A Constituição não é o que STF diz que ela é ou quer que ela seja

* Texto produzido pelos professores do Programa de Pós-Graduação em Direito  da UNICAP.

No último dia 25 de novembro, o país acordou com a notícia de que o Supremo Tribunal Federal, através de sua 2ª Turma, decretara a prisão do senador Delcídio do Amaral. Sem dúvida, é um fato emblemático. Muitos aplaudiram a decisão da Corte, que foi vista como um importante gesto de combate à impunidade em relação aos delitos cometidos por importantes atores da classe política. Alguns ministros vocalizaram o que há muito tempo está na garganta de muitos brasileiros. O ministro Celso de Mello foi enfático ao afirmar: “É preciso esmagar e destruir com todo o peso da lei esses agentes criminosos que atentaram contra as leis penais da República e contra os sentimentos de moralidade e de decência do povo brasileiro”. Por sua vez, a ministra Cármen Lúcia bradou: “Quero avisar que o crime não vencerá a Justiça. A decepção não pode vencer a vontade de acertar no espaço público. Não se confunde imunidade com impunidade. A Constituição não permite a impunidade a quem quer que seja”.

Ainda no mesmo dia, por uma esmagadora maioria, o Senado confirmou a prisão, mantendo a decisão do STF. A respeito desse singular episódio de nossa história político-constitucional, convém destacar alguns aspectos que nos parecem relevantes. Antes de tudo, é preciso deixar claro que os crimes imputados ao senador Delcídio do Amaral são gravíssimos e devem ser apurados. Uma vez comprovada ocorrência desses crimes e sua culpa, assegurando-lhe o devido processo legal, o senador deve ser responsabilizado conforme nossa legislação. Nem mais, nem menos.

É de amplo conhecimento que a Constituição estabelece um conjunto de regras que compõem o chamado “Estatuto dos Congressistas”. Dentre elas, encontram-se a inviolabilidade, as imunidades e a prerrogativa de foro, tidas como garantias institucionais para assegurar independência do membro do Congresso Nacional no exercício do mandato parlamentar. Historicamente, tais prerrogativas visam resguardar os representantes eleitos de perseguições, investidas ou retaliações, especialmente perpetradas pelo Governo, as quais pudessem comprometer a adequada realização das atribuições inerentes ao cargo eletivo. Nesse sentido, a Emenda Constitucional 35/2001 criou a imunidade formal quanto à prisão, pela qual “os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.” (artigo 53, §2º, CF).

A única exceção a tal regra diz respeito à prisão decorrente de decisão condenatória transitada em julgado. Afora esta situação, a Constituição veda, taxativamente, qualquer modalidade de prisão, a não ser aquela proveniente de flagrante de crime inafiançável. Exige-se, portanto, a presença de dois requisitos: flagrância e crime inafiançável. Isso não significa que um parlamentar não venha a responder criminalmente durante seu mandato. Aliás, muitos dos congressistas eleitos para o exercício do presente mandato encontram-se atualmente na posição de réus em ações penais. Não podem, contudo, em decorrência das imunidades, sofrer prisões processuais, respondendo ao processo judicial em liberdade. Logo, aplicar a regra da imunidade formal quanto à prisão não é sinônimo de impunidade, pois ela não representa qualquer obstáculo ao andamento da ação penal e, caso o parlamentar venha a ser condenado, deverá cumprir a pena estabelecida. Apenas não podem ser presos preventivamente e tampouco temporariamente.

Por essa razão, a decisão do STF causou estranheza a boa parte dos professores de Direito Constitucional e de Ciências Criminais, acostumados a ensinar aos seus alunos que deputados e senadores apenas podem ser presos em flagrante delito de crime inafiançável. Diante de perguntas dos alunos, esses docentes estavam habituados a explicar que a regra visava impedir que prisões processuais pudessem ser usadas para desestabilizar ou impedir a representação e que era um custo que a democracia assumia. Não há, na Constituição, qualquer espaço para prisões cautelares de parlamentares. O texto é enfático na restrição e não deixa margem para interpretações extensivas. Ao contrário, a Constituição determina que a imunidade subsiste, inclusive, durante uma situação excepcional como o Estado de Sítio (artigo 53, § 8º, CF), o que demonstra ser temerária qualquer relativização da garantia constitucional em época de normalidade institucional.

