Vivemos um retrocesso mundial dos direitos humanos, diz Zaffaroni

Vivemos um momento de retrocesso do mundo, retrocesso dos direitos humanos causado por aqueles que têm o poder nas mãos e que são os causadores da corrupção. Quem afirma é o jurista argentino Eugenio Raúl Zaffaroni, que coordenou um evento na Argentina sobre corrupção, promovido pelo Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud).

ConJur

Vivemos regressão do Estado de Direito, afirma Zaffaroni.

Em entrevista exclusiva à ConJur, o jurista afirmou que em países da América do Sul como Brasil, Argentina e Paraguai está havendo uma manipulação da Justiça para excluir das eleições líderes populares. Para ele, o que acontece na Argentina atualmente, com a prisão de ex-membros do governo de Cristina Kirchner é uma retaliação política que não havia sequer na ditadura."É isto que estamos vivendo, uma regressão do Estado de Direito muito forte, mas são momentos de luta, de resistir", afirma.

Sobre os caso de corrupção na Petrobras, Zaffaroni aponta que não apenas os agentes públicos, mas aqueles que pagaram a propina devem ser tratados como criminosos.

O trabalho de organizações não governamentais (ONGs) no Brasil também foi criticada pelo jurista argentino. Segundo ele, há um grande poder totalitário que é responsável pela corrupção mundial e que está por trás dessas entidades. Financiadas por esse poder, elas atuam em outros países defendendo seus interesses, como por exemplo ONGs que atuam em defesa do meio ambiente no Brasil mas que são financiadas por ruralistas europeus e dos Estados Unidos.

Ideologia totalitarista
Em sua palestra no evento, Zaffaroni afirmou que, para explicar a gravidade da corrupção neste momento, é preciso compreender o marco do poder. Segundo o jurista, hoje vivemos uma ideologia totalitarista que avança sem limites e que está vulgarizada através de monopólios, de meios de comunicação social.

Essa ideologia, conta Zaffaroni, tem um poder imenso e formou uma nova oligarquia planetária, onde 1% da humanidade tem a riqueza que os 57% mais pobres precisariam para sobreviver.

Essa poder criminoso, segundo o jurista, está inserido na política e não tem limites éticos ou morais. A crise de 2008 é um exemplo das práticas desse poder. Segundo Zaffaroni, o que gerou a crise foi um macro estelionato, onde bancos ofereciam créditos para comprar imóveis, as pessoas compravam imóveis, e isso foi crescendo junto com o preço dos imóveis até que um dia acabou o crédito, os preços dos imóveis despencaram e as pessoas ficaram sem imóveis e com dívidas.

ConJur

Evento organizado por Zaffaroni teve palestra do ministro Barroso, do STF.
ConJur 

Outra forma de atuação dessa oligarquia planetária, conta Zaffaroni, é o trabalho escravo à distância. Esse grupo de milionários, diz, explora outros países e ainda diz ser uma boa ação, pois estaria oferecendo condições à população miserável destes países.

Ao afirmar que este mundo criminoso destrói democracias, Zaffaroni diz que o corrupto vira um refém do corruptor para a vida inteira: "A capacidade de oferecer [dinheiro] deste totalitarismo [da corrupçao] é infinita, e o funcionário que recebe, idiota, fica refém deles para a vida toda, porque eles conservam documento, eles podem extorquir o sujeito a vida toda", disse.

Com isso, afirma o jurista, as democracias são destruídas e, com o monopólio dos meios de comunicação, essa oligarquia vai manipulando a informação e gerando uma exclusão estrutural, na qual buscam manter 30% da sociedade incluídos e os outros 70% excluídos. 

Em sua opinião, quando a eficácia desse modelo de concentração de poder acabar, terá início então a uma nova onda de repressão, na qual Estados fortes buscarão enfraquecer a soberania dos periféricos. 

