Atentado contra revista na França atinge liberdade de expressão

O mundo reagiu com horror e indignação ao ataque terrorista que matou 12 pessoas que trabalhavam na revista humorística francesa Charlie Hebdo, na tarde desta quarta-feira (7/1), em Paris. Entre os mortos estão o diretor da revista, Stephane Charbonnier e outros três cartunistas, além dos dois policiais escalados para fazer a segurança da publicação. Acredita-se que três pessoas invadiram a redação da revista, no momento da reunião de pauta, atirando com metralhadoras AK-47. Um quarto terrorista teria ficado no carro que conduziu o grupo e deu-lhe fuga. Segundo testemunhas, os assassinos teriam dito que estavam vingando o profeta.

Além do terror provocado pela ação em si mesma, o atentado significa um dos mais cruéis ataques à liberdade de expressão nos últimos tempos. Como cabe a uma publicação de humor, Charlie Hebdo tratava com irreverência todos os temas que abordava, e de suas cáusticas sátiras não escaparam a intolerância e a violência de facções radicais islâmicas. Desde 2006, quando publicou charges do profeta Maomé, originalmente produzidas pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, o Charlie Hebdo vinha sendo alvo de ameaças de radicais islâmicos. Em sua última mensagem no Twitter, na manhã desta quarta-feira, a revista mostrava uma charge com a imagem de Al-Baghadi-Akr, o líder da facção radical Estado Islâmico desejando “os melhores votos, de fato” e acrescentando: “E sobretudo, saúde”.

A revista já havia sido vítima de um atentado a bomba em 2011, logo depois da edição que continha uma piada sobre a Sharia, a lei islâmica. “Vivíamos há oito anos sob ameaças, tínhamos proteção, mas não há nada que se possa fazer contra bárbaros que invadem com Kalashnikovs”, disse o advogado da revista, Richard Malka, após o atentado. “A revista apenas defendeu a liberdade de expressão, ou simplesmente a liberdade”.

 

 

 

Reprodução

"100 chicotadas se você não morrer de rir", diz desenho à esquerda.
Cartum à direita diz: "Amor mais forte que o ódio".

 

 

 

Embora, os radicalismos do mundo islâmico fossem uma constante nas sátiras da revista, não se pode dizer que fosse uma publicação anti-islâmica. De suas graças, também eram vítimas os cristãos, notadamente os católicos, os políticos, os grupos de extrema-direita da França e as celebridades em geral. Em resumo, todos cujas atitudes tinham repercussão pública e que mereciam o riso geral.

Fundada em 1970, a Charlie Hebdo teve sua publicação suspensa entre 1981 e 1992, por problemas financeiros. Em sua volta continuou sobrevivendo com dificuldades e tem uma tiragem semanal de 30 mil exemplares. Sua edição de maior sucesso, a que trazia as famosas charges do profeta Maomé, vendeu 400 mil exemplares. A edição desta quarta-feira fatídica, já está esgotada. A reportagem de capa é uma resenha do livro Sumission, do escritor Michel Houellebecq, que trata justamente da iminência do domínio da Europa pelo islamismo.

Solidariedade
O presidente da França François Hollande compareceu ao local da chacina logo após o atentado. Em entrevista, afirmou que vários outros atentados terroristas foram frustrados na França nos últimos dias. E fez um resumo da história: “Um ataque foi cometido contra um jornal, contra jornalistas que sempre quiseram mostrar que podiam agir, na França, para defender suas ideias. Havia policiais para protege-los. Eles foram mortos covardemente. Onze pessoas estão mortas, quatro feridas  em estado grave. Outras 40 pessoas se salvaram”. O governo elevou ao grau máximo a estado de segurança em Paris.

Também se manifestaram sobre o atentado o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; a chanceler alemã, Angela Merkel; o primeiro-ministro britânico, David Cameron; o presidente da Rússia, Vladimir Putin; e a presidente do Brasil Dilma Rousseff. “Esse ato de barbárie, além das lastimáveis perdas humanas, é um inaceitável ataque a um valor fundamental da sociedades democráticas: a liberdade de imprensa”, disse a presidente, em nota.

