A história do julgamento de um cachorro na Flórida vem sendo contada pela imprensa americana com todos os ingredientes jurídicos da vida real dos humanos nos tribunais do país. O juiz Andrew Owens Jr. vai decidir nas próximas semanas sobre a constitucionalidade de uma lei estadual da Flórida, que prevê pena de morte para cachorros “perigosos”.
Se ele decidir que a lei é constitucional, o cachorro Padi irá para o corredor da morte, e será sacrificado. Se declarar a lei inconstitucional, Padi será um cachorro livre. Isto é, será colocado em liberdade condicional.
As mesmas teses e argumentos que são tradicionalmente usadas em processos de pessoas estão agora sendo invocadas em favor do bicho: legítima defesa, atenuantes, liberdade condicional, direito ao devido processo legal, entre outros.
Padi, um labrador misto, que vive com seu dono, o veterinário Paul Gartenberg, em Bradenton, no Condado de Manatee, na Flórida, estava detido no serviço de controle de animais da cidade desde agosto. Mas o juiz decidiu, na quarta-feira (4/11), que ele pode aguardar a sentença em prisão domiciliar.
O cachorro, que foi maltratado pelo antigo dono e morou na rua, mordeu a orelha de uma criança de quatro anos, em junho. Segundo o veterinário, ele tinha o costume de se refugiar debaixo de sua mesa, quando estava com medo. E foi justamente lá que a criança foi brincar com ele. Padi teria resistido à “investida” da criança com uma mordida. Para corrigir o dano, a criança está sendo submetida a três cirurgias, que incluem reconstrução de parte da orelha.
A lei da Flórida estabelece que qualquer mordida que cause mutilação, mesmo que exija apenas pontos para fechar a ferida, é considerada “grave”. Nesse caso, o cachorro será classificado, automaticamente, como “perigoso”. Isso feito, as autoridades do serviço de controle animal tem poder irrestrito para ordenar a execução do cachorro.
O advogado Charles Britt, que representa o veterinário, argumenta que Padi pode ser executado sem ter “antecedentes criminais” — isto é, nunca foi antes classificado como “perigoso” — e sem que circunstâncias atenuantes sejam levadas em consideração.
Instinto animal
A criança teria, inocentemente, provocado o cachorro. Mas o advogado diz que a reação foi por instinto de defesa de um animal que já viveu acuado na vida e se sentiu ameaçado. “A lei priva os donos de cachorros de seu direito constitucional ao devido processo substantivo”, disse o advogado. “Por isso, ela é inconstitucional”, ele afirma.
Consultado pela imprensa, o procurador-chefe do Condado de Manatee, Robert Eschenfelder, declarou que as duas partes já se convenceram, em boa-fé, que a lei é inconstitucional. Por isso, há uma boa chance de o juiz chegar à mesma conclusão.
Os donos de animais de estimação têm, por enquanto, o direito a uma audiência com o juiz. O advogado disse à imprensa que vai dizer ao juiz que o cachorro agiu em legítima defesa e que tem direito à liberdade de acordo com a discutida lei da Flórida, a “Stand Your Ground Law”. Essa lei concede a qualquer pessoa o direito de matar se se sentir ameaçada, em qualquer lugar. E que a condenação à pena de morte é uma punição cruel, proibida pela Constituição.

Padi seja devolvido a seus donos
Todos por Padi
O caso de Padi causou comoção popular, em vista da ampla repercussão nas redes sociais. Uma página da campanha "Free Padi" ("Libertem o Padi") no Facebook reúne mais de 26 mil simpatizantes. O site www.freepadi.com também divulga material de apoio à "absolvição" do cachorro.
A mobilização levou o deputado republicano Greg Steube, que representa a área, a apresentar na Assembleia Legislativa do estado um projeto de lei que suaviza a “lei do corredor da morte para cachorros”, como é conhecida.
Se aprovada, a lei irá estabelecer que as autoridades deverão levar em conta “a natureza e as circunstâncias do caso, o dano físico à vítima, bem como a probabilidade de o cachorro voltar a ameaçar a segurança, a saúde e o bem-estar do público”, antes de sentenciar a pena de morte para um animal que não foi declarado “perigoso” anteriormente.
Pena de morte
A Flórida é o estado com o maior conjunto de leis que autorizam penas de morte no país. É o quarto estado que mais manda réus para o corredor da morte, só perdendo, pela ordem, para o Texas, Oklahoma e Virgínia. A Flórida executa sete vezes mais pessoas do que a Califórnia, um dos maiores estados do país, e 394 pessoas estão, atualmente, no corredor da morte.
A sentença de homicídio na maioria dos estados é de prisão perpétua, a não ser que haja fatores agravantes. Em quase todos os estados, 12 jurados precisam identificar a existência de fatores agravantes; dois estados preveem de 10 a 12 jurados.
Na Flórida, apenas uma maioria simples dos jurados pode determinar a existência de fatores agravantes. E eles não precisam relatar que fator agravante foi reconhecido. Assim, o réu nunca sabe, realmente, por que foi mandado para o corredor da morte.
Se o júri não descobrir fatores agravantes, o que eliminaria a sentença de pena de morte, o juiz pode, simplesmente, ignorar a recomendação do júri. E mandar o réu para o corredor da morte, com base apenas em suas convicções e em sua decisão. Nesse caso, ele vê a recomendação do júri apenas como uma recomendação, que ele pode seguir ou não.
Realmente nada como morar num Pais que pode se dar ao "luxo" de discutir coisas deste calibre. Se fosse aqui os "divogadios" iriam alegar que o seu "criente" é inocente e que não existem provas contra ele , vasculhariam a vida da criança para saber de falhas no colégio , finalmente o cachorro seria sentenciado a 123 anos de cadeia por lesões corporais culposas e cumulativas. Como aqui NINGUEM pode ficar mais de 30 , o Totó já estaria no lucro.Por bom comportamento na cadeia e outros penduricalhos jurídicos , em menos de 5 anos estaria solto e de cara já faria xixi no primeiro poste na saída do presidio , tudo devidamente monitorado por uma "coleira" eletrônica.
Em compensação no Brasil acidentes ate piores ficam por isso mesmo e no máximo algumas cestas básicas de compensação. Nossa legislação é frouxa nesta área senão mesmo totalmente omissa. No Brasil também temos acidentes com cães criados para rinhas , pit-boçais que andam nas praias com cães perigosíssimos sem coleira e nossa PULIÇA nunca faz nada.
Que diferença na abordagem ! Como la é nos "States" , creio que a pressão popular consiga sobrepujar a vontade do Dotô Juiz de mandar o Labrador para a "fabrica de sabão" , Pais rico é outra coisa , Pais miserável e bem complicado....
Mas que pensamento. O animal age por instinto, não pensa como ser humano. Não deveria ser punido. A culpa seria do dono, que não teve o cuidado em vigiar o animal, já que ele é quem sabe dos perigos que o animal pode causar.
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