Começarei de trás para a frente, adiantando, desde logo, minha interpretação para essa artificial crise brasileira, estimulada pela oposição desde o início do governo Dilma (janeiro de 2015). Por sua participação nessa crise, na oposição se incluíram, além dos partidos de oposição, os principais órgãos da mídia brasileira, os setores financeiros da economia e as principais entidades patronais.
Em janeiro de 2015, esses setores oposicionistas perceberam que a posse de Dilma, e sua permanência no poder, significavam quase fatalmente a volta de Lula, em 2018, para mais oito anos de governo. Nos últimos doze anos o PT fez sabidamente um governo de conciliação, com abertura para setores conservadores; um governo que, na perspectiva da esquerda, pode ser considerado tímido; mas um governo cuja continuidade é temida pela oligarquia, seja por algumas de suas atitudes (como, por exemplo, a política externa independente e a redução da taxa de juros), seja pelo receio de que se repita o que aconteceu com Getúlio Vargas, que em seu segundo período presidencial (1951-1954) investiu em políticas emancipadoras.
Nesta segunda-feira (11/4) ouvi, de uma pessoa de classe média, esta pergunta: se é verdade que Lula tem a intenção de implantar o comunismo no Brasil. Respondi o óbvio: se quisesse já o teria feito quando contava com 86% de aprovação popular, e recusou o terceiro mandato consecutivo, oferecido numa bandeja pelo Congresso. Não prosperando agora essa acusação, manejada com êxito, no passado, contra Getúlio (1954) e Jango (1961-1964), restaram dois pretextos fortíssimos para o golpe: a crise econômica — que, afetando a economia internacional desde 2008, no Brasil foi agravada por fatores internos em 2014 — e o escândalo do “petrolão”.
Minha explicação para essa tentativa de golpe é a seguinte: durante o Brasil colônia, o Império e a Primeira República, a oligarquia jamais precisou de golpes para manter-se no poder: este sempre lhe pertenceu naturalmente; na 2ª República, nas duas ocasiões em que precisou, bastou-lhe acenar para os quartéis. Mas esta é a primeira vez que, sentindo-se ameaçada, ela arranca a máscara do bom-mocismo, explora ao máximo a desinformação, e precisa sair às ruas para defender seus privilégios.
Em termos hegelianos, o governo do PT é a tese, da qual a tentativa de golpe é a antítese. Este é, portanto, um momento dialético de superação. Para todos que votaram em Lula e Dilma, isso é motivo de alento: não obstante os erros cometidos, a democracia real avançou, com as políticas de igualdade.
Dito isso, passo a enfrentar esta questão: qual o melhor método para avaliarmos esses fatos: a abordagem do cientista, ou a abordagem do cidadão, co-responsável pelo presente e pelo futuro do Brasil?
Nós, que ao início do segundo mandato de Dilma, estávamos esperançosos pelo encaminhamento da reforma política, fomos submersos, em janeiro de 2015, pela pauta retrógrada, implementada no Congresso pela dissidência do PMDB (liderada pelo deputado Eduardo Cunha), e, na mídia, pelo senador Aécio Neves (candidato presidencial derrotado em 2014). Envolvidos nesse turbilhão, não vemos a floresta; enxergamos apenas a árvore, no que tem de mais impactante: os sinais de intolerância e de violência provindos de membros da classe média, os incidentes do processo de impeachment, as delações premiadas e as diligências da Polícia Federal, o cerco midiático à verdade, as violações aos direitos e garantias individuais praticadas pela magistratura.
Opto, por isso, pela primeira abordagem (reservando-me, ao final, para algumas observações quanto à segunda). Isto não significa que ela seja fácil: misturam-se aí fatos de vária natureza, a merecer análise nos planos macro e micro, estrutural e conjuntural, como, por exemplo, a aceleração cíclica das crises do capitalismo, a exasperação das políticas neo-liberais. Fixo-me, por isso, naquilo que acredito ser próprio da minha competência, e a cujo estudo me dediquei durante quase três décadas: o sistema jurídico, o sistema constitucional, e o sistema eleitoral-partidário brasileiro.
