Kakay: “Lava jato” e Executivo são siameses no projeto de poder

O Delta estava meio sumido, acuado. Desculpe chamar assim, mas "Delta" é como o subprocurador Aras o chamou para alertar que o que ele fazia era ilegal, era crime, mas ele desprezou, pois afinal era o subchefe da poderosa "lava jato". Convenhamos que, depois que o chefe da "lava jato", o candidato Sergio Moro, saiu, o Delta ficou meio perdido. Também são muitos os escândalos, os questionamentos e as investigações que os membros da operação estão sofrendo. 

Wilson Dias/Agência Brasil

Wilson Dias/Agência Brasil

Antonio Carlos de Almeida Castro
Wilson Dias/Agência Brasil

E, até mesmo, isto é o mais grave, imagino, os valorosos companheiros da imprensa, que tanto fizeram, agora chegam —  que absurdo — a fazer questionamentos. É, Deltan, você deveria ler Augusto dos Anjos:
"Acostuma-te à lama que te espera!
…..
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja".

Mas nada como a certeza de que o CNMP é um órgão pronto a acolher e proteger os procuradores. Pouco importa a quantidade de queixas apresentadas. Em 2 de março, a imprensa falava em 17 queixas contra o Delta. Mas devemos nos lembrar do grito de júbilo do Delta, com os seus: "Aha, uhu, o Fachin é nosso!"

Se no caso do ministro Fachin podia ser só bazófia de um irresponsável, no caso do CNMP é uma realidade: "AHA  UHU O CNMP É MEU!!!"

A maneira atrevida e até insolente com que o subchefe da força tarefa, o Delta, trata o presidente do Supremo, ao questionar hoje uma decisão do ministro Toffoli, demonstra o poder que esse grupo ainda julga ter. Nada como confrontar esse grupo com os abusos que eles patrocinaram. Foram nestes abusos que eles forjaram essa prepotência argumentativa. 

O projeto de poder desse grupo passa por afrontar o Supremo, o Legislativo. O Executivo não, pois o atual Executivo é cria dos abusos deste grupo. Este Executivo autoritário foi gestado nos abusos da operação "lava jato". São irmãos siameses. Estão momentaneamente em crise, criador e criatura, mas é só uma briga de poder. 

Volto a poesia, Pessoa na pessoa de Pessoa: "Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo".  

Vamos colocar esse grupo em seu devido lugar, em nome de um estado de direito que se pretende democrático. Com a palavra o CNMP.

Paulo Sergio Carvalhaes e Souza disse:
21 de julho de 2020 às 22:37

Há muito tempo que venho observando, com pesar, que a linha editorial do "Consultor Jurídico" vem adotando uma posição consistentemente contrária a tudo que se refere à Operação LavaJato e suas Forças-Tarefa e, por conseguinte, aos magníficos esforços e resultados da maior iniciativa anticorrupção de que se tem conhecimento. Usaram a renúncia do Ministro Sergio Moro como justificativa para, mediante o emprego de technicalities (não quero ofender o ConJur usando a expressão "chicanas", que seria a correta), tentar desmontar todo o trabalho feito pela PF, pelo MPF e pela Justiça Federal. Agora,com um aliado do porte do PGR Augusto Aras, essa tentativa de desmonte se facilita a cada dia. Como advogado, fico envergonhado de ver um periódico como o ConJur, que se diz sério, tentar me representar e à minha classe.

Valmira de Paula disse:
22 de julho de 2020 às 11:28

O Delta, vulgo DD como é chamado por Zucoloto nos acordos de delações, se acha poder absoluto, sem deveres algum, só autoridade máxima. Convenhamos, é um sujeito que tem que ser exonerado do MPF e pague pelos seus crimes, junto com Moro, a sociedade agradece.

Max disse:
22 de julho de 2020 às 14:03

Engraçado, agora, atacam a Lava-Jato, mas os trilhões de reais desviados pelos políticos (DEFENDIDOS A POLPUDOS HONORÁRIOS NÃO É SENHOR KAKAY, OU AINDA ESTÁ PAGANDOA VIAGEM AO CASTELO DE CHAMPAGNE NO SEU ANIVERSÁRIO?), ninguém lembra. O dito articulista está entre o seleto grupo de advogados que ganhou fortunas com a Lava-Jato, defendendo as quadrilhas de políticos corruptos. Por isso que eu não votarei em ninguém nas próximas eleições.

Antonio Carlos Kersting Roque disse:
22 de julho de 2020 às 16:18

Esse alinhamento, caro colega, é uma vergonha.
Cadê vez fico mais distante da Conjur.

Sergio Lins disse:
22 de julho de 2020 às 18:12

Gostaria de ver o comentário desse Sr. sobre a roubalheira que foi implantada no Brasil pelos seus defendidos...

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