É evidente que a imunidade, na dimensão em que foi constitucionalizada, pode ser usada de forma distorcida, assim como outras garantias também podem. A crítica, no entanto, em relação às imunidades, precisa resultar em propostas de alteração do texto constitucional e em pressão política para que o texto seja revisto. E isto já ocorreu em relação à outra modalidade de imunidade parlamentar. De fato, inicialmente, a Constituição previa que o STF apenas poderia iniciar ação penal contra parlamentar no curso do mandato mediante licença prévia da Casa Legislativa. Na prática, porém, essa prerrogativa levou a um sem número de episódios, muitas vezes impulsionados por razões corporativistas, em que o Parlamento simplesmente silenciava diante do pedido feito pela Corte para iniciar alguma ação penal. O tribunal ficava de mãos atadas, pois nada podia fazer sem a autorização do Parlamento. A distorção da imunidade parlamentar, à época, não serviu de justificativa para o STF ignorar o preceito constitucional ainda vigente. Ao contrário, a crítica severa ao instituto fez com que a exigência de licença prévia fosse posteriormente revogada pela EC 35/2001, que deu nova redação ao artigo 53, § 3º. Portanto, se a imunidade formal quanto à prisão, outrora justificada para proteger a liberdade de locomoção do parlamentar contra prisões arbitrárias, perdeu sua razão de existir em um ambiente de estabilidade democrática, nada impede que seja modificada pelo processo de reforma constitucional. Porém, até que isso ocorra, a regra não pode ser ignorada, não devendo ser decretada prisão preventiva contra congressista. Cuida-se, tão-somente, de respeito à legalidade constitucional.

Outrossim, poder-se-ia pensar fazer uso do conhecido método da ponderação para afastar a aplicação do artigo 53, §2º , da CF, em nome de algum princípio constitucional. Todavia, a ponderação, quando adequadamente utilizada, pressupõe um conflito entre princípios, o que não é o caso, pois o preceito constitucional que proíbe a prisão preventiva de parlamentar é uma norma-regra, submetida não a sopesamentos e sim à logica do tudo ou nada. É dizer, ou estão presentes os requisitos constitucionais que autorizam a prisão, e esta pode ser decretada, ou não estão presentes, e, neste caso, não são legítimos giros hermenêuticos para promover interpretações extravagantes. Curiosamente, a corte possui precedentes que reconhecem a aplicação da citada imunidade mesmo para obstar prisões civis por descumprimento de pagamento de pensões alimentícias, situação que sequer guarda relação com a atividade pública de parlamentar. E, não obstante, a regra é aplicada também a esses casos, pois apenas pode haver prisão em caso de flagrante de crime inafiançável. Portanto, o que se deve evitar aqui é a utilização equivocada do método da ponderação para criar uma falsa justificação buscando afastar a aplicação de comando constitucional vigente. Infelizmente, muitos têm sido os casos em que a ponderação é empregada como válvula de escape para que o juiz decida com base em preferências pessoais, configurando um decisionismo que deve ser combatido com veemência.

Na presente situação, um crime afiançável — no caso, o de organização criminosa (artigo 2°, § 1° da Lei 12.850/2013) — foi, com a decisão, transformado em inafiançável com uma errônea e indevida aplicação de dispositivos processuais penais e sob o argumento de que “o tom absolutista de proibição da prisão cautelar […] não se coaduna com o modo de ser do próprio sistema constitucional. Se não são absolutos sequer os direitos fundamentais, não faz sentido que seja absoluta a prerrogativa parlamentar de imunidade à prisão cautelar”. Os delitos caracterizados como inafiançáveis são apenas aqueles dispostos na Constituição e no Código de Processo Penal: racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos como crimes hediondos e crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. O senador Delcídio do Amaral foi preso pelo delito de organização criminosa, afiançável, portanto, já que fora do rol antes mencionado. O artigo 324, que serviu de alicerce à decisão do STF, apenas informa que, no caso de delitos afiançáveis, a fiança não será concedida quando cabível a prisão preventiva — por óbvio!

Em suma, o senador foi preso em flagrante pela prática de um delito afiançável, violando frontalmente a regra proibitória constitucional.

