Patrulhamento ideológico na educação traz consequências e perigos

Têm sido frequentes, aqui e ali, as manifestações classificando de doutrinadores e ideologizantes os rumos que a educação pública no Brasil vem adotando, seja por meio de livros didáticos, seja por conteúdos curriculares, seja ainda pelo posicionamento de professores em sala de aula. Estes costumam ser chamados de tendenciosos e vistos como profissionais que pretendem incutir uma determinada visão de mundo em seus alunos. Chamam a isso de ideologização do ensino, e frequentemente atribuem essa “tendência” a algo vago e impreciso que estaria associado à influência do marxismo sobre os educadores de maneira geral.

Aqui é preciso, inicialmente, propor uma correção de termos. Com a palavra “ideologização”, os críticos dessa “educação doutrinadora esquerdizante” devem querer expressar o sentido da inculcação de uma ideologia a alguém, no caso os estudantes indefesos. Só que o vocábulo ideologia possui uma significação diversa da pretendida. Ideologia quer dizer, na verdade, uma versão, a propósito de fatos e coisas da vida em sociedade, capaz de incutir, naquele que sofre as piores consequências desses fatos e coisas, uma falsa ideia de que essa é a melhor forma de o mundo andar. Que, apesar das inconveniências e eventuais injustiças, o modelo de sociedade adotado é o que melhor atende às necessidades de todos e ainda que, se porventura alguns não se dão bem assim, é certamente porque não fizeram adequadamente a sua parte, não se esforçaram o suficiente, ou não confiaram na vida para a qual se encontravam predestinados. Assim visto, o sentido da palavra ideologia claramente refere-se, isto sim, a uma descarada técnica de dissimulação, por meio da qual aqueles que exercem domínio sobre outros, em qualquer esfera da vida social, escamoteiam desses outros o fato de que entre eles existe uma relação de dominação. É a ideologia que se encarrega — e consegue — fazer parecer que, entre todos, o que existe é nada mais do que uma justa igualdade.

Ora, se ideologia é isso, o termo ideologização só pode significar a propagação de uma ideologia. Mas, considerando o sentido da palavra ideologia, essa propagação há de querer dizer a disseminação de uma mentira, tendente a esconder a dominação daqueles que são dominados. Pois bem, se os professores “influenciados pelo marxismo”, de que nos falam os críticos da tal “educação ideologizante”, procuram, ao contrário disso, justamente demonstrar aos dominados que o modelo social vigente os oprime, e lhes explicar porque isso acontece, então tais mestres podem estar fazendo tudo, menos ideologizando. Porque, em vez de estarem mentindo, estão é abrindo os olhos dos seus alunos.

E não pode mesmo ser outra a função do mestre. O bom mestre há de ser um educador. Educador é o mistagogo: figura da Grécia antiga, significando o sacerdote que inicia o sujeito nos mistérios da religião. É quem lhe revela os mistérios, o que está escondido. É quem ensina o rito, desvenda o que é desconhecido. O educador conduz à leitura do mundo. Lembre-se o internacionalmente reconhecido Paulo Freire: ler o mundo, ler a vida, ler o livro, nessa ordem cronológica. “Nunca foi possível, para mim, separar a leitura das palavras da leitura do mundo…”; “a educação é política…, sustenta Freire”[1]. Sem visão da totalidade, sem pesquisa que admita haver coisas para desvendar e considere ser possível transformar o mundo, sem o educador, enfim, não se compreende o contexto em que se desenvolve a vida das pessoas em sociedade.

Aí é que está. O que pretendem os críticos de uma educação que é politizante, mas erradamente chamada de ideologizante, é que os mestres limitem-se a apresentar dados e tabelas, datas e nomes, sem os amarrar ao chão de suas origens e à sequência que afinal explica o seu papel no panorama geral que é objeto do estudo. Guerras, heróis, generais, reis e presidentes soltos no espaço de um pseudoconhecimento que jamais os contextualiza. A queda de Roma é jogada, por exemplo, como um fato desprendido de certo esgotamento do modelo escravagista que marcou a decadência do império; o nazismo alemão da Segunda Guerra, como produção de mentes doentias, sem qualquer relação com a concentração do capital e o desejo de expansionismo movido pelo objetivo de ampliar os mercados.

