Oliver Stuenkel: Por que votamos em Hitler

Texto originalmente publicado no site do El País em 08/10/2018.

Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, Hitler sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Hitler usava um linguajar simples, espalhava fake news, e os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absurdo. Hitler era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. Como escreveu em seu livro "Minha Luta":

Toda propaganda deve ser apresentada em uma forma popular (…), não estar acima das cabeças dos menos intelectuais daqueles a quem é dirigida. (…) A arte da propaganda consiste precisamente em poder despertar a imaginação do público através de um apelo aos seus sentimentos.

Em terceiro lugar, muitos alemães sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Hitler prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte moderna e os costumes culturais progressistas que surgiram por volta de 1920, época em que as mulheres se tornavam cada vez mais independentes, e a comunidade LGBT em Berlim começava a ganhar visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a antiga ordem. Os conselheiros de Hitler eram todos homens heterossexuais brancos. As mulheres, ele argumentou, deveriam se limitar a administrar a casa e ter filhos. Homens inseguros podiam, de vez em quando, quebrar vitrines de lojas, cujos donos eram judeus, para reafirmarem sua masculinidade.

Em quarto lugar, apesar de Hitler fazer declarações ultrajantes – como a de que judeus e gays deveriam ser mortos -, muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos alemães que tinham amigos gays ou judeus votaram em Hitler, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Hitler poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

Em quinto, Hitler ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aplicando a pena de morte com mais frequência e aumentando as sentenças de prisão. Problemas econômicos, segundo ele, eram causados por atores externos e conspiradores comunistas. Os judeus – que representavam menos de 1% da população total – eram o bode expiatório favorito. Os alemães "verdadeiros" não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado em slogans fáceis de lembrar: "Alemanha acima de tudo", "Renascimento da Alemanha", "Um povo, uma nação, um líder."

Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Hitler porque ele prometeu — e implementou — um atraente regime clientelista, cleptocrata, que beneficiava grupos de interesses especiais. Os industriais ganharam contratos suculentos, que os fizeram ignorar as tendências fascistas de Hitler.

Em sétimo, mesmo antes da eleição de 1932, falar contra Hitler tornou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que apoiavam Hitler, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abuso verbal, mas logo passando para a violência física. Muitos alemães que não apoiavam o regime preferiam ficar calados para evitar problemas com os nazistas.

Doze anos depois, com seis milhões de judeus exterminados e mais de 50 milhões de pessoas mortas na Segunda Guerra Mundial, muitos alemães que votaram em Hitler disseram a si mesmos que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao mundo. “Se soubesse que ele mataria pessoas ou invadiria outros países, eu nunca teria votado nele”, contou-me um amigo da minha família. “Mas como você pode dizer isso, considerando que Hitler falou publicamente de enforcar criminosos judeus durante a campanha?”, perguntei. “Eu achava que ele era pouco mais que um palhaço, um trapaceiro”, minha avó, cujo irmão morreu na guerra, responderia.

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os alemães caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas da Alemanha em 1932. Diferentemente do que se ouve hoje em dia, Hitler não era um gênio. Não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade alemã.

Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas ou anti-semitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.

Oliver Stuenkel

é professor adjunto de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Vinicius Domingues disse:
08 de outubro de 2018 às 17:55

Em que pese o artigo faça referência indireta a certo candidato, é notório que outro lado é tão perigoso quanto.
Nesse sentido, o plano de governo apresentado pelo PT, em sua página 17, (disponível em: http://divulgacandcontas.tse.jus.br/candidaturas/oficial/2018/BR/BR/2022802018/280000629808//proposta_1536702143353.pdf) deixa claro sua pretensão de realizar uma nova constituinte, deixando incerto os preceitos dessa nova carta magna.
Portanto, corremos risco sim de uma possível tomada do poder pelo governo do PT, possibilidade completamente ignorada por diversas pessoas e meios de comunicação.
Vivemos tempos obscuros.

Villela disse:
08 de outubro de 2018 às 18:14

Embora muito bem escrito o texto, ele mais desinforma o cidadão do que traz luz ao debate.
Acho que o texto, sim, é um perigo à democracia, que não precisa de tutela como esta.
Esperava mais de um Professor da GV, instituição que tanto amo.

