STF julga inconstitucional lei cearense que regulamenta vaquejada

O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a Lei 15.299/2013, do estado do Ceará, que regulamenta a vaquejada como prática desportiva e cultural no estado. Nesta quinta-feira (6/10), a maioria dos ministros acompanhou o voto do relator, ministro Marco Aurélio, que considerou haver “crueldade intrínseca” na norma.

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Laudos demonstram consequências nocivas à saúde dos animais.
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O julgamento da matéria teve início em agosto de 2015, quando o relator, ao votar pela procedência da ação, afirmou que o dever de proteção ao meio ambiente (artigo 225 da Constituição Federal) sobrepõe-se aos valores culturais da atividade desportiva.

Em seu voto, o ministro Marco Aurélio afirmou que laudos técnicos contidos no processo demonstram consequências nocivas à saúde dos animais: fraturas nas patas e rabo, ruptura de ligamentos e vasos sanguíneos, eventual arrancamento do rabo e comprometimento da medula óssea. Também os cavalos, de acordo com os laudos, sofrem lesões.

Para o relator, o sentido da expressão “crueldade” está no inciso VII do parágrafo 1º do artigo 225 da Constituição e alcança a tortura e os maus-tratos infringidos aos bois durante a prática da vaquejada. Assim, para ele, revela-se “intolerável a conduta humana autorizada pela norma estadual atacada”.

Na mesma ocasião, o ministro Edson Fachin divergiu do relator e votou pela improcedência da ação. Para ele, a vaquejada consiste em manifestação cultural, o que foi reconhecido pela própria Procuradoria Geral da República na petição inicial. Esse entendimento foi seguido, também naquela sessão, pelo ministro Gilmar Mendes. Na sessão de 2 de junho deste ano, os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Celso de Mello seguiram o relator. Já os ministros Teori Zavascki e Luiz Fux seguiram a divergência, no sentido da validade da lei estadual.

Na sua manifestação em agosto de 2015, no início do julgamento da ação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o momento era de dar um passo à frente no processo civilizatório brasileiro, apesar da vaquejada ser reconhecida como um patrimônio nacional. Ele afirmou que o STF deveria ter posicionamento contramajoritário para vencer situações consolidadas pelo tempo, citando dois casos classificados como “evolução da jurisprudência”: a farra do boi e as rinhas de galos. Para ele, a Justiça, ao proibir as práticas, optou pela “evolução do nosso processo civilizatório”. Janot afirmou na ocasião que existem estudos técnicos que apontam que a prática da vaquejada provoca danos aos animais.

O julgamento foi retomado na sessão desta quinta com a apresentação do voto-vista do ministro Dias Toffoli, favorável à constitucionalidade da lei cearense. Ele entendeu que a norma não atenta contra nenhum dispositivo da Constituição Federal. “Vejo com clareza solar que essa é uma atividade esportiva e festiva, que pertence à cultura do povo, portanto há de ser preservada”, disse. Segundo o ministro, na vaquejada há técnica, regramento e treinamento diferenciados, o que torna a atuação exclusiva de vaqueiros profissionais. Na mesma sessão votaram também a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Ricardo Lewandowski, ambos pela procedência da ação.

Assim, seguiram o relator os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e Cármen Lúcia. Ficaram vencidos os ministros Edson Fachin, Teori Zavascki, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

Clique aqui para ler o voto do ministro Marco Aurélio.

ADI 4.983

Marcos Alves Pintar disse:
07 de outubro de 2016 às 00:25

Ainda não fizeram uma lei no Brasil para determinar quando o cidadão comum fará suas necessidades em casa. Pelo jeito, essa lei não tarda.

henrique morais disse:
07 de outubro de 2016 às 04:56

Será que algum membro do stf já viu a olho nú como se mata um animal para o ser humano comer? Se há crueldade na vaquejada, imaginem num frigorífico qualquer que seja ele ou numa moita.
Mas ainda resta aos nordestinos a pega de boi, recentemente exibida na novela velho Chico.
Bancada ruralista e nordestina devem apresentar uma pec para constitucionalidade a vaquejada.
Tanta coisa para se julgar e o STF preocupado com vaquejada.

Pek Cop disse:
07 de outubro de 2016 às 07:28

Foi um passo importante para que aos poucos esse costume de sentir prazer no sofrimento de animais seja desarraigado!!!!

Igor Simões disse:
07 de outubro de 2016 às 16:36

Mesmo com uma grande vitória como essa ainda temos que ler comentários como o do leitor acima que diz: "Tanta coisa para se julgar e o STF preocupado com vaquejada." Pois é, meu caro, tentar tornar algumas causas menos importantes e urgentes do que outras, tendo como base apenas seu preconceito especista, só torna falacioso esse seu argumento.
Incrível crer que ainda há pessoas que consideram entretenimento a prática de tortura em animais. Isso é intolerável!
É o momento de dar um passo à frente no processo civilizatório brasileiro. O mundo evolui! Parabéns aos ministros que votaram a favor dos animais.

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