Na verdade, esses críticos são patrulheiros da ideologia — que esconde a realidade — e seus guardiões. Não pretendem que o educador eduque. Ao lhe negar a possibilidade de mostrar a marcha da civilização como uma sequência histórica lógica e concatenada, em que há menos heróis e bandidos e mais mecanismos impessoais de dominação, que fazem das pessoas meros executores dos impulsos de um arranjo de sociedade, essa crítica pouco fundamentada postula para o mestre a função de reproduzir a ideia padrão de que tudo sempre foi assim e assim sempre será, para o bem de todos e a glória de Deus. Sim, porque é útil introduzir Deus na jogada: trata-se de uma forma de legitimar a ideia e demonizar toda contestação. Em outras palavras, o que os críticos desejam é, sem tirar nem pôr, ideologizar. Isto é, propagar uma mentira que anule o caráter dominador do modelo de sociedade e que torne palatáveis e digestivas as brutais diferenças de oportunidades oferecidas a estes e aqueles. Em termos finais, enrolar para todos e fingir que a ciência é neutra e não resultado de um jogo de interesses em que o mais poderoso dita o que é científico. E convidar seus alunos a irem dormir pensando que o mundo é justo e a sonhar que reizinhos por aí afora, de coroa e manto, simplesmente flutuam no ar e, de quando em quando, com um mesmo gesto, determinam guerras, celebram a paz e distribuem doces.

Ora, ora, ora. E ainda há projetos de lei querendo transformar em criminoso o professor que falar de política na aula[2]. Em outro tempo, já se propôs, como diretriz curricular do ensino público no estado de São Paulo, excluir os conhecimentos de história, geografia e ciências do primeiro ao terceiro ano e manter 10% dessas disciplinas no quarto e quinto anos do ensino básico, nível no qual se ensinaria maciçamente o português e a matemática[3]. A pátria de Paulo Freire está retrocedendo. Nesse ritmo, considerando que todo projeto insano tem a magia de atrair adeptos, não vai demorar muito para alguém propor — e quem sabe aprovar — a revogação da Lei Áurea. Um professor de história do futuro, que seja um verdadeiro educador, vai ter um trabalho imenso.


[1] Inspirada no texto de Paolo Nosella A formação do educador e do professor – esboço histórico. In Os professores não erram. JARDILINO, José Rubens Lima; NOSELLA, Paolo. São Paulo: Terras do Sonhar, 2005, p. 21-71).
[2] PLC 1411/2015, do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN).
[3]  http://www.cartacapital.com.br/educacao/escolas-empobrecidas-sem-historia-nem-geografia (acesso 4/nov./2015).

Plínio A. B. Gentil

é procurador de Justiça em São Paulo, doutor em Direito e em Educação e professor universitário. Integrante do Movimento do Ministério Público Democrático (MPD). De 1986 a 1988 exerceu cargo de direção no Ministério da Justiça.

Rivadávia Rosa disse:
09 de novembro de 2015 às 10:21

Os defensores da tragédia educacional estão sempre de plantão e ativos: Paulo Freire que defendeu o “paredón” cubano passa a ser modelo de “humanista”; o carniceiro Ernesto Che Guevara é promovido a ‘ídolo’.

A liberdade de ensino/aprendizagem se encontra entre os direitos inalienáveis da pessoa humana, e atentar contra seu livre exercício – não encontra amparo no Estado de Direito, mas constitui-se um crime degradar a educação até o ponto de ficar a serviço dos interesses facciosos de um governo.

Há, criminosamente, uma ênfase numa certa “educação” orientada para o poder e, assim, destrói-se a educação e, em consequência o País pela sua orientação para o poder pela [des] educação de viés socialista que enveredou por esse caminho da tragédia.

O resultado trágico é o fracasso escolar de menores de famílias menos favorecidas – a alta evasão escolar, baixo rendimento na aprendizagem, repetição de anos e abandono do sistema educativo – que em si uma calamidade.

Nessa [des] educação de tendência comunista há o que se pode chamar de impostores da cultura, movidos à doutrinação ideológica e aí temos a gênese da miséria da impostura moral.

E, comete-se descaradamente o maior crime contra a cidadania e a Nação pela degradação da educação, sobretudo da pública, até o ponto de ficar a serviço dos interesses facciosos de uma ideologia, de um [des] governo.

Assim, o que não se pode admitir é o avanço dos impostores da educação, da cultura – inspirados na miséria ideológica, na impostura (a) (i) moral, mentira, plágio, falsidade, defraudação da história e das ideias políticas.