É compreensível que, a partir de todo um clamor social e de uma sensação de descontentamento da opinião pública diante de sucessivos escândalos de corrupção, faz crescer, em certa medida, a ânsia pela punição exemplar daqueles que ocupam importantes cargos na vida política do país e que protagonizam a instrumentalização das instituições para fins privados. A crença no caráter exemplar da reação punitiva, aliada ao problema de perpetuação de um Estado patrimonialista, nos leva a aceitar um discurso legitimador de decisões como a que foi tomada pelo STF. Todavia, a punição, a qualquer custo, e passando por cima das leis e da própria Constituição, antes de ser o remédio para o problema, pode se transformar em perigoso veneno em desfavor das liberdades públicas. A missão institucional do STF, o que vale para o Poder Judiciário em geral, não é atuar como uma espécie de “justiceiro”. Ser o “guardião da Constituição” pressupõe um compromisso em defendê-la, seja em seus elementos virtuosos , seja em tantos outros que merecem aperfeiçoamentos. Porém, sob o pretexto de “fazer justiça”, o Poder Judiciário não pode ir de encontro precisamente àquilo que lhe compete defender e seguir intransigentemente: a Constituição.

E nesse caso, a manipulação política de preceitos fundamentais não é admissível no Estado de Direito. A lógica é a mesma para o que se busca denominar de punição exemplar em casos de corrupção, assim como para os mais comuns clientes desse sistema — negros e negras, pobres e periféricos. O fato é que essa punição moralizadora assumida pelo sistema punitivo acaba por eleger bodes expiatórios, independente da ideologia político-partidária que a inspire. Esta cautela busca afastar o estigma da seletividade do Sistema de Justiça Criminal, revitalizando-o em sua perspectiva retributiva, seja para a definição do punitivismo comum, aquele que recai sobre os mais vulneráveis, seja para os próprios atores das agências de poder criminalizante.

Por isso, a indignação não pode ser seletiva. Ainda nesse mês de novembro, o STF relativizou a garantia constitucional da inviolabilidade de domicílio, autorizando a invasão em residências sem ordem judicial, para posterior validação judicial (RE 603.616). Nesse caso, a maleabilidade constitucional recaiu sobre o pedido de um cidadão pobre, acusado de tráfico de entorpecentes.

A decisão causou também espécie em criminólogos e defensores de direitos humanos, que vêm denunciando as chamadas ‘entradas forçadas’ ou ‘franqueadas’ por parte das forças de segurança nas casas de moradores e moradoras das periferias brasileiras. Naqueles bairros, certo “estado de exceção permanente” parece se perpetuar no métier da segurança pública e o que o STF fez foi, tão-somente, reforçar e autorizar essas práticas.

Ante o cenário de perpetuação de um Estado de Polícia, o direito positivo é uma barreira de contenção possível, inobstante frágil, dado o certo de grau de indeterminação semântica que possui. Porém, ele não é totalmente indeterminado. A Constituição não pode ser vista pelo intérprete, sobretudo pelo STF, como um repertório de palavras vazias aguardando construções de sentido arbitrariamente formuladas. O direito legislado, incluindo o próprio texto constitucional, não é um cheque em branco dado ao juiz constitucional. Em uma Democracia Constitucional, a Constituição não é o que STF diz que ela é ou quer que ela seja. Do contrário, somos forçados a reconhecer que não dispomos de parâmetros minimamente objetivos e racionais para identificar o direito democraticamente produzido, pois tudo é reduzido ao que juiz pensa sobre o direito.

Além disso, e, desta feita, seguindo o que determina a CF, o STF comunicou sua decisão ao Senado dentro do prazo de vinte e quatro horas. Quando a CF afirma que cabe ao Senado resolver sobre a prisão, isso significa que ele possui autonomia para deliberar sobre manutenção ou não da prisão. Trata-se de uma avaliação acentuadamente política, como não seria diferente, em se tratando de uma Casa Legislativa. De forma curiosa, alguns Senadores, na sessão em que se resolvia sobre a prisão, defenderam que não poderiam ir de encontro à decisão do STF. Ora, é razoável que, por razões as mais diversas, o Senado optasse por manter a prisão, alinhando-se à decisão da corte. Porém, afirmar que deve seguir a decisão do STF é renunciar à própria função de contrapeso que a Constituição lhe atribuiu, o que represente uma diminuição institucional da casa.

Também causa estranheza quando uma corte da envergadura do STF se utiliza de expedientes retóricos para transmitir lições à sociedade. O uso de frases impactantes, com conteúdos de elevado apelo moral e ético, busca apenas criar uma imagem perante o senso comum de que o tribunal se encontra num patamar moral superior às demais instituições e que pode, lá do alto, apontar, implacavelmente, os desvios dos outros. Essas fundamentações maximalistas poucos acrescentam à consistência e legitimidade de seus acórdãos, até porque não integram sua ratio decidendi.