 

 

 

Reprodução

"Não se deve zombar", ironiza a revista.

 

 

 

Liberdade de expressão
A Charlie Hebdo foi processada em 2005 por grupos islâmicos radicados na França, logo após a publicação das charges do profeta Maomé, sob a alegação de "incitar o ódio contra os muçulmanos" e de "abusar publicamente de um grupo de pessoas devido à sua religião".

Em 2007, a Justiça francesa absolveu a revista. O tribunal considerou que o Charlie-Hebdo não teve intenção de insultar a comunidade islâmica com as caricaturas.Para o tribunal, as charges publicadas pelo semanário se enquadram na categoria da liberdade de expressão e não constituíram um ataque ao islã de maneira geral. "Os limites aceitáveis da liberdade de expressão não foram transpostos e as imagens contenciosas fazem parte de uma discussão que é do interesse geral", disse o tribunal.

A Grande Mesquita de Paris, a Liga Islâmica Mundial e a União de Organizações Islâmicas Francesas (Uoif) processaram a revista pela publicação de duas das charges dinamarquesas e uma própria.Grupos muçulmanos disseram que a charge mostrando uma bomba no turbante do profeta Maomé equivale a tachar todos os muçulmanos de terroristas, assim como teria feito a charge da Charlie Hebdo mostrando o profeta reagindo aos militantes islâmicos, dizendo: "É difícil ser amado por idiotas".

Mas o tribunal disse que, embora a charge mostrando a bomba no turbante do profeta possa ofender os muçulmanos se for vista isoladamente, a imagem teria de ser avaliada no contexto do número da revista em que foi publicada, que tratava do fundamentalismo religioso. Os tribunais franceses, que observam uma separação rígida entre Igreja e Estado na esfera pública, têm repetidas vezes defendido os direitos de liberdade de expressão diante de objeções religiosas.

Maurício Cardoso

é diretor de redação da revista Consultor Jurídico.

LeandroRoth disse:
07 de janeiro de 2015 às 15:43

A esquerda brasileira deve estar se regozijando! Afinal, como Lula e Dilma já bem demonstraram, nossa esquerda ama o Ahmadinejad e o Estado Islâmico, e deve ter se sentido vingada por este ataque à "mídia golpista" que ousa debochar dos terroristas muçulmanos.
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Feliz ou infelizmente, aqui no Brasil nem precisamos de terrorismo pra matar a liberdade de expressão: o Berzoini, que acabou a de assumir o Ministério das Comunicações, já prometeu instituir a censura (sob vários eufemismos, claro). Mas é compreensível: ninguém aguenta mais essa imprensa elitista tentando impedir que a esquerda roube em paz!
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Obs.: estes terroristas islâmicos são antes de tudo extremamente COVARDES, pois atacam de surpresa alvos indefesos, homens desarmados e mulheres.

Marcos Alves Pintar disse:
07 de janeiro de 2015 às 15:59

Nada justifica atentados contra a vida ou contra a integridade física das pessoas. Mas, convenhamos. Em épocas recuadas, fazia-se uma piada ou uma charge, mas que permanecia restrita a uma cidade ou região. Hoje, uma foto qualquer ganha o mundo todo em poucas horas. Assim, essa de fazer piadinha sobre a vida privada e a religião de outras pessoas até pode estar inserida na liberdade de manifestação do pensamento e da expressão, mas quem em outra cultura se sente profundamente ofendido com tais atos em uma época na qual a informação chega aos recantos mais distantes pode de fato chegar a situações extremas. A França ganhou alguns mortos, e os radicais ganharam alguns heróis, sendo certo que é o momento de repensar essa história de ficar debochando da vida e da religião alheias na época da informação em tempo instantâneo.

