Ministro pede investigação de sociólogo por outdoors contra Bolsonaro

O ministro da Justiça, André Mendonça, determinou a abertura de inquérito contra um professor e sociólogo de Palmas, capital do Tocantins, que organizou a instalação de dois outdoors com críticas ao presidente Jair Bolsonaro. O dono da empresa contratada para a instalação também é alvo da peça.

Acervo Tiago Costa Rodrigues

Um dos outdoors instalados em Palmas que criticavam o presidente Bolsonaro

Tiago Costa Rodrigues, que também é secretário de formação política do  Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no estado, arrecadou R$ 2,3 mil em uma vaquinha online para providenciar o serviço. Os outdoors apresentavam as frases "Cabra à toa não vale um pequi roído. Palmas quer impeachment já!" e "Aí mente! Vaza, Bolsonaro, o Tocantins quer paz". As informações são do Estadão.

Em agosto do ano passado, um simpatizante de Bolsonaro apresentou queixa-crime que pedia a investigação do sociólogo e do empresário pela Lei de Segurança Nacional. A Polícia Federal iniciou as investigações, mas a Corregedoria Regional da PF e o Ministério Público Federal arquivaram o caso em outubro.

Comunicado da decisão, o ministro Mendonça, em dezembro, requisitou ao diretor-geral da PF a abertura do inquérito por crime contra a honra do presidente. Em janeiro, os homens prestaram depoimento à delegada da PF Aline Carvalho Miranda por videoconferência.

Outras críticas de professores a Bolsonaro já causaram problemas no país. Uma docente da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também é alvo de investigação por um outdoor instalado em Recife que definia o presidente como "inimigo da educação e do povo". Além disso, professores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, tiveram de assinar um acordo da Corregedoria-Geral da União em que se comprometiam a não repreender o chefe do Executivo.

Walther S. N. disse:
17 de março de 2021 às 16:30

O MP não vê rachadinha, não vê disparos em massa, não vê Mansão paga à vista, nem vê crime contra saúde pública de aglomeração, mas de repente virou advogado pessoal da honra do excelentíssimo.
Qual o nome desse país?
É Cuba?
É Venezuela?
É China?
Não, é Brasil mesmo.

Luiz Adriano Machado Metello Junior disse:
17 de março de 2021 às 17:35

Esta tal lei de segurança nacional está sendo instrumentalizada para censurar e sufocar justas manifestações de repúdio a este governo incompentente e criminoso. Está ainda criando um terrível precedente para governos posteriores (especialmente os de esquerda que não costumam gostar de criticas) .

Esta lei precisa ser revogada, ou ao menos sua constitucionalidade analisada pelo STF, visto que ela precede a CF88 e conflita com alguns de seus dispositivos.

A DECORADORA disse:
17 de março de 2021 às 18:36

Mostre quando, na história democrática deste país, representantes da esquerda perseguiram desafetos políticos por críticas.

E mais, é a não recepção, não inconstitucionalidade, o julgamento correto.

EGP disse:
17 de março de 2021 às 20:39

Quando um governo de esquerda ameaçou quem criticava? Dilma sofreu impeachment e foi xingada, cadê as intimidações? Traz o link das notícias.

Michael Pereira de Lira disse:
18 de março de 2021 às 10:39

Precisamos nos libertar da mediocridade de pensamento que confunde liberdade de opinião com desrespeito as pessoas ou instituições que elas representam.
Imaginemos se os veículos de comunicação, como o outdoor passassem a ser usados para criticar a educação das escolas de Recife, responsabilizando os professores, ou a sujeira nas ruas de Palmas como fruto de falta de educação de seus cidadãos. Seria justo? Claro que não.
O direito de se expressar termina quando começa o direito à dignidade da imagem de cada um, independentemente de partido, religião ou time de futebol.

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