e menos ativismo, menos machismo e menos misandria.

Luiz Antonio Hacker disse:
14 de agosto de 2015 às 23:03

A todos, homens e mulheres é garantido o direito de defesa ou contraditório. Li a reportagem aqui referida, e não vejo o motivo para tamanha indignação ou mesmo reprovação a uma advogada que inteligentemente identificou um nicho de mercado. Principalmente os novos profissionais precisam buscar a especialização e identificação na sua área de atuação. Não creio que um operador do direito deva atuar como ativista político, ideológico ou religioso. A atuação do advogado deve ser o melhor interesse do seu cliente. Creio que a insigne articulista deveria lere atentamente o seu próprio artigo e refletir com seus próprios argumentos.

Luiz Antonio Hacker disse:
14 de agosto de 2015 às 23:03

A todos, homens e mulheres é garantido o direito de defesa ou contraditório. Li a reportagem aqui referida, e não vejo o motivo para tamanha indignação ou mesmo reprovação a uma advogada que inteligentemente identificou um nicho de mercado. Principalmente os novos profissionais precisam buscar a especialização e identificação na sua área de atuação. Não creio que um operador do direito deva atuar como ativista político, ideológico ou religioso. A atuação do advogado deve ser o melhor interesse do seu cliente. Creio que a insigne articulista deveria lere atentamente o seu próprio artigo e refletir com seus próprios argumentos.

Zé Machado disse:
15 de agosto de 2015 às 08:43

Tantos advogados optam por defender apenas um ou outro, ou seja, o empregador ou o trabalhador. Será que há algo errado nisso? Vamos respeitar as opções e decisões alheias sem alarde. Porque ninguém ataca os zangões, as publicidades imorais, os agenciadores e angariadores de causas e os tergiversadores e o patrocino infiel? Esses sim devem ser perseguidos.

Zé Machado disse:
15 de agosto de 2015 às 08:43

Tantos advogados optam por defender apenas um ou outro, ou seja, o empregador ou o trabalhador. Será que há algo errado nisso? Vamos respeitar as opções e decisões alheias sem alarde. Porque ninguém ataca os zangões, as publicidades imorais, os agenciadores e angariadores de causas e os tergiversadores e o patrocino infiel? Esses sim devem ser perseguidos.

Eduardo. Adv. disse:
15 de agosto de 2015 às 11:54

Já existe uma associação que congrega advogados, advogadas, estagiários, estagiárias e estudantes de ambos os sexos. Digo ainda que tal associação presta relevantes e mui qualificados serviços a todos os que dela fazem parte.
Então, uma associação apenas de advogadas, estagiárias e acadêmicas para quê?

sGFREITTAS disse:
19 de agosto de 2015 às 08:42

Devolva meu 1 minuto perdido para ler esse "repúdio", e pensar que ainda mencionou o termo 'livre arbítrio'.

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