Suicídio em SC mostra que vivemos histeria coletiva, diz professor

“Só a tragédia pode chamar a atenção de uma população que vive uma histeria coletiva.” A frase é do desembargador Lédio Rosa de Andrade, magistrado no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, ao comentar o suicídio de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina.

Também professor de Direito da UFSC, Andrade definiu a morte de seu amigo como um sinal de que o fascismo está crescendo junto com o abuso de autoridade punitivista que busca popularidade.

Bilhete encontrado no bolso do reitor após ele se jogar de vão de shopping. 

"Achávamos que tínhamos derrubado a ditadura. Cometemos um erro. Porque os ditadores de espírito nunca morrem, eles estão sempre aí. Estão aqui neste momento, alguns deles. Esperando a hora de voltar, sempre", desabafou Andrade, que classificou o momento é grave e necessita de ação.

O professor de Direito falou sobre a necessidade de se combater o que vê como práticas fascistas que vêm tomando conta do Brasil. "Esta noite fiquei a pensar quando a humanidade errou e não parou Hitler no momento certo, quando a humanidade errou e não parou Mussolini no momento certo… Eles estão de volta. Será que vamos errar de novo e vamos deixá-los tomar o poder? A democracia não permite descanso. Eles [os fascistas] estão de volta. Temos que pará-los", completou.

Andrade também falou do papel da imprensa no processo que levou o reitor Cancellier ao suicídio. "Em nome da liberdade de imprensa, se exerce a liberdade de empresa privada para impor desejos privados à coletividade. Em nome da liberdade de julgar, neofascistas humilham, destroem, matam", destacou.

Assista abaixo ao discurso do desembargador:

Justiçamento e antecipação de pena 
Outra manifestação de apoio ao reitor veio do Instituto dos Advogados Brasileiros, que aprovou uma nota de pesar e repúdio, assinada pelo presidente nacional, Técio Lins e Silva, pela morte de Cancellier.

De acordo com a nota do IAB, de iniciativa do diretor e membro da Comissão de Direito Penal, João Carlos Castellar, o reitor foi vítima fatal do que chamaram de processo penal do espetáculo.

“O IAB repudia atos de justiçamento público, antecipação de penas privativas da liberdade e quaisquer decisões judiciais tomadas em desrespeito aos princípios da presunção da inocência e da ampla defesa, alicerces maiores do devido processo legal”. (Clique aqui para ler a nota do IAB). 

Discussão técnica e prisão 
Cancellier foi preso acusado de estar obstruindo a investigação de esquema de desvio de verbas que deveriam ser aplicada em bolsas na UFSC. O suposto esquema teria ocorrido em gestões anteriores à sua. O reitor foi preso preventivamente para depor, porém, sequer havia sido convocado para prestar explicações. Nem direito a uma condução coercitiva lhe foi dado.

Além de preso, Cancellier ficou proibido de frequentar a universidade. Os jornais noticiaram um esquema de desvio de R$ 80 milhões. Porém, essa era a verba destinada a todo o programa. O suposto desvio seria de R$ 400 mil.

Deivid Willian dos Prazeres, advogado de Cancellier, conta que a alegada obstrução foi feita sob orientação técnica jurídica. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou que pararia seus repasses se a UFSC não apurasse o desvio. O reitor consultou a procuradoria da universidade, que o aconselhou a determinar que a Advocacia-Geral da União investigasse.

Diante desse cenário, a corregedoria da universidade abriu processo administrativo afirmando que o professor estava obstruindo as investigações. A Polícia Federal foi acionada à partir desse processo administrativo e acabou por pedir a prisão do reitor.

Em vida, Cancellier se mostrava perplexo com o rumo que tudo tinha tomado. Para ele, era uma discussão técnica sobre se a investigação deveria ser feita pela corregedoria da universidade ou pela AGU.  E ele sempre lembrava que agiu sob orientação da procuradoria da UFSC. 

Professor Edson disse:
05 de outubro de 2017 às 17:21

Quem são os fascistas senhor desembargador? ???? Por favor de nome aos bois.

Professor Edson disse:
05 de outubro de 2017 às 17:21

Quem são os fascistas senhor desembargador? ???? Por favor de nome aos bois.

Drake disse:
05 de outubro de 2017 às 17:45

Um comunista defendendo criminosos. Tô chocado.