Felipe Lira de Souza Pessoa disse:
09 de novembro de 2015 às 11:23

A crítica que se costuma fazer não é aos professores de visão crítica, muito menos aos mestres que dão uma visão política em sentido amplo às suas aulas. A crítica que se faz é em relação à abordagem e à maneira tendenciosa de se ensinar um determinado conteúdo. Basta ir a uma faculdade de História ou Sociologia do Brasil para se perceber que muitos conhecem Marx, Weber, Baumann, mas ninguém se interessa por autores de um viés crítico-político diverso como René Girard ou Hayek. Então, em nenhum momento os críticos defenderam uma abordagem apolítica das ciências humanas, a questão está no viés interpretativo e na abordagem predominante, que negligencia outras visões de mundo e outras alternativas de análises. Postura essa, inclusive, pouco científica na medida em que se fecha para outras ideias. Vamos colocar a questão nos seus devidos termos.

Villela disse:
09 de novembro de 2015 às 12:24

Com as devidas vênias, discordo integralmente do texto.
A uma, patrulhamento ideológico quem faz é a esquerda;
A duas, a vertente marxista é um fato nas escolas;
A três, nossos estudantes, antes de mais nada, têm que saber o básico: português e matemática; a partir de então, podemos avançar para outras áreas do conhecimento;
A quatro, desconheço uma escola, por exemplo, que aborde os benefícios proporcionados pelo sistema capitalista, embora reconheça suas falhas;
A cinco, tema como o cognominado "ideologia de gêneros", por exemplo, interessa a quem? Respeitar opções ideológicas, sexuais, etc, é um imperativo categórico, não pela opção em si, mas por se tratar de um ser humano ao qual todos devemos, em reciprocidade, dignidade. A escolha de cada um é livre para fazer o que bem entende. Isso terá sempre meu respeito, observada a reciprocidade, repito.
Assim, tenho que a escola é um santuário que não pode servir ideologias da ora. Em nenhum hipótese.

wellzer0 disse:
09 de novembro de 2015 às 12:24

Negar um fato. É essa a empreitada do texto que acabei de ler. Mas um fato, para mal dos pecados de alguns solipsistas, será sempre um fato!

O marxismo cultural é objeto de estudo, e deve ser muito bem analisado antes de ser abordado. No mínimo, ao autor do texto, com todo respeito, sobrou preguiça ou faltou honestidade intelectual. Prefiro acreditar no primeiro.

Façamos um exercício simples. Quantos autores de viés conservador são trazidos a lume em sala de aula, quantas vezes ouvimos falar em Mises (um liberal), em Burke, Maistre? NUNCA, pois aprendemos desde sempre, que o conservador é um assecla de satã, enquanto o revolucionário é um cristo da nova era, tão injustiçado quanto.
Apenas impulsionado pela curiosidade e sede de conhecimento, é que o jovem estudante terá acesso à verdade real, a saber, que não existem santos, e que fuzilar seus opositores apenas pela sua opção em discordar, não é um hábito exclusivo dos yankees!

Mas quantos jovens são incentivados a isso? Acaso haveriam de ser? Somos doutrinados religiosamente a acreditar cegamente que Pandora abriu a caixa com a mão DIREITA!

Graças a Deus, a preguiça nunca me assolou.

Marxismo cultural é um fato, e o texto do nobre procurador, cujo conteúdo ouso discordar, É UMA EVIDÊNCIA DE SEUS EFEITOS.

Ps: Espero não ser fuzilado.

Paulo B. Bomfim disse:
09 de novembro de 2015 às 15:47

Salve, professor!
Entendo teu ponto de vista e que o professor, de verdade, tem a função de, além de transmitir o conhecimento, questioná-lo, sem, no entendo, limitar, do aluno, a visão sobre o todo.
Fosse eu um aluno normal, amante de notas altas e beijos e abraços do professor, teria saído do ensino fundamental e do ensino médio achando que os europeus haviam aprendido os caminhos para encontrar tribos africanas para trazerem negros ao Brasil. Jamais saberia, por exemplo, que os escravos eram fornecidos aos escravagistas por outros negros, de tribos diferentes, que comercializavam seus iguais. Ou, por exemplo, que boa parte dos índios que foram dizimados na América, o foram por guerras entre povos indígenas.
Quando se fala de patrulha ideológica, se quer dizer: nas escolas brasileiras, há muito, ensina-se somente uma visão de mundo - a do dominado e do dominante. E sempre pelo viés anti-liberal, como se o mundo fosse uma coisa simples, dividido entre o maldoso capitalista e o bondoso "povo como ele seria sem o capital", imaginado por Rousseau, quando, na verdade, o mundo é uma mistura, às vezes horrenda, de interesses particulares de grupos que hora são dominados, hora dominam.
Para essa visão, Zumbi dos Palmares era um dos heróis nacionais, perfeito e incorruptível. Para o mundo como ele é, Zumbi tinha escravos em seu quilombo.
Dizer que Zumbi tinha escravos não diminui em nada o que ele deveria representar. Só coloca as coisas como as coisas são e nos dá substratos para entendermos como as coisas ocorreram.
Eu, por exemplo, fui vítima de uma professora me mandou ler um livro de um notório desinformado: Stédile - A questão agrária no Brasil. Li. Ela não pediu que lêssemos nada contrário.
Grande abraço!

