A Defensoria Pública do Rio Grande do Sul pediu nesta terça-feira (13/12) o afastamento de quatro servidores da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (Fase) acusados de agredir adolescentes que cumpriam sanções disciplinares em uma comunidade socioeducativa localizada na Vila Cruzeiro, zona sul de Porto Alegre.

Marcello Casal/Agência Brasil
Imagens captadas pelo sistema de monitoramento da fundação mostram servidores agredindo um interno algemado com uma cabeçada, empurrão, socos e xingamentos.
Além disso, em relatos colhidos no começo deste mês, os adolescentes disseram ter sofrido ameaças e agressões frequentes na unidade, que abriga mais de 20 socioeducandos.
Um dos adolescentes disse ter sido agarrado pelo pescoço enquanto estava sentado e algemado no setor de atendimento especial. Disse ainda que, caso reclamasse, seria amarrado a uma maca e receberia injeções com remédios.
Outro interno disse que ouviu dos agentes que seria "quebrado a pau" e que na unidade "não existe socioeducação, é cadeia". Em outro depoimento, um adolescente disse que era tratado "igual a bicho" e que seria colocado na posição de "porquinho", com as mãos e pés amarrados para trás.
Segundo os defensores públicos Rodolfo Lorea Malhão, Paula Simões Dutra de Oliveira e Fernanda Pretto Fogazzi Sanchotene, um adolescente tentou se suicidar após ter ficado sob custódia dos servidores.
Além do afastamento, a Defensoria Pública requereu a interdição da unidade, a suspensão do encaminhamento de jovens ao setor de atendimento especial e o pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 500 mil.
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