Ministro do STJ manda prender duas desembargadoras do TJ-BA

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, determinou a prisão temporária de duas desembargadoras do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a prisão preventiva de um operador de juiz e o cumprimento de 36 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar um esquema de venda de sentenças em um caso de possível grilagem na corte baiana.

tjba.jus.br

Segundo a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e tráfico de influência. Os mandados estão sendo cumpridos nesta segunda-feira (14/12).

Segundo o G1, as desembargadoras alvos dos mandados são Lígia Maria Ramos Cunha Lima e Ilona Márcia Reis.

Além de determinar a prisão das magistradas e seu afastamento da função pública pelo prazo de um ano, o ministro afastou, por igual período, um desembargador e um juiz do TJBA, um secretário estadual, uma delegada da Polícia Civil e uma promotora do Ministério Público da Bahia. Também foi decretada a prisão preventiva de uma pessoa de fora do serviço público que estaria envolvida com o esquema.

"É inaceitável que os investigados, aparentemente descambando para a ilegalidade, valham-se das relevantes funções que o Estado lhes confiou para enriquecer ilicitamente, em prejuízo da justiça que deveriam fazer prevalecer diuturnamente, afastando-se do dever de reparar ilegalidades e de restaurar o império da lei", afirmou o relator.

Como a decisão do ministro também prevê o afastamento de todos os servidores públicos envolvidos nessa fase, a ex-chefe do Ministério Público da Bahia Ediene Lousado foi afastada, segundo o site Bahia Notícias. Lousado estava com indicação ao Conselho Nacional do Ministério Público pendente desde 2019, aguardando votação em Plenário.

Operação faroeste
A disputa em torno das duas fazendas do oeste baiano é parte central de uma operação que culminou no afastamento de quatro desembargadores e na prisão de uma desembargadora e um juiz do TJ-BA. As prisões e afastamentos foram autorizadas pelo ministro Og Fernandes e ratificadas pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça.

Segundo o Ministério Público Federal, haveria um esquema envolvendo várias instâncias do Judiciário baiano, centrado na atuação de Adailton Maturino, objetivando um imenso processo de grilagem.

A defesa de Maturino, no entanto, alega que ele é o proprietário legal das terras e que teve o direito a propriedade usurpado por atuação Júlio César Cavalcanti Ferreira, apontado como operador de um esquema de venda de decisões judiciais.

O caso das possíveis fraudes e grilagem de terras envolvendo magistrados da Bahia não é novo e já estava sendo apurado pelo Conselho Nacional de Justiça.

Em março, o CNJ derrubou, por 12 votos a 1, uma portaria do TJ-BA proferida em julho de 2015 para cancelar cerca de 300 matrículas de terras e substituí-las por apenas uma, que pertence a José Valter Dias, que alega ser dono de mais de 300 mil hectares — equivalente a quatro vezes o tamanho de Salvador.

O conflito na região do oeste da Bahia acontece há anos. Dias já chegou a conseguir duas decisões que permitiram a reintegração de posse, mas elas foram suspensas em um vaivém de decisões no âmbito do TJ baiano.

Defesa
Os advogados responsáveis pela defesa de Adailton e Geciane Maturino divulgaram nota em que repudiam a narrativa construída pelo Ministério Público Federal neste processo. Eles afirmam que já pediram acesso aos autos da nova fase do processo. Leia a íntegra da manifestação:

Manifestamos profunda perplexidade e preocupação com a forma como o Ministério Público Federal (MPF) divulgou as duas novas fases da Operação Faroeste executadas nesta segunda-feira (14). O comunicado à imprensa do MPF destaca um suposto "esquema criminoso criado por Adailton Maturino dos Santos". Dessa forma, o MPF procura fazer de Adailton um ser onipresente e onipotente. Em uma perseguição abusiva pelo Órgão Ministerial, o administrador de empresas parece ser o único réu do processo citado nominalmente, mesmo não sendo alvo das recentes diligências ou tendo ligação com os alvos, o que tem se repetido a cada nova fase da operação e que cria um ambiente extremamente prejudicial na opinião pública. 

Adailton e a sua esposa, Geciane, estão presos preventivamente há mais de um ano, no âmbito da Ação Penal 940. Além disso, eles tiveram os bens bloqueados e passaportes entregues à justiça, não oferecerem qualquer risco à investigação, não mantém contato com testemunhas e não tiveram qualquer suspeita contra si comprovadas. Inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu recentemente o cerceamento de defesa contra a família. Muitas reportagens fantasiosas têm sido divulgadas a todo tempo com informações de supostas delações ou outros documentos judiciais aos quais a defesa não teve acesso.

Diante desse cenário, como advogados constituídos por Adailton e Geciane Maturino, protocolamos de imediato, um pedido de acesso ao caderno investigatório relativo à nova fase da Operação Faroeste, ao tempo em que repudiamos a forma como o casal tem sido tratado publicamente, submetidos a um prévio julgamento sem provas e a uma pena sem sentença.

