Procuradores da “lava jato” falaram em derrubar Gilmar do Supremo

Os procuradores da "lava jato" se articularam para tentar achar algo que ligasse o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, à operação. Segundo mensagens trocadas entre eles divulgadas pelo jornal El País Brasil, em parceria com o The Intercept Brasil, os procuradores queriam usar da investigação contra Paulo Preto, acusado de ser operador de propina para o PSDB, para chegar ao ministro. Em algumas mensagens, Deltan Dallagonl sugeriu pedir que autoridades da Suíça procurassem menções específicas ao nome do ministro.

Nelson Jr. / SCO STF

Nelson Jr. / SCO STFProcuradores tentaram ligar Gilmar Mendes a Paulo Preto, acusado de ser operador financeiro do PSDB

As mensagens também mostram que os procuradores, que chegaram a alegar a suspeição de Gilmar, também cogitaram de pedir o impeachment dele ao Senado. Desistiram quando a procuradora Laura Tessler disse ter ficado sabendo que o advogado Modesto Carvalhosa protocolaria um pedido de impeachment de Gilmar.

Os procuradores queriam divulgar que Gilmar era beneficiário de contas e cartões que Paulo Preto mantinha na Suíça. Por isso Deltan sugeriu que seus colegas pedissem a autoridades suíças menções específicas ao nome do ministro nas contas de Paulo Preto. Segundo conversas em um dos grupos no Telegram, procuradores de São Paulo ouviram boatos de que haveria essa ligação — ao El País, os procuradores negaram ter recebido qualquer informação sobre o ministro Gilmar.

Sobre a sugestão de Deltan, Roberson Pozzobon respondeu que estava para chegar um malote da Suíça com alguns documentos solicitados, e que eles esperariam para ver se os documentos pedidos por Deltan já estariam incluídos. "Vai que tem um para o Gilmar… hehehe", comenta ele.

Athayde Ribeiro da Costa respondeu: "Ai vc estaria investigando ministro do supremo, robinho… nao pode". Roberson riu e retrucou: "Não que estejamos procurando, mas vaaaaai que."

De acordo com a reportagem, Deltan foi o principal articulador da tentativa de ligar o ministro Gilmar a Paulo Preto. "E nós não podemos dar a entender que investigamos GM. Caso se confirme essa unha e carne, será um escândalo", disse Dallagnol, ao grupo. Logo em seguida, ele sugeriu que fossem apuradas ligações de Paulo Preto para telefones do Supremo.

Com "unha e carne", Deltan estava se referindo ao fato, aparentemente descoberto por ele logo antes de enviar a mensagem, de que Gilmar foi chefe do jurídico da Casa Civil e advogado-geral da União do governo de Fernando Henrique Cardoso. Paulo Preto também integrara o governo FHC. Estaria aí a ligação, segundo Deltan. "Mas não é novidade que Gilmar veio do psdb e de dentro do governo fhc!!! Cuidado com isso", lembrou Paulo Galvão. Gilmar foi indicado ao Supremo por Fernando Henrique em 2002. Antes disso, foi filiado ao PSDB.

Como Deltan insistiu na tese de que ter feito parte do mesmo governo é indício de fazer parte da mesma organização criminosa, Paulo Galvão interveio de novo. Em nenhum momento eles mencionam o fato de procuradores da República que oficiam em primeiro grau não poderem investigar — ou sequer mencionar em acusações — ministros do Supremo. "Mas cuidado pq o stf é corporativista, se transparecer que vcs estão indo atrás eles se fecham p se proteger", advertiu Galvão.

Roberson Pozzobon tentou ser a voz da razão, mas também sugeriu atropelar a prerrogativa de foro: "Mas acho que temos que confirmar minimamente isso antes de passar pra alguém investigar mais a fundo, Delta".

Investigações e sonhos
As mensagens mostram que os procuradores passaram a direcionar as investigações ao ministro Gilmar. "Sonho que Toffoli e GM acabem fora do STF rsrsrs", disse Deltan, numa mensagem de abril de 2017. No dia anterior, a ministra Cármen Lúcia, então presidente do STF, abriu sindicância para investigar o vazamento de decisões e delações da "lava jato". Tudo indicava que membros do Ministério Público Federal tinha tudo a ver com o caso. Dois dias antes disso, Gilmar havia feito críticas ao modelo de delações premiadas criado pelos procuradores de Curitiba com o então juiz Sergio Moro, que chefiava a operação.

