Escritórios tiram apoio de congresso que traz Moro como destaque

O convite a Sergio Moro para encerrar um dos mais importantes eventos de Direito Criminal do país repercutiu mal entre advogados criminalistas. Escritórios que tradicionalmente patrocinavam o Seminário Internacional de Ciências Criminais retiraram o apoio financeiro do evento. As bancas Malheiros Filho, Meggiolaro, Prado Advogados e Oliveira Lima, Hungria, Dall’Acqua & Furrier Advogados cancelaram formalmente o patrocínio ao evento, que está em sua 21ª edição.

O juiz federal Sergio Fernando Moro, que tem ganhado os holofotes por conduzir os processos da operação “lava jato”, vai participar da mesa de encerramento do congresso, que vai de 25 a 28 de agosto. Na mesma mesa, falarão Lenio Luiz Streck e Renato de Mello Jorge Silveira, ambos advogados e professores. Anteriormente, o professor e criminalista Juarez Tavares compunha a mesa, mas retirou seu nome.

O presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), organizador do evento, Andre Kehdi, vê com naturalidade a discordância. Segundo ele, por fomentar o debate sobre Direito Criminal entre advogados, juízes e promotores — não representando especificamente uma classe — o instituto costuma ter discussões acalorados sobre as posições que toma. Ele conta que 94 entidades foram convidadas a apoiar o evento.

Marcos Alves Pintar disse:
08 de maio de 2015 às 19:49

A pirotécnica de Moro é para o povão, e não casa com discussão acadêmica. Fizeram bem os escritórios em retirar o apoio.

Professor Edson disse:
08 de maio de 2015 às 20:11

Pirotecnia é o campeão da corrupção no mundo ter 700 mil presos e nem meia duzia de corruptos condenados e presos.

deffarias disse:
08 de maio de 2015 às 21:15

Bobagem! Os escritórios mostraram que não são profissionais. Não são eles os primeiros a dizer que não se confundem com os clientes, quando defendem facínoras? Pois é, estão levando isso para o lado pessoal. É igual advogado de partido político que vira militante também. Quando tem poderoso e endinheirado na história, infelizmente, tem gente que vende a alma e a reputação.

deffarias disse:
08 de maio de 2015 às 21:21

Li de novo a matéria e custo a acreditar nisso. Amadores de grife! Que falta de senso de grandeza, a ponto de um deles ter cancelado a participação para não compartilhar da mesa, como se o juiz fosse um leproso.

WLStorer disse:
08 de maio de 2015 às 21:51

Estão com medo? É só um congresso e cada um expõe e defende seu posicionamento. Fala-se tanto de Estado Democrático de Direito, mas...

Marcos Alves Pintar disse:
08 de maio de 2015 às 22:31

É sempre muito difícil lidar com fanáticos. Pior ainda é convencê-los de algo. Mas, de qualquer forma, vai lá. Aqui mesmo na CONJUR foi postado há alguns meses um vídeo contendo uma gravação realizada em uma audiência conduzida pelo Juiz Federal Sergio Moro. O video mostra o advogado Nelio Machado expondo ao juiz-pop-star que eles (advogados) tiveram acesso aos documentos do processo no final da noite do dia anterior e, varando a madrugada estudando-os não conseguiram chegar nem na metade. Não havia como a advocacia acompanhar a audiência, que iria ouvir uma das testemunhas (ou acusado, não me lembro). Nelio chegou a dizer que, nem mesmo nos períodos mais sombrios da Ditadura Militar, tinha visto algo semelhante. Somente este fato é suficiente para que a advocacia (estou falando aqui da verdadeira advocacia) se retire de qualquer evento que tenha como participante juiz que não respeita as prerrogativas da classe. Claro, fanático não tem dignidade, nem princípio, e pouco se importa com isso. Mas o recado aqui está dado. Sob meu ponto de vista, com exceção daqueles que há havia assumido o compromisso de compor as mesas, todos os demais advogados que comparecerem a esse evento não honram minimamente a profissão que abraçaram.

isabel disse:
08 de maio de 2015 às 22:54

é dever legal do advogado , sob pena de incorrer no crime de "patrocínio infiel " defender destemidamente seu cliente e não admitir que seus direitos sejam lesados . Assim não nos é facultado transigir com a magistratura quando este se mostre dispôs a ignorar os direitos dos que defendemos ...outra não poderia ser a atitude de dignos advogados .