Observador.. disse:
09 de novembro de 2015 às 19:16

A pessoa escrever um texto para negar um fato, claro para qualquer um que não esteja de acordo com a ideologia que querem empurrar para os brasileirinhos de escolas públicas.
Reféns de sindicatos, o que se pode esperar?
Querem um povo refém, perdido, desconhecendo fatos históricos e, não sendo ensinados a pensar, aceitar o Deus Estado a ditar o que é bom?! para o seu destino.
Só que o povo está começando a ver, no seu dia-a-dia, o preço que é cobrado quando há mentira, imoralidade, má gestão pública e pouco investimento em uma educação que de fato ensine e não uma que se preocupe, através da militância, em obter novos quadros.
Quem se preocupa, de fato, com o povo, o quer altivo, livre e bem educado.Um povo que pense e não um que seja manipulável.
Estes anos todos de ideologização e banalização do ensino (em quase toda América Latina) nos jogaram "De volta para o passado".
Alugaram um DeLorean imaginário e nos levaram para os braços de Lênin, Gramsci e outros mais que NUNCA foram capazes de imaginar um mundo com tantos avanços tecnológicos, econômicos e sociais. Pessoas que são reféns de uma época que a História deveria ter enterrado.
E o preço que a população, com desemprego crescente, violência genocida e falência dos serviços estatais paga, tem sido imenso e perverso.
Um dia, quem sabe, alguém acorde e perceba o quanto o sofrido povo brasileiro tem sido enganado.
Do alto de suas Pirâmides, Faraós tupiniquins conseguem - ainda - falar de "elites", "luta de classes" e toda espécie de divisões e segmentações sociais, enquanto bebem e comem do melhor, descansam em Miami ou Paris e, no fundo, tratam o povo como meras marionetes para serem usados e descartados, pois tornaram estes incapazes de compreender o que é feito em seu nome.

Radar disse:
10 de novembro de 2015 às 03:17

Parece que os conservadores entraram num túnel do tempo, e já estão a um pulinho de negar também o holocausto, o apartheid sulafricano e o racismo declarado dos EUA. Vários já estão tentando dar um lustrinho de aceitabilidade e minimizando o horror da escravidão de seres humanos, baseada na cor da pele, cujas consequências perduram até hoje. Alguns babam para dizer que a nossa Constituição diz que todos são iguais, portanto eles devem parar de "vitimizar-se e choramingar por benefícios estatais", etc. Já o bom professor deve propor ideias e estimular o diálogo, sem fechar a porta para absolutamente nada. E muitos bons professores já o fazem. Mas o que os conservadores querem mesmo é TRADIÇÃO-FAMÍLIA-PROPRIEDADE e TABELAS PERIÓDICAS para serem decoradas, muitas tabelas períodicas. Quando eu iniciei minha vida escolar nos anos finais da ditadura, ainda ouvia falar do medo que alguns professores tinham, de serem presos e torturados ou até mortos pela polícia, apenas por falar que nós vivíamos uma ditadura militar, regime idiotizante que muitos agora estão começando a idolatrar. Defendo que leiam livros. Muitos deles. Não os de colorir, claro.

Diogo Duarte Valverde disse:
10 de novembro de 2015 às 03:54

Em relação à turma que prefere que seja ensinado marxismo rasteiro em sala de aula em vez de português e matemática, creio que uma resposta suficientemente sólida demandaria apenas uma simples referência aos resultados que tal modelo pedagógico produz: péssimas colocações em índices e testes educacionais mundiais como o PISA e nada menos de 50% de analfabetos funcionais em nossas universidades. O Brasil emburrece cada vez mais. Entretanto, conforme o articulista e demais admiradores de Paulo Freire, importante mesmo não é desenvolver a inteligência e ter acesso ao conhecimento universal, mas sim criticar o capitalismo e aprender palavras de ordem e chavões. É a burrice obrigatória.

