O advogado e professor de ética Clóvis de Barros Filho terá de indenizar o ministro do Supremo Tribunal Federal por narrar em seu livro uma suposta conversa entre o apresentador da TV Globo William Bonner e o ministro.
Em determinado trecho do livro Devaneios sobre a atualidade do capital, escrito junto com Gustavo Daineze, Clóvis de Barros Filho diz: “Fui a uma reunião de pauta do Jornal Nacional, e o William Bonner liga para o Gilmar Mendes, no celular, e pergunta. ‘Vai decidir alguma coisa de importante hoje? Mando ou não mando o repórter?’. ‘Depende. Se você mandar o repórter, eu decido alguma coisa importante.’”
Inconformado, o ministro ingressou com ação de indenização por danos morais contra os autores e a CDG Editora. No último mês, as partes firmaram um acordo para encerrar ação. Nele, os autores do livro e a editora se comprometeram a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais ao ministro.
Além disso, deverão retirar de circulação todos os exemplares do livro ainda não vendidos que contenham o trecho e apagá-lo das próximas edições. O acordo foi assinado no dia 11 de agosto, no escritório de advocacia Mudrovitsch Advogados, que representa o ministro.
Curiosamente, nesta sexta-feira (30/9), em depoimento à revista IstoÉ, Clóvis de Barros fala sobre os limites necessários para a convivência em sociedade. "A canalhice é uma tentação permanente", diz o professor, e completa: "Onde houver duas ou mais pessoas convivendo, haverá um entendimento inteligente de quem convive sobre os limites das condutas. E todo mundo sabe que é preciso segurar a sua onda".
Confesso que até me assustei quando vi o nome do professor Clóvis de Barros Filho no título. O professor Clóvis talvez seja o maior filósofo brasileiro vivo. Grande defensor da Ética, possui um trabalho brilhante e admirável dentro da filosofia, aplicável em praticamente todos os campos de conhecimento.
Não conheço o processo a fundo. E também não me recordo de ter lido esse trecho em particular, descrito na notícia, apesar de conhecer algumas obras do professor. Mas me parece que, se o professor Clóvis não possui provas do que ora foi narrado, ele cometeu um deslize de caráter profissional e jurídico. Entretanto, apesar de sua primeira graduação ser em Direito, não dá pra culpar o professor Clóvis por desconhecimento pois, até onde eu saiba, o professor Clóvis nunca exerceu o ofício jurídico.
Há comentários recentes na mídia no sentido de que esse professor seja esquerdista e defensor do governo que caiu. Se isso for verdade a decepção será enorme.
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