Creio que se encontra, aí, um vetor interessante de análise, que pode ser resumido nessa tese: diversamente do que acontece nos países desenvolvidos, em que o sistema capitalista construiu o seu análogo judiciário e eleitoral-partidário, no Brasil ele ainda não alcançou esse nível de funcionalidade. Encontro-a expressa em alguns textos que publiquei, como, por exemplo:
O sistema de propriedade e concentração de renda, vigente no Brasil, é incompatível com o exercício durável da democracia formal, levando ao golpismo cíclico. Isso porque ou a prática democrática — expressa através da liberdade eleitoral-partidária — desestrutura o sistema de dominação, ou o sistema de dominação interrompe violentamente a prática democrática, como aconteceu em 1964. Devido a essa incompatibilidade funcional, a estrutura de dominação é obrigada a intervir, de tempos em tempos, no sistema eleitoral e na liberdade de organização partidária. Dentro desse quadro não cabe alternância no poder: quem governa é sempre a oligarquia, com maior ou menor grau de ilegitimidade. A Constituição, quando não é abolida, é estuprada. Esse dilema só deixará de existir quando, ainda que tarde chegar a liberdade, ou quando a oligarquia conseguir o que vem tentando, que é implantar seu análogo eleitoral-partidário: um modelo elitista que, sob a aparência de democracia, provoque o fechamento do sistema eleitoral-partidário, com eleições não-competitivas e o insulamento do dissenso numa diminuta oposição consentida. [1]
As chamadas “democracias” modernas são, na verdade, “demoelitecracias”, sistemas em que o povo vota, mas não governa. Aperfeiçoaram, com esse objetivo, mecanismos de contenção do voto, tais como o parlamentarismo (em que se suprime o voto direto no chefe do Executivo) e o voto distrital (que reduz ao mínimo o espectro partidário). Reduzem com isso os conflitos, aumentando a estabilidade do governo. Entre nós, ao contrário, o principal mecanismo de contenção existente (a desigualdade do voto), acirra o conflito, principalmente entre o Congresso e o Executivo, que se faz presente, historicamente, nas nossas principais crises políticas. [2]
Em 2014, aproximadamente 142 milhões de brasileiros tinham direito a voto. Para a escolha do presidente da República, por um lado, e dos 513 deputados federais, de outro, o colégio eleitoral foi formado, fisicamente, pelos mesmos eleitores. Entretanto, considerados os seus efeitos, trata-se de dois colégios eleitorais distintos. Cada um dos eleitores (salvo quem se abstenha) vota num candidato a presidente. O presidente é eleito pela maioria dos que tenham votado, que são eleitores de todos os Estados. Em 2014, Dilma foi eleita com aproximadamente 54 milhões de votos. O que nos faz crer que, normalmente, são suficientes para eleger o presidente os votos, somados, dos eleitores dos três Estados mais populosos: São Paulo (aproximadamente 31milhões), Minas (15 milhões) e Rio de Janeiro (12 milhões). Assim, na eleição de presidente sobressaem os votos dos Estados mais populosos e dos grandes centros urbanos. Coisa bem diferente acontece na eleição para a Câmara dos Deputados, que tem 513 cadeiras, distribuídas de tal modo que nenhum Estado tenha menos de 8, nem mais de 70 representantes. [3] No Estado de Roraima — aquele, dentre todos, que tem menos eleitores (290 mil) — são necessários aproximadamente 36 mil eleitores para fazer um deputado federal; no Estado de São Paulo — aquele que tem mais eleitores (31 milhões) — são necessários aproximadamente 443 mil. Concluindo: um é o colégio que faz o presidente da República (digamos, colégio X), e outro é o eleitorado (digamos, colégio Y) que prevalece na escolha dos deputados federais: aqui, somados, os três Estados mais populosos, capazes de, sozinhos, elegerem o presidente da República, conseguem fazer menos de um quarto dos membros da Câmara dos Deputados (169), o que está longe de sua maioria absoluta (256). Acrescente-se a representação no Senado, e agrava-se a diferença.
Esse é um dado expressivo, embora não suficiente para explicar o fenômeno. Não por acaso, sempre que chamado para decidir sobre esse tema, o povo brasileiro preferiu o presidencialismo ao parlamentarismo.
Muitas pessoas têm ficado impressionadas com a parcialidade das investigações, e das decisões judiciais. E com a intensidade das violações contra os direitos e garantias individuais. Essas pessoas compõem o grande número daqueles que jamais se interessaram pelo poder judiciário, como se ele fosse politicamente indiferente.
Entretanto, essas violações — que agora ganharam visibilidade — não acontecem por acidente: elas fazem parte da rotina judicial, e são praticadas por profissionais que, não obstante tenham o dever de aplicar a lei e a Constituição, julgam-se acima de qualquer outro poder.