Observador.. disse:
10 de novembro de 2015 às 10:21

Um pouco, a claque, a vontade de lutar uns contra os outros e - mesmo achando tal procedimento antiquado - que tal nos preocuparmos com o Brasil?
Olhem o resultado da nossa educação-que-é-a-leitura-do-mundo-sem-precisar-ler-ou-estudar(nem sabem onde é seu próprio mundo):
https://www.facebook.com/GeografiadaDepressao/videos/882139775175030/?fref=nf

Vale à pena ver.Começar a se preocupar com o futuro, com o emprego e com o bem estar destas pessoas.
O Brasil está muito mal. O que falta para alguns perceberem isto?

João B. disse:
10 de novembro de 2015 às 11:24

Nesse pequeno trecho já se vislumbra todo o pano de fundo da DOUTRINAÇÃO que campeia em nossas escolas púb(L)icas. Querer camuflar a doutrinação se valendo da semântica é típico de mitomaníacos.
Quer ver quem são os dominados? Olhe para o povo cubano, norte-coreano, cambojano, chinês...
O próprio Sartre, simpatizante do comunismo, dizia que somos aquilo que fazemos com o que fazem conosco. Ou seja, não existe liberdade absoluta, todos somos de alguma maneira limitados, determinados, mas no capitalismo o grau de limitação é menor do que no comunismo/socialismo.

João B. disse:
10 de novembro de 2015 às 11:24

Nesse pequeno trecho já se vislumbra todo o pano de fundo da DOUTRINAÇÃO que campeia em nossas escolas púb(L)icas. Querer camuflar a doutrinação se valendo da semântica é típico de mitomaníacos.
Quer ver quem são os dominados? Olhe para o povo cubano, norte-coreano, cambojano, chinês...
O próprio Sartre, simpatizante do comunismo, dizia que somos aquilo que fazemos com o que fazem conosco. Ou seja, não existe liberdade absoluta, todos somos de alguma maneira limitados, determinados, mas no capitalismo o grau de limitação é menor do que no comunismo/socialismo.

Paulo Kullock disse:
10 de novembro de 2015 às 12:14

O autor realiza um contorcionismo para explicar ideologicamente o sentido de ideologia. De que dicionário ele tirou que o sentido de ideologia inclui "capaz de incutir, naquele que sofre as piores consequências desses fatos e coisas, uma falsa ideia de que essa é a melhor forma de o mundo andar"? Ideologia, segundo o Aurélio, é "Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade." O dever do educador é apresentar todas as ideologias e deixar que o educando decida por si a de sua preferência. Uma visão politizaste (palavras do autor) impedem que o aluno exerça o livre arbítrio. O aluno está sendo catequizado como se a visão apresentada fosse a única possível. E isto está, sim acontecendo agora no Brasil.

Paulo Kullock disse:
10 de novembro de 2015 às 12:14

O autor realiza um contorcionismo para explicar ideologicamente o sentido de ideologia. De que dicionário ele tirou que o sentido de ideologia inclui "capaz de incutir, naquele que sofre as piores consequências desses fatos e coisas, uma falsa ideia de que essa é a melhor forma de o mundo andar"? Ideologia, segundo o Aurélio, é "Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade." O dever do educador é apresentar todas as ideologias e deixar que o educando decida por si a de sua preferência. Uma visão politizaste (palavras do autor) impedem que o aluno exerça o livre arbítrio. O aluno está sendo catequizado como se a visão apresentada fosse a única possível. E isto está, sim acontecendo agora no Brasil.