Neli disse:
05 de outubro de 2017 às 19:20

Se o sr. desembargador pesquisar, verá que o senhor reitor não foi o primeiro e nem será o último suicida no País.
Dias atrás li que é grande o número de suicida no Brasil.
Inclusive idosos.
Lamento pela vida que se foi.
Por outro lado, ele, o senhor reitor, não foi o primeiro acusado a se suicidar.
Nos EUA, anos 1980, um político chamou uma entrevista coletiva e no meio da entrevista se matou. E ministro japonês acusado se suicidou.
E, parece-me, que tanto no Japão quanto nos EUA não existiam "fascistas" "punitivistas" e nem "histeria coletiva".
Infelizmente, não existe histeria coletiva nas milhares de mortes que existem no Brasil pela insegurança pública. Não existe histeria coletiva:
a)pela falta de saúde.
b)pelo dinheiro público desperdiçado em Copa do Mundo, Olimpíadas.
c) em dinheiro público não aplicado em infraestrutura.
Não existe, infelizmente, histeria coletiva pela condenação de milhares de brasileiros à eterna ignorância pela falta de educação.
Tudo isso, excelência, foi causado pelos crimes contra a Administração Pública (caixa 2 também) perpetrados por quem deveria respeitar o dinheiro público como uma divindade.
Uma pena não ter histeria coletiva: se tivesse, não iríamos ver que o País do Futuro (na minha infância, anos 1960), se transformou num país embrutecido e sem esperança de futuro (agora na minha velhice!).
Não tem futuro, porque não houve (e nem há) histeria coletiva para apurar os crimes perpetrados contra o POVO BRASILEIRO.
Punitivismo? Não há!
Se houvesse todos estariam apenados e até agora nenhuma centena.
Data vênia, fascistas são aqueles que condenaram o Brasil a esse eterno subdesenvolvimento,inclusive moral.

Paulo Cabral disse:
05 de outubro de 2017 às 20:57

Eu estou chocado é com os comentários que vão sendo feitos por pessoas que não conhecem os fatos nem quem era o Prof. Cancellier e mesmo assim o comparam com ouros suicidas acusados. É, a histeria punitivista é coletiva e estes não aceitam, se quer por hipótese, possa o investigado ser inocente. E se é inocente, a dor da injustiça e da humilhação pública decorrente dessas operações mudiaticas. Razão assiste ao Desembargador, os fascistas estão aí. Não ptedis m, sequer por um instante, na condição de on

Le Roy Soleil disse:
05 de outubro de 2017 às 20:59

O que o eminente Desembargador disse, e concordo com ele, é que há uma onda de fascismo na sociedade brasileira. E que os fascistas estão em toda parte. Inclusive no Ministério Público e no Poder Judiciário. No que também concordo com Sua Excelência.

Holonomia disse:
06 de outubro de 2017 às 00:31

Não conheci o reitor, mas provavelmente lhe faltavam paciência, para aguardar o processo, e humildade, qualidade rara na academia. A sua morte, de todo modo, é lamentável, como toda morte prematura.
Talvez ele fosse inocente, pois nós humanos erramos, mas nem por isso, penso, o suicídio tenha sido a melhor saída. E se era culpado, pode ter sido vergonha ou fuga, o que provavelmente só saberemos no outro plano, porque o processo, quanto a ele, acabou.

Ramiro. disse:
06 de outubro de 2017 às 04:06

Bretch que bem colocou, "a cadela do fascismo está sempre no cio".
Falam na defesa da moral e dos bons costumes, falam na defesa da moralidade, falam na grandeza de um país purificado das mazelas e das corrupções... Personagens conhecidos, Hitler, Mussolini, Franco, Salazar... e a primeira coisa que que fazem...

Quando um homem briga com um porco, ambos saem totalmente elameados, a diferença é que o porco muito se diverte.

Assistindo palestra do Professor Geraldo Prado, este alertou bem à infantilização das carreiras jurídicas, cargos importantes ocupados por pessoas infantilizadas. A diferença entre o adulto e a criança é que o adulto é consciente das consequências dos seus atos, a criança nunca os assume e sempre acredita, na hora do perigo, numa solução mágica.

Já vimos disso antes? Quando o Senador Eunício disse em entrevista que o Senado também analisa o impeachment de Ministros do STF, quem quiser que entenda.

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade;

Artigo 39 da Lei 1.079...