Costumo perguntar: qual a autoridade que, no Brasil, tenha estado acima de qualquer controle? A resposta correta aponta para os nossos dois imperadores — D. Pedro I e D. Pedro II — que eram legalmente irresponsáveis. Pois bem, os juízes brasileiros também são, de fato, politicamente irresponsáveis.
Temos direito a um judiciário eficiente; que seja não apenas imparcial, mas, principalmente, comprometido com os elevados fins da sua missão constitucional.
A magistratura, tal como existente hoje no Brasil, é quisto imperial, um resíduo anti-republicano em nosso sistema de governo; o Judiciário, tal como organizado, é incompatível com a democracia. O que tenho escrito sobre esse tema, em inúmeros textos, encontra-se resumido no livro intitulado Ética [4], e no livrinho sobre Reforma política, acima referido.
Recentemente essa anomalia se potencializou, a ponto de caracterizar um “golpe de Estado judiciário”, à cuja frente está o Supremo Tribunal Federal.[5] Resumindo: tendo recebido, da Constituição de 1988, a competência para controlar a constitucionalidade da lei em tese, o STF passou a agir, de modo geral, como poder legislativo, entendendo-se dispensado de fundamentar juridicamente suas decisões. Esse vício estendeu-se às demais instâncias judiciárias, juntando-se aos outros já existentes. De modo que, hoje, a realidade judiciária é puro abuso de poder.
Diante dessa conjuntura, o que nos cabe fazer?
Qualquer que seja o resultado do processo de impeachment, a crise se prolongará até a eleição presidencial de 2018, o que significa: retração dos investimentos, aumento do desemprego; desnacionalização da economia; acentuação das incertezas, aumento da insegurança e da criminalidade. No fim das contas, um lustro, ou quase um lustro perdido.
Golpes de Estado, hoje, reclamam apoio ideológico. O furor ensandecido da oligarquia — que, como acentuou Flávio Dino, parece querer atear fogo às próprias vestes — despertou, na cidadania, muitos anticorpos adormecidos. Mesmo que o golpe não se venha a consumar, a unidade será necessária à resistência contra a barbárie; a uma repactuação que mantenha a governabilidade com democracia; e, adiante, à construção da plataforma capaz de realizar a necessária reforma política. Ou sucumbimos ao modelo neoliberal ou prosseguimos nossa tarefa de construir um Brasil para todos os brasileiros.
1 Roberto Amaral e Sérgio Sérvulo da Cunha, Manual das eleições (São Paulo, Saraiva, 4ª. ed., 2010, p. 864).
2 Creio que demonstrei essa tese em outros textos, tais como “O que é o voto distrital” (Porto Alegre, Sérgio Antonio Fabris, 1991). “A crise da democracia representativa”, In “Direito: teoria e experiência – estudos em homenagem a Eros Roberto Grau”: José Augusto Fontoura Costa et alii, org. (São Paulo, Malheiros, 2013, p. 618; o texto integral pode ser consultado no meu site: http://www.servulo.com.br/); e “Reforma política” (Roberto Amaral-Sérgio Sérvulo da Cunha (Santos, Forum da Cidadania, 2015, p. 9)..
3 Constituição da República, art. 45-§ 1º.
4 São Paulo, Saraiva, 2012, pp. 339-381.
5 Veja-se esses dois textos que publiquei há alguns anos: o artigo intitulado “Golpe de Estado judiciário”, Revista Latino-Americana de Estudos Constitucionais (Fortaleza, n° 14, abril de 2013, p. 457); e também o prefácio à 2ª. edição do livro “Recurso extraordinário e recurso especial” (São Paulo, Saraiva, 2012).
Cabem mais ingredientes, principalmente os externos, por que os domésticos já se tornaram surrados e de conhecimento mais amplo.
É isso o que o PT realmente pensa do Judiciário brasileiro: """A magistratura, tal como existente hoje no Brasil, é quisto imperial, um resíduo anti-republicano em nosso sistema de governo; o Judiciário, tal como organizado, é incompatível com a democracia""". Por isso que esse band, ops partido, luta para desmoralizar o Judiciário independente e célere que vem pondo políticos bandidos e corruptos na cadeia.
Espaço na conjur garantido ao esquerdopata petista parcial.
Espaço na conjur garantido ao esquerdopata petista parcial.
