O Iluminismo, no século XVIII, foi um marco histórico a partir do qual houve um rearranjo dos eixos de poder no mundo, desmanchando-se a secular ligação entre Estado e Igreja Católica, passando a ser o Homem o núcleo central de preocupação da humanidade.
O Absolutismo de Direito Divino dos Reis saía de cena, inaugurando-se um novo tempo em que os poderes do Estado tinham limites e começava a nascer a ideia de cidadania, junto com a República, na qual vinha embutida a essência da alternância no poder a ser garantida por eleições.
No Brasil, o processo todo foi tardio e tudo começou por aqui já quase no século XX, mas com a peculiaridade de que só votavam na República Velha os homens ricos. Isto, um ano após abolirmos a escravidão.
Nossa democracia é muito jovem. Mulheres votam há poucas décadas, temos péssima distribuição de riqueza apesar de termos a oitava economia do mundo e segundo o Fórum Econômico Mundial sermos o quarto país mais corrupto do planeta (apenas à frente do Chade, da Bolívia e Venezuela).
Nossos padrões educacionais são atrasados e altos os níveis de desinformação política. Para se ter uma ideia, no índice Pisa (Programme for International Student Assessment) de 2015, num universo de 70 países analisados, o Brasil ficou na posição 66 em Matemática, 63 em Ciências e 59 em Leitura.
Dificilmente você encontra alguém que se recorde um mês após as eleições em quem votou para o Poder Legislativo. Sem memória do voto, praticamente impossível a fiscalização do mandato. Isto gera abismo entre representantes e representados. A atitude dos parlamentares ao produzir a legislação muitas vezes evidencia isto porque as leis parecem ser produzidas para o interesse deles, e não, da sociedade.
Nossa democracia foi concebida para ter como instrumentos concretizadores os partidos políticos. No entanto, as investigações acerca da corrupção que estão expondo as entranhas do país mostram claramente que os partidos vêm se desviando destes papeis de forma brutal, sendo hoje, com raras exceções meros instrumentos para a aquisição pura e simples do poder num contorno tão maquiavélico que jamais se poderia imaginar.
Até na operação “carne fraca” deflagrada na sexta-feira (17/3), que revelou esquema macabro de adulteração de carne, inclusive usada em merenda escolar bem como de propina para fiscais, aponta-se desvio de dinheiro para partidos políticos.
A abundância do número de partidos é surreal e inimaginável. Não existe qualquer migalha de coerência ideológica a programa partidário, com raríssimas exceções. O que se quer apenas é a fatia do fundo partidário e a possibilidade de negociar financeiramente o tempo de TV e outros espaços.
Os partidos políticos se transformaram em empresas. Não existe militância verdadeira. Não cumprem a lei. Concedem legendas a fichas sujas sem qualquer constrangimento ou desconforto, à luz do dia ou na calada da madrugada, como se pretendeu anistiar o caixa 2 eleitoral sem identificação dos votos, à exceção do PHS, PPS, PSOL e Rede.
Assim aconteceu, por exemplo, em 2010 com o famoso caso de José Riva, candidato ao governo do Mato Grosso. Respondia ele a mais de 100 ações de improbidade e tinha já quando requereu a legenda mais de 10 condenações confirmadas em segundo grau. Qual o nome que se deve dar ao ato concessivo de legenda pelo partido político a este indivíduo?
Este cenário, com certeza representa um grande desafio para o Ministério Público Eleitoral que precisará encontrar os melhores caminhos para cumprir seus papeis de defesa da sociedade na busca de coibir os abusos de poder econômico nas eleições, quer pelos partidos, quer por atos individuais dos candidatos.
Neste diapasão, causa escândalo a ideia de se instituir voto em lista fechada numa suposta reforma política, que deveria sim buscar aproximar representantes de representados pelo instrumento do voto distrital misto com pequenos distritos.
O sistema de lista fechada é ótimo em países com ótimo controle da corrupção, ótimo sistema partidário, educação bem organizada e povo politizado e bem informado. Na Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega, Nova Zelândia, excelente. Jamais no Brasil de hoje.
Neste sistema, os eleitores não votam mais em pessoas, mas apenas nos partidos políticos. Ou seja, votariam no escuro, às cegas. Os partidos montariam as listas. Poderiam incluir nomes de investigados pela "lava jato".
Quem no Brasil tem alguma identidade com partidos políticos? Quem conhece o programa do partido ou suas propostas?
Precisamos de transparência, de abertura de listas, e não de fechamento delas. Precisamos de conscientização da sociedade e de fortalecimento da cidadania. Não temos maturidade para esta guinada.
O propósito é óbvio. A impunidade. A blindagem dos investigados. Que não haja o império da Lei. O Ministério Público precisa agir preventivamente em defesa do regime democrático, cumprindo seu papel constitucional.
Exatamente porque os partidos andam mal das pernas é que precisamos fortalecê-los. A criação das listas fechadas pode ser um caminho a forçá-los a ter identidade ideológica clara e coesa, como forma de diferenciar-se das demais candidaturas.