"Esse é o mecanismo, este é o marco da corrupção. O que é a corrupção hoje e por que tem a importância que tem? Porque o meio de dominação das corporações transnacionais, que são os criminosos que estão controlando, os macro criminosos que estão controlando o poder do mundo, que querem controlar o poder do mundo, que querem ocupar o lugar da política e, por isso, têm que enfraquecer os Estados", acusa.

analucia disse:
07 de novembro de 2017 às 17:12

este discurso de comunista comove e engana bem, mas não dura muito tempo

VASCO VASCONCELOS -ANALISTA,ESCRITOR E JURISTA disse:
07 de novembro de 2017 às 18:06

Por Vasco Vasconcelos, escrito e jurista. Direitos humanos? Este é o país dos desempregados e dos aproveitadores que lucram com o desemprego, triturando sonhos e diplomas, gerando fome, desemprego o, depressão, síndrome do pânico, síndrome de Estocolmo doenças psicossociais e outras comorbidades diagnósticas.
E por falar em escravidão, o Egrégio Supremo Tribunal Federal- STF ao julgar o INQUÉRITO 3.412 ALAGOAS, dispondo sobre REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA A DE ESCRAVO. ESCRAVIDÃO MODERNA, explicitou com muita sapiência (…) “Para configuração do crime do art. 149 do Código Penal, não é necessário que se prove a coação física da liberdade de ir e vir ou mesmo o cerceamento da liberdade de locomoção, bastando a submissão da vítima “a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva” ou “a condições degradantes de trabalho”, condutas alternativas previstas no tipo penal. A “escravidão moderna” é mais sutil do que a do século XIX e o cerceamento da liberdade pode decorrer de diversos constrangimentos econômicos e não necessariamente físicos. Priva-se alguém de sua liberdade e de sua dignidade tratando-o como coisa e não como pessoa humana, o que pode ser feito não só mediante coação, mas também pela violação intensa e persistente de seus direitos básicos, inclusive do direito ao trabalho digno. A violação do direito ao trabalho digno impacta a capacidade da vítima de realizar escolhas segundo a sua livre determinação. Isso também significa “reduzir alguém a condição análoga à de escravo”
Dito isso, em sintonia com a lição do egrégio STF, OAB também deve ser denunciada a OIT – Corte Internacional de DHs (...), por impedir o aceso dos seus cativos ao mercado de trabalho, por leva-los à condição análoga a de escravidão, impedindo do livre exercício ...

Observador.. disse:
07 de novembro de 2017 às 18:31

Ver como a ideologia vermelha ainda faz escola.
E aproveito para registrar quão chocante foi ter observado as comemorações da revolução russa, mola mestra para a implantação do comunismo, sistema ideológico que matou milhões de pessoas mundo afora.
Milhões.
De fome, então, uma morte cruel, nem se fala.
Pena que os mortos não falam.
O que diriam os mortos pela fome na Ucrânia?
Na China?
No Cambodja?
O que diriam os mortos na Polônia, dividida por nazistas e comunistas, tendo visto seus Oficiais serem chacinados na Floresta de Katyn, e ainda ter que engolir que alguns manipulem a história e para considerar comunistas guerreiros da liberdade.
Liberdade de quem?
Sempre foi um regime assassino e cruel com seu próprio povo.
Algumas corporações se alimentavam da miséria do povo engambelado no conto da sereia.

E agora, com os anos passados, o comunismo utiliza-se de outras roupagens para engambelar incautos mundo afora.
Mesmo com o exemplo clássico da destruição da Venezuela, continua-se a prosperar tal idéia nociva pelos corredores acadêmicos.

Lamentável.

Marcelo-ADV disse:
07 de novembro de 2017 às 20:25

Zaffaroni, grande mestre!

Esse sim tem lições de verdade para ensinar.

José Paulo Weide disse:
08 de novembro de 2017 às 08:10

"A crise de 2008 é um exemplo das práticas desse poder. Segundo Zaffaroni, o que gerou a crise foi um macro estelionato, onde bancos ofereciam créditos para comprar imóveis, as pessoas compravam imóveis, e isso foi crescendo junto com o preço dos imóveis até que um dia acabou o crédito, os preços dos imóveis despencaram e as pessoas ficaram sem imóveis e com dívidas."
Eu nunca havia visto um resumo tão estúpido e demagógico quanto este, nem em discussões no Facebook. Então foi o fim do crédito, com suposta consequência de queda do preço dos imóveis que levou as pessoas a ficarem sem os mesmos imóveis?
Ufa! E eu achava que o problema era a falta de capacidade de pagamento, mas foi o de crédito! O Lula também pensa assim!

Marcos Alves Pintar disse:
08 de novembro de 2017 às 14:06

O costume de medir os outros com a própria régua é algo da qual algumas mentes não conseguem se libertar. Ora, Zaffaroni é um jurista conhecido no mundo todo, um estudioso cujas ideias podem ou não coincidir com determinada corrente política, sem a ela se vincular.

