Banca internacional prospera em mercado global de M&A em queda

No primeiro semestre de 2022, o valor total das transações globais de M&A teve uma queda de 17% (ou de US$ 2,1 trilhões), em comparação com o mesmo período de 2021, o ano em que as atividades de M&A atingiram níveis recordes, segundo a Bloomberg Law.

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Valor das transações da Simpson Thacher & Bartlett cresceu 4% em comparação a 2021
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Apesar dessa queda significativa, o valor total das transações globais de M&A assessoradas pela Simpson Thacher & Bartlett, banca "internacional" (com 11 escritórios em diversos países, sede em Nova York e mais de mil advogados), teve um crescimento de mais de 40%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A Simpson Thacher assessorou 103 transações no primeiro semestre de 2022, no valor total de US$ 360 bilhões — quase o dobro do valor de transações assessoradas pela banca que se posicionou em segundo lugar, a "negociadora perene" Wachtell Lipton Rosen & Katz, que atuou em transações no valor de US$ 185 bilhões.

Os mercados instáveis na área financeira e na de participação societária, complicados por novas regulamentações, incertezas derivadas da guerra Rússia-Ucrânia, inflação e taxas de juros em alta, esfriaram o mercado incandescente de M&A, disse à Bloomberg Law o codiretor da área de M&A da Simpson Thacher, Eric Swedenburg.

"As atividades de M&A ainda estão acontecendo, mas não tão robustas como estavam nesse período do ano passado. E isso não chega a ser uma surpresa, se você observa todos os ventos contrários que estão soprando nesse mercado", disse ele.

Essa banca da Wall Street assessorou muitas das grandes transações do primeiro semestre. Entre elas, a aquisição da Broadcom Inc. pela VMware Inc. por US$ 70,4 bilhões, a aquisição da Activision Blizzard Inc. pela Microsoft Corp. por US$ 68,7 bilhões e a oferta pública de aquisição do controle da Blackstone Inc. pela família Benetton, que pode ser a maior transação do ano.

Ranking da Bloomberg
A Simpson Thacher ocupou o primeiro lugar no ranking da Bloomberg em volume total de transações pelo segundo semestre consecutivo. No mesmo período do ano passado, a banca assessorou 117 transações, no valor de US$ 257 bilhões.

A Wachtell assessorou 42 transações, no valor de US$ 185 bilhões, no primeiro semestre de 2022, uma queda de 28% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

A Kirkland & Ellis, embora se coloque no quarto lugar do ranking por valor do total de transações, foi a banca que mais atuou nessa área, assessorando 403 transações.

As bancas classificadas nos dez primeiros lugares, por valor total de transações, são:

Banca

Bilhões em US$

Simpson Thacher & Barlett

360,6

Wachtell Lipton Rosen & Kats

185,9

Skadden Arps Slate Meagher & Flom

165,6

Kirkland & Ellis

157,7

Latham & Watkins

155,6

Gibson Dunn & Crutcher

123,0

Debevoise & Plimpton

119,1

Sidley Austin

117,6

AZB & Partners

115,6

Freshfields Bruckhaus Deringer

114,9

Fonte: Bloomberg Global M&A Legal Rankings H1 (Bloomberg Law)

Participações privadas
As transações de participações privadas continuam a ser uma fonte significativa de negócios para as bancas que mais atuam na área, segundo a Bloomberg Law.

Para a Simpson Thacher e a Kirkland & Ellis, 60% do trabalho em M&A veio de transações de participações privadas, no primeiro semestre do ano.

As bancas classificadas nos dez primeiros lugares por valor total de transações na área de participações privadas são:

Banca

Bilhões em US$

Simpson Thacher & Barlett

136,8

Kirkland & Ellis

109,7

Hengeler Mueller

75,8

Latham & Watkins

74,7

Gibson Dunn & Crutcher

53,5

White & Case

50,5

Wachtell Lipton Rosen & Kats

49,7

Davis Polk & Wadrwell

49,5

Legance Avvocati Associati

47,5

Chiomenti Studio Legale

45,7

Fonte: Bloomberg Global M&A Legal Rankings H1 (Bloomberg Law)

"Definitivamente, estamos vendo oportunidades surgirem no mercado e a mesma dinâmica competitiva — múltiplos ofertantes e leilões competitivos", disse à Bloomberg Law o sócio de M&A da Simpson Thacher Benjamin Schaye.

Os clientes estão esperando para ver como as pressões sobre o mercado vão afetar as transações nas próximas semanas e meses, assim como aconteceu no início da pandemia de coronavírus.

"Os empresários estão mais precavidos, mas não é nada dramático em termos de mudanças ou de comportamento das empresas", disse Schaye.

Tradução
A expressão M&A (mergers and acquisitions) é tradicionalmente traduzida no Brasil como fusões e aquisições (F&A). No entanto, Marcílio Moreira de Castro recomenda, em seu "Dicionário de Direito, Economia e Contabilidade", não traduzir merger por "fusão" — e, sim, por "incorporação". Ele diz que incorporação é a absorção de uma sociedade por outra e fusão é a união de sociedades.

João Ozorio de Melo

é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

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