Compatível com a democracia é o atual governo, que além das políticas populistas ainda precisam roubar bilhões para se manter no poder, depois os especialistas não sabem por que a tal bancada da bala e a turma dos evangélicos crescem na política igual trepadeira.
Compatível com a democracia é o atual governo, que além das políticas populistas ainda precisam roubar bilhões para se manter no poder, depois os especialistas não sabem por que a tal bancada da bala e a turma dos evangélicos crescem na política igual trepadeira.
No mínimo curioso o mimimi desse Petista, embora nas últimas épocas nada mais surpreende. O PT ficou mais de dez anos no poder sem mover sequer um dedo de lugar para acabar com o arbítrio judicial, adiantando-se em compor os Tribunais Superior com aliados do Partido. Os petistas achavam que os nomeados lhes dariam proteção eterna, esquecendo-se que os ratos são os primeiros a abandonar o navio em caso de naufrágio. Na medida em que o País se afunda cada vez mais no buraco, os petistas nomeados para cargos no Judiciário obviamente iria pularam para fora do barco, ou seja, afastaram do PT e dos ideais petistas. Nada diferente do esperado, embora a arrogância, prepotência e ganância dos petistas impediu que eles enxergassem os fatos. Não existe Judiciário composto para apenas alguns. Ou o Judiciário é para todos, ou não é para ninguém, e o PT está provando na pele esse erro. Tivesse o Partido iniciado os debates para uma ampla reforma do Judiciário em 2003, quando Lula assumiu, passando a nomear apenas e tão somente juristas de quilate para os Tribunais Superiores, provavelmente o reclame do Articulista talvez não existiria hoje.
quem nomeou a maioria do ministros do STF?
temos lá ex advogado do PT....
seria golpe se o presidente fosse julgado pelo judiciário por crime de responsabilidade, ou pelo senado por crime comum...
o governo é inépto em todos os sentidos, inclusive em sua defesa, ao insistir na tese do golpe. chega a ser ridículo dizer que não há crime porque isso sempre houve no país (pedaladas).
o governo também é inepto ao captar seus defensores na mídia falada e escrita (inclusive aqui no conjur)
as teses são tão falhas quanto ao suposto governo social mais consumista da história da humanidade.
PS: espero que o conjur não demore 01 mês para publicar este comentário.
quem nomeou a maioria do ministros do STF?
temos lá ex advogado do PT....
seria golpe se o presidente fosse julgado pelo judiciário por crime de responsabilidade, ou pelo senado por crime comum...
o governo é inépto em todos os sentidos, inclusive em sua defesa, ao insistir na tese do golpe. chega a ser ridículo dizer que não há crime porque isso sempre houve no país (pedaladas).
o governo também é inepto ao captar seus defensores na mídia falada e escrita (inclusive aqui no conjur)
as teses são tão falhas quanto ao suposto governo social mais consumista da história da humanidade.
PS: espero que o conjur não demore 01 mês para publicar este comentário.
Os jornais noticiam hoje que o próprio Lula está empenhado na negociação de um pacote de 40 bilhões, objetivando perdoar dívidas ou conceder crédito aos Estados em troca de apoio político. A meu ver, se isso for verdade (e deve ser) já seria isoladamente motivo para o impeachment de Dilma, condenação de Lula, e decretação da ilegalidade do Partido dos Trabalhadores tendo em vista os enormes prejuízos que uma manobra dessa natureza, repetida à exaustão nos últimos anos, causa ao País. Lula e o PT, acostumados a isso desde há longos anos, usam o nosso dinheiro para tramoias e barganhas como se o Estado brasileiro fosse propriedade privada deles. Há mecanismos para punições nesse caso? Provavelmente não. O Estado brasileiro está hoje organizado para satisfazer aos interesses de quem exerce funções. O povo ou as finalidades básicas e a razão de existência do próprio Estado não interessam. São questões totalmente irrelevantes. A comunidade jurídica nacional precisa abandonar o mimimi de sempre e começar a fazer sua função. Independentemente do impeachment de Dilma, o Estado brasileiro precisa de uma profunda reestruturação, tirando do agente público o poder de fazer o que quiser em benefício dele próprio ou de seu grupo usando o que é nosso. E essa mudança deve alcançar o Executivo, o Judiciário e o Legislativo, todos culpados da mesma forma frente à situação calamitosa a que chegamos.