Kelsen da Silva disse:
07 de janeiro de 2015 às 16:26

O povo Francês, notoriamente xenófobo, deveria logo restringir a entrada de pessoas com nacionalidades ou religiões indesejadas por eles. Fazer troça da cultura e religião de um povo majoritariamente arcaico, e minoritariamente fanático e extremista dá nisso. Note-se: basta uma parcela ínfima de fanáticos para fazer um grande estrago. Num mundo de cabeças idiotizadas, fazer o humor como o jornal em questão é um grande risco.

J. Ribeiro disse:
07 de janeiro de 2015 às 18:01

A revista Charlie Hebdo, muito parecida com o que tínhamos por aqui "O Pasquim", que satirizava dogmas e preconceitos absurdos, mais especialmente religiosos e políticos.
A França é dos franceses e quem lá se encontra deve se adequar e melhor entender a cultura local. Como já diziam os mais antigos: "em terra de sapos, de cócoras com eles".
Liberdade de expressão é uma conquista da sociedade ocidental moderna que não pode ser intimidade por atos terroristas e reacionários, ocidental, oriental ou, como abordou o comentário abaixo (satirizando), a la brasil/PT com a instituição da censura "sob vários eufemismos".

Eduardo. Adv. disse:
07 de janeiro de 2015 às 18:21

Matar não tem justificativa.
E o dever de respeito ao semelhante? Por exemplo: ridicularizar um homossexual é proibido legal e moralmente, mas fazer piada com alguém por causa de sua crença é legal e moralmente admissível?
Concordo com o MAP.
Outro exemplo? Que tal a honra da genitora atingida por palavras suaves? Certamente alguém cuidará de "dar limites" à liberdade alheia.
Quem quer respeito, há de respeitar.

GMR-GG disse:
07 de janeiro de 2015 às 19:12

É preciso ter, acima de tudo, respeito pela liberdade religiosa.
Ofender a literatura sagrada, valores , princípios, modos de vida e dogmas religiosos provoca , naturalmente, o ódio. É certo que a melhor forma de reprimir o ódio é com amor, mas - aproveitando aquilo que disse a amiga leitora aqui nos comentários, que não se cutuca a onça - em tempos de rápida informação deve-se ter atenção e cuidado com sociedades que ainda não tem nível de evolução e democracia a outras equiparadas.
Essa revista passou dos limites e a própria França deveria intervir quando necessário, porque direito de expressão existe, só que com moderação e respeito a outros valores.

Observador.. disse:
07 de janeiro de 2015 às 20:13

Dia triste hoje.Ver pela televisão pessoas com rifles automáticos, atirando em um policial já no chão, no meio de uma capital - após matarem mais de uma dezena de jornalistas - e sem encontrar reação alguma à altura.
Todos acuados em seus prédios.Alguns filmando, como está na moda hoje em dia.
Sociedades desarmadas e ensinadas (desde sempre) à não reação....se portam assim.Os lobos(armados até os dentes) e os cordeiros(torcendo para nada acontecer).
As pessoas se preocupam mais com dinheiro do que com suas próprias vidas.Muitas nem percebem o pouco valor que alguns Estados tem dado à vida humana (fora os pertencentes à nomenklatura existente).
É isto mesmo que queremos?
Meus pêsames aos familiares de todos os mortos de hoje.Jornalistas e policiais.Meus pêsames a todos que lutam pelo direito alheio de escrever o que pensam (mesmo quando estão errados).
Espero que suas mortes forcem uma reflexão sobre a natureza humana.E que escolhas temos feito em nossas vidas.
P.S. Matar porque o outro falou bobagem jamais será um ato civilizado e merecedor de qualquer tipo de discussão ou debate. Isto é jogar um manto para obscurecer o ato abominável e, de certa forma, minimizar absurdos.

WLStorer disse:
07 de janeiro de 2015 às 23:10

Liberdade de expressão sem limites versus liberdade de matar sem limites!

Espartano disse:
07 de janeiro de 2015 às 23:14

"Liberdade de expressão não abrange o direito de fazer piada." = "Não que eu esteja defendendo o estuprador, mas também quem mandou sair usando mini saia, né?"

