Por marketing, Deltan propôs monumento à “lava jato”

Fernando Frazão/Agência Brasil

Numa busca desenfreada para tentar apoio para as contestadas medidas contra a corrupção, o procurador Deltan Dallagnol propôs a colegas um concurso para construir um monumento à operação "lava jato". O entusiasmo dele e dos colegas, no entanto, foi freado pelo agora ministro Sergio Moro.

Fernando Frazão/Agência Brasil

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O procurador Deltan Dallagnol, que teve mensagens vazadas 
Fernando Frazão/Agência Brasil

"Precisamos de estratégias de marketing. Marketing das reformas necessárias", disse Deltan em grupo de conversa com colegas em maio de 2016. As mensagens foram obtidas pelo site The Intercept Brasil e publicadas pela Folha de S.Paulo.

Segundo o jornal, o monumento seria erguido em Curitiba, com objetivo de virar um ponto turístico. Deltan até descreveu como seria a obra: "A minha primeira ideia é esta: Algo como dois pilares derrubados e um de pé, que deveriam sustentar uma base do país que está inclinada, derrubada. O pilar de pé simbolizando as instituições da justiça. Os dois derrubados simbolizando sistema político e sistema de justiça…"

O então juiz Sergio Moro foi contra a ideia. Primeiro, disse que seria melhor esperar a operação terminar. Depois, após a insistência de Dallagnol, ele escreveu: "Melhor deixar para depois. Em tempos de crise, o gasto seria questionado e poderia a iniciativa toda soar como soberba". Para Moro, iniciativas que soam como homenagens "devem vir de terceiros".

Os procuradores, por meio da assessoria, voltaram a afirmar que "não reconhece as mensagens que lhe têm sido atribuídas". "O material é oriundo de crime cibernético e sujeito a distorções, manipulações e descontextualizações."

Busca por marketing
A busca por marketing não é uma novidade na operação. Mensagens divulgadas anteriormente mostram Deltan pedindo que Moro autorizasse o uso de dinheiro em poder da 13ª Vara Federal de Curitiba para bancar uma campanha publicitária a favor da "lava jato".

A ideia do chefe da força-tarefa de Curitiba era que a vara financiasse a produção de um vídeo a ser veiculado na TV Globo para divulgar os projetos de reformas legais que os procuradores chamaram de "dez medidas contra a corrupção".

Antes mesmo da divulgação dessas mensagens, reportagem da ConJur mostrou que os procuradores da operação "lava jato" transformaram o acordo de leniência com a Rodonorte, concessionária de rodovias, numa ação de marketing. Parte do acordo é que a empresa dará desconto de 30% no pedágio das estradas do Paraná. Outra parte exige que a empresa diga que o desconto está sendo dado por causa dos bons préstimos da operação "lava jato" ao povo paranaense.

Para advogados, os procuradores tiraram a máscara do combate à corrupção com a assinatura do acordo. Segundo eles, a cláusula de marketing deixou claro que a “lava jato” está mais ligada aos planos políticos de seus protagonistas do que ao combate ao dito “crime de colarinho branco”.

olhovivo disse:
21 de agosto de 2019 às 12:13

Já se disse algures no meio jurídico: "Se perdermos o senso de justiça, temos de rezar para não perder o senso de ridículo". O caso mostra que se perdeu ambos os sensos, tudo decorrente do excesso e da combinação do vedetismo com o egocentrismo e o pavonismo. A perda do senso de ridículo no caso em questão, principalmente, talvez deva servir de alerta a procuradores com senso de responsabilidade e profissionalismo para direcionarem o MPF em instituição séria, recatada, alheia ao vedetismo e, principalmente, uma instituição que busca Justiça e não o exibicionismo ridículo.

Marcos Alves Pintar disse:
21 de agosto de 2019 às 12:35

Na verdade, a questão não envolve senso de justiça. Desde que o mundo é mundo todos querem o poder, e aqueles que já o possuem querem ampliar de forma ilimitada. É da natureza humana. A busca ilimitada pelo poder, bem como o uso abusivo do poderio é o responsável pelos maiores atrocidades já cometidas na história da Humanidade, e atento a essa realidade foi que se criaram as teorias sobre as liberdades individuais, e os meios de controle em relação aos agentes públicos. Juízes, promotores, delegados, etc., não são pessoas melhores, "mais justas", ou com moral superior aos demais cidadãos. São apenas pessoas comuns que exercem funções específicas dentro do Estado, devendo ter suas atuações estritamente vinculadas aos termos da lei. No caso da chamada "Operação Lava Jato", era público e notório, mesmo antes da divulgação dos diálogos travados entre juízes e membros do Ministério Público, que tudo foi feito fora dos meios legais. O objetivo era a busca pelo aumento do poder, facilmente obtido a partir de quando as pessoas menos avisadas passaram a acreditar que os envolvidos com a "Operação" eram justiceiros que iram livrar o Brasil da corrupção. Veja-se que o próprio Moro, pilar central do esquema de corrupção dentro do Judiciário e do Ministério Público, chegou a propor o que ele e seus apoiadores chamaram de "medidas de combate à corrupção", que na verdade eram mecanismos visando aumentar o próprio poder (o mesmo usado por Chavez, Hitler, e tantos outros). No Brasil de hoje não há superjuízes, superpromotores nem nada do gênero, simplesmente porque isso não existe. O que nós termos, efetivamente, são pessoas comuns em busca do poder, para lucrarem, ganharem, subjugarem, perseguirem, etc., etc., como sempre foi desde há milênios.

Afonso de Souza disse:
21 de agosto de 2019 às 13:57

Esses trechos mostram que o Dallagnol se via (vê) numa cruzada algo messiânica contra a corrupção e também que o Moro é bem mais sensato do que ele.

E, acerca da Vaza Jato-Intercept, vale a pena lembrar do que disse o ministro Luís Roberto Barroso: "A corrupção existiu, eu até tenho dificuldade de entender um pouco essa euforia que há em torno disso se houve algo pontualmente errado aqui ou ali", afirmou Barroso. "Porque todo mundo sabe, no caso da Lava Jato, que as diretorias da Petrobras foram loteadas entre partidos com metas percentuais de desvios. Fato demonstrado, tem confissão, devolução de dinheiro, balanço da Petrobras, tem acordo que a Petrobras teve que fazer nos EUA".

Benedito matador de porco disse:
21 de agosto de 2019 às 23:58

Lembro do tempo que tudo era motivo para eles menterem a mão, COPA, OLIMPIADA, GRANDES OBRAS, aqui e no exterior, agora FINALMENTE a corrupção INSTITUCIONALIZADA acabou!!
E a esquerda chooraa, chooooooraaaa, choraa... KKKKKKK

Maria I disse:
22 de agosto de 2019 às 19:27

Algumas Instituições falidas moralmente militam, outros recebem mesadinhas para militares, mas estão vendo o seu fim.. Já disse um velho amigo " A Inveja é a Podridåo dos Ossos". A Maioria brasileira Ama e Torce pela LavaJato e pelos que Conseguiram por Mérito combater a Maior Rede de Corrupção do Mundo.

O IDEÓLOGO disse:
26 de agosto de 2019 às 21:11

Para se combater corrupção usa-se a corrupção.
Só no Brasil mesmo, se apoia um Leviatã para se combater outro Leviatã.
Se fosse nos USA aqueles membros do Estado que utilizaram meios legais, acabariam em um presídio racialmente dividido. Quem não se lembra do Watergate?

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