Para tentar realizar seu sonho, Deltan pediu que um de seus assessores, Fábio, levantasse decisões de Gilmar na "lava jato" e fora da operação, para mostrar "inconsistências".

O levantamento faria parte de um pedido de impeachment partindo dos procuradores. Quando levou a ideia para o grupo, no entanto, Deltan foi advertido por todos os lados. "Calma, Deltan", escreveu Laura Tessler. Ela disse saber que Modesto Carvalhosa entraria com um pedido de impeachment do ministro (como efetivamente fez em março deste ano). "Eu não acho que nós devemos fazer pedido de impeachment. outros fazerem é bom", completou o procurador Paulo Roberto Galvão.

Esse, porém, não é o primeiro ato do procurador contra ministros da corte. Na última semana, reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que Deltan também tentou conectar o ministro Dias Toffoli, presidente do STF, a casos de corrupção.

Professor Edson disse:
06 de agosto de 2019 às 14:49

Qual a probabilidade do senhor Greenwald ter manipulado tudo isso??? É verdade que o presidente da Câmara reclamou que o senhor Greenwald manipulou sua entrevista??? É verdade que o senhor Greeenwald tem ligações fortes com partidos de esquerda do Brasil???

Professor Edson disse:
06 de agosto de 2019 às 14:49

Qual a probabilidade do senhor Greenwald ter manipulado tudo isso??? É verdade que o presidente da Câmara reclamou que o senhor Greenwald manipulou sua entrevista??? É verdade que o senhor Greeenwald tem ligações fortes com partidos de esquerda do Brasil???

olhovivo disse:
06 de agosto de 2019 às 15:08

Se somarmos todos os sentimentos perniciosos no ser humano, tais como falta de senso de ridículo, arrogância, egocentrismo, soberba, somado ao vedetismo para "vamos lucrar, ok?", dá nisso aí... um sujeito achando que poderia derrubar ministros do STF. Ou seja, queria investigar a pessoa e não o fato, mesmo sem ter poderes ou atribuições para tanto. E quem ele quer derrubar? Lógico, aqueles que puseram um freio aos seus arroubos acusatórios. Isso atrapalhava seus propósitos mirabolantes, a fama positiva e o "vamos lucrar, ok?". É muita safadeza.

Espartano disse:
06 de agosto de 2019 às 15:32

que não tenham conseguido.

Espartano disse:
06 de agosto de 2019 às 15:32

que não tenham conseguido.

Glaucio Manoel de Lima Barbosa disse:
06 de agosto de 2019 às 16:34

O rei pode tudo. Um jornalista Greenwald pode falaciar falas com manipulações, etc...... O presidente "da Câmara reclama que o jornalista Greenwald manipulou a entrevista"?
Tudo isso em em nome de uma partido politico. Só a camada de baixo da piramide pode ter seu sigilo bancário e telefônico quebrado e está sujeito a fiscalização do ente publico? E o Rei não pode nada. Viva o REI!!!!

ju2 disse:
06 de agosto de 2019 às 16:40

O tal "Professor Edson" deve ser personal trainer. Inteligência passa longe do texto do dito "professor".

olhovivo disse:
06 de agosto de 2019 às 17:00

Nesses diálogos aparece (mais) uma outra face do Dallgnon: é um cara raivoso e vingativo pelo jeito. Talvez isso porque o min. Gilmar era o que mais desmascarava a face de herói do dito cujo e o atrapalhava de angariar fregueses para as lucrativas palestras. O projeto "vamos lucrar, ok?" foi definhando, daí a raiva do cidadão.

Marcos Alves Pintar disse:
06 de agosto de 2019 às 17:09

Culpa do próprio ministro Gilmar e do STF, que não tiveram a força moral necessária a barrar desde o início os abusos da "Lava Jato".

acsgomes disse:
06 de agosto de 2019 às 17:28

A única coisa a se lamentar é não terem encontrada a prova contra o Gilmar.

