Jeferson Carvalho: Estamos criando um verdadeiro confronto de raças

Nos mostra a história que a sociedade vai se transformando no decorrer do tempo, e por isso temos momentos históricos, uns bem diversos dos outros. Esta transformação é salutar porque faz a adequação dos fatos ao crescimento do ser humano.

A preocupação que deve estar sempre presente é de não formar uma sociedade rancorosa, não formar uma sociedade onde haja divisão de classes, não formar sociedade na qual a população tudo espera do governo, não formar sociedade na qual o mérito é alijado do sistema. Enfim, a preocupação deve ser em formar uma sociedade com liberdade e com igualdade de direitos, na qual os programas sociais existam, mas que tenham caráter de temporaneidade.

Formar uma sociedade forte e com cidadãos cônscios de seus deveres e de seus direitos exige um sistema educacional de qualidade, que valorize o professor, que valorize o método de ensino, que valorize o mérito, que valorize o aluno, que se preocupe em inserir a pessoa na sociedade para que seja um elemento produtivo, respondendo por sua vida pessoal, mas também contribuindo para a vida social e política.

Uma saudável vida política depende da educação que é dada aos jovens, porque “esquecer a íntima relação entre a educação e a política é uma atitude ingênua diante dos acontecimentos históricos”[1]

Nos termos do artigo 205 da Constituição Federal a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Os ensinamentos dos filósofos brasileiros mencionados encontram total fundamento no texto Constitucional.

Da ideologia constitucional, a interpretação não deve se limitar a pensar em educação somente à prestada nos bancos escolares, mas sim também, no comportamento da própria sociedade, no comportamento dos Poderes do Estado, no comportamento das ideias que são lançadas pela administração pública, pelos partidos políticos, pelos sábios pensadores da sociedade; enfim por todos que influenciam na vida da população.

Como a própria Constituição Federal determina a educação é dever do Estado, da família e da sociedade.

Partindo desta ideia, qual será a sociedade que estamos formando para os jovens, para os adolescentes, para as crianças e ainda para os que estão por vir?

Não é possível responder esta preocupação, mas é possível fazer constatações do presente para se preocupar com futuro destas pessoas, nossos filhos, netos, sobrinhos, nossos sucessores na vida social e política.

Vivemos em um Brasil democrático no qual as pessoas do povo chegam ao Poder Legislativo, ao Poder Executivo e ao Poder Judiciário, o que é louvável e necessário que assim seja; entretanto não é dado a este Povo, o titular do poder constituinte originário, o direito de votar, é sim imposta uma obrigação, cujo descumprimento gera apenação.

Não votar é uma omissão, mas cabe ao cidadão escolher votar ou não. Exige-se que a liberdade de participação seja respeitada, com a finalidade de que cada cidadão exerça sua vontade, mas evidentemente com plenas condições de decidir como vai participar da vida política.

Na verdade exigir o voto fere a democracia.

A chamada e discutida aprovação automática está inserida em um sistema no qual o estudante vai caminhando a passos largos e rápidos para um destino que ele não conhece e não sabe o que lhe espera. É como se estivesse, simplesmente, sendo empurrado pela correnteza.

No futuro a capacidade do profissional e do cidadão será comprometida, e certamente muitas outras pessoas serão vítimas de um profissional e cidadão despreparado.

Na vida do ser humano as conquistas são preparadas, ensinadas e lentas, e assim deve ser na área da educação, na qual o estudante deve ser preparado, deve receber ensino de qualidade e assimilando os ensinamentos, e lentamente vai se formando e se preparando para uma vida social e política de qualidade.

Sobre raças os acontecimentos mostram que estamos criando um verdadeiro confronto.

Muitos municípios celebram apenas com feriado e shows musicais o Dia da Consciência Negra e agora surgem outros municípios para comemorarem no dia imediato o Dia da Raça Branca. Inadmissível, somos todos da raça humana e ponto final.

O que falta é uma educação de qualidade para mostrar os erros do passado e firmar a posição de que somos todos iguais perante a Natureza e perante o Estado.

Seria muito mais produtivo comemorar o dia das raças, no qual escolas públicas e particulares destinassem este dia para tratarem de todas as raças e ensinar sobre a importância delas com a finalidade de gerar consciência de respeito e fraternidade.

O cidadão da raça negra que ingressa em uma faculdade pública pela chamada “cota”, poderá sim, ser menosprezado por outros da própria raça que consiga a vaga pelo mérito.