André Godoy Júnior disse:
08 de outubro de 2018 às 19:04

Acho que Oliver Stuenkel não sabe, mas os bolsonaristas estão em todo canto e são especialistas em diversas áreas. Já ensinaram história alemã para os próprios alemães. Já deram uma cutucada intelectual-religiosa no Papa. The Economist é comunista. Aliás, todos são comunistas. Lênio, aqui da Conjur, é comunista. Eu sou comunista. Às vezes alguns jornais são comunistas; outras não. E estamos todos sob uma ameaça comunista desde 1964.

Oficial da PMESP disse:
08 de outubro de 2018 às 20:10

Discurso manjado e sempre constante na “pluralidade” de articulistas do Conjur. Mas a realidade é que os devotos da seita não aprendem. Não aceitam o crescimento e possível vitória de um candidato que não se alinha ao seu espectro ideológico. Martelam que é porque a “elite”, da qual a classe média faz parte, é fascista. Ignoram que ela está cansada de ser tratada como tal e apontada como responsável por todos os males do país. A maioria cansou não apenas da roubalheira do PT e dos partidos fisiológicos, mas também de ser chamada de machista, racista, homofóbica. Não dá para gritar contra um candidato que diz a verdade nua e crua e se calar em relação a um partido que mergulhou o país numa crise política, econômica e social desse tamanho. O Conjur e seu time de articulistas precisam mudar o lado desse velho disco do “nós contra eles”, da elite X povo. Não cola mais.

O IDEÓLOGO disse:
08 de outubro de 2018 às 20:11

Qualquer semelhança com o Brasil atual é mera coincidência.

O IDEÓLOGO disse:
08 de outubro de 2018 às 20:12

Parabéns professor Oliver Stuenkel pelo excelente artigo.

O IDEÓLOGO disse:
08 de outubro de 2018 às 20:33

O professor Bolívar Lamounier fez um estudo excelente sobre os advogados. Igualmente, o incensurável Lenio Streck.
O estudante ingressa na Faculdade de Direito. O objetivo do estudo é formar cérebros e não técnicos. Porém, após obter graduação, percebe-se que o bacharel continua com o mesmo pensamento da classe social que pertencia, antes da Faculdade. A massa cinzenta não foi polida, mas revelou-se resistente à Kant, Heidegger, Hegel, Krishnamurti, Aristóteles, Platão, Sócrates, Shopenhauer, Descartes. Contata-se que ele continua com os mesmos preconceitos, a intolerância ao comportamento que não segue o seu padrão, a limitada visão do mundo, o desprezo à Constituição, sempre suscetível ao tapa nas costas, ao abraço efusivo, ao salamaleque, ao elogio desmedido.
É, talvez explique a crise que enfrentamos, segundo Lamounier.

WLStorer disse:
08 de outubro de 2018 às 20:54

Mais um professor apavorado com a eleição de Bolsonaro.
"Doze anos depois, com seis milhões de judeus exterminados e mais de 50 milhões de pessoas mortas na Segunda Guerra Mundial, muitos alemães que votaram em Hitler disseram a si mesmos que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao mundo."
Trocando os doze anos por treze anos, antes que não chegue a milhões os brasileiros exterminados, em especial, pela falta de segurança e saúde públicas, muitos que votaram no PT estão dizendo a si mesmo que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao Brasil.

Luís Eduardo disse:
09 de outubro de 2018 às 00:17

De forma alguma e longe de se tentar defender Hitler, mas o articulista também tem que falar de outros genocidas, um que matou milhões do próprio povo e milhões de outros povos também e, outro ainda, que matou milhares do próprio povo, que são sempre esquecidos pelos ideologicamente de "esquerda", ou seja, os "contrários iguais" a Hitler, conhecidos por Stalin e Fidel. Estranho, embora em linhas ideológicas diferentes (será?) só se fala de um dos demônios da humanidade, os outros
são sempre esquecidos nesse tema, mas muito exaltados na pregação da partilha social dos bens do povo, por isso, muito exaltados pelos que se beneficiam dos bens públicos e particulares, né PT?. Livrai-nos de todo mal, em especial de "criadores" de "conselhos comunitários com escolhidos dentre os escolhidos pela camarilha", não por votos.

Ramiro. disse:
09 de outubro de 2018 às 00:22

Impossível dialogar com o pensamento raso, tosco, agressivo da "nova direita".
https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/07/analise-campanha-de-bolsonaro-se-alimenta-de-fake-news.htm

E falo também de advogados que se ufanam de ser de direita, de nova direita... Limito-me hoje a advogar.

Estou vendo a hora que vai sair troca de socos e tiros em audiências... mas sigamos. Antigamente a Direita do Brasil tinha nomes do calibre de Roberto Campos e José Guilherme Merquior, Otávio Gouveia de Bulhões, e outros.

