A invasão ao Supremo Tribunal Federal, ocorrida em 8 de janeiro, completa cem dias nesta terça-feira (18/4) com a corte inteiramente reparada.

destruídos, já foi todo restaurado
Rosinei Coutinho/SCO/STF
O segundo andar do tribunal, última parte a passar por restaurações, será totalmente entregue nesta terça. Lá estão a Diretoria-Geral do STF, a Assessoria do Plenário e de Comunicação e o Comitê de Imprensa da corte, onde trabalham os jornalistas que fazem a cobertura diária do Supremo.
Em discurso proferido nesta segunda-feira (17/4), durante o lançamento de uma exposição do fotógrafo Sebastião Salgado no Superior Tribunal de Justiça, a ministra Rosa Weber, presidente do Supremo, disse que, passados 99 dias da invasão e depredação da corte, resta a certeza de que "as instituições republicanas brasileiras se sagraram vencedoras".
Ela também lembrou que o tribunal decidiu manter obras danificadas e criou um memorial, onde estão expostos itens que foram destruídos pelos bolsonaristas.
"Incumbe ao Judiciário trabalhar no fomento de sua memória institucional para que ataques de tal natureza, no caso único ao longo de todo o Império e dos 132 de anos de STF na República, jamais sejam esquecidos como condição para que não se repitam", disse a ministra.
Os atos não precisaram completar um mês para que o STF mostrasse força e unidade. Na cerimônia de abertura do ano Judiciário, em 1º de fevereiro, os ministros abriram os trabalhos em um Plenário já totalmente reparado.
A solenidade teve tom geral de reorganização institucional. Contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — algo raro em eventos como esse —, e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente chefes do Executivo e do Legislativo, os outros dois poderes que tiveram suas sedes invadidas e depredadas por bolsonaristas.
A demonstração mais simbólica da unidade em torno da normalidade institucional, desaparecida no governo de Jair Bolsonaro (PL), veio em 9 de janeiro, um dia depois dos ataques ao STF, ao Palácio do Planalto e ao Congresso Nacional.
Na ocasião, Lula, Rosa, os ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli e os governadores dos 27 estados e do Distrito Federal caminharam pela Praça dos Três Poderes, rumo ao Supremo, indicando que a violência bolsonarista pode ter servido como freio para futuras empreitadas golpistas.
Se a intenção dos arruaceiros era ferir de morte o tribunal, o efeito foi inverso: o clima entre os ministros é, por um lado, de união em torno da figura de Rosa Weber, sua presidente; e, por outro, da busca pela punição dos vândalos, o que hoje está sob maior responsabilidade de Alexandre de Moraes.
As cem primeiras denúncias contra os vândalos começaram a ser analisadas também nesta terça-feira. O julgamento, que ocorre no Plenário Virtual, vai até o dia 24.
As denúncias estão em dois inquéritos, o Inq 4.921, que mira os responsáveis intelectuais, e o Inq 4.922, que investiga pessoas que participaram da invasão e do vandalismo nas sedes dos três poderes.
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