Eduardo. Adv. disse:
08 de maio de 2015 às 23:40

Nem tanto pela primeira razão, mas talvez por pura precaução.
Se até no Conjur vemos "operadores" do Direito confundindo as coisas, então não iriam dizer que os defensores (que retiram o patrocínio a tempo) estariam tentando amenizar a atuação do magistrado por meio (então começa a ladainha do "pode não ser ilegal, mas é...) imoral...?

Ariosvaldo Costa Homem disse:
09 de maio de 2015 às 00:41

Parabenizo o Professor e criminalista Juarez Tavares por ter retirado seu nome para a composição da mesa de encerramento da 21a. edição do Seminário Internacional de Ciências Criminais. Parabenizo também as bancas Malheiros Filho, Meggiolaro, Prado Advogados e Oliveira Lima, Hungria, Dall’Acqua & Furrier Advogados que cancelaram formalmente o patrocínio ao evento. Aqueles que não respeitam a Defesa devem ser alijados pelos verdadeiros advogados do meio acadêmico. DPF aposentado.

Flávio Marques disse:
09 de maio de 2015 às 11:49

É ridícula (para não dizer coisa pior que me vem em mente, pois, assim, o meu comentário seria inapropriado e, por consequência, negada a sua postagem pelo CONJUR) a posição desses escritórios!!! Isso é uma demonstração clara da "não aceitação do outro", como bem disse o Ministro Barroso em sua famigerada discussão com o Ministro Joaquim Barbosa. Ou seja, se for para dizer aquilo que quero ouvir, ótimo, seja bem-vindo! Agora, pensar diferente, diverso do que penso... é um dispare!!! Morte aos dissidentes! É isso que tais escritórios e certos criminalistas pensam. Esquecem-se que a democracia é isso mesmo: a pessoa ter a livre concepção e expressão do que pensa. Não se está obrigado a aceitar as ideias divergentes; entretanto, esses ditos advogados tentam cercear a livre manifestação quando tomam tais atitudes mesquinhas. HIPOCRISIA pura! Pois defendem a manifestação, o direito de dizer o que quiser...mas, desde que seja dito aquilo que querem ouvir! Eles entendem, ou melhor, têm plena convicção de que as suas posições são verdades absolutas e irrefutáveis, razão pela qual se torna impensável alguém tentar sustentar algo em contrário - ainda que esse "algo" tenha, ou não, fundamento. Esses advogados são verdadeiros "doutos sapientes": tudo sabem, nada erram!!!

LeandroRoth disse:
09 de maio de 2015 às 12:19

Reação corporativista ridícula.
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A função do advogado é defender seu cliente nos termos da lei e da Constituição, e não ficar fazendo birra com juízes rigorosos.
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O juiz Moro desrespeita a lei? Pra isso servem os recursos, habeas corpus, o CNJ, a Corregedoria, etc.
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Essa implicância tola contra Moro e Joaquim Barbosa só expõe e infantilidade corporativista da advocacia criminal e reforça a sensação de que os advogados acabam se confundindo com os criminosos que defendem.

Marcos Alves Pintar disse:
09 de maio de 2015 às 14:59

Já que falou em recursos, prezado LeandroRoth (Oficial de Justiça), responda-me uma pergunta: quando será julgada a exceção de incompetência levantada em face à Vara na qual tramita a famigerada ação penal intitulada de "Lava Jato". Todo mundo sabe que a exceção foi interposta, E NÃO FOI JULGADA, e se amanhã ou depois for julgada procedente determinara a nulidade de tudo o que foi feito. A

Willson disse:
09 de maio de 2015 às 16:51

Fosse eu o cliente, o quem paga os honorários advocatícios que sustentam os escritórios de advocacia e seus proprietários, não gostaria que tais recursos patrocinassem holofotes para um juiz cuja conduta, digamos, paladina, diante dos reus, nao é la uma unanimidade. Democracia. Nesse caso, a questão não é de corporativismo, mas de não misturar agentes que parecem estar visivelmente, em lados opostos.

carpetro disse:
09 de maio de 2015 às 17:16

Se eles fossem inteligentes, continuariam a apoiar cada vez mais o Juiz Moro, pois ganhariam - e continuariam ganhando! - vultosos honorarios em cima da atuação dele...

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