Hoje é para sentir vergonha alheia quando em nome da moral e dos bons costumes e da família tradicional brasileira elegem ator pornô decadente deputado federal, divulgadora de fake news, e outros...

Bem a cara desse povo. Gritos de ordem, acusações rasas, aforismos baratos, mas enfim, a extrema direita e extrema esquerda são apenas duas pontas da mesma ferradura na mesma pata de um mesmo cavalo.

No mais uma poderosíssima emissora de TV que cresceu com a ruína de Chateaubriand no regime militar, agora parece ter cavado a própria cova, esqueceu que há uma concorrente tão carniceira quanto aquela foi no passado nos anos 60.

Ramiro. disse:
09 de outubro de 2018 às 00:30

É difícil ver alguém da "nova direita" que não seja raso de pensamento e apologista da nova direita. Já perdi meu tempo tentando discutir em termos razoáveis... não tem argumentos. "- fulano é ladrão. Você é bandido, advogado criminalista é bandido, mais bandido que o bandido...".
Enfim, jamais me esquecerei da tensão num julgamento em juizado, a patrona de uma das partes transpirando tensão e ódio, pensou que tinha descoberto a pólvora, de repente desvelamos que levou o cliente a incursão em dois ou três crimes, e se o Juiz não enviar peças ao MP, podemos fazê-lo...
Agora em nome da moral e dos bons costumes e da família eleger ator pornô, e por aí vai... fora os bispos fundamentalistas que vão surfando na onda...

o perigo maior não é um nazismo tupiniquim, e sim uma teocracia evangélica.

Quanto a queima de livros, há grupos de WhatsApp incentivando seus membros a identificarem e queimarem livros que encontrem em casa... Não teremos uma, mas várias queimas como de Humboldt de maio de 1933...

Umberto Eco foi ao ponto, para o fascismo dissenso é traição, e traição é intolerável, logo o dissenso tem de ser eliminado. Nada melhor para sufocar o dissenso que a ignorância...

Pedro G. Franzon disse:
09 de outubro de 2018 às 05:36

Não se pode comparar o atual pleito com as conhecidas ideologias comuno-facistas, especialmente uma que elegeu Hitler. Hoje diz-se: "Brasil acima de tudo, DEUS acima de todos". A comparação forçada é tentativa de se criar engodo, distorcendo a realidade brasileira. Senhores, leiam o livro do jornalista Leonardo Coutinho, Vestígio, 2018 e comprovem o perigo que corremos com essa esquerda corrupta e maligna que dominou o país por mais de uma década.

Bruno F. Siqueira disse:
09 de outubro de 2018 às 08:51

É um lamento que um escritor como esse esteja a serviço de cegueiras e ideologias mortas. Que não consiga compreender e olhar atentamente para a semelhança que tem a situação da Alemanha de Hitler com o totalitarismo petista.
Infelizmente, na cabeça do escritor, semelhanças militares são o bastante para cega-lo em relação aos milhões de mortos que o comunismo deixou.
Ele se olvida de que Hitler, assim como Maduro, Fidel, Kim, e outros figurões, desarmaram a população do próprio país, e os tornaram reféns de suas arbitrariedades. Todas, claro, dentro da Lei.
Impressiona que, assim como ele, tantos que aqui comentam sacrificam a liberdade individual - que deveria ser um princípio intocável - em nome de uma ideologia que já provou as custas de caros anos de governo e vidas ceifadas, que não funciona.
Por outro lado, é animador ver que o brasileiro se manifestou nas urnas, favorável a quem tem intenções e condições de acabar com todo o sistema de morte criado por governos - esses sim - alinhados ao fascismo.
E por fim, afirmo: sim, o fascismo está mais para esquerda do que para a figura transformadora de Jair Messias Bolsonaro.

Valter disse:
09 de outubro de 2018 às 09:45

Simples assim:
a continuarmos reféns da esquerda populista que não funcionou e não funciona em nenhum lugar do mundo, vamos nos juntar à Venezuela, Cuba, Coreia do Norte e outras pérolas da sub-civilização.

