Não pode ser bom jurista quem apenas sabe Direito, diz Avelãs Nunes

É importante que as faculdades de Direito deem a seus alunos sólida formação teórica. Mas isso não é suficiente para formar juristas plenos, defende António José Avelãs Nunes, professor de Economia Política da Faculdade de Direito de Coimbra. Em sua opinião, é necessário reservar um espaço para as Ciências Econômicas. 

Avelãs Nunes esteve no Supremo Tribunal Federal a convite do ministro Luiz Edson Fachin para participar da conferência O Direito na Economia Política: a propósito de um livro sobre a Revolução Francesa. Na ocasião, Nunes também lançou seu mais recente livro intitulado A Revolução Francesa – As Origens do capitalismo e a nova ordem jurídica burguesa.

Em seu discurso, Avelãs Nunes fez uma reflexão profunda sobre as relações entre Direito e Economia, e como esta disciplina deve ser ensinada nas faculdades de Direito — não por economistas, mas por docentes da área jurídica.

"As faculdades de Direito não devem formar advogados: devem formar juristas. E estes precisam de saber Direito, é claro; mas precisam também de entender a problemática da História, da Filosofia, da Sociologia, da Economia Política, para poderem compreender o Direito em toda a sua complexidade", afirma.

Divulgação

Fernando Scaff, Edson Fachin, Luiz Cláudio e o conferencista Avelãs Nunes.

Responsável pelo prefácio do livro, o ministro Fachin ressaltou que a obra é uma viagem pela história, mais especificamente a história econômica. “Todos nós sabemos que conhecer o passado é imprescindível para decodificar o presente”, disse o ministro, que destacou a necessária atenção aos princípios da Revolução Francesa — Liberdade, Fraternidade e Igualdade — "que devem levar à ponderação e ao balanceamento, especialmente, à missão que se atribui à jurisdição constitucional entre a omissão cega e o ativismo irresponsável”.

Convidado a compor a mesa, o professor da Universidade Federal do Pará Fernando Facury Scaff, colunista da ConJur, apresentou traços da vida e obra de Nunes e analisou a situação brasileira defronte das desigualdades sociais, afirmando, com apoio em Avelãs Nunes, que não há democracia sem estado social.

Clique aqui para ler a exposição de Avelãs Nunes.
Clique aqui para ler a exposição de Fernando Facury Scaff.

Gabriel da Silva Merlin disse:
27 de maio de 2017 às 10:47

A declaração do Professor apenas mostra qual tipo de "economia" vai ser ensinada, porque dizer que não há democracia sem Estado Social é de um absurdo sem tamanho, provavelmente para fazer uma afirmação dessas ele deve se achar a reencarnação de Jesus Cristo.

Curso de Direito é para aprender a legislação e sua aplicabilidade, se quer aprender economia ou vá correr atrás ou troque de curso.

Ernani Neto disse:
27 de maio de 2017 às 14:37

Filosofia e Sociologia e História idem. Sem uma bagagem de experiência de vida associada ao conhecimento acadêmico e profissional, um jurista é muito incompleto. E é só o que tem por esse nosso Brasil.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
29 de maio de 2017 às 14:37

Hoje em dia tem assessoria de imprensa que faz qualquer medíocre "ser reconhecido" como jurista.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.