Ademais, partidos sem nenhuma expressão seguramente receberiam votos insuficientes para ter representatividade no Poder Legislativo, acabando com, ou ao menos contendo, o fenômeno da captação de sub-celebridades com o fim exclusivo de chamar a atenção do público e angariar votos.
Ao contrário, deixar os partidos ao sabor das candidaturas de celebridades e de políticos conhecidos mas de pouca ética é que os enfraquece e coloca em perigo a democracia.
Hoje seria mais um esconderijo dos políticos mencionados em nenhum fato relevante em prol da nação.
Hoje a lista fechada não passa,repiso-me, de esconderijo, de uma caverna para que o eleitor não perceba em quem está votando.
Essas modificações de fôlego (reforma política, da previdência etc) jamais deveriam ser efetuadas pelo Congresso atual, em razão das múltiplas citações em investigação criminal.
Partidos políticos pululam mais do que uma metástase de câncer e a culpa, com a devida vênia, cabe à Colenda Corte ao proibir a cláusula de barreira partidária.
Hoje, basta um número ínfimo de eleitores para que se forme uma legenda à custa dos contribuintes brasileiros, por causa do famigerado Fundo Partidário.
E o que é pior, as suas excelências, invés de diminuir o número de congressistas(senador/deputados federais e assessores), deputados estaduais e de vereadores, querem criar novo Fundo.
Daqui a pouco o contribuinte trabalhará apenas para sustentar políticos oportunistas.
Será que foi isso que o Marechal Deodoro quis ao proclamar a República?!!!!
Democracia não se pode confundir com inflação de políticos e com metástase de partidos.
Nos EUA 435 deputados federais e 2 senadores por Estado.
Aqui 513 deputados federais e 3 senadores...e o que é pior:senador sem voto!
Inadmissível ter suplente(vice!) no Senado.
Absurdo o contribuinte pagar 2 salários:para o suplente e para aquele que é subalterno do Executivo.
Quem quiser fazer parte do Executivo que renuncie e tenha novas eleições.
Aliás, como também ponho como exemplo os EUA.
No mais,parabéns pelo artigo.
Como o ministério público vai agir se seus membros, pelo menos a maioria, se aliaram aos políticos para conseguirem, em nome do patrimonialismo e do corporativismo, aprovação de leis que lhes garantam mais e mais dinheiro e outros privilégios do erário público, como é o caso dos inúmeros e imorais auxílios?
No Brasil só vislumbro duas saídas possíveis para acabar com os privilégios das castas e promover alguma dignidade ao restante da sociedade: Um ditador de espírito público que detenha o apoio popular e das forças armadas, instituído para fazer as reformas necessárias; ou através da educação, principalmente política, desses milhões de analfabetos políticos que insistem em votar nos mesmos políticos e têm medo de protestar contra as castas poderosas(judiciário, MP, defensores públicos, TCUs e políticos), através das quais são humilhados e sofrem o diabo.
Ocorre que a primeira opção está praticamente descartada, visto que as forças armadas não vai mais se meter nessa aventura, pois até hoje sofre em razão de experiência passada. Quanto a segunda opção, é viável, tendo como maior problema a questão temporal, pois, no andar da carruagem, levaria ou levará, conforme o caso, mais de um século. Até lá, só sofrência à maioria e caviar para a minoria.
É como já se disse e v. sabe bem demais. Se fosse para o bem do ESTADO DE DIREITO RESPEITADO, não poderia fazer isso, mas em DEMOCRACIA tudo pode pois, é um regime de governo criado pelos politicos, só para eles, que não tem NENHUMA LEI. Portanto, a lei é de quem chega e assume o governo com esse regime de governo sem lei cognominado DEMOCRACIA. Dizer que Hitler não foi democrata é o mesmo que dizer que ele não teve poder total sobre a Alemanha segundo sua lei democrática. Se ele obedecesse o Estado de Direito e o Respeitasse, não faria o que fez pois, o regime jurídico de qualquer pais não tolera o que foi feito. Agora, democracia tolera tudo pois, é um regime de governo sem lei e faz a lei quem tem a força e o poder. PENSE NISSO!
INDO.............................. Voto em lista fechada é um golpe contra a democracia". Onde está essa lei! Se for achada no regime jurídico do Estado de Direito E, RESPEITADO, então o golpe é contra CF/88. Mas se for achar essa lei em outro lugar, então nem conflito existe com o Regime Legal do Pais, pois, um é legal e vigente com suas leis e o outro só existe na boca e vontade dos p(u)líticos. Já dizia o filósofo: "Enquanto existirem as leis, o homem não terá liberdade. " Se o Estado de Direito que ainda é respeitado, não estivesse de olho no seu ato, seria ótimo viver em democracia. Neste caso v. jamais seria responsabilizado por seu atos. FAÇA ISSO!
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Tem razão Dr. Roberto. Além disso, as raposas não podem pretender ter o direito de criar regras de funcionamento para o galinheiro. Elas são suspeitíssimas. Só uma Assembleia Nacional Constituinte PURA E EXCLUSIVA salva o Brasil desse pessoal.
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