Clique aqui para ler a decisão

O ESCUDEIRO JURÍDICO disse:
14 de dezembro de 2020 às 10:00

O fato contido no texto, no qual juízes e desembargadoras foram afastados pelo STJ, prova que, os tribunais devem ser mais flexíveis na admissibilidade dos recursos excepcionais (extraordinário e especial).
A flexibilidade retira do âmbito local questões sensíveis que afetam as elites que, na hora em que a liberdade periclita mediante ordem de prisão, elas se unem.
O advogado Felisberto Odilon Córdova, do Estado de Santa Catarina (que, também tem corrupção, mas é bem menor que na Bahia) disse: “Nós conhecemos os tribunais, como o da Bahia, que são podres inteiramente. Talvez, não tenha 10% de juiz honesto lá dentro”, atacou Córdova, em entrevista à rádio CBN (https://www.conjur.com.br/2017-ago-06/advogado-acusou-desembargador-coleciona-encrencas-50-anos).
Existe corrupção em todo o Brasil. Mas, no Centro-Oeste, Nordeste e Norte é bem maior que no Sul e Sudeste.
Várias explicações são feitas. Uma, é econômica, na qual o Capitalismo não foi "bem recebido" pelas elites locais, que pretendem viver dos benefícios do Governo Federal.
Capitalismo é competição, e as elites das regiões preferem ficar deitadas na "rede", porque, excessivamente preguiçosas (depois falam que é o povo).
O nordestino é um bravo. Ele enfrenta tudo, não tem medo de nada, ao contrário dos descendentes de italianos, alemães, húngaros, polacos, russos e espanhóis.
O nordestino sai de sua terra, vai morar em porão, e trabalha quinze horas por dia no Sul e Sudeste do país, aceita trabalho que, para os descendentes de europeus, é deplorável. Mas, a elite nordestina é violenta, cruel, sugadora de recursos do Brasil.

Liara da Cruz disse:
14 de dezembro de 2020 às 10:49

Só li verdade em sua mensagem, estou no Nordeste desde 2011; amo viver aqui, o povo é sensacional, mas pense em um Judiciário absurdo! Trabalhar aqui é pedreira!!!

Neli disse:
14 de dezembro de 2020 às 16:52

Sem entrar no mérito do atual.
"De lege ferenda", pelo fim do princípio da vitaliciedade para Juízes e Promotores.
Sou contra a vitaliciedade para o magistrado, porque ela é desnecessária para o Bom profissional e serve de valhacouto para o péssimo.
No Brasil, pelo cipoal de recursos penais, um profissional que não enaltece a Administração Pública, é amparado pela vitaliciedade, somente será demitido após largo espaço de tempo, e permanece no Serviço público,remuneradamente.
Deveria ,como qualquer servidor público,responder a Processo Disciplinar e após ser outorgado amplo direito de defesa, receber o demérito da Demissão a bem do Serviço Público.
A função não pode ser maculada por alguém que a desmereça, principalmente por quem pratica crimes contra a Administração Pública.
“De lege ferenda”, o princípio da vitaliciedade tem que ser tirado do arcabouço constitucional, porque se transformou,repiso-me, tal qual uma das Danaides, em amparo para quem não merece.
E a aposentadoria compulsória, ainda que proporcional o vencimento, constitui um desprestígio para o Judiciário(e ao Ministério Público) aos olhos do leigo.
Quem rasga um dos artigos do Código Penal e é aposentado compulsoriamente.Esse tipo de Justiça não enaltece o Judiciário e nem a Administração Pública.
Data vênia.

Valdemiro Ferreira da Silva disse:
14 de dezembro de 2020 às 20:57

J.J. Calmon de Passos quando vivo, cansou de fazer denúncias, as quais nunca deram em nada. Mas não há mal que dure para sempre.

Emanoel Messias disse:
15 de dezembro de 2020 às 09:40

Realmente seu comentário contempla todas as críticas que eu e uma maioria da sociedade faz ao judiciário. Só chamo atenção que, toda base judiciária que temos, foi decorrente de um grande acordo ao longo dos séculos. Onde o dono das terras, formava seu filho advogado e juiz, que futuramente, defenderia suas causas, que na maracutaia, já estavam ganhas...a elite nunca se opôs às beneces do judiciário. Eles sempre caminharam juntos.

José Neto Moreira disse:
15 de dezembro de 2020 às 22:17

Estas fatos não são novos e quem conhece o podre poder deste judiciário a séculos vem sendo dominado pelas elites oligárquicas. Acm cabeça Branca controlava todo o poder judicuario e nomeava quem ele quisesse e ninguém se atrevia a denunciar. A fórmula? Ganhava poder com seus corregilionarios políticos e custurava sua rede de amigos em benefício próprio. A Paralela em toda sua extensão era a mesma situação que ocorreu no oeste baiano. Com uma diferença: Agora o STJ e sua corregedoria tem homens honrados e que mantém ameaças. Espero uma profunda higienização do tribunal de justiça não só da Bahia maus de todo o Brasil.

José Neto Moreira disse:
15 de dezembro de 2020 às 22:25

Espero que este hecatombe sirva de exemplo para os demais Desembargadores e filhos advogados. A criminalidade na Bahia cresceu assustadoramente e pasmem tem advogados lucrando com isso. O código penal e processo penal urge mudanças urgente. Uma pena que os Senadores e Deputados federais não tem interesse em mudança pois podem ser os próximos a serem presos.A cadeia pública anda cheia por causa de muitos políticos e magistrados soltos.

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