Paulo Prezotti disse:
06 de agosto de 2019 às 17:28

Boa tarde.
Sempre leio o Conjur e pelo posicionamento fui pesquisar hoje o porque não dão a devida importância as notícias de forma imparcial. Quando vejo isto "Procuradores da "lava jato" falaram em derrubar Gilmar Mendes do Supremo" vejo que há um tentativa de induzir o leitor a acreditar que os procuradores da lava jato tenham agido de forma irresponsável. Só é derrubado se houver alguma coisa muito contundente, ninguém derruba alguém que tenha sua índole incontestável. A pergunta que fica é: Existe relação entre o dono do Conjur e o Ministro Gilmar Mendes? Noticias afirmam que sim!

Ayala disse:
06 de agosto de 2019 às 19:06

"A soberba precede à ruína; e o orgulho, à queda." Provérbios 16:18

wilhmann disse:
06 de agosto de 2019 às 19:09

Estado de direito que uníssono todos alardeiam assomar r nesse país não existe, porque se está como numa esquina de venda de crack, cada soldado quer chegar a ser gerente do tráfico, mais lucrativo, pois sabe que só a venda/denuncia, per se o colocará, sempre, na berlinda. Moro, com suas atuação intercruzada, percebeu isso e veladamente, acreditou(!), que alçaria-se a lugar ( incomum) no STF, o que pode ser um "tiro pela culatra". Gilmar, sicrano, beltrano, pode está envolvido, mas se há lei ruim ou boa, é a que temos; dessarte, temos que vigorá-la ao revés, novamente, cairemos numa armadilha cuja solução será o terrorismo militar, que hodiernamente os PR lava-jato querem "tocar a onça com vara curta", com seus alvissareiros
atos de pusilanimidade. Qq semelhança com a revolução francesa não é mera coincidência, acabou ( esta ) ser tornando tão perversa quanto aos que, antes, combatia.

ANS disse:
06 de agosto de 2019 às 20:26

A operação lava jato vem trazendo desespero aos envolvidos (chega ser hilário os mais diversos tipos sustentação para anular os processos).

João B. G. dos Santos disse:
06 de agosto de 2019 às 21:44

O Toffoli, o Lewandowski e agora o Alexandre poderiam ir juntos.

Neli disse:
06 de agosto de 2019 às 23:14

Solidarizo-me com o Ministro Gilmar Mendes por ter seu nome citado nos diálogos.
Por mais que não goste de suas r. decisões, elas são fundamentadas.
E o Direito, não se pode esquecer, é ciência humana, então, uma questão pode ter duas ou mais interpretações.
Dalanhol deveria ter a sabedoria de sair da Lava-Jato.
Até estava apoiando, depois dos diálogos das Palestras e esse agora!
O Ministério Público Federal fez um trabalho brilhante na Lava-Jato, mas, com esses Diálogos, a melhor alternativa seria sair da Coordenação.
Quanto às Palestras remuneradas.
Qual é a finalidade pública?
Membro do MP e Magistrado (lato senso), não podem exercer outra função, a não ser professor. E dar palestras não seria modo de fugir a essa responsabilidade funcional? (art. 95, Par. Único, I;128, II, D todos da Constituição Nacional).
Qual é a finalidade pública dar essas palestras?
O brilhantismo da atuação do Ministério Público Federal (Polícia Federal e Magistrados), não pode ser apagado por esses Diálogos, notadamente aquele “das Palestras” e este que menciona o Ministro Gilmar Mendes.
O Coordenador deveria ter a humildade em pedir para sair.
Ressalto que os pecados cometidos pelos corruptos, foram mortais.
A corrupção mata, indiretamente, milhares de brasileiros por ano; a corrupção deixou esse País no eterno Subdesenvolvimento.
E a Lava Jato devolveu a esperança ao povo brasileiro.
Por isso, o coordenador e demais procuradores deveriam, em nome do interesse Público, saírem da Lava Jato. E prosseguir, com outros procuradores, o excelente trabalho que está sendo feito em prol do Brasil.
Data vênia.

Carlos disse:
07 de agosto de 2019 às 00:33

Se aqui fosse um Estado Democrático de Direito (o que não é), todos estariam sujeitos a investigações da Receita Federal.

Aqui no Brasil, todos podem ser investigados pela RF, menos os ministros do STF e seus familiares.

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