João Virgílio Tagliavini disse:
10 de novembro de 2015 às 12:23

Plínio, você está certo.
"Quem "des-vela" a realidade "tira o véu", des-venda o que está escondido por trás dos mecanismos de dominação, ou, em outras palavras, desmonta a ideologia.
No Capítulo 2 de Daniel, o Profeta interpreta o sonho do rei da Babilônia, Nabucodonosor, dizendo que o seu REINO é igual ao gigante com CABEÇA DE OURO, PEITO E BRAÇOS DE PRATA, VENTRE E QUADRIS DE BRONZE, PERNAS DE FERRO, PÉS, METADE DE FERRO E METADE DE BARRO... Uma pedra rola da montanha e esmaga os pés da estátua do gigante que se espatifa no chão.
Não há reino que dure para sempre. Por mais que sua aparência seja dourada. A IDEOLOGIA QUE O SUSTENTA SEMPRE TEM UM PONTO FRACO, PÉS DE BARRO!
É aí que entra o Professor para desmontar a ideologia que sustenta o SISTEMA DE EXPLORAÇÃO DOMINANTE, jogando um pouquinho de água para amolecer o pé do sistema. Vamos ESPALHAR CUPIM para apodrecer o sistema aos poucos.
É exatamente isso que assusta o STATUS QUO.
Por isso querem censurar. Mas vai ser difícil, viu Plínio.
Acho que estão chegando atrasados (mas eles têm razão de ter medo).
Nós, professores, não somos babacas. Conhecemos Daniel 2, e o grande Frei Gilberto Gorgulho, confrade de Frei Beto, um dos maiores conhecedores de Bíblia, que nos ensinou a interpretação do sonho de Daniel para os tempos da Ditadura, na ótica da Teologia da Libertação. Bons tempos.
As bancadas BBB (Bala, Boi e da Bíblia) não vão vencer, até porque nós também sabemos interpretar a Bíblia! Não é só o (im)postor estelionatário que vai dar sua versão bíblica.
Eu sou teólogo e estudo bíblia até hoje.
Pode-se dizer, portanto, a esses congressistas que, nós, professores, não vamos IDEOLOGIZAR a educação;
NÓS VAMOS CONTINUAR A DES-IDEOLOGIZAR O SISTEMA DOMINANTE.

Samuel Cremasco Pavan de Oliveira disse:
10 de novembro de 2015 às 12:24

O texto é tão ruim, mas tão ruim, que, como já disse alguém que não me recordo agora, nem errado consegue ser.

Um autêntico festival de tolices, que, se tivesse sido escrito por um estudante nos primeiros anos da graduação seria escusável, mas sendo o autor um Procurador de Justiça com Doutorado, é absolutamente imperdoável. E chocante.

A cereja do bolo é o terrorismo barato, tosco, de se prever a revogação da Lei Áurea. Francamente...

Quanto à definição de ideologia apresentada pelo autor, ela só mostra que sim!, ele não só defende como também dá sua contribuição à ideologização da educação. É óbvio que o que ele apresenta de forma peremptória como a única acepção possível para o termo ideologia nem de longe é verdadeiro.
Vou copiar aqui apenas as definições apresentadas pelo Dicionário online Priberam, disponível gratuitamente nesta internet:
i·de·o·lo·gi·a
(ideo- + -logia)
substantivo feminino
1. Ciência da formação das .ideias.
2. Tratado sobre as faculdades intelectuais.
3. Conjunto de .ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade (ex.: ideologia política).
"ideologia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/ideologia [consultado em 10-11-2015].

Esse texto medíocre apenas reforça minha convicção de que esses tais "movimentos democráticos" (Ministério Público Democrático, Associação Juízes pela Democracia etc.), nada mais são do que facções políticas no seio de órgãos jurídicos, com o inequívoco objetivo de promover... ideologia (de esquerda, evidentemente).

E quem discorda não pode nem reclamar.

preocupante disse:
10 de novembro de 2015 às 13:16

Durante o curso de licenciatura em História, eu só ouvi falar de demonização da economia de mercado'; dominação dos ricos contra os pobres; dos brancos contra os negros; que a miséria dos povos dos países africanos seria por culpa exclusiva dos países ricos, etc.
Naquela época - década de 80 - , o PT estava no auge porque era o principal protagonista dessas ideias, e seu principal divulgador. Os professores das universidades federais, sobretudo das disciplinas de ciências sociais, não faziam cerimônia em martelar o tempo todo nas nossas cabeças essas ideias, além de apregoarem o paraíso socialista/comunista. E não é que terminei sofrendo uma lavagem cerebral e caindo nessa esparrela! Passados uns trinta anos, percebi que fui um tolo, idiota. Tudo não passou de um engodo. Hoje não vejo mais a fracassada doutrina comunista/socialista como algo salutar à qualquer sociedade. Percebi que o menos injusto dos sistemas econômicos é o capitalista, posto que possibilita a livre concorrência, e a democracia como o regime mais viável à justiça e bem estar social.
Quanto àquelas ideias antiquadas, não tenho dúvida que elas estão ainda muito presentes nas salas de aulas das universidade e do ensino médio, principalmente do ensino público. Isso é simplesmente lamentável porque emperra o progresso das pessoas e do país.