Mauricio1975 disse:
09 de outubro de 2018 às 09:57

Me perdoem, mas considero essa análise rasa como um pires. Não vejo essa similitude entre Hitler e a atual direita brasileira, que é na verdade composta pelos clássicos conservadores e liberais. Os nazistas eram revolucionários e o discurso conservador foi exatamente o atrativo para sua popularidade. Na realidade ele sequer foi eleito. Perdeu a eleição para Hindenburg e entrou no comando da Alemanha pela porta dos fundos. Quanto ao fato de o comando caber aos homens brancos, isso me parece muito lógico, pois 99% dos alemães são brancos. Além de disso tudo, várias figuras nazistas do alto comando eram gays, segundo relatos. Análise rasa que só busca legitimar a eleição de governos populistas, esses sim, verdadeiras ameaças.

LUIZ ANTONIO DO AMARAL disse:
09 de outubro de 2018 às 10:26

Que pena, alguém que se preparou tanto, para escrever baboseiras.......mais um professor aloprado, por certo, temeroso de perder uma boquinha...........

Marco Anthas disse:
09 de outubro de 2018 às 10:37

Muita gente analisa a ascensão de Hitler na Alemanha sob os aspectos gerais da crise econômica e política, mas é importante ver e ouvir como homens e mulheres alemães se relacionavam no sei dia-a-dia, inclusive a partir de suas condições sociais e econômicas, suas visões políticas e como foram cooptados para o nazismo a partir da dessa convivência entre cidadãos e suas famílias, as relações com os judeus e a resposta que estes davam de apoio ou de repulsa.

Para termos clareza disso, acho que um dos filmes que melhor retrata aqueles dias é "HOLOCAUSTO", que tem um grande elenco como Meryl Streep. O movie é um primor aos mostrar as relações sociais de famílias judias como os Weiss e Elms que tinha filha "ariana" casada com filho de judeus.

Ao mesmo tempo em que um jovem advogado sofrendo com o desemprego, recebe atendimento de um médico judeu para sua esposa, e depois adentra no staff nazista, apesar de ser um pacifista e recusa ajuda a esse médico.

O filme retrata as relações hierárquicas entre os homens da suástica, o papel da Gestapo, o porquê da evolução do extermínio com metralhadoras para uso de gás letal. O filme nos faz viajar por Berlim, Praga, Kiev e outras tantas cidades, as histórias de submissão e revolta/resistência dos guethos de Varsóvia.

O filme se encontra disponível no youtube gratuitamente nos seguintes endereços:
1) https://www.youtube.com/watch?v=a6lzc4unEMo
2) https://www.youtube.com/watch?v=6W8R3fqIiJI
3) https://www.youtube.com/watch?v=WS41eMXbQjs&t=28s
4) https://www.youtube.com/watch?v=GviJBsp-Qp0&t=151s

Acho que devemos recomendar às pessoas que assistam esses filmes para terem clareza do julgamento e sentença que levarão para as urnas neste 2º turno e suas possíveis consequências.

Afonso de Souza disse:
09 de outubro de 2018 às 10:50

Fazer vista grossa, como está dito no final do artigo, é reconduzir de volta ao Governo Federal aqueles que perpetraram o maior esquema de corrupção da história do País - e, talvez, do Ocidente. E que, ainda por cima (baixo), nos trouxeram ao atual cenário de radicalização política, cuja mensagem emblemática é o famigerado "nós e eles". Sim, atenção para quem são os verdadeiros sectários e autoritários, que agora tentam se vender como outra coisa.

Sobre a alternativa que se apresenta, e o cinismo dos que falam por aí (e por aqui) em 'fascismo', sugiro a leitura do artigo "Por que o “Ele não” pode acabar se transformando num “Ora, por que não?”", do Gustavo Nogy, publicado na Gazeta.

Eududu disse:
09 de outubro de 2018 às 11:23

Prezado Ramiro. (Advogado Autônomo), sua impossibilidade de diálogo com a "nova direita" deve ser causada pelas fontes de informação que o senhor utiliza.

Outro dia o senhor estava citando com pompa a “The Economist”. Agora baseia seu comentário em reportagem do UOL. Se o senhor encontra na matéria citada uma fonte segura de informação, estão explicados os estereótipos e as caricaturas de que se utiliza para se referir àqueles dos quais discorda politicamente, que o senhor considera “de direita”.

Afinal, nada melhor para sufocar o dissenso que a ignorância, não é?

Quanto a “troca de socos e tiros em audiência” e casos da profissão, nem tudo comporta uma análise e separação conforme a orientação político ideológica dos envolvidos. Pontuar que pessoas de direita sempre agem das formas que o senhor menciona é conjectura oriunda de preconceito. É somente a sua impressão pessoal, que não tem sentido lógico ou racional.

