Mudança de ministro da Justiça preocupa delegados da PF

Ao anúncio da saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota afirmando estar preocupada com a mudança na chefia da pasta. Como Dilma Rousseff não quer Cardozo fora do governo, vai deixá-lo na à frente da Advocacia-Geral da União, onde ocupará o lugar de Luís Inácio Adams. Para o Ministério da Justiça vai o procurador baiano Wellington Cesar, ligado ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, conforme adiantado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Felipe Lampe

Saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça preocupa os delegados federais, que temem sofrer pressões políticas em relação às investigações em curso.

Informações divulgadas na imprensa apontam que o ministro estaria deixando o cargo por se sentir injustiçado com as pressões do PT para que as investigações da Polícia Federal contra o ex-presidente Lula e outros integrantes do partido sejam abrandadas.

Segundo o portal Último Segundo, uma reunião entre o ministro da Justiça e dez deputados federais do PT ocorreu na última segunda-feira (22/2) no gabinete de Cardozo. No encontro, os parlamentares teriam cobrado providências sobre as investigações da PF e pediram que o foco das apurações fosse as denúncias contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Os delegados federais logo dispararam uma nota dizendo que "defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão  todas as medidas para preservar a pouca,  mas importante,  autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou”.

Leia a nota da ADPF:

Os Delegados da Polícia Federal receberam com extrema preocupação a notícia da iminente saída do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo,  em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos da Polícia Federal.

Os Delegados Federais reiteram que defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão  todas as medidas para preservar a pouca,  mas importante,  autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou.

Nesse cenário de grandes incertezas, se torna urgente a inserção da autonomia funcional e financeira da PF no texto constitucional.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal permanece compromissada em fortalecer a Polícia Federal como uma polícia de Estado, técnica e autônoma, livre de pressões externas ou de orientações político-partidárias.

Contamos com o apoio do povo brasileiro para defender a Polícia Federal.

Brasília, 29 de Fevereiro de 2016.

ADPF – Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal.

Rivadávia Rosa disse:
29 de fevereiro de 2016 às 16:08

O fato é que a Polícia brasileira, sobretudo, a Polícia Federal nesse processo de busca de modelo e de mudanças com profundas reformas de ordem econômica, jurídica e social, acompanha o desenvolvimento político em sua busca de padrões de autoridade democrática, maior integração à sociedade, aumento da participação política através de suas entidades de classe, buscando desempenhar suas atividades movida pelo interesse da Justiça e pelo desenvolvimento de uma sociedade mais justa, equânime e solidária, que se resume na satisfação dos cidadãos e nunca a interesses corporativistas, partidários, de grupos ou individuais.
Assim, não há força que impeça a Instituuição que impeça o cumprimento de sua missão constitucional.

dss disse:
29 de fevereiro de 2016 às 16:26

A troca do Ministro da Justiça por um membro do MP da Bahia, que foi procurador-geral de Justiça da Bahia durante governo de Jacques Wagner, indica que o PT está pressionando para ter maior controle sobre a PF em virtude das várias frentes de investigações sobre o partido. Cabe ao Diretor e aos delegados da PF não se curvarem as pressões externas e cumprir suas funções constitucionais.

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