Observador.. disse:
10 de novembro de 2015 às 18:18

De como o emburrecimento coletivo - frase do autor do texto - afetou a música popular brasileira da atualidade.
E qual, indago aos sábios, seria a origem de tal emburrecimento?
Ninguém percebe que abrir mão de - bem - ensinar Física, Química, Matemática e Português, vai - cada vez mais - piorar o "quadro" brasileiro?
Teremos - caso continue - médicos mal formados que matam pacientes, engenheiros de pontes que caem, economistas de economias falidas etc, nos tornando presas fáceis de gigantes mundiais que, aqui, terão um bom lugar para negociar seus espelhinhos em troca de nióbio.
Vamos acordar.Cuidem da nação em que seus filhos viverão.Não sejam tão egoístas e cegos, abraçando uma crença como se torce para times de futebol.Preocupem-se com o futuro e com o país em que seus filhos viverão

https://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis/a-burrice-reinante-na-musica-brasileira-realmente-183901284.html

Luiz A T Silva disse:
10 de novembro de 2015 às 20:12

Alguns comentários me lebram o filme Matrix, onde alguns preferiam continuar tomando a pílula azul (e não se está a falar de disfunção sexual) a enfrentar a realidade.
Excelente texto Plínio.

Roberto Livianu - Presidente Inst. Não Aceito Corrupção disse:
11 de novembro de 2015 às 17:29

Concordar ou discordar faz parte da democracia.
O que chama atenção nos dias de hoje é a intolerância ideológica que se vê espalhada por aí.
Aliás dia 16 de novembro é o dia internacional da tolerância!
Melhor ou pior texto? Quem é que pode fazer uma avaliação destas? Para que serve?
O texto é excelente, bem construído e provocativo. E o autor é membro destacado do MP brasileiro, estudioso respeitado, professor e pensador. Mestre e Doutor em Direito. Parabéns pela coragem e pela folha de serviços prestados à sociedade brasileira, Plinio Gentil!

Jose Carlos Garcia disse:
11 de novembro de 2015 às 20:59

Me sinto no dever de parabenizar o professor pelo texto. Excelente. Me anima saber que há pessoas honestas e preocupadas em denunciar toda a dominação e injustiça que nos impede de viver em uma sociedade mais justa.

João Virgílio Tagliavini disse:
12 de novembro de 2015 às 14:20

Tem gente que acha que ganha o debate invocando o sentido da palavra no dicionário! No dicionário há apenas a porta de entrada do sentido de uma palavra. Uma palavra como "ideologia" só é compreendida depois da leitura de livros e livros. O próprio dicionário, quando adota um sentido, faz uma escolha por uma escola de pensamento, vocês não sabiam disso?
Pois é, o Plínio e eu estamos utilizando o termo "ideologia" não sentido primário de "conjunto de ideias" ou de "filosofias", mas num sentido mais específico, já largamente utilizado, daquele "conjunto de ideias, pensamentos, ensinamentos, justificativas, etc..." que escondem a verdadeira realidade para "pacificar" aqueles que poderiam se revoltar se soubessem as causas históricas de sua miséria. Vou ser bem didático: Quando uma senhorinha pobrezinha do sertão nordestino vê tudo morrer ao seu redor por causa da seca e, à pergunta do repórter, diz: "Fazer o quê, Deus quis assim!", ela está demonstrando ser vítima de uma ideologia que lhe ensinou que as causas de suas desgraças são divinas. Esconderam dela que, desde os tempos da SUDENE, foi para lá dinheiro público suficiente para que o sertão nordestino tivesse virado mar, mas o dinheiro foi desviado por políticos interessados no próprio enriquecimento e na manutenção da miséria dela.
Nesse caso, a religião está exercendo um forte papel auxiliar da ideologia para "acalmar" o pobre coitado, que espera o céu, e para o rico continuar roubando à vontade.
Portanto, quando o professor conscientiza, ele não "ideologiza", ele tira o véu da ideologia.
É preciso procurar no dicionário certo.
É preciso estudar mais.
Ou não ter má fé.
Parabéns, Plínio.

