O advogado Renato de Moraes morreu nesta segunda-feira (18/1), no Rio de Janeiro. Ex-diretor do Instituto dos Advogados do Brasil, era filho do criminalista Antonio Evaristo de Moraes Filho, que defendeu presos políticos na ditadura militar e o ex-presidente Fernando Collor na ação penal no Supremo Tribunal Federal, derivada da CPI do "caso PC Farias", que resultou no processo de impeachment.

Também criminalista, Renato de Moraes formou-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e era sócio do Escritório Evaristo de Moraes ao lado de seu irmão Eduardo de Moraes.
O presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, manifestou desconsolo pela morte do colega: "Com dor e profunda tristeza recebemos a notícia do falecimento desse amigo querido, incrivelmente gentil, que era também um advogado brilhante e um brasileiro indignado, defensor do direito de defesa e da democracia".
A seccional do Rio de Janeiro da OAB decretou luto de três dias pela morte do criminalista. "É uma perda inestimável para advocacia brasileira e fluminense. Renato era um jovem e brilhante advogado, sua partida deixa em todos nós uma imensa dor no peito", afirmou o presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira.
Para o criminalista José Luis Oliveira Lima, "Renato Moraes não era só um talentosíssimo advogado criminal, era também um ser humano diferente. Generoso, gentil, carinhoso, amigo para todos os momentos. Hoje é um dia triste, um dia de luto para a advocacia nacional. Meus sentimentos a toda sua família".
"Terrível a partida precoce de Renato de Moraes", afirmou o também criminalista Rogério Taffarello. "Advogado admirado por todos, era dono de um talento e refinamento inatos, que honravam o legado extraordinário de sua família de exímios criminalistas. Fará muita falta à advocacia brasileira e a seus muitos amigos".
O Instituto dos Advogados do Brasil (IAB) e a Sociedade dos Advogados Criminais do Estado do Rio de Janeiro (Sacerj) divulgaram notas oficiais em que manifestaram seu pesar pela morte do advogado.
"A comunidade jurídica perde um grande defensor da liberdade e um notável criminalista, que tinha a genialidade do clã no DNA e a coragem dos saudosos George Tavares, Heleno Fragoso e Augusto Sussekind, que se notabilizaram na defesa de presos políticos", disse a presidente nacional do IAB, Rita Cortez. "Era um profissional completo: orador dotado de formidável eloquência e carisma; escrevia magistral e didaticamente, o fazendo com igual competência tanto em intervenções processuais como em trabalhos científicos, sempre revelando refinada cultura jurídico-penal", diz trecho da nota da Sacerj.
"Perdi um irmão mais novo, Renato de Moraes. Se Evaristo de Moraes já nos deixou tão cedo, imagina o Renatinho, que ainda tinha muito a fazer por aqui, no meio da gente e com a gente", lamentou o criminalista Luís Guilherme Vieira. "Poucas vezes vi um advogado com tamanha sensibilidade pela dor do seu semelhante. A sensibilidade era de tal monta que seus clientes se tornavam seus amigos fraternais, amigos mesmo, da alegria à dor. Juntos."
Por meio de seu presidente, Luiz Flávio Borges D'Urso, a Academia Brasileira de Direito Criminal (ABDCrim) também lamentou a morte. "Dr. Renato de Moraes era filho de um dos maiores criminalistas de todos os tempos, do membro de nossa Academia, confrade Antonio Evaristo de Moraes Filho, já falecido, patrono de sua cadeira no sodalício. A Academia, em nome de todos os seus integrantes, solidariza-se com os familiares e amigos do colega Dr. Renato. Descanse em paz!"
O Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), em nota, também lamentou a morte. "Filho de Antonio Evaristo de Moraes Filho e neto de Evaristo de Moraes, dois dos mais extraordinários advogados da história brasileira, Renato de Moraes também se destacou como um dos mais talentosos advogados da sua geração, liderando junto com o irmão, Eduardo de Moraes, o icônico escritório fundado pelo avô em 1894. Nesse momento de luto para toda a comunidade jurídica, o IBCCrim se solidariza com os familiares, os amigos e os admiradores de Renato de Moraes".
Não o conheci. Mas vejo pelas manifestações de solidariedade que o advogado era muito admirado e benquisto e essencial para a sociedade.
Espero que o Covid não o tenha tirado do convívio familiar e dos amigos, porque se sim, a tristeza é maior. Meus sentimentos a todos!
Evaristo de Moraes Filho (Rio de Janeiro, 5 de julho de 1914 – Rio de Janeiro, 22 de julho de 2016) foi um advogado trabalhista, escritor, professor universitário e membro da Academia Brasileira de Letras.
Pai de: Antônio Carlos Flores de Moraes e Regina Lúcia de Moraes Moral.
Evaristo de Moraes Filho nasceu na Rua dos Coqueiros, no bairro de Catumbi, filho do casal Antônio Evaristo de Moraes e Flávia Dias de Moraes. Concluiu sua educação básica em 1921, na Escola Pública Nilo Peçanha, no bairro de São Cristóvão, ingressando logo depois no Colégio 28 de Setembro, dirigido pelo general Liberato Bittencourt, onde atingiu o posto de capitão-aluno.
Em 1933 ingressou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde foi colega de Alzira Vargas (filha de Getúlio Vargas), Arnaldo Lopes Sussekind (futuro ministro da Agricultura) e de Benjamin Eurico Cruz (futuro ministro do Trabalho), além de aluno de Leônidas Resende, Hermes Lima e Castro Rebelo, três renomados juristas presos pelo regime varguista quando do fechamento da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Tornou-se bacharel em Direito em 3 de dezembro de 1937, mesmo ano em que fez o curso de extensão em Psicologia com o Professor Euryalo Canabrava. Em 1939 ingressou na recém-criada Faculdade Nacional de Filosofia, tendo interrompido o curso, concluído no interregno de 1946 a 1949.
Casado por sete décadas com Hileda Flores de Moraes, tiveram dois filhos, Antônio Carlos Flores de Moraes que lhe deu como netos Marcos Evaristo , Flávio Luiz, Carlos Eduardo e Laura, como bisneto Bruno Evaristo e Regina Lúcia de Moraes Morel que lhe deu como netos Sérgio e Leonardo e bisneto Guilherme.
Quinto ocupante da Cadeira de número 40 da Academia Brasileira de Letras (continua)...
foi eleito em 15 de março de 1984, na sucessão de Alceu Amoroso Lima e recebido em 4 de outubro daquele ano pelo Acadêmico Josué Montello (Fonte Wikipédia).
Dr. Renato de Moraes,
Nosso querido Renatinho, a prova de que o bom fruto sempre cai próximo à árvore.
Renatinho herdou de seu pai o DNA da defesa criminal, era homem simples e de notório saber jurídico.
Aguerrido e destemido na defesa de seus clientes, dos quais, pela delicadeza e doçura no trato, se tornava amigo íntimo.
Tive a honra de advogar ao seu lado na operação Satiagraha e na assistência de acusação que condenou o então delegado Protógenes Queiroz, ocasião na qual pude compartilhar de seu conhecimento jurídico e do gentil trato pessoal.
Vá com D’us meu amigo, sentirei falta das conversas que tivemos ao lado de um bom dry martine.
A Advocacia Criminal perde um grande guerreiro.
RIP.
Morre um advogado pobre, que se dane. Transformaram o homem em um santo, santo de que? Nasceu em berço de ouro, ja pertencia a classe das ações procedentes mesmo sem direito nenhum. Nojo.
Marly, obrigada em nome de toda a família.
Sarah
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