Eu não moro em São Paulo, mas sei que o ator ao qual se refere é Alexandre Frota. Não sei se votaria nele porque não conheço suas propostas políticas. Mas não o excluiria de pronto somente por ser ou ter sido ator pornô. A defesa da moral não se confunde com moralismo. É preciso fazer a distinção.

Engraçado, se o Alexandre Frota ainda fizesse tudo o que já fez, mas fosse de esquerda, certamente estaria sendo aclamado, dando entrevistas aos principais jornais e tvs, todos dizendo que sua eleição foi expressão de repúdio à intolerância e ao preconceito. Porém, como ele diz que mudou de hábitos e se declara de direita, é uma obrigação desmoraliza-lo, bem como denegrir o que ele representa, a “nova direita”.

Mas, Umberto Eco explica, como o senhor mesmo disse. O dissenso tem de ser eliminado. A “nova direita” não pode existir.

Rejane Guimarães Amarante disse:
09 de outubro de 2018 às 11:26

Nasceu em Dusseldorf (Alemanha) em 1982. Graduado pela Universidade de Valencia (Espanha), Mestrado em Políticas Públicas pela Kennedy School of Government (Harvard). É membro não-residente do Global Public Policy Institute (Berlim-Alemanha). Suas pesquisas abordam o Brasil, Índia e China, analisando seus impactos sobre a governança global. Dentre muitas obras, escreveu "The BRICS and the Future of Global Order" (2015)
FONTE - Wikipédia

PLVH1981 disse:
09 de outubro de 2018 às 11:39

O texto de Stuenkel revela a típica narrativa esquerdista modulada para, nas entrelinhas, sugerir que Bolsonaro é Hitler e vice-versa. O autor esquece de contextualizar toda a dinâmica que se passou após a expansão napoleônica na Europa, os efeitos do Vormärz e das Revoluções de Março, a hegemonia dos Hohenzollern e a consolidação do Estado militar que conduziu a Alemanha à derrota na Primeira Guerra. Ignora a força motriz que culminou ma promulgação da Constituição de Weimar em 1919; a crise de 1929 e somente então a ascensão do Partido Nacional Socialista de Hitler. Stuenkel reduz sua narrativa a uma ideia simplista de um suposto terreno fértil do qual o oportunista se aproveita ajustando o discurso em tom alarmista para indicar que no Brasil a serpente começou a quebrar a casca do ovo. Esquece (propositalmente ou por encomenda) que os caminhos trilhados por Alemanha e Brasil em nada se identificam. Não passa de mera verborragia que pretende tirar o foco das reais intenções dos verdadeiros usurpadores da nação.

Ramiro. disse:
09 de outubro de 2018 às 12:37

Criticaram minhas fontes de informação. Poderia sugerir publicação de uma das mais prestigiosas fontes.
PNAS | June 26, 2018 | vol. 115 | no. 26, 6674–6678
Flynn effect and its reversal are both environmentally caused
Por fatores sociais e econômicos está havendo um emburrecimento da população, de matriz biológica.
Até há algum tempo eu tinha o trabalho original de Robert Tyron, se não me engano de 1921, que dá suporte biológico às conclusões do trabalho deste ano.
O esgoto a céu aberto das fake news, um smart phone é um Goebbels em cada bolso, era mais que previsto. Agora não espero que todos saibam do escândalo da Cambridge Analytica, afinal de contas o pior cego é aquele que tem firme convicção de que vê.
Não estamos lidando com um fenômeno espontâneo, há muita psicologia cognitiva em uso. E mau uso.
https://www.revistaforum.com.br/guru-da-ultra-direita-mundial-e-ex-assessor-de-trump-atua-na-campanha-das-redes-sociais-de-bolsonaro/
No esgoto a céu aberto das fake news nas redes, descobriram que o WhatsApp é a única informação de em torno de 80% do eleitorado de baixa renda, e não está sujeito a desmentidos e nem checagem de fatos.
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43481279
Antes da eleições pululam no Facebook testes de orientação política. Particularmente eu respondia, quando o fazia, uns três de forma totalmente discrepante, por perceber que de graça não era. Mas uma imensa parcela não só respondia com sinceridade, como compartilhava.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/12/08/O-que-a-Cambridge-Analytica-que-ajudou-a-eleger-Trump-quer-fazer-no-Brasil
Poderia citar n fontes, mas o neuroticismo é fator de extrema importância, tem intensa correlação com a subjetividade de aceitar falsas memórias.
Julia Shaw tem um bom livro.

