Trabalhador será indenizado por acidente após exame demissional

Uma empresa de alimentos foi condenada pela 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho a pagar indenização substitutiva ao período de estabilidade a um trabalhador que sofreu acidente de carro quando retornava do exame médico demissional. Para a 1ª Turma, o acidente ocorreu no curso do aviso prévio indenizado, caracterizando acidente de percurso.

O trabalhador foi dispensado em julho de 2009, e, como não compareceu para receber as verbas rescisórias, a empresa ajuizou ação de consignação em pagamento na 1ª Vara do Trabalho de Teresina. O escriturário, por sua vez, apresentou pedido de reconvenção afirmando que, devido ao acidente, ficou sem poder trabalhar por 60 dias devido a uma fratura do antebraço. Segundo ele, “só descobriu que sofrera acidente de trabalho no momento da homologação da rescisão”. Pediu, assim, o reconhecimento do direito à estabilidade acidentária.

O juízo de primeiro grau acolheu o pedido de reconvenção e condenou a empresa ao pagamento da indenização substitutiva, composta de 12 meses de salários e férias, terço constitucional, 13ª e outras verbas. O Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (PI), porém, considerou indevida a estabilidade por entender que o contrato de trabalho estava extinto, uma vez que o acidente ocorreu um dia após ele ter sido informado da rescisão.

Para o relator do recurso do escriturário no TST, ministro Hugo Carlos Scheuermann, o acidente ocorreu quando ele realizava ato que diz respeito à extinção contratual, que é o exame demissional. Assim, entendeu caracterizado o acidente de percurso para fins do artigo 118 da Lei 8.213/91, que trata da garantia do emprego. Em seu artigo 21, inciso IV, alínea "d", essa lei, que dispõe sobre a Previdência Social, equipara a acidente de trabalho o acidente sofrido pelo segurado "no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado".

O ministro assinalou ainda que, considerada a projeção do aviso prévio indenizado, o contrato de trabalho ainda não estava extinto no momento do acidente. Dessa forma, restabeleceu a sentença. A decisão foi unânime. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

Processo 132600-33.2009.5.22.0001

O IDEÓLOGO disse:
24 de março de 2017 às 07:05

Mais uma interpretação jurídica da Especializada, totalmente equivocada.
Adiós, Justiça do Trabalho.

Nelson Cooper disse:
24 de março de 2017 às 10:11

O objetivo da estabilidade acidentária é evitar que o bom empregado ( que a empresa não tem interesse em desligar a curto prazo), afastado por acidente de trabalho, seja demitido tão logo retorne.
Seria natural que uma empresa , após ficar sem o empregado durante um longo período, chegasse a conclusão que o seu trabalho não seria mais necessário.
O que seria injusto pois o empregado não tem culpa de ter sido afastado.
Portanto , a estabilidade de um ano tem como objetivo dar ao empregado a chance de mostrar o seu valor. Se após um ano ele alcançou o objetivo, ele fica. Se não, ele é demitido.
No caso em questão a empresa já manifestou e oficializou a demissão. A empresa já não precisa dos serviços do empregado e, portanto, não tem sentido ele ter uma estabilidade de um ano para mostrar algo que a empresa já se definiu e tomou uma posição.

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