A Divisão Recursal do Tribunal Superior de Nova York suspendeu, temporariamente, a licença de Rudy Giuliani, que serviu como advogado pessoal do ex-presidente Donald Trump. A ordem, que traz a decisão de um colegiado de cinco juízes, proíbe Giuliani de advogar no estado até que os procedimentos disciplinares contra ele sejam concluídos. A ordem prevê que, depois disso, a licença de Giuliani poderá ser cassada definitivamente.

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Por recomendação do comitê disciplinar, o Tribunal Superior decidiu suspender a licença de Giuliani por tentar enganar ou induzir a erro juízes, parlamentares e o público em geral, em seus esforços para reverter, na justiça, os resultados das eleições de 2020 em favor de Trump.
Giuliani liderou boa parte das mais de 50 ações, movidas em alguns estados, nas quais alegava que as eleições foram repletas de fraudes e as máquinas de votação foram manipuladas para favorecer o candidato democrata Joe Biden. Todas as ações foram trancadas porque traziam acusações sem provas ou por falta de mérito. Em outras palavras, eram litigâncias de má-fé.
A corte explicou que a suspensão temporária, antes da conclusão dos procedimentos disciplinares, se justifica porque "a conduta do reclamado é uma ameaça ao interesse público". A ordem diz, entre outras coisas:
"A seriedade da indiscutível má conduta do reclamado não pode ser exagerada. O país está sendo dilacerado pelos contínuos ataques à legitimidade da eleição [presidencial] de 2020 e de nosso atual presidente, Joseph Biden."
"A marca de nossa democracia se baseia em eleições livres e justas. Declarações falsas, que pretendem gerar a perda de confiança em nossas eleições e que resultam em perda de confiança no governo geralmente danificam o funcionamento apropriado de uma sociedade livre."
"Decidimos que a prova de má conduta contínua, a transgressão incrivelmente séria e a má conduta indiscutível, por si só, irão provavelmente resultar em sanções substanciais permanentes, à conclusão desses procedimentos disciplinares."
A corte também afirma, em sua decisão, que Giuliani "inflamou diretamente" a turba no comício de Trump que resultou na invasão do Congresso em 6 de janeiro. Antes do início da sessão do Congresso, que iria certificar a votação pelo Colégio Eleitoral, Giuliani incitou a multidão a fazer um "julgamento por combate".
Giuliani, que já se defendeu por escrito, através de seus advogados, terá direito a uma ou mais audiências, durante os procedimentos. Será um longo processo, de acordo com o advogado Ronald Minkoff, que representa advogados em processos disciplinares.
Além do estado de Nova York, Giuliani também tem licença para advogar em Washington, Distrito de Colúmbia (D.C.), onde procedimentos disciplinares poderão ser iniciados contra ele, embora isso não seja uma ação automática.
Rudolph Giuliani, que já foi prefeito da cidade de Nova York, liderou a Procuradoria do Estado em Manhattan, onde ganhou fama por combater o crime organizado e políticos corruptos. Hoje, a mesma Procuradoria conduz uma investigação que poderá bani-lo definitivamente da profissão jurídica.
Os procuradores estaduais investigam se Giuliani usou seu relacionamento pessoal com Trump para fazer lobby, ilegalmente, em favor de autoridades e oligarcas ucranianos, que o estavam ajudando em seus esforços para descobrir possíveis escândalos, praticados por Joe Biden e seu filho na Ucrânia.
Giuliani também responde a uma ação indenizatória, no valor de US$ 1,3 bilhão, movida contra ele pela empresa fornecedora de urnas eletrônicas Dominion Voting Systems. A empresa processou Giuliani e, separadamente, a advogada Sidney Powell, por se empenharem em uma “campanha de difamação”, ao declararem seguidamente que as máquinas foram manipuladas para converter votos em favor de Trump para Joe Biden.
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