Plínio Gentil disse:
14 de novembro de 2015 às 12:47

Aos leitores desse texto (José Carlos, Roberto, João Virgílio, Luiz, Samuel, Paulo, Diogo, Bonfim, Vilela, Felipe, Rivadávia e os que se manifestaram por pseudônimos e os que não se manifestaram - e ainda corro o risco de ter esquecido alguns) – a todos eles, sem exceção, – quero externar o meu agradecimento pelo interesse (que afinal confirma o caráter instigante do que escrevi) e registrar que jamais imaginei obter, a partir do texto, um consenso de idéias. Muito melhor é a polêmica. Aliás, o consenso é burro e, já que até Paulo Freire foi aqui espinafrado, vamos, por justiça, frisar que o que mais quis esse grande educador brasileiro (internacionalmente reconhecido) foi justamente que desenvolvêssemos a inteligência, pois ela – e não a ignorância – é libertadora.
Sim, João Virgílio, “quando o professor conscientiza, ele tira o véu da ideologia”. De fato, desvelar a realidade é desnudar os mecanismos de dominação. Ou será que tem gente que não acredita que há dominação??
E é claro que é preciso ensinar – e bem – física e matemática. A matemática, aliás, é uma espécie de “língua do universo”, não? O problema é ensinar essas ciências fazendo crer que elas existem isoladamente, fora das relações sociais, e que estas, por sua vez, ocorrem como fruto do mero acaso e não de processos históricos e econômicos que se sucedem com impressionante lógica. Então, para não cultivarmos um saber rico de informações, porém ingênuo, é necessário conhecer – e bem - a marcha de tais processos, ao longo da história, ou seremos robôs, muito úteis para dar lucro aos que se dispuseram a conhecer o mundo melhor do que nós.
(Continua)

Plínio Gentil disse:
14 de novembro de 2015 às 12:48

E será que nosso leitor “delegado de polícia estadual” agora deixou de acreditar que existe “dominação dos ricos contra os pobres, dos brancos contra os negros etc”? Onde isso? E deixou de entender o capitalismo como uma evolução necessária do modelo feudal e não simplesmente como um achado casual e “o fim da história”? E, Deus do céu, me falem de um país sequer da América Latina em que o sistema capitalista seja um sucesso (para a maioria...).
E ao leitor Samuel de Oliveira, que me brinda com o título de “pior texto já publicado” e assim dá ao escrito uma publicidade que ele não teria, tomo a liberdade de sugerir leitura dos capítulos III e IV da obra “O que é ideologia”, de Marilena Chauí (Ed. Brasiliense, col. Primeiros Passos, 2001). O livro mostra as origens do termo “ideologia”, que passa pelo pensamento de Destutt de Tracy, Cabanis, Comte e Durkheim, para enfim chegar a Hegel e Marx, este último um dos formuladores da compreensão da história “como um conhecimento dialético e materialista da realidade social” (Chauí, p. 41). E queiramos ou não, meus caros, a metodologia de Marx é insuperável como análise da evolução dos sistemas sociais, porque fundamentada em fatos históricos e nos seus desdobramentos lógicos e repetitivos (gostemos ou não das experiências políticas realizadas com intenção de superação do capitalismo).
(Continua)

Plínio Gentil disse:
14 de novembro de 2015 às 12:55

Engana-se esse leitor também na sua visão a respeito de entidades como o Movimento do Ministério Público Democrático, a Associação Juízes para a Democracia etc. Essas “facções” constituem, na verdade, núcleos de promotores, procuradores e juízes sérios e responsáveis, que não estão acomodados na simples repetição do que seus antepassados sempre fizeram e aplicando a lei sem pensar ou sem considerar que o mundo gira e a realidade muda. São, ao contrário, agentes políticos que vivem o cotidiano de um mundo cheio de contradições, onde não se consideram mais do que os outros. O que os move é a percepção de que o direito bem aplicado é um instrumento capaz de fazer justiça social e que esta é extremamente necessária num cenário de desigualdades brutais, que nem o mais alienado observador poderá negar. E veja que não é nem preciso ser um “Procurador de Justiça com doutorado” para se sentir inconformado com tanta desigualdade. Aliás, que cômodo seria fechar os olhos para ela, não?
Quanto ao MPD, ele completará 25 anos de vida no próximo ano e está sendo programado um grande congresso comemorativo, para o qual peço a todos os nossos leitores que se sintam convidados.
E, Paulo Bonfim, meu caro ex-aluno, sim, escravos muitas vezes eram traficados por intermédio de tribos rivais e não há nenhuma novidade nisto, nem este fato invalida a realidade de exploração que viveram e que se estende até hoje: os ex-escravos e seus descendentes continuaram e continuam a sofrer os piores efeitos da desigualdade.
Obrigado, enfim, a todos e me coloco à disposição para a saudável troca de idéias, que só nos engrandece.
(Fim)

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