Na sociedade do futuro teremos os formados pela “cota” e os formados pelo mérito. Nada mais. É o mérito que singulariza com qualidade a pessoa no meio em que vive.

Sobre programas sociais atribui-se a Ronald Reagan a afirmação de que o melhor programa social que um governo pode oferecer é dar um emprego ao cidadão.

Sabemos o quanto um emprego honesto valoriza o ser humano e faz com que ele seja respeitado na comunidade em que vive, independentemente de qual seja sua atividade de labor.

Toda espécie e tipo de trabalho honesto somente valoriza a pessoa.

Vivemos um momento histórico em que há “bolsa” para tudo enquanto o investimento na geração de emprego fica um tanto esquecido, não obstante a publicidade oficial.

Há noticias e comentários na vida social que já existem os “bolsistas profissionais”, isto é aqueles que não vão mais trabalhar porque recebem em casa algum dinheiro. É melhor ficar descansando porque o dinheiro vem com certeza.

Se fala que há mulheres que engravidam para receber “uma ajudazinha do governo”. Será que isto acontece?

Na sociedade que está sendo formada teremos muitos mais “bolsistas” do que hoje. Muitos que nascem nesta época e os que vão nascer já estarão assimilados por esta cultura, de viver na dependência do Estado.

O que falta é o incentivo, a preparação, e a criação de postos trabalho com qualidade.

Sabe-se que a construção civil em São Paulo, em determinado momento, sofreu atraso nas entregas de obras de pequeno e grande porte, porque muitos trabalhadores preferiam ficar em casa recebendo ajuda ao invés  de trabalhar. Muitos voltaram às suas cidades ou Estados.

Sobre outro aspecto, o momento atual nos mostra a existência de um certo confronto entre homens e mulheres.

A mulher é a mais importante é a mais bela criatura existente, e não acredito que a imensa maioria delas esteja se importando com a novidade de “todas e todos”, nos discursos formais e não formais.

O vocábulo “todos” é gênero que expressa todos os presentes ou todas as pessoas presentes. Não há nenhum demérito. Então que se continue com “senhoras e senhores” como um modo de elevar a mulher e não simplesmente por falar na forma feminina.

O sempre necessário respeito para o ser humano do sexo feminino deve estar presente no tratamento, que o ser humano do sexo masculino lhe dedica, e, também no tratamento que a administração pública e a sociedade deve dispensar.

Em um programa de televisão com participação de humoristas antigos e também alguns da nova geração, os mesmos concordaram que estão limitados nas ideias e atuações, porque qualquer tipo de brincadeira, sem a menor intenção ofensiva, pode gerar exageradas reações e processo por dano moral.

Os grandes como Chico Anysio, Jô Soares, Mussum e outros já brincaram com todos os temas neste Brasil e nunca foram ofensivos, e, continuam com suas atuações respeitadas, admiradas e conhecidas por todos.

Assim, estamos em um sério e complexo momento de reflexão sobre qual sociedade queremos deixar para o futuro, que é certo e não distante.

A sociedade que devemos projetar para o futuro certo e não distante deve ser uma sociedade madura, com respeito ao ser humano com todas as diversidades existentes.

A liberdade da cidadania não se coaduna com dever de votar. O mérito de um estudante não convive com quem é simplesmente aprovado ou que ingressou através de uma disposição da lei.

Os trabalhadores de todos os segmentos e, no sentido “lato senso” do vocábulo, engrandece o País, mantém a estima pessoal, dá orgulho para a família e contribui para o fortalecimento Estado e da sociedade, ao contrário do que  simplesmente ser um “bolsista”.

As mulheres sempre ocuparão o lugar de destaque que o criador lhe deu, não precisa de uma letrinha (a) para marcar a presença na sociedade.

A diversidade deve ser respeitada não porque alguns gritam, mas sim porque quem vive a diversidade é ser humano como outro qualquer. Não há diferença.

Devemos sim estar preocupados com a sociedade que estamos formando e para isto é fundamental destinar educação de qualidade a todas as pessoas, realizar uma verdadeira geração de empregos em todo território nacional e prestar serviços relativos aos direitos sociais com qualidade.

O ser humano precisa ser valorizado dando-lhe condições de gerir sua própria vida, independente ser da raça amarela, da vermelha, da negra ou da branca.

Que a sociedade que virá seja melhor do que a que vivemos hoje, mas para isso precisamos repensar urgentemente o presente.


