Temer indica Raquel Dodge, segunda colocada em votação, para PGR

A subprocuradora-geral da República Raquel Dodge foi o nome escolhido pelo presidente Michel Temer (PMDB) para assumir o comando da Procuradoria-Geral da República no lugar de Rodrigo Janot, a partir de setembro. Primeira mulher a ser indicada para a vaga, ela ficou em segundo lugar na lista tríplice organizada pela entidade que representa membros do Ministério Público Federal — desde 2003, é a primeira vez que o primeiro colocado não é escolhido.

O nome ainda precisa passar por aprovação do Senado. O candidato mais votado, Nicolao Dino, foi visto no Planalto como muito próximo a Janot. Vice-procurador-geral eleitoral, ele representou o Ministério Público na cassação da chapa Dilma-Temer e é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Associação Nacional dos Procuradores da República / ANPR

Raquel Dodge é mestre pela Universidade Harvard e coordenou 2ª Câmara de Coordenação do MPF (criminal).
ANPR

Raquel recebeu 587 votos na consulta da Associação Nacional dos Procuradores da República, ante 621 de Nicolao e 564 de Mario Bonsaglia. Neste ano, no Conselho Superior do MPF, ela foi criticada por Janot ao defender critérios no recrutamento de procuradores a forças-tarefas, grupos de trabalho e assessorias no gabinete da PGR, para não desfalcar procuradorias locais.

Bacharel em Direito pela UnB e mestre em Direito pela Universidade Harvard, a subprocuradora já havia disputado a vaga em 2015, quando ficou em terceiro lugar. Ingressou no MPF em 1987, atuou nos processos do “mensalão do DEM” no Distrito Federal e hoje é membro suplente da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, responsável por temas envolvendo consumidor e defesa da ordem econômica.

Ela também integrou a 6ª Câmara (populações indígenas e comunidades tradicionais), na época de sua implantação, e comandou a 2ª Câmara (criminal) até 2014, período em que o MPF passou a investir em ações penais contra agentes de repressão no regime militar.

Em entrevista à ConJur, Raquel afirmou que o MPF deve não só “debelar” esquemas de corrupção como também cuidar de políticas públicas e atuar contra o chamado custo Brasil — entraves estruturais e econômicos do país. “Ninguém deve estar imune à lei penal, caso cometa alguma infração; e ninguém deve ficar privado de serviços públicos essenciais.”

Afirmou ainda que, se escolhida, pediria para o Congresso repassar ao próprio MPF a gestão de recursos para fiscalização das eleições, juntamente com MPs estaduais. Hoje, as verbas são transferidas do orçamento do Judiciário.

Em 2015, durante evento em Brasília, Raquel Dodge afirmou que aplicar penas idênticas a traficantes com quantidades muito diferentes de uma mesma droga sugere “elevado grau de autonomia judicial”. 

* Texto atualizado às 20h25 do dia 28/6/2017, para acréscimo de informações.

Rejane Guimarães Amarante disse:
28 de junho de 2017 às 21:20

Congratulações à competente Procuradora da República e os melhores votos de êxito em seu trabalho !!

O IDEÓLOGO disse:
28 de junho de 2017 às 21:35

É o fim da Operação Lava Jato. Agora, avante... Brasil.

Guilherme - Tributário disse:
29 de junho de 2017 às 08:27

A doutora Raquel certamente encontrará dificuldades para sua aprovação no Plenário. O que se espera é que ela não se curve à sistemática praticada pelos últimos indicados, de sair em negociação com esse objetivo. Competência não lhe falta. E o Brasil quer ver mais gente aprovada por competência jurídica que por habilidades em negociar....

O IDEÓLOGO disse:
29 de junho de 2017 às 08:38

Com a ilustre Procuradora da República podemos afirmar que, acabou a LAVA JATO.

VASCO VASCONCELOS -ANALISTA,ESCRITOR E JURISTA disse:
29 de junho de 2017 às 11:04

Por Vasco Vasconcelos, escritor e jurista. Desejo à futura Procuradora-Geral da República Raquel Dodge sucesso e coragem p/ abolir de vez com a última ditadura a escravidão contemporânea da OAB. Entrar junto ao Egrégio STF com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade do pernicioso, concupiscente famigerado caça níqueis exame da OAB. Não é da alçada da OAB e de nenhum sindicato avaliar ninguém. Vamos respeitar a Constituição art. 209 diz que compete ao poder público avaliar o ensino.
Criam -se dificuldades para colher facilidades. Trata-se do jabuti de ouro OAB que nos últimos vinte e um anos abocanhou extorquindo com altas taxas de inscrições e reprovações em massa cerca de quase UM Bilhão de reais sem nenhuma transparência sem nenhum retorno social sem prestar contas ao TCU triturando sonhos e diplomas gerando fome desemprego depressão síndrome do pânico síndrome de Estocolmo doenças psicossociais e outras comorbidades diagnósticas bullying social uma chaga social que envergonha o país dos desempregados.
Isso é Brasil país dos desempregados e dos aproveitadores. São 14milhões de desempregados entre eles cerca de 130mil cativos ou escravos contemporâneos da OAB devidamente qualificados pelo omisso MEC jogados ao banimento sem direito ao primado do trabalho. A privação do emprego é um ataque frontal aos direitos humanos Assistir os desassistidos e integrar na sociedade os excluídos. Pelo direito ao primado do trabalho fim urgente da última ditadura a escravidão contemporânea da OAB o pernicioso fraudulento concupiscente famigerado caça níqueis exame da OAB bullying social uma chaga social que envergonha o país dos desempregados. "Na nossa sociedade privar o homem do emprego e renda equivale psicologicamente a assassiná-lo". Luther King

Guilherme - Tributário disse:
29 de junho de 2017 às 15:01

Caro Vasco, respeito muito a sua opinião. Ela tem consistência. Mas discordo das suas conclusões. Não me parece que o exame da OAB seja essa “Hidra de Lerna”. Ele é um exame bem simples que qualquer um que tenha cursado uma boa faculdade faz com-um-pé-na-cabeça. O direito é decidido por juízes, criado por legisladores mas “no fundo, no fundo” sai mesmo é da pena dos doutrinadores, dos advogados. Dessa forma, do advogado se exige um mínimo de conhecimento que, infelizmente, muitas faculdades não propiciam. A OAB é a peneira para que não tenhamos a tristeza (principalmente os clientes) de não ver o direito evoluir porque os que com ele trabalham não tem competência. Meu pai (já naquela época) dizia: dou mais valor a um burro zurrando que a um bacharel falando. Meu pai estava errado, mas acho que a OAB não está….

lady bluee disse:
03 de julho de 2017 às 15:25

Como tradição? quantos anos e quantos governos seguiram a tal lista? Lula e Dilma? isso é tradição? E mais, é constitucional essa tal lista? somente desejando saber.

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