O presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz, quer estender para todo o país o programa Anuidade Zero, que permite que advogados troquem pontos acumulados por descontos em anuidades. A medida já é adotada por algumas seccionais.

Para cuidar do programa, Santa Cruz formou uma comissão que será presidida por ele. Também integram o grupo: José Augusto de Noronha, como vice-presidente, Pedro Zanette Alfonsin, como secretário-geral, e Ronnie Preuss Duarte, como membro.
Segundo Duarte, conselheiro federal por Pernambuco, a expectativa é que, com a nacionalização do programa, "um advogado que efetue um consumo mensal médio de R$ 700 a R$ 1000 (a depender do valor da anuidade praticado pela seccional), consiga zerar a sua anuidade".
O programa continuará sendo de responsabilidade das seccionais, em parceria com as Caixas de Assistência, mas agora terá a chancela e o apoio do Conselho Federal. A ação faz parte de um "pacote de medidas" para enfrentar o cenário de crise econômica, com reflexos para a advocacia.
Com a criação da comissão do programa, o Conselho Federal vai oferecer tecnologia e ferramentas de gestão para as seccionais, além de consultoria para a implantação da ação. A entidade também pretende negociar nacionalmente com grandes fornecedores, reduzindo os custos administrativos e maximizando os valores acumulados em pontos para abatimento da anuidade.
Funcionamento
O programa funciona como um serviço de pagamento com bonificação. Serão feitas parcerias com comércios para a aquisição de produtos e serviços dessas lojas pelos advogados inscritos regularmente na OAB.
O valor gasto nesses locais será convertido em pontos, que depois serão transformados em descontos ou até mesmo no abatimento total no valor da anuidade. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB.
A minha proposta para a OAB é o depósito do valor da anuidade a cada um de seus associados. Tenho certeza que não abalará os recursos da corporação.
Aí eu vi vantagem, OAB! ta difícil mesmo pagar a anuidade nesses tempos de crise, principalmente para pessoas como eu, advogados do interior do país e de cidades pequenas (a minha tem 6 mil habitantes e a economia gira 100% em torno da atividade agrícola). O pessoal não tem dinheiro pra fazer os pagamentos a vista, ou mesmo no início do processo, mais de 90% dos processos aqui só vou receber no final da ação. uma ajuda dessa seria muito bem vinda.
Paga-se uma anuidade bastante elevada para manter a OAB que dispende parte expressiva do valor arrecadado com a sua manutenção. Não vi retorno pelo valor cobrado. Simples salas de apoio em Fóruns funcionam precariamente diante do número de advogados. O acesso a presidência não é isonômico a todos inscritos. Não se justifica tal cobrança.
Ao contrário do que pensa a maioria dos colegas advogados, cujos posicionamentos são respeitáveis por refletir o entendimento de cada um, a medida anunciada pelo atual Presidente do Conselho Federal é extremamente nociva à advocacia e a própria OAB. Explico. Muito embora se diga comumente que a anuidade da OAB é cara, existem questões que precisam ser consideradas. De início, não discuto que, considerando o que a Ordem entrega ao advogado inscrito, as anuidades são extremamente elevadas. Isso porque, a OAB descumpre sistematicamente a lei, e nem de longe presta o serviço que a Lei determina. Apenas para exemplificar, tenho aqui na minha mesa neste momento três processos em curso pela Comissão de Prerrogativas local, que foram propostos em 2016. A Ordem gastou praticamente três longos anos apenas para o despacho inicial. Inércia, omissão, mal atendimento, pessoalidade, má conduta por parte dos que exercem as funções, são a regra na OAB, e olhando sob essa ótica as anuidades são caríssimas. No entanto, se imaginarmos em tese a Ordem cumprindo suas obrigações, ou seja, saindo na defesa dos advogados, da ordem jurídica, da Justiça na acepção correta da palavra, vemos que na verdade as anuidades não são caras. A advocacia em si, quando bem exercida, já é uma atividade caríssima tendo em vista os inúmeros compromissos que o advogado assume na atuação em favor de seus clientes, significando o valor mensal de uma anuidade muito pouco em relação ao gasto total da atividade. De minha parte, não me importaria em pagar as anuidades no triplo, desde que a OAB cumpra sua missão institucional, obedecendo ao que manda a lei.