Melhor seria que o STF reafirmasse seu papel de defensor da ordem constitucional, decidindo com base na constituição, e não apesar dela. E para qualquer cidadão que dele demande, seja o senador da República, na prerrogativa constitucional da imunidade parlamentar; da seja o pobre periférico, na garantia da inviolabilidade de domicílio. Já terá feito muito. E terá dado sua real e significativa contribuição para a nossa democracia.

Portanto, entendemos que a decisão da corte é frágil, porque destoa da literalidade do texto constitucional, ignora toda a construção doutrinária em torno da imunidade formal e surpreende a própria narrativa de seus precedentes. Aceitar, de forma tranquila, que decisões como essa sejam isentas de crítica é tornar a Academia caudatária dos pronunciamentos judiciais. E pior: é reconhecer o fracasso do projeto político de Estado Democrático de Direito, pois a hegemonia política dos monarcas e presidentes teria sido devidamente substituída pela elegante hegemonia dos Tribunais. E isso é um supremo equívoco.


* Este texto foi produzido pelos seguintes professores do Programa de Pós-Graduação em Direito  da UNICAP do Grupo Recife de Estudos Constitucionais (REC/CNPQ) e do Grupo Asa Branca de Criminologia (CNPQ): Adriana Rocha Coutinho; Carolina Salazar;  Érica Babini Machado; Fernanda Fonseca Rosenblatt; Flávia Santiago Lima; Glauco Salomão Leite; Gustavo Ferreira Santos; Helena Rocha Castro; João Paulo Allain Teixeira; José Mário Wanderley Gomes Neto; Luiz Henrique Diniz Araújo; Marcelo Casseb Continentino; Marcelo Labanca Corrêa de Araújo; Marília Montenegro P. de Mello e Stéfano Toscano.

analucia disse:
03 de dezembro de 2015 às 07:54

quanta gente querendo proteger o senador bandido.... quando é pobre não têm esta mesma vontade....

isto mostra a cara e a ideologia da advocacia e das escolas de direito no Brasil

Veritas veritas disse:
03 de dezembro de 2015 às 08:55

E eu na condição de contribuinte tendo que pagar estas bolsas do CNPq para este pessoal escrever isto! Não há dinheiro mais desperdiçado do que bolsas de estudo para estudantes de Direito. Deveriam dar bolsas apenas a quem produz ciência de verdade.

Julio Campos. disse:
03 de dezembro de 2015 às 09:47

Se julgam pesquisadores, mas não se dão o mínimo luxo de interpretar a Constituição de modo imparcial.

Marcos Vinícius de Oliveira disse:
03 de dezembro de 2015 às 10:35

Entendo que a interpretação dada ao Supremo não foi de ponderar uma regra e sim utilizou da técnica da derrotabilidade (defeasibility) para afastar a regra no caso em comento, em razão das circunstâncias, sem tirar a sua vigência.
Interpretar a Constituição de forma extremamente literal é um perigo para a democracia ou acreditam ser o intento dela ir contra todo o seu arcabouço normativo para garantir a aplicação de uma regra? Eu acredito que não.

Gabriel da Silva Merlin disse:
03 de dezembro de 2015 às 11:51

Eu pensei que o texto iria fazer uma crítica profunda sobre o extremo desapego à Constituição que o STF vem fazendo na sua "interpretação", utilizando dos seus inúmeros princípios extremamente abertos para fazerem da Constituição o que eles quiserem que ela seja.

Mas na verdade ele apenas procura se utilizar dessa crítica, para nesse momento, dizer que o STF errou ao decidir daquela maneira no caso do Senador Delcidio do Amaral.

Porém eu não tenho dúvida que quando for do interesse dos que fazem o artigo, eles serão os primeiros a defender que o STF interprete a Constituição de um modo mais "heterodoxo".

É a mesma discussão que se vê no caso da descriminalização do porte de drogas, muitos defendem a decisão extremamente ativista do STF, mas contrario sensu quando chega o caso de decretação de uma prisão preventiva ou provisória eles exigem que o mesmo STF, dessa vez nesse caso, faça uma interpretação exegética da Constituição e das Leis.

Ao meu ver o texto procura apenas se aproveitar da situação para ganhar alguma visibilidade.

Hélder Fernandes Neves disse:
03 de dezembro de 2015 às 14:51

Ainda quando um Senador faz o que fez, há pessoas tentando imputar ao Poder Judiciário a culpa pelo desvirtuamento da democracia.

Hélder Fernandes Neves disse:
03 de dezembro de 2015 às 14:51

Ainda quando um Senador faz o que fez, há pessoas tentando imputar ao Poder Judiciário a culpa pelo desvirtuamento da democracia.