[1] MARQUES, Carlos Euclides e TARGA, Dante Carvalho – Filosofia da Educação. Fael Editora.2.013.Curitiba. p.109.

Jeferson Moreira de Carvalho

é desembargador da 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo. Mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC/SP.

Bruno W disse:
06 de janeiro de 2015 às 09:23

Lucido e oportuno.

Bruno W disse:
06 de janeiro de 2015 às 09:23

Lucido e oportuno.

MarceloR disse:
06 de janeiro de 2015 às 09:28

Parabéns Desembargador!
Tive a oportunidade de fazer meu TCC a respeito do tema e a sociedade está tão despreparada para receber opiniões como a expressada nesse artigo (contra as políticas racistas) que, após primeiro encontro e esclarecimentos a respeito do meu tema e posicionamento, meu orientador recusou particupar!
A grande questão é que os ditos estudiosos do assunto desvistuam e negam a real origem histórica de nosso país, somos uma nação, desde dos primórdios de nossa história, com grande mistura e aceitação interacial. A título de ilustração, em meados do século XX o Brasil foi alvo de uma pesquisa da UNESCO que tinha por finalidade descobrir como diferentes racas convivem bem, enquanto boa parte da comunidade internacional pregava a separação (iguais, mas separados!).
Ora, o separador de águas em nosso país é a má distribuição de rendas, nesse ponto, o único parâmetro viavem a se adotar nas apontadas políticas seria a desigualdade econômica, mas o modismo é a política das minorias, que cada vez mais desvirtua e distorce nossa sociedade que caminha a passos largos para o "confronto entre racas".
Até pouco tempo atrás nossas crianças tinham tolerância às brincadeiras infantis, hoje vivem de "bulem"...
Agora pergunto, como o pai do" branco" pobre responde pq o "preto" pobre foi pra faculdade, passou no concurso federal e ele, com a mesmo desempenho (nota) não foi? Será que separar as pessoas pela cor é, de fato, normal e aceitável?
Triste os rumos que trilha nossa sociedade!

Rivadávia Rosa disse:
06 de janeiro de 2015 às 09:40

Uma bela análise que decididamente se contrapõe à famigerada luta (sem) classes.

Curiosamente, ainda alguns pensam no “progresso” via luta de classes, representada pelo proletariado buscando sua própria ditadura [ditadura do proletariado -“Dictatorship of the proletariat”], cuja praxis se resumiu a uma elite do partido (nomenklatura), extermínio da classe alta e empobrecimento geral, numa perversa negação da incensada igualdade.

O fato é que o marxismo, como modelo histórico fundado no motor e interesse da ação do proletariado industrial, perde seu sentido, sobretudo nas sociedades avançadas.

Assim, a luta de classes, mesmo negada pela realidade, o incensado “trabalhador” [que todos somos] é substituído por “mulheres”, estudantes, agricultores, sobretudo os que se dizem “sem terra”, “negros”, “gays”, ou qualquer grupo ou “movimento” social inconformado com a a realidade.
Daí o estímulo criminoso da aposta no confronto entre ‘raças e gêneros’ ...

Jair disse:
06 de janeiro de 2015 às 10:06

O texto está perfeito. A sociedade atual não deve ficar perdendo tempo em marcar a separação de cores, afinal, brancos, negros, amarelos, marrons, pertencem a mesma raça, a HUMANA. O respeito deve ser mútuo.
Parabéns pelo texto.

LeandroRoth disse:
06 de janeiro de 2015 às 11:04

Texto racista, machista, homofóbico (?) e fascista!!
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Onde já se viu, basear a sociedade no mérito e não na raça e no gênero? Que absurdo!
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Cota de 50% para negros e 50% para mulheres em vestibulares e concursos! Que os homens branquinhos safados sofram na pele pelos crimes de seus antepassados!
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Afinal, uma verdadeira democracia distribui direitos aos seus cidadãos não de forma igual, mas de acordo com a etnia e o sexo, não é?

Igor Menezes disse:
06 de janeiro de 2015 às 11:38

O texto está ótimo. O comentário irônico do Leandro Roth criou um contraste perfeito. Estou certo que irão "criminalizar" os sensatos argumentos do texto.

