Gilmar afirma que nunca viu mídia tão opressiva como no caso Lula

O ministro Gilmar Mendes disse nesta quarta-feira (4/4), durante o julgamento do pedido de Habeas Corpus de Lula, que nunca viu uma cobertura tão opressiva da imprensa como a atual. Ele qualificou como chantagem a campanha deflagrada pelos principais veículos de comunicação que pressionam a corte para tornar automático o encarceramento de réus condenados no primeiro e no segundo grau.

Carlos Humberto/SCO/STF

Ministro Gilmar Mendes analisa como chantagista cobertura da imprensa. 

"Nesses meus 15 anos de Supremo Tribunal Federal eu já vi quase de tudo. Mas nunca vi uma mídia tão opressiva como essa que está sendo feita neste caso. Se tivermos que decidir causas como essa porque a mídia quer esse ou aquele resultado, melhor irmos para a casa”, disse Gilmar Mendes.

Como exemplo, citou reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre as férias em dobro dos ministros do STF. Ele afirmou que, embora defenda o fim da prática, divulgar o assunto neste momento foi uma clara tentativa de chantagem.

Citou também reportagem da Rede Globo que, em sua visão, buscou expô-lo como um juiz incoerente, o que ele repudia.

Além desses exemplos, outros veículos de imprensa publicaram reportagens com esse tom. A revista Veja apresentou em sua capa da última edição o desenho de forcas, afirmando que a operação "lava jato" irá acabar se o STF conceder Habeas Corpus a Lula. 

Já o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem afirmando que a ministra Rosa Weber irá definir o julgamento e viabilizar ou não a "ofensiva petista ao Planalto".

Para o ministro, a mídia encetou um engodo ao fazer crer que a discussão central se dá em torno de Lula e não sobre um valor maior que é a obediência a uma cláusula pétrea da Constituição.

Gilmar admitiu que a Justiça criminal é falha e disse conhecer “como poucos” o sistema carcerário brasileiro e suas injustiças e violações, ao promover mutirão quando era presidente do Conselho Nacional de Justiça. A iniciativa liberou muitos presos que estavam encarcerados de forma indevida.

“Lido com essa questão pela ótica dos direitos humanos, não da demagogia, pela onda do punitivismo. Conheço a realidade de quem não pode pagar advogado”, disse o ministro.

Professor Edson disse:
04 de abril de 2018 às 17:05

É simples ministro, bastaria vossa excelência não ter votado por duas vezes favorável à prisão antecipada, o que parece para todo o Brasil que o senhor mudou o voto por pressão dos seus amigos corruptos, a imprensa não tem culpa, vossa excelência tem uma facilidade em conquistar descrédito, é o seu carma ministro, é mais forte que vossa excelência.

João B. G. dos Santos disse:
04 de abril de 2018 às 23:27

Vá para casa e se puder leve junto os seus colegas Celso e Marco Aurélio, ambos Mello.

Sidnei A. Mesacasa disse:
05 de abril de 2018 às 09:03

O que mais impressionou foi ele argumentar que aguardar passar em julgado seria em favor dos pobres... Quer calar a imprensa? E na verdade a surra que ele levou foi nas redes sociais. Todo mundo abomina essa criatura.

Jeronimo Neves disse:
05 de abril de 2018 às 09:16

As constantes intervenções do Dr. Gilmar nas posições juridicas dos seus colegas de bancada, aliadas aos verdadeiros discursos narcisistas, me fazem crer que o Dr. Gilmar pretende se exibir como o ministro que ensina e orienta os demais colegas, com o objetivo de ser identificado como a eminencia parda e, assim, beneficiar o seu curso de direito. Nesse caso concreto, é oportuno lembrar que "os que não podem pagar advogados" - por isso mesmo - são excluidos da prestação jurisdicional alegada. Se não pode pagar advogado, muito menos pode pagar advogado que cobra honorários mais caros, para patrocinar sua defesa perante tribunais superiores.
Soa como se fosse demagogia e hipocrisia.

Marcos Alves Pintar disse:
05 de abril de 2018 às 09:44

Realmente, o mundo dá muitas voltas, como diz o ditado popular. O ministro Gilmar Mendes sempre teceu duras críticas ao PT e ao próprio Lula, sendo acusado de ter sido nomeado pelo PSDB. Hoje, os ministros nomeados pelo PT dão as costas à Lula, ávidos por agradar às massas, enquanto Gilmar defende posicionamentos que claramente favorecem Lula e o PT. Creio que, para o bom observador, essa situação deve servir como um vigoroso alerta.

Vítor Rios disse:
05 de abril de 2018 às 10:12

Esse ministro não tem coerencia nenhuma com seus votos!!!
Marcou Aurélio e Celso de Melo sempre mantiveram posicionamento contrário a prisão definitiva em segunda instância!! Toffoli já era esperado pelo historio!!
Agora Ministro Gilmar não passa segurança nenhuma

JA Advogado disse:
05 de abril de 2018 às 11:03

O ministro diz que já viu de tudo em 15 anos. Nós brasileiros também já vimos de tudo e estamos cansados de tanta impunidade, que muitas vezes é "concedida" em nome de princípios jurídicos inaceitáveis diante da realidade atual. Quem é indiciado, denunciado e condenado em duas instâncias já não pode mais falar em presunção de inocência, data vênia. O que surge após tudo isso é a presunção de culpabilidade. E cá para nós, a prisão não mata ninguém. Vários ex presidentes foram presos por razões diversas, como o Fujimori no Peru e vários outros ex presidentes argentinos. A prisão é pedagógica, necessária, sob pena de brindarmos à impunidade.

JA Advogado disse:
05 de abril de 2018 às 11:09

Outra coisa que é imperiosa é limitar o tempo de cada ministro para votar. Não precisamos (ninguém precisa) de aulas de Direito Romano em julgamentos, de longas perorações de quem precisa julgar rápido porque tem sobre a mesa (ou na gaveta) centenas de outros casos para julgar. Quem precisa fundamentar uma opinião (voto) em 50, 80 páginas, é porque não tem muito o que fazer na vida, o que com certeza não é o caso dos ministros do nosso engessado e lentíssimo STF.

Silva Cidadão disse:
07 de abril de 2018 às 14:31

O ataque a imprensa feito pelo GILMAR MENDES, nada mais é do que a reação de alguém, que a todo momento, é flagrado e denunciado, por ela, tornando pública a conduta imoral de um ministro.

Silva Cidadão disse:
07 de abril de 2018 às 14:31

O ataque a imprensa feito pelo GILMAR MENDES, nada mais é do que a reação de alguém, que a todo momento, é flagrado e denunciado, por ela, tornando pública a conduta imoral de um ministro.

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