Ao anúncio da saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota afirmando estar preocupada com a mudança na chefia da pasta. Como Dilma Rousseff não quer Cardozo fora do governo, vai deixá-lo na à frente da Advocacia-Geral da União, onde ocupará o lugar de Luís Inácio Adams. Para o Ministério da Justiça vai o procurador baiano Wellington Cesar, ligado ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, conforme adiantado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Informações divulgadas na imprensa apontam que o ministro estaria deixando o cargo por se sentir injustiçado com as pressões do PT para que as investigações da Polícia Federal contra o ex-presidente Lula e outros integrantes do partido sejam abrandadas.
Segundo o portal Último Segundo, uma reunião entre o ministro da Justiça e dez deputados federais do PT ocorreu na última segunda-feira (22/2) no gabinete de Cardozo. No encontro, os parlamentares teriam cobrado providências sobre as investigações da PF e pediram que o foco das apurações fosse as denúncias contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os delegados federais logo dispararam uma nota dizendo que "defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou”.
Leia a nota da ADPF:
Os Delegados da Polícia Federal receberam com extrema preocupação a notícia da iminente saída do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos da Polícia Federal.
Os Delegados Federais reiteram que defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou.
Nesse cenário de grandes incertezas, se torna urgente a inserção da autonomia funcional e financeira da PF no texto constitucional.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal permanece compromissada em fortalecer a Polícia Federal como uma polícia de Estado, técnica e autônoma, livre de pressões externas ou de orientações político-partidárias.
Contamos com o apoio do povo brasileiro para defender a Polícia Federal.
Brasília, 29 de Fevereiro de 2016.
ADPF – Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal.

O fato é que a Polícia brasileira, sobretudo, a Polícia Federal nesse processo de busca de modelo e de mudanças com profundas reformas de ordem econômica, jurídica e social, acompanha o desenvolvimento político em sua busca de padrões de autoridade democrática, maior integração à sociedade, aumento da participação política através de suas entidades de classe, buscando desempenhar suas atividades movida pelo interesse da Justiça e pelo desenvolvimento de uma sociedade mais justa, equânime e solidária, que se resume na satisfação dos cidadãos e nunca a interesses corporativistas, partidários, de grupos ou individuais.
Assim, não há força que impeça a Instituuição que impeça o cumprimento de sua missão constitucional.
A troca do Ministro da Justiça por um membro do MP da Bahia, que foi procurador-geral de Justiça da Bahia durante governo de Jacques Wagner, indica que o PT está pressionando para ter maior controle sobre a PF em virtude das várias frentes de investigações sobre o partido. Cabe ao Diretor e aos delegados da PF não se curvarem as pressões externas e cumprir suas funções constitucionais.
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