Nessa linha, voltando às propostas do atual Presidente do Conselho Federal, observa-se que a pretensão é de vincular a OAB a empresas comerciais, que como retribuição ao direcionamento de cliente em potencial pagaria certos valores à Ordem, que poderia assim diminuir ou zerar o valor das anuidades. Ao invés de prover o funcionamento da Instituição com anuidades pagas pelos advogados inscritos, os recursos necessários à manutenção das atividades seriam angariados junto a empresas particulares. Muito embora a proposta seja sedutora, e possa iludir facilmente os mais apressados, o que temos aqui é o ovo da serpente. Isso porque, na atual conjuntura de total descontrole interno da Ordem, inexiste a mais remota possibilidade de que esses contratos com empresas comerciais, ávidas por lucro e descompromissadas com qualquer princípio ético, sejam firmados de forma isenta e descompromissada, de modo a realmente beneficiar a Ordem e os advogados inscritos. Qualquer convênio nesse sentido seria altamente lucrativo, ao passo que envolveria milhões de reais. Sem licitação ou qualquer forma de afastar a pessoalidade e o favoritismo na contratação, e considerando ainda o total descontrole interno da Ordem no atual momento, as relações de promiscuidade entre os ocupantes de cargos e funções e as empresas comerciais sugaria o pouco que resta da seiva da OAB, que morreria de inanição. O "caixa II" que seria instituído fatalmente como regra para essas contratações, enriquecendo rapidamente alguns advogados, levaria a um cenário de disputa interna sem precedentes, quando as funções institucionais da Ordem, hoje já esquecidas, seriam aniquiladas por completo. Será o fim da OAB, que vulnerável a ataques externos diversos, não teria como reagir.
A história nos mostra que dar o que é agradável à maioria, quando essa se mostra em momento de fragilidade, é na verdade uma forma de instituir processos de subjugação de largo curso, e difícil erradicação. O incentivo ao uso do ópio como política para as colônicas, instituída pela Inglaterra durante o século XIX, ilustra bem a questão. Na época atual, a grande maioria dos advogados odeiam a profissão. Para eles, a advocacia é um fardo que são obrigados a carregar até conseguirem um cargo público, inexistindo qualquer preocupação com o bom funcionamento da OAB, ou com a própria honrabilidade da profissão. As anuidades, assim, são encarradas como "roubo", atraindo assim simpatia imediata qualquer ideia no sentido de afastar a possibilidade de afastar esse pagamento. Resta assim aberta as portas para a subjugação, na medida em que a ilicitude de certas contratações, a influência interna no funcionamento da Instituição por parte dos contratantes, etc., são eventos considerados como irrelevantes em face ao "bem" maior que é o não pagamento das anuidades. Os tempos mudam. A história se repete.
Depois que o atual Presidente (ex-candidato carioca a cargos eletivos na terra do Cristo Redentor) foi duramente criticado pelos Advogados/as acerca de suas declarações infelizes, agora saiu-se com esta nova "pérola".
Típico de politiqueiros.
E parte da "advocacia" parece o povão do cabresto: sempre se contenta com um pé do chinelo...
Era melhor ter ficado quieto. Ou que faça a redução geral e voluntariamente. Agora, ter que gastar para gerar dividendos?!
Parabéns ao advogado Marcos Alves Pintar que deveria ser um dos comentaristas do CONJUR.
Quando vincula o desconto à compra de produtos, a OAB apenas estimula o consumismo inútil e desenfreado. No final das contas ninguém vai gastar menos. Sem mencionar o que ocorreu com os programas de milhagem as Cias aéreas, um verdadeiro golpe.
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