Quer dizer então que a oposição, que junta não tinha nem 1/3 da Câmara dos Deputados, conseguiu criar artificialmente uma inflação de 11%, 10 milhões de desempregados, um rombo nas contas públicas de mais de 100 bilhões de reais, uma retração do PIB durante 3 anos, uma dívida de 500 bilhões de reais na maior empresa do pais, fora toda a governança corrupta instituida pelo partida que comanda o Governo Federal.
Quer dizer então que tudo isso foi artificialmente criado pela oposição? Ou será que os militantes petistas realmente acreditaram (e continuam acreditando) no discurso megalomaníaco da Rainha da Mandioca, se cegando para a realidade brasileira.
Mais um aventureiro buscando seus cinco minutos de fama... O Autor nem se dá ao trabalho de provar o que diz. Logo no primeiro parágrafo, o "çábio" solta a "pérola": "Por sua participação nessa crise, na oposição se incluíram, além dos partidos de oposição, os principais órgãos da mídia brasileira, os setores financeiros da economia e as principais entidades patronais."
RIDÍCULO!
Melhor ler isso do que ser cego, não é verdade?
Parabéns!!!
Lamentável é constatar que, também, nossos "críticos" não estão preparados para a democracia.
Procuro não me deixar por ódios ideológicos.
Recentemente protocolei, ainda em juízo de admissibilidade, um RE onde questiono a incompatibilidade de antiga repercussão geral frente ao parágrafo primeiro do artigo 489 do CPC, além de outras peças, uma acabei de protocolar, no STF, e na peça faço uma observação.
Não precisamos olhar para o Haiti, basta olhar para o Peru.
Os comentaristas abaixo sabem que é o candidato favorito nas eleições presidenciais do Peru que estão acontecendo agora?
Keiko Fujimori.
A filha do Chino, do autor do autogolpe.
Os magistrados que aqui comentam já tiveram curiosidade de pesquisar o artigo 6º do Ato Institucional nº 5? Pois deveriam. Na época em que vigiu qualquer magistrado ou promotor que se desentendesse com um primeiro tenente que fosse amigo de um general, e esse general tivesse trânsito no Planalto, era passível de chegar ao seu gabinete e encontrar dois sargentos e uma ordem de exoneração, sem direito previdenciário algum, estava expurgado do cargo.
O AI-5 não acabou apenas com o Habeas Corpus, como o Judiciário está fazendo agora...
É preciso muita cegueira deliberada para acreditar que não corremos o risco de uma ditadura furiosa, e aí... Fui estagiário de juiz aposentado que se empossou nos tempos do AI-5, e esse nunca negou que se trabalhava com medo, os militares podiam exonerar, sem direito algum, qualquer juiz, do STF a comarca mais erma...
Ou o STF toma prumo e toma seu papel, e toma as rédas e impõe sua autoridade, impondo a todo Judiciário a obediência aos direitos e garantias fundamentais, que se seguir títere das redes de tv, logo logo vai se tornar descartável.
Depois dos anos de terror no Peru, Keiko Fujimori estar liderando as eleições, como se fosse tão longe daqui.
Honestamente não consigo entender como as pessoas se fecham à realidade.
Para se analisar friamente, tem que se manter uma visão mais crítica e analista do que aconteceu e acontece. Concordo com autor, desde a reeleição de Dilma, instituiu-se um movimento orquestrado para a retirada dela da presidência. Concordo que o PT, ao fazer alianças para conseguir aprovação de seus projetos, aliou-se aos políticos espúrios que hoje estão comandando a retirada da Presidente. Estes políticos espúrios vão continuar, duvido que as investigações da lava-jato continuem, pode continuar até a tentativa de erradicar o PT, depois heroicamente retira-se para permitir que a oligarquia volte a governar. Quem sabe, o moleque ganhe um cargo no supremo, ou pleiteie uma vaga como político no psdb?
Gente, tudo tem causa e efeito, oposição, mídia e judiciário incitaram o povo, aqueles que pouco pensam, a dar o apoio necessário para a oligarquia. Estamos num caminho muito perigoso, se nada for feito para combate a pobreza e desigualdades sociais, veremos o campo invadir e o morro descer para as grandes cidades!