Sil disse:
09 de outubro de 2018 às 13:30

Duas opções horríveis é o que temos. Duas seitas radicais e populistas, que dividem o país. As pessoas não dialogam sensatamente, apenas reagem de forma bombástica, agressiva. O outro é sempre o burro, o ignorante que vai levar o Brasil para o brejo. A conversa amistosa, a argumentação inteligente, isto não existe mais. Amizades são sacrificadas em nome deste tipo de discordância radical que vai além da insanidade. Releiam as postagens feitas e respondam com sinceridade: onde foi parar a educação e o respeito pelo seu SEMELHANTE?

Eududu disse:
09 de outubro de 2018 às 13:44

Prezado Ramiro. (Advogado Autônomo), embora tenha criticado algumas fontes que citou, reconheço que o senhor quase sempre enriquece os comentários com boas informações e fontes. O que não quer dizer que esteja sempre certo.

Fake news existem. Mas acreditar na imparcialidade e isenção da grande mídia e das agências de checagem é uma tolice evidente. Ninguém precisa ser tutelado por agências de notícias.

Nos EUA mesmo, estão falando de hackers nas eleições de 2016 até hoje, tentando dizer que houve interferência a favor de Trump. Mas qualquer pessoa honesta sabe que a grande mídia torcia por Hillary e veiculou inúmeras fake news contra Trump. A economia melhora a cada dia, os americanos nunca estiveram tão bem e a única coisa que a grande mídia faz é propagar notícias (muitas falsas) desfavoráveis à Donald Trump. É fato.

Por aqui, p.ex., até pouco tempo matérias jornalísticas diziam que os apoiadores do Bolsonaro nas redes sociais eram robôs. Está aí o resultado da eleição. Alguma agência vai “carimbar” essa fake news da grande mídia brasileira? Não, vão fingir que não houve nada.

Como diz o antigo ditado, toda narrativa tem no mínimo três versões: a minha, a sua e a verdadeira.

Só uma boa formação cultural, espírito crítico e a busca individual por informação e conhecimento é antídoto contra fake news. A circulação de informações deve ser livre. E o filtro depende de cada um.

Agora, a pergunta principal: O emburrecimento da população e a disseminação de fake news é tudo obra da “nova direita”? A esquerda não se utiliza de redes sociais para espalhar fake news?

Rejane Guimarães Amarante disse:
09 de outubro de 2018 às 18:32

No meu comentário, digitei "Olavo", mas o correto é OLIVER.

Roberto de Aquino Neves disse:
12 de outubro de 2018 às 05:23

Eududu (Advogado autônomo), o fato da imprensa ter noticiado os robôs do Bozzo e ele ter ganho no 1º turno, não quer dizer que a denúncia sobre os robôs tenha sido falsa, mas ao contrário, talvez apenas queira dizer que o plano de usar robôs tenha funcionado na eleição!

Roberto de Aquino Neves disse:
12 de outubro de 2018 às 05:23

Eududu (Advogado autônomo), o fato da imprensa ter noticiado os robôs do Bozzo e ele ter ganho no 1º turno, não quer dizer que a denúncia sobre os robôs tenha sido falsa, mas ao contrário, talvez apenas queira dizer que o plano de usar robôs tenha funcionado na eleição!

pp.martorano disse:
15 de outubro de 2018 às 09:15

Em janeiro de 2003, ele (Lulla) tornou-se presidente. Por que tantos brasileiros instruídos votaram em um ébrio bufão que “quase” levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os brasileiros tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia (com o PSDB) não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado “uma séria” crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um “novo” político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de “Lulla” ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, “Lulla” sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, “Lulla” usava um linguajar simples, espalhava fake news, e os jornais adoravam o que ele dizia. “Lulla” era politicamente “correto” de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. “Lulla” nunca leu ou escreveu um livro.

Afonso de Souza disse:
15 de outubro de 2018 às 18:06

Roberto de Aquino Neves (Advogado Assalariado), um complemento: robôs são usados por todos os principais candidatos, e isso não é de agora. A candidatura Bolsonaro é/foi a mais espontânea e descentralizada (e também descoordenada) delas todas.

Eududu disse:
15 de outubro de 2018 às 18:46

Roberto de Aquino Neves (Advogado Assalariado), pode crer.

É, isso mesmo. Os robôs funcionaram tão bem que participaram de lives ao vivo, fizeram carreatas e manifestações de apoio, ovacionaram e carregaram o candidato nos braços por vários lugares que ele passou.

Devem ser robôs russos de última geração, melhores do que os utilizados por Donald Trump. Sabem até utilizar urna eletrônica.

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