Nicolás Baldomá disse:
06 de janeiro de 2015 às 14:32

Dr., com todas as venias, mas o texto é superficialíssimo. Um Dworkin, para ficar no Direito, basta. Na filosofia, citaria Michael Sandel, Rawls, talvez Nagel... Na sociologia, são dezenas de livros, centenas de artigos de pessoas como Clovis Moura, demonstrando fartamente como histórica e socialmente não-brancos são discriminados institucionalmente, tendo muito menos oportunidades que brancos.
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Temos que deixar de vez esse mito de que basta estar na lei, basta estar na Constituição. Não basta estar lá se, por ser branco, exerço direitos que outros jovens, por serem negros, índios, etc, não exercem, como viver.
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Negar a realidade, negar que existem diferenças históricas e sociais de tratamento entre classes, raças, gêneros, etc, é a melhor forma de acabar com o princípio da isonomia e manter todas as estruturas racistas, classistas e sexistas como estão.
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E (sobre os comentários) mérito? Quem pode falar de mérito? Leiam Sandel, Mlodinow, e até Levitt. Ou por que tenho mais mérito advogado e devo ganhar mais, nascido da classe média branca, do que um pardo que enfrentou todas as adversidades e tornou-se um torneiro mecânico?
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Enfim, texto pobre, com todo respeito, comentários idem.
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Em tempo, ao editorial da CONJUR, gostaria de entender porque tantos artigos ignorando o significado do princípio da Isonomia e defendendo a igualdade formal. Voltamos ao século XIX?

daniel disse:
06 de janeiro de 2015 às 15:04

bom texto ! parece que o Oficial LeandroRoth quer se beneficiar de alguma "cotinha" com base em supostas violações passadas...... Sugiro que vejam o filme "Crash, no limite", pois a dominação é uma questão de força e não de cor... Negros exploram negros, como ocorre na Àfrica e em outros países, brancos exploram brancos e assim por diante.

MarceloR disse:
06 de janeiro de 2015 às 15:29

Notável o conhecimento de V. Sa. a respeito da da filosofia e sociologia "mundiais", contudo, lamentavelmente, desconhece a história e realidade de seu país.
Busque compreender como se deu a colonização em nosso país, por quem fomos colonizados, e as consequências que isso gerou em nossa sociedade. Compare a realidade brasileira atual e se ela se assemelha em algum ponto com a norte americana que cominou na maior guerra civil daquele país, e que levaria, anos mais tarde, na políticas raciais. Será mesmo nossa sociedade semelhante a africana na qual surgiram o protecionismo racial naquele país?
Com devia vênia a V. Sa., mas foram ideologias filosóficas desconexas com a realidade e a disputa racial que fundamentava Hitler, chegou, em algum momento de suas leituras, nas históricas guerras mundiais? Quando chegar e perder algum tempo com a evolução histórica de seu país, talves entenda a relevância das palavras trazidas nesse artigo!

Eduardo. Adv. disse:
06 de janeiro de 2015 às 16:43

Não defendo a adoção ou a criação de cotas, não senhor. Muitos outros, há tanto tempo atrás, obtiveram seus respectivos canudos sem qualquer tipo de "favor estatal". Se antes havia algum esforço, hoje não é preciso nada mais. Recentemente houve notícia de que o governo do PT que dura 12 anos deixará de possibilitar a fruição conjunta de Prouni e FIES para o mesmo curso, pelo mesmo estudante. Trouxa foram/fomos os outros que décadas antes buscaram(mos) arduamente sair da mediocridade social; e conseguimos. Hoje, há distribuição de renda para grupos educacionais. Tanto que houve baixa na bolsa de valores em razão da previsão da contenção de gastos com o duplo financiamento Prouni/FIES.
Sou também contra a nova forma de "carteirada". Dia desses, enquanto eu aguardava a condução da plataforma, ouvi de alguém a afirmação de que "meteria um processo por racismo", e do seu interlocutor a observação de que "autor" iria "ganhar a maior grana".... Pena. Eram ainda dois jovens, sendo o segundo um típico "arianozinho".
Mas me intriga o fato de que o Judiciário conta com membros de virtuosas famílias (basta ver nos nomes e os pomposos complementos que se repetem em instâncias) ostentando togas, mas curiosamente não se aprovam negros diplomados para as funções da judicatura.
Alguém dirá que não houve a aprovação em concurso. Aí eu penso que as provas, muitas das vezes, são provas em que o candidato tem rosto... É quando a negritude se revela nas fases eliminatórias e... Não se aprovam negros. Talvez pura coincidência, mas tem sido inevitável que Judiciário ainda seja formado por donos de nomes bonitos e senhore/as de pele clara que... julgarão os que não conseguem integrar o Judiciário.
Por tal motivo, o PJ suportará a imposição de cotas.