Espartano disse:
07 de janeiro de 2015 às 23:14

"Liberdade de expressão não abrange o direito de fazer piada." = "Não que eu esteja defendendo o estuprador, mas também quem mandou sair usando mini saia, né?"

Veritas veritas disse:
07 de janeiro de 2015 às 23:52

A única resposta aceitável é que haja uma chuva de charges utilizando-se a imagem de Maomé, de preferência em todos os jornais, para deixar claro que os valores da liberdade ocidental não serão obscurecidos por fanáticos que vivem com a cabeça no séc. VII, mas não dispensam as benesses de viver nos países ocidentais.

Rivadávia Rosa disse:
08 de janeiro de 2015 às 08:47

O Livro Sagrado do Islã: considera a vida humana sagrada.

Diz o Alcorão: "Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na Terra, será considerado como se tivesse assassinado toda humanidade.” (C 5 - V 32). O profeta Mohammad, a quem foi foi revelado o Alcorão pelo anjo Gabriel, arremata: "Para Deus acabar com o universo todo é mais fácil do que testemunhar o derramamento de sangue sem justiça".

O remédio ‘caseiro’, antes de voltarmos à Lei de Talião:

Vim vi repellere licere – a violência pode ser repelida com violência – segundo as Pandectas (compilação jurídica, constituída de cinqüenta livros, elaborada no século VI por ordem do imperador romano Justiniano, também conhecida por Digesto).

Carlos Crede disse:
08 de janeiro de 2015 às 09:44

Terroristas se regozijam com atos impensados de pessoas que se dizem liberais e democratas, não atacar a religião de outros povos é uma forma de se evitar problemas . Acredito eu que nenhum cristão gostaria de ver figuras depreciativas de nosso maior símbolo de fé, Jesus Cristo, por mais liberais que sejamos. Ódio alimenta ódio, religião futebol e politica não devem ser assuntos levados as ultimas consequências e isso já era dito pelos antigos , não seria melhor refletirmos sobre isso ?

Zé Machado disse:
08 de janeiro de 2015 às 09:59

Em lagoa que tem piranhas, jacaré deveria nadar de costas! O próprio Voltaire levou uma surra de um nobre no uso do direito de expressão. Parece que a França se esqueceu que o mundo agora está globalizado, mas não tanto desenvolvido socialmente como os franceses. Vivemos em um mundo cão onde tudo é possível acontecer; portanto, cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém!

Zé Machado disse:
08 de janeiro de 2015 às 09:59

Em lagoa que tem piranhas, jacaré deveria nadar de costas! O próprio Voltaire levou uma surra de um nobre no uso do direito de expressão. Parece que a França se esqueceu que o mundo agora está globalizado, mas não tanto desenvolvido socialmente como os franceses. Vivemos em um mundo cão onde tudo é possível acontecer; portanto, cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém!

Luiz08João disse:
08 de janeiro de 2015 às 10:30

NÃO SOU CHARLIE. Me desculpem os amigos capturados pela pauta da PIG internacional. SOU PASQUIM, JAGUAR, HENFIL, MILLOR...

Boris Antonio Baitala disse:
08 de janeiro de 2015 às 11:07

Liberdade de expressão, não é debochar dos entes de adoração dos povos. Revides não acontecem, quando a liberdade é expressada com respeito. "Quem planta ventos, colhe tempestades".

José Carlos Silva disse:
08 de janeiro de 2015 às 11:12

Me causa estranheza, sinceramente, a repercussão que este caso está tendo. Não quero menosprezar o incidente nem a dor de ninguém, mas quantas mortes ocorrem POR DIA somente no Rio de Janeiro por conta da violência - chacinas de Acari, da Candelária, de Nova Iguaçu? E quanto as CENTENAS DE MORTES ocorridas nas Guerras Civis, como na Síria e na África? Ao que me parece o assassinato de mais de CEM CRIANÇAS por também terroristas teve menos repercussão do que os DOZE mortos na França. Não me recordo de tantos líderes mundiais se manifestando contra o assassinato de mais de CEM CRIANÇAS. Não me lembro de líderes muçulmanos condenando o ataque (posso estar enganado, pois não acompanho de perto o noticiário diariamente). Então, qual a razão de tanta repercussão? O fato de serem DOZE, de serem jornalistas, ou o fato de ter ocorrido em país de "primeiro mundo"? Algo está estranho.