Apesar de discordar da avaliação do autor sobre o governo atual - marcado pela irresponsabilidade fiscal, intervencionismo e gestão autoritária - concordo com sua crítica ao Poder Judiciário. Este despreza a Constituição, sobretudo, a República. Magistrados exigem ser chamados de "excelência" (como os nobres do Antigo Regime, que não pertenciam às famílias reais). Os concursos NÃO são de provas e de títulos, exclusivamente, como manda a Constituição. São decididos por relacionamentos pessoais. O candidato que passa nas provas escritas tem que apresentar lista de 5,6 autoridades que o indiquem. A OAB nunca, NUNCA contestou essa imundície monarco-oligárquica. O CNJ muito menos. O que esperar de um órgão composto por 11 magistrados e 4 que não o são? Um ex-Presidente do STF tem dois filhos juízes; outros na ativa, duas filhas desembargadoras; façam uma pesquisa e vejam quantos desembargadores(as) têm filhos(as), netos(as), sobrinhos(as), genros e noras juízes. São as dinastias do Judiciário. E carros oficiais, recebimentos acima do teto disfarçados de indenização, e lucros com o "spread" bancário dos depósitos judiciais.
Conheço há muito o autor, ilustre advogado e professor de Direito em Santos, reconhecidamente um homem sério, sempre foi de esquerda e posso dizer que é dos raros a quem admiro. Infelizmente não acompanho suas idéias, embora no texto se refere a problemas do Judiciário que precisam
ser resolvidos. Não há como defender o lulopetismo, o país está no chão, o povo muito sofrido, indústria e comércio arruinados, instituições falidas, o assalto ao que é público
é muito patente.
O lulo petismo precisa ser extinto e o começo vai ser o impedimento dessa presidente incompetente que ocorrerá no domingo.
Os argumentos contra o voto distrital não se sustentam, e mais, são demasiados tendenciosos.
Ao argumento que implicará em uma oligopolização dos distritos em favor dos grandes partidos, rebato que quem será grande, no voto distrital, será o candidato, o qual, depois de eleito, ver-se-á severamente fiscalizado por seus eleitores (hoje, um deputado não responde a nenhum grupo de eleitores em específico, pois angaria votos por todo o estado, muitas vezes na base de distribuição de benesses de legalidade duvidosa), e acaso não agrade a seus eleitores, não é o fato de o partido ser grande e poderoso que irá fazer com que aqueles eleitores se tornem um bando de parvos. No sistema atual, não se respeita a regra "one man, one vote", pois o cidadão vota em um candidato e com isso seu voto vai para outro, numa inversão odiosa do que seja democracia.
Os argumentos contra o voto distrital não se sustentam, e mais, são demasiados tendenciosos.
Ao argumento que implicará em uma oligopolização dos distritos em favor dos grandes partidos, rebato que quem será grande, no voto distrital, será o candidato, o qual, depois de eleito, ver-se-á severamente fiscalizado por seus eleitores (hoje, um deputado não responde a nenhum grupo de eleitores em específico, pois angaria votos por todo o estado, muitas vezes na base de distribuição de benesses de legalidade duvidosa), e acaso não agrade a seus eleitores, não é o fato de o partido ser grande e poderoso que irá fazer com que aqueles eleitores se tornem um bando de parvos. No sistema atual, não se respeita a regra "one man, one vote", pois o cidadão vota em um candidato e com isso seu voto vai para outro, numa inversão odiosa do que seja democracia.
Tenho sérias críticas ao Judiciário brasileiro, especialmente, quanto aos seus privilégios (extensivo ao Ministério Público), tais como, férias de 60 dias, recessos longos, auxilio-moradia desarrazoado, penduricalhos de toda sorte etc.
No entanto, é curioso perceber que esse texto é oriundo de autor que ocupou durante anos a chefia de gabinete do Ministério da Justiça, que, dentre as suas secretarias possui a de reforma do Poder Judiciário.
Se o Judiciário brasileiro é incompatível com a democracia, o que fez o autor para modificar isso? Afinal, qual foi a contribuição do autor para o aperfeiçoamento do Judiciário?
O autor destila o seu rancor apenas neste momento em que o projeto de poder do seu partido político parece estar indo para o buraco, mas qual seria a responsabilidade do Judiciário no sem-número de irregularidades das quais autoridades ligadas à sua agremiação são acusadas? Decerto, não foi o juiz Moro nem o Ministro Gilmar Mendes que arquitetaram o colossal desvio de recursos da Petrobras num esquema de cartas marcadas com mega empreiteiras, nem foram os juízes os responsáveis pelas tais pedaladas fiscais.
Parece-me claro que a queixa do autor se deve ao fato de o Judiciário não ter servido para frear as investigações da operação Lava-Jato, mesmo com a nomeação de sete ministros no STF. Com efeito, nem poderia.
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