Karina Matos Nascimento disse:
06 de janeiro de 2015 às 21:06

Concordo veementemente com cada palavra escrita. Excelente texto desembargador!

Felipe - Acadêmico de Direito disse:
06 de janeiro de 2015 às 22:57

Os argumentos sustentados contra as denominadas "cotas" são recorrentes nos discursos daqueles que defendem a meritocracia.
Entretanto, a igualdade não é entendida no nosso ordenamento no sentido de que todos devem ser tratados de maneira igualitária sempre, mas no sentido de que os desiguais devem ser tradados de maneira desigual na medida em que se desigualam a fim de que haja um equilíbrio material.
No que concerne especificamente às cotas, discordo do argumento do articulista de que haveria uma diferenciação daqueles formados pela "cota" e daqueles formados pelo "mérito", pois mesmo àqueles que ingressam no ensino superior pelo sistema de cotas não o fazem sem esforço.
As notas de corte podem ser geralmente mais baixas do que as da ampla concorrência, mas nem por isso deixam de exigir do candidato estudo e dedicação, pois a competição é acirrada.
Além disso, depois de graduado cada profissional deverá mostrar seu valor no mercado de trabalho em busca de uma colocação e esse valor não é definido pelo modo como o profissional ingressou na universidade mas sim pelas suas competências profissionais e pelo domínio do conhecimento na sua área de atuação.
As cotas apenas equilibram o jogo no momento inicial da busca pelo formação, dando uma pequena vantagem àqueles que estiveram em desvantagem até então em razões de circunstâncias sociais (raça e condição socioeconômica) sobre as quais não tem controle, mas ao final da graduação o sucesso de cada um dependerá em parte de seu próprio desempenho.

Pek Cop disse:
07 de janeiro de 2015 às 07:53

O que o homem branco moderno tem haver com o passado e a obscuridade da escravidão, alguns comentários mereciam condenação por racismo após o devido processo legal, escrever que branquinho safado merece sofrer na pele o que os antepassados fizeram, além de ilógico só acirra o ódio e a separação de brasileiros e favorece políticos que fazem de tudo para se reeleger, acredito que diferenciações como o sistema de cotas que é uma injustiça, só vem a criar uma linha divisória separatista, as chances estão para todos, alguns estudam e se esforçam para serem alguem na vida e outros se acomodam tendo facilidades acreditando que as chances caem do céu, hoje em dia as oportunidades estão para todos só não aproveita quem não que!

AC-RJ disse:
07 de janeiro de 2015 às 16:21

Meus parabéns ao articulista pelo seu lúcido e esclarecedor texto. As ditas "autoridades competentes" deveriam estar conscientes das perigosas consequências da implantação de um racismo institucionalizado, tais como a divisão da sociedade e a fomentação de ódios raciais.

MarceloR disse:
07 de janeiro de 2015 às 19:44

Antes de mais nada, se pretende defender o princípio da igualdade em aua concepção materia/substancial, deve analisa-lo em consonância com os demais princípios constitucionais, notadamente, o princípio da proporcionalidade e seus subprincipios.
Após o estudo acima sugerido, leia novamente o artigo para poder entende-lo, ok.
A questão levantada é que o fator de discriminação adotado para afastar a igualdade formal é preconceituoso, ou você acredita que o negro é inferior ao branco, de sorte que depende de tratamento beneficiado para acesso as cargos e serviços públicos?
Por mais que alguns queiram afirmar de modo contrario, no Brasil o preconceito não tem cor, mas sim classe social.
Ademais, gostaria que os defensores da cota me aponte quem no Brasil não é afrodescedente ou de origem indígena. Impossível!
É pq sou impedido para exercer a advocacia, senão patrocinaria uma demanda de graça só pra ver se algum juiz nesse país é capaz de afirmar que bom parte (chutaria 98% da população) é descendente de afrodescedente ou indígena.

Eduardo. Adv. disse:
08 de janeiro de 2015 às 23:49

Você mencionou que "no Brasil o preconceito não tem cor, mas sim classe social."
E me fez lembrar de uma reportagem feita pelo Roberto Cabrini... Colocou dois garotos vendendo balas em semáforos para ver a distinção de tratamento... O "moreninho" (negro) não vendeu nada e ouvia muitas travas de portas sendo acionadas. O outro, de pele clara (a dita boa aparência) vendeu muito... Aliás, era convocado por vários motoristas para vender a eles. Dois pobres em situações bem diferentes.
Pobre preto (dois Ps) sofre mais.
Todavia, isso não pode ser fator de "ardil" por parte de algumas pessoas, mas a exclusão há de ser superada, sim.