Junior17 disse:
08 de janeiro de 2015 às 11:30

O respeito continua sendo uma via de mão dupla e o radicalismo não é resposta para se defender de agressões maquiadas na liberdade de expressão. Sempre atual o pensamento de Voltaire:"Posso não concordar com o que você diz mas defenderei até o final o seu direito de apenas poder dizê-la". Antes de sermos Charlie Hebdo, somos todos seres humanos imperfeitos e precisamos lembrar que existiram momentos na história da humanidade onde UMA CANETA também já matou milhares de pessoas e que na mão pessoas despreparadas, políticos por exemplo, faz sofrer uma sociedade inteira. Me manifesto contra qualquer tipo de agressão, sejam as promovidas por armas ou canetas. Os dois lados de uma mesma moeda - LIBERDADE E RESPONSABILIDADE.

isabel disse:
08 de janeiro de 2015 às 12:03

José Carlos Silva e outros que me precederam na percepção

Pelo menos aqui neste espaço vejo várias manifestações que colocam em dúvida a magnitude do ocorrido , que mais parece um golpe da grande mídia internacional. A frase que não me sai da cabeça deste o ocorrido e sua fantástica repercussão : "será para tanto ?" .... de fato, diante das chacinas diárias , não entendi . Neste sentido, faço minhas as palavras do comentário de José Carlos Silva. E me pergunto ainda : não será mais um argumento que a direita internacional irá se apossar para justificar sua xenofobia e ódio às minorias como fez os EUA depois do 11 de setembro ? A pensar....

Observador.. disse:
08 de janeiro de 2015 às 12:28

Talvez seja o símbolo do atentado, o fato que tenha causado tamanha repercussão que a espantou.
Mortes, desprezo à vida alheia...sempre fez parte da natureza humana.Desde priscas eras.
Apesar disto, acredito que estamos sempre torcendo para o ser humano evoluir. Nos prendemos aos símbolos desta evolução que alguns chegam mais perto do que outros.
Quando Hitler mandou queimar livros....Ali estava um símbolo de que, talvez, naquele momento, estivéssemos regredindo como civilização (e estávamos).
Quando matam alguém (o outro comentarista não falou nos policiais que foram mortos...talvez em ato falho por alguns acharem natural a morte de policiais) por este alguém escrever ou desenhar algo que incomoda alguns, novamente nos confrontamos com um símbolo sangrento de como evoluímos em tecnologia mas alguns em nada evoluem como seres humanos.
Basta ver o número de mortes aqui no Brasil, maior que todos os casos citados (inclusive a guerra na Síria) e que comove pouco ; se comovesse a todos, já teríamos mudado algo para impedir que tal absurdo grotesco continue fazendo parte da paisagem.
Ao menos em alguns países no chamado primeiro mundo, 10 mortos já causam indignação.
Aqui nossos 60.000 são mera estatística para alguns, enquanto o sistema acha que nossas leis, códigos e forma de exercer a Justiça estão ótimos.
Dizem que o conceito de loucura é querer resultados diferentes fazendo a mesma coisa.Isto explica muito sobre nosso Brasil.
Sobre a França...fica o meu pesar.Que peguem os criminosos e que se faça (ao menos por lá) justiça.
O resto é retórica de quem sempre quer desviar os absurdos que acontecem, jogando outro assunto na questão, procurando, ao fim e ao cabo, minimizar e relativizar tudo.

San Juan disse:
08 de janeiro de 2015 às 20:54

Li comentários que vinculam a fortíssima reação das instituições mundiais pelos assassinatos provocados por fanáticos islamitas na Charlie Hebdo, comparando-os à morte de milhares de pessoas por doenças e/ou miséria no mundo todo que não merecem a mesma atenção. Não faço essa comparação, acredito que se trata de assuntos diferentes: os governos estão se unindo para evitar o avanço de um tipo de terrorismo religioso do tipo que está em pauta e, também, prevendo a reação que certamente ocorrerá por parte das sociedades afetadas. Esse tipo de conflito difere do conflito armado declarado entre forças A, B ou C, pois é anônimo e surge silenciosamente do nada. O mundo está frente ao maior problema deste século, o da destruição da sociedade por ele própria.
Com relação ao "humorismo" da revista, defendido pelos médios de comunicação como a liberdade de expressão que é patrimônio do indivíduo, creio que a burla sobre deuses, profetas e outros membros das mais diversas religiões transforma-se em grave ofensa para os seus crentes. Sem discordar em absoluto no direito de expressão, não vejo que esse tipo de humor seja necessário e muito menos inteligente, diria que chega a ser grotesco que uma revista humorística não tenha a criatividade suficiente para evoluir com sucesso sem pisar nesse terreno fútil. Opinião e burla são coisas diferentes.

Esmael Leite disse:
09 de janeiro de 2015 às 15:23

A questão religiosa sempre vai provocar este tipo de violência, é uma questão delicada, tem valores que estão alem da razão, o achincalhe a estes valores provocam fortes reações, na maioria as vezes irracionais, queiramos ou não, eles sabiam disto ha anos e continuaram as provocações, pessoalmente sou contra qualquer fanatismo e me sinto horrorizado com este tipo de atitude por parte de radicais do islamismo e de outras religiões. Ha uns tempos atras um Bispo da Igreja Universal quebrou uma imagem de um ícone da Igreja Católica e quase começou uma guerra religiosa no Brasil, durante dias Templos da Universal foram apedrejados e vandalizados em diversas regiões do Brasil, foi preciso muito trabalho para abafar o caso, este tipo de ação todo muno sabe como começa, mas não como e quando acaba, convém lembrar que o artigo 208 do Código Penal prevê com crime vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso, em tese, o mero compartilhamento de charge acima é crime previsto no código penal brasileiro, outra coisa interessante é que por muito menos, milhares de pessoas foram torturadas, queimadas vivas, mortas pelas mais diversas e cruéis formas pela nossas Pias Igrejas cristãs (católica e Protestante). Infelizmente como sociedade, ainda estamos na idade da pedra, onde a Paz só é possível quando se submete à coação e à violência, enganam-se aqueles que pensam que estamos salvos deste tipo de atitude, temos aqui Brasil diversos tipos prontos e atuantes neste tipo de ação, a intolerância religiosa, política, de gênero, de cor, xenofóbica, social, sob o manto da arbitrariedade e outros tipos matam milhares de pessoas no Brasil todos os anos e não são mortes veladas, são escancaradas. Voltando a vaca fria, este tipo de ato que aconteceu na França é embl

AlexandrePontieri disse:
09 de janeiro de 2015 às 23:59

O maior bem de todos é a vida. Nenhuma sociedade ou religião pode aceitar algum tipo de agressão contra esse bem maior, sob qualquer argumento.

Silva Leite disse:
11 de janeiro de 2015 às 09:40

FALAR BESTEIRA OU PUBLICAR COISA ofensiva a outrem, somente para ocupar do status do jornalismo, não se traduz em liberdade de expressão e sim ofensa à dignidade e aos princípios daqueles que se acharam ofendidos. Se esta revista não tem o que publicar é melhor que feche as portas e que seus profissionais passem a respeitar, não a fé simplesmente, mas a existência, de fato, do DEUS TODO PODEROSO ao qual todos os JOELHOS SE DOBRARÃO E TODA LINGUA COFESSARÁ QUE SOMENTE ELE É DEUS.

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