O Laboratório de Restauro do Supremo Tribunal Federal vem recuperando itens do acervo histórico e artístico da corte que foram danificados durante os ataques antidemocráticos de bolsonaristas no último dia 8/1.

Atualmente, os trabalhos estão voltados à restauração de cadeiras do Plenário, poltronas do Salão Nobre, quadros, fotografias, do Brasão da República e da escultura em bronze "A Justiça", de Alfredo Ceschiatti, que representa a deusa grega Themis.
A recuperação segue um cronograma de prioridades, que começa com os objetos localizados no térreo do prédio principal do STF, onde ficam o Plenário, o Salão Branco (destinado a solenidades, cumprimentos e homenagens) e o Hall dos Bustos (que abriga bustos de figuras importantes da República). Cerca de 30 peças já estão prontas e outros itens serão finalizados até o final deste mês.
As etapas seguintes de restauro abrangem o Salão Nobre (onde são recebidos chefes de Estado estrangeiros), o gabinete da Presidência, a Diretoria-Geral e outras áreas nos demais andares do edifício. Nesses locais, será necessário um levantamento dos danos para desenvolvimento de planos de trabalho.
O Salão Nobre concentra a maior quantidade de itens a serem recuperados. Sua decoração possui móveis e documentos históricos, além de presentes recebidos por autoridades internacionais — como porcelanas chinesas, que foram quebradas em vários pedaços.
Procedimento
Após os peritos da Polícia Federal liberarem os ambientes, a equipe de restauradores da corte fez um salvamento inicial das peças, para interromper a deterioração causada pela exposição à agua, ao pó dos extintores de incêndio e à luminosidade inadequada. Também foram recolhidos e separados fragmentos das obras.
O grupo de restauração é formado por sete profissionais, que higienizam as peças, avaliam os danos e resolvem problemas relacionados a fissuras, afundamentos, arranhões, rachaduras, cortes, encaixes, pinturas, tecidos e molduras. Eles ainda escolhem ferramentas específicas, além de tintas, óleos, solventes, solda fria, entre outros materiais a serem utilizados.
"No caso de mobiliário, nós usamos a própria madeira para fazer complementações em talhas. Vamos testando materiais e químicos para fazer essa intervenção", explicou o gerente de Preservação e Restauração do STF, Marcos Antônio de Faria.
Futuramente, deve ser feita uma exposição, ao público externo, das peças que não puderem ser restauradas devido ao alto grau de destruição. É o caso de vasos artísticos recebidos da China, peças de cerâmica e espelhