A humanidade registrou desde sempre a passagem do tempo com algum tipo de referência: as fases da lua. O subir e descer da maré. As estrelas. O sol. Até hoje é preciso ver relógios solares ajudando a marcar a passagem do tempo ao longo do dia. Mesmo que com características meramente ornamentais.
O registro do tempo que denominamos ano também foi sofrendo variações conforme melhorava nossa percepção dos fenômenos astronômicos.
Dezembro tornou-se um mês cheio de significação no ano. Este é o mês que fecha os 12 meses do ano. Nele, é iniciado o verão no hemisfério sul e o inverno no hemisfério norte. Foi também no mês de dezembro que a antiguidade cristã optou por colocar o aniversário de Jesus. Mesmo todos sabendo pelas descrições bíblicas do período em que Jesus nasceu indicando que o mais provável é que ele tenha nascido na primavera ou verão do hemisfério norte.
Independente disso, a data escolhida e universalmente aceita fixa em dezembro esse momento.
Com isso, o fim de ano é aproveitado por todos para uma avaliação do período que se conclui e planejamento do que se inicia.
Neste sentido, é importante o registro de que a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de Minas Gerais esteve envolvida ao longo do ano de 2022 com dois trabalhos importantes e muito significativos para toda nação brasileira e que permitem à comissão uma avaliação muito positiva de sua participação e aproveita muita energia para planos.
Ao longo de 2022, a CDH/OAB-MG foi instada a promover a participação da OAB-MG como amicus curiae no processo que tramitava perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos em São José da Costa Rica, com a denominação de Caso Sales Pimenta, referente ao martírio sofrido pelo jovem advogado Gabriel Sales Pimenta, nascido em Juiz de Fora e formado em Direito na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora, atuando na cidade de Marabá (PA), foi morto por defender trabalhadores rurais garantindo a permanência destes e seus familiares nas terras que já ocupavam há anos, evitando a grilagem de um latifundiário.
Um verdadeiro martírio contemporâneo.
Da mesma forma, a Comissão de Direitos Humanos foi instada a atuar em um primeiro júri que visava julgar participantes na morte do vereador e sindicalista Hamilton Moura. Hamilton sempre teve uma atuação intensa em favor da organização dos trabalhadores de transporte e de múltiplos ambientes da sociedade civil, visando sempre a emancipação das pessoas e grupos sociais para que se tornassem protagonistas de sua própria história e responsáveis pela manutenção de suas conquistas humanitárias e civilizatórias.
Também um martírio pós-moderno.
Nesse júri, a CDH/OAB-MG prestou o seu apoio, apesar de não ter atuado diretamente, sendo os acusados condenados. Pela brilhante atuação do advogado, que figura como assistente do Ministério Público.
Em dezembro, também foi assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos 74 anos atrás. E em comemoração a esta data a CDH/OAB-MG teve a oportunidade de realizar uma celebração inter-religiosa envolvendo lideranças cristãs evangélicas, um padre e lideranças do candomblé. Onde foi possível ver lado a lado o irmão do mártir Gabriel e o irmão do Mártir Hamilton. E aqui a palavra mártir, nascida no ambiente religioso, permite, mesmo afastando a força religiosa que ela carrega, buscar mais uma mística livre para ligar essas mortes a uma significação da defesa de direitos humanos, em ambos os casos.
Neste sentido, liberam a energia necessária para os vivos se movimentarem no sentido de mudar a realidade permitindo que defensores de direitos humanos possam prosseguir no cumprimento de seu múnus sendo valorizados e protegidos, tendo agora como um importante instrumento a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, para que conduzam toda a nação brasileira a um protagonismo emancipatório em relação aos direitos humanos.
Gabriel Pimenta e Hamilton Moura, Presentes!
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