MP-SP ajuiza ação contra estado por alto índice de letalidade policial

O Ministério Público de São Paulo ajuizou ação contra o estado pela alta taxa de letalidade policial. De acordo com os promotores, os índices elevados de ocorrências envolvendo morte de civis e policiais exigem medidas administrativas para controle externo e social das polícias Civil e Militar. 

Eduardo Saraiva/A2IMG/Fotos Públicas

Promotores pedem que o reconhecimento da letalidade policial em São Paulo como violação da Constituição e de diversas convenções internacionais.
Eduardo Saraiva/A2IMG/Fotos Públicas

A ação civil pública foi ajuizada nesta terça-feira (22/5) na 4ª Vara central da Fazenda Pública. Nela, o MP pede obrigações de fazer por parte do Estado para "evitar mortes, aprimorar o controle externo e social das polícias e garantir provas que permitam a responsabilização criminal e civil dos policiais".

Apontando que a letalidade policial aumentou nos últimos 8 anos e traçando comparativos internacionais, os promotores dizem que a polícia brasileira sofre de um grave problema: "ao invés de apenas defender direitos das pessoas, ela também está violando-os; e está aterrorizando-as. Ou matando-as; e morrendo".

Dentre as medidas, o MP pede que o estado instale equipamentos de localização em todas as viaturas das polícia Civil e Militar, e instale escuta e gravação ambiental em todas as viaturas.

Além disso, o MP pede que sejam gravadas todas as ações de policiais em vias e logradouros públicos com câmera fixada no colete dos agentes, e o reconhecimento da letalidade policial no estado como violação da Constituição e de diversas convenções internacionais.

Autoritarismo histórico
Na ação, os promotores explicam que a demanda atende dois fundamentos jurídicos principais: segurança pública e a justiça de transição. Em síntese, afirmam que o modus operandi da polícia traz características da "polícia autoritária que atuou no regime ditatorial e auxiliou as Forças Armadas na sustentação do regime repressivo".

Sustentam a necessidade em adotar a justiça de transição, que seria um conjunto de medidas políticas e jurídicas na transição de uma ordem autoritária para uma ordem democrática.

A Secretaria de Segurança Pública paulista informou, em nota, que não foi notificada da ação até o momento. Afirmou ainda que "todas as ocorrências com morte decorrente de intervenção policial são rigorosamente investigadas".

Assinam a peça de 203 páginas os promotores Eduardo Ferreira Valerio e Bruno Orsini Simonetti, da Promotoria de Direitos Humanos, e o analista jurídico Lucas Martins Bergamini.

Clique aqui para ler a íntegra da ação.
Processo: 1025361-76.2019.8.26.0053

Fernanda Valente

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Manente disse:
22 de maio de 2019 às 19:02

Por estas e outras, que o Estado de São Paulo esta um caos.
Deveriam se preocupar com o alto índice de letalidade das pessoas de bem, que trabalham e pagam religiosamente em dia os impostos e consequentemente os altos vencimentos recebidos pelos senhores, que sequer conhecem e tem coragem de ir aos extremos da cidade de São Paulo.
Como diz o "filósofo" Tiririca: "Pior do que esta não fica".
"Parabéns"!

Luiz Carlos de C. Vasconcellos disse:
23 de maio de 2019 às 10:43

Ações desse tipo são resultado da soma de ócio com hipocrisia e aparelhamento ideológico da instituição. Tenho certeza de que o(s) signatário(s) dessa bobagem não abre(m) mão de sua licença de porte de armas.

Sperandeo disse:
23 de maio de 2019 às 16:35

Interessante saber do entendimento destes signatários, quando tiver um cano apontado para sua cabeça, ou uma parente sofrer um estupro, se não terão a vontade de praticar a letalidade.
O que se percebe, é que os mesmos estão em busca de aparecer.

Roi disse:
24 de maio de 2019 às 08:23

A falta de coisa melhor pra fazer dá nisso. O mp presta um desserviço à população que paga os seus polpudos salários. Ora, vão viajar, pescar, aproveitar o salário que recebem do povo paulista ou então peçam demissão a bem da população.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.