Entre "movimentos bestas livres", "catões de geladeira", histrionismos... 2018 vem aí. No Rio o "bispo salvador" protetor contra o "comunista" virou pífia piada. Os "posers" neo liberais de redes sociais aprenderão da pior forma possível o que é capitalismo... obsolescência programada e descarte.

"O Congresso é uma lata de lixo". Quem gosta de gritar em geral nega, fica irritadinho quando é lembrado, mas é fato de que se trata de uma minoria. A política muda como as nuvens, palavras de Magalhães Pinto.

Ramiro. disse:
06 de outubro de 2017 às 04:13

Não me agrada lembrar Stalin, ainda mais quando este estava factualmente com a razão, ao final da Segunda Guerra Mundial.
Do Papa ao STF, quantas divisões armadas comanda o STF?

http://www.valor.com.br/politica/5141972/congresso-pode-analisar-impeachment-de-ministros-do-stflembra-eunicio

Se o fio da situação continuar sendo esticado, é bastante esperado que de dois a três ministros do STF já levem pela lata um impeachment pelo Senado, o que não faria mal à nossa democracia, sabendo que não existem virgens nos bordeis.

O que vejo é gente infantilizada olhando para construção política e jurídica do Brasil acreditando em virgens nos bordéis.

Não vamos dizer que é um fenômeno só nosso. O nazismo e o fascismo eclodiram num momento econômico propício.

Agora só falta, não é improvável, alguém sair dizendo que a Science é uma publicação esquerdopata, como toda a universidade em qualquer lugar do mundo seria um reduto de esquerdopatas.

http://science.sciencemag.org/content/early/2017/04/21/science.aal4617.full

Vão dizer também que o Instituto Nacional de Saúde dos EUA é esquerdopata?

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28438988

O IDEÓLOGO disse:
06 de outubro de 2017 às 12:13

Todo mundo se sensibilizou com o suicídio do Magnânimo Reitor.
E não é para menos. Um intelectual com excelente posição em uma Universidade pública.
"O brasileiro é emotivo, do estilo pouco racional. Suas decisões são completamente pautadas em uma ideologia implantada com a copa de 70. Para agravar este quadro, lidamos uns com os outros na política como se briga por um time de futebol. Quantas vezes observamos pessoas que nem sequer conhecem um país desenvolvido e falam que o Brasil é melhor. Óbvio que não existe um paraíso aqui na terra, um lugar onde tudo é perfeito, mas convenhamos que o Brasil poderia ser muito melhor do que é. Pior é aquele que diz: “Aqui não tem terremoto! Não tem guerra e nem tornado e tudo que se planta dá!”. Bom, sinto informar que não é só o terremoto que tira a vida das pessoas, e digo mais, morre mais gente proporcionalmente aqui pela violência do que em terremotos no Japão ou no Chile. Sabe, eu entendo a natureza, ela é assim e se você como ser humano ainda acha que pode vencer a natureza, está completamente enganado. Devemos respeitar e nos adaptar a ela("http://www.verdadeiramente.com.br/post/95861539383/realidade-brasileira).<br/>Não estamos em Estado Punitivista, mas em Estado omisso.

Paulo Cabral disse:
06 de outubro de 2017 às 21:15

Eu estou chocado é com os comentários que vão sendo feitos por pessoas que não conhecem os fatos nem quem era o Prof. Cancellier e mesmo assim o comparam com outros suicidas acusados. É, a histeria punitivista é coletiva e estes não aceitam, sequer por hipótese, possa o investigado ser inocente. E se é inocente, a dor da injustiça e da humilhação pública decorrente dessas operações midiáticas. Razão assiste ao Desembargador, os fascistas estão aí. Não é preciso nominá-los.

Analista de inteligência disse:
07 de outubro de 2017 às 09:01

Há um grave erro de leitura quando, por ocasião de uma situação trágica como o suicídio do professor, articula-se punir os policiais e não discutir o modelo que provoca e possibilita com quer fatos como esse se repitam todos os dias, principalmente com pessoas humildes que não possuem uma roda de amizade influente. A polícia de investigação do Chile, PDI possui um lema: "investigar para prender", ao passo que em nosso país, a fim de se mostrar uma falsa utilidade e operacionalidade do sistema de investigação, o lema é "prender para investigar". Então vemos que o que se deve discutir é qual o modelo de investigação devemos adotar para que haja eficiência investigativa, sem que isso resulte em violação á direitos. Essa é a questão e para isso debater a estrutura das polícias investigativas, o modelo de investigação preliminar e o instrumento de sua formalização é vital.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.