Leonardo R. disse:
03 de dezembro de 2015 às 15:11

Partindo-se de premissa absurda como aquela adotada pelos autores, qualquer silogismo parece correto.

isabel disse:
03 de dezembro de 2015 às 18:16

Não sei dizer se sinto mais orgulho, conforto ou até alívio por saber que existem estudiosos do Direito, estudando-o como se deve !!!
Que esta classe culta seja o vetor civilizatório me apercebi, menina ainda, quando da Lei do Divorcio, e via a sociedade berrar e estrebuchar que "aquilo" seria o fim da familia, da moral, da honra dos bons costumes e para alguns mais afoitos, o fim do mundo !
Ora, na faculdade de Direito que eu recem ingressara, os professores saudavam a medida e lendo, eu soube que estudiosos de varias ciências a aplaudiam. Comparei estas correntes em sentidos tão invertidos e e ja entao, me dei conta que se nao fossem os academicos, estudiosos e legisladores estaríamos no mesmo estágio da primavera dos tempos !
Admiráveis autores : por favor, persistam nos seus estudos ! enquanto estiverem por aí, estaremos livres da ditadura da ignorância, da rudeza, do atraso, que irmana na mesma toada de (in) compreensão, porteiros, taxistas, manobristas ( estes compreensivelmente ja que lhes foi dada a luz dos estudos ) ao comerciante, ao burocrata, ao playboy( estes, já por pura indigência mental).
Obrigada !

kiria disse:
04 de dezembro de 2015 às 13:53

Não me surpreendo com mais nada nestes últimos 13 anos(13?).A inversão de valores apequena até os maiores causídicos que se ocupam na defesa de um bandido Senador.Sacodem na cara do povo a Constituição e hasteiam a bandeira da "democracia" e fazem de conta que é verdade.Em pleno governo presenteado com um pedido de impeachment muito bem elaborado assistimos muitos declarando que não está fundamentado e é golpe.Com 6 Decretos "sem nº" "sem ter voto do legislativo" "Lei de responsabilidade derrubada(para todos,prefeitos governadores,porque se presidente pode...)calote em luz,água,funcionários em todas as embaixadas,calote na ONU,OEA etc,quadrilha institucionalizada no Poder máximo da nação...mas a democracia está em risco porque o STF decretou a prisão do "Senador ladrão".Tirem suas caras dos livros de "direito"(direito?)saiam dos seus gabinetes e andem nas ruas,nos municipios,nos Estados,contem as portas fechadas,os desempregados,os sem água e luz porque sobra mês e falta salário,enquanto nos porões da República o dinheiro público se esvai com a saúde,a educação,a segurança,a infraestrutura de vosso e nosso Brasil,invadido,espoliado,depredado por movimentos que saem dos Foros de São Paulo para derrubar a vossa amada "Constituição"que os protegeu dos militares mas não destes que brandem sua foices e enxadas conclamando uma luta armada contra a população dentro do "Pálacio do Planalto"ladeados por presidente e ex sem qualquer reação de V.Sas,que não brandiram a Constituição naquele momento,e gritaram :o SENHOR ESTÁ PRESO EM FLAGRANTE EM NOME DA CONSTITUIÇÃO FEDERATIVA DO BRASIL POR CRIME DE APOLOGIA Á CONFRONTO CONTRA UMA POPULAÇÃO QUE PACIFICAMENTE EXPRESSA SUA VONTADE.

Flávio Ramos disse:
04 de dezembro de 2015 às 19:13

Felicito-os por, além do destemor de enfrentar a opinião pública e criticar a autoridade constituída - privilégio maior dos cidadãos nas democracias - em uma reflexão serena, abrirem-me os olhos para a inconveniência de o magistrado utilizar-se de frases de efeito em suas decisões. Efetivamente, o juiz dirige-se às partes do processo e aos operadores do direito, não ao grande público, não ao cidadão indignado.

JLR disse:
08 de dezembro de 2015 às 13:20

Ótimo e didático texto. O STF errou na tipificação, o senador Delcídio deveria ter sido preso por "ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o estado democrático". Obviamente, dando-se uma interpretação bastante lata à expressão "grupos armados", em particular ao termo "armados".

JLR disse:
08 de dezembro de 2015 às 14:21

No mais, gostemos ou não, quem dá a última palavra sobre a Constituição é o STF. Só nos resta discordar teoricamente, ou mudar leis, propor emendas, as quais, no final serão novamente interpretadas pelo STF.

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