MarceloR disse:
09 de janeiro de 2015 às 08:46

Quer resumir uma sociedade numa matéria de entretenimento? Por favor meu caro, nao se reduza a isso.
O aeu dito reporter fez uma matéria sobre o "mundo das academias e o uso de anabolizantes" e, segundo, ele, se você tem um corpo "sarado" é porque faz uso em verdadeira conotação do malhado=bombado. Bom, gosto e acompanho o mundo bodybuilder e qualquer um que entenda o mínimo (não as pessoas que vão à academia pra pegar mulher ou fazer fisioterapia) sabe que não é bem assim como ele quis passar... . Tanto que um entrevistado na dita reportagem fez um vídeo no YouTube comentando que sua falas eram conduzidas pelo diretor das filmagens.. .
Se quer equiparar a vida com o mundo do entretenimento, desista do direiro e faça teatro.
Veja, comentei a reportagem acima pois posso te enviar oa referidos vídeos para que vc tire suas conclusões!
Repito, no Brasil vigora o preconceito de classe, embora tá na moda, no mundo do entretenimento, a política das minorias, ou você acredita que a aquela pobre moça no jogo do grêmio que estava com o macaquinho tava querendo diminuir seu vizinho afrodescedente?
Por fim, se vangloria a separação de raças, defina para mim no Brasil quem não é afrodescedente, posso te enviar um estudo realizado por um geneticista de MG que concluiu que no Brasil, 97% tem origem materna indígena ou afrodescedente.
Lembre-se meu caro, fiz um trabalho con pesquisas por quase um ano e não estou fazendo afirmações vagas com base em novela das 8h!
Mas o problema no Brasil é esse, desinformados criando leis para entreter e reelegerem.

Eduardo. Adv. disse:
09 de janeiro de 2015 às 16:55

Ok.

Eduardo. Adv. disse:
09 de janeiro de 2015 às 17:30

Bom repórter conduz uma entrevista, não se deixa ser conduzido. O registro de fatos é outra coisa totalmente diversa. De longe ele registrou não apenas o preconceito racial, mas a repulsa a pessoas gordas, feias... Busque na internet e assista, se interessar.
Não precisa enviar teoria alguma. O fato é que a maioria é de origem negra. Isso não é novidade. Mas e a COR da pele? É este o diferenciador básico: a cor PRETA. E por este motivo a maioria diz ser... "parda", "morena" para não ser identificada como negra.
O brasileiro, em algum momento, busca dar um jeitinho de tirar vantagem. Agora há um grupo (parcela) em destaque. E pode ser que alguns dos seus integrantes, com os nossos defeitos típicos de brasileiros, podem sim tirar vantagem imoral. Uns usam o "Quem Indica"; outros, a certeza das reservas para fazer menos. Agora já há os que usem a indefinição da raça para, mesmo com biotipo "branco de olho azul", afirmar-se "negro".... Outro jeitinho, não?
Entendo que "não querer enxergar" faz parte de um modo de negar a existência de um fato.
O fato existe; uns enxergam; outros criam uma ilusão de ótica (algo maior); outros "não querem" ver para negar o fato.
Não pretendo deflagrar rancor, raiva ou repulsa. Quis dialogar. Continuo vendo a vida como ela se apresenta PARA MIM, mas não posso impedir que ela seja compreendida de outra forma por você.
Vivo o cotidiano. Observo fatos da vida como ela é, para mim. Sem terno, um tratamento. Com terno, outro tratamento totalmente diverso.
Mas entendo a sua precaução.
Até mais.

MarceloR disse:
10 de janeiro de 2015 às 20:29

Sinceramente, "ignorantes" como você que fomenta políticas e condutas inadequadas no meio social.
Com todo respeito, mas reduzir toda uma raça, com sua história, cultura e filosofia à cor da pele???

Enfim, qualquer indivíduo que tenha ascendente afrodescedente pode usufruir das vagas reservadas às cotas, ainda que sua pele não seja "preta".
Se houver recusa, pode entrar com a ação judicial para resguardar seu direito e, nesse caso, estou à disposição na elaboração de sua defesa.

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