Observador.. disse:
08 de novembro de 2017 às 18:46

O fato da p essoa ser conhecida no mundo (jurídico) todo, tem qual significância? A fama tem o condão de ser um escudo a qualquer tipo de crítica?

Por isso somos essa nação de tolos letrados.
Somos impressionáveis.
Se admiramos alguém, tudo o que tal pessoa escreve, publica ou diz, é visto como um tratado divino.
Herege é aquele que aponta falhas nos argumentos.

Acho Zaffaroni um grande mestre.Nem, por isso, concordo com tudo que ele diz ou escreve.
Mas a trechos que demonstram sua genialidade.Ao menos em ser ouvido por alguns.Pena que o aplaudem mas não põem em prática suas denúncias.
Este trecho é fulcral:
"O trabalho de organizações não governamentais (ONGs) no Brasil também foi criticada pelo jurista argentino. Segundo ele, há um grande poder totalitário que é responsável pela corrupção mundial e que está por trás dessas entidades. Financiadas por esse poder, elas atuam em outros países defendendo seus interesses, como por exemplo ONGs que atuam em defesa do meio ambiente no Brasil mas que são financiadas por ruralistas europeus e dos Estados Unidos."

Quanto a crise de 2008, foi basicamente causada por um sistema que replicou a fórmula da pirâmide.
Por algum tempo o sistema funciona.
Mas o problema da crise foi o excesso de crédito sem a análise devida da capacidade de pagamento dos tomadores.
Em um certo momento, bancos e tomadores de crédito se tornaram cúmplices de um sistema que não poderia dar certo por muito tempo.
E aí, como em qualquer situação que envolva o ser humano, o justo paga pelo pecador.

O capitalismo tem muitas falhas.
É o pior dos sistemas econômicos. Excetuando-se todos os outros.
É uma hipocrisia enorme viver da maravilhas tecnológicas e do desenvolvimento criado pelo capitalismo, mas ganhar dinheiro?! criticando-o.

Junior Azevedo Martins disse:
08 de novembro de 2017 às 22:44

É por conta desse tipo de "pensador" que quase a Argentina, Brasil e Paraguay quase foram para o buraco, mas, fazer o que, têm indivíduos que se não tiver espaço para ele num Governo Democrático ele torce para que se transforme numa ditadura não se importando se com isso a população vai ser escravizada, viciada, sodomizada, escorraçada e etc..

Viva lá Venezuela, Viva lá revolucion, não é isso Sr. Zaffaroni!

Neli disse:
10 de novembro de 2017 às 13:11

Aprendi Direito Penal ,também, com as Lições de Zaffaroni!
Só que, data vênia!
Ele menciona que o Brasil está sendo manipulado pelo Judiciário, para excluir "líderes populares”.
Todos têm amplo direito de defesa!
E mais.
Deveria ser excluído do processo eleitoral brasileiro o político que coloca seus interesses pessoais acima do interesse público.
Quem pratica Caixa 2!
Aliás, esse não é um crime tipificado no Código Penal, mas, o que é pior, muito pior, praticado pelo político contra o Processo Eleitoral Democrático.
Será que se sua campanha tivesse prestado contas do que gastou, sem nenhum centavo de Caixa 2, teria sido eleito?
E quem cumpriu? Teria sido derrotado?
O político para ter "popularidade" realiza eventos, contra o interesse público, aí foco no Brasil: Copa do Mundo, Olimpíadas, gastando dinheiro público em estádios em detrimento da saúde, educação, moradia, saneamento, merece o encômio de um douto penalista como o senhor?
E quanto aos Crimes contra a Administração Pública, notadamente Corrupção (ativa e passiva), é o mais abjeto dos crimes, porque o corrupto (ativo ou passivo) é pior do que o latrocida comum.
O latrocida rouba e mata uma pessoa, destrói uma ou duas família já o corrupto (latrocida do erário) destrói milhares de famílias, inclusive moralmente.
E gerações de brasileiros foram condenadas à eterna ignorância graças aos latrocidas do erário.
O povo é, pelos latrocidas do erário, pisoteado em seus direitos humanos.
A Constituição de 88 deu cidadania para bandidos comuns, ela não pode ser interpretada literalmente, num inciso escoteiro.
Deve ser aplicada no todo em seus princípios (direitos à vida, segurança, saúde educação, ao Processo Democrático Eleitoral sadio etc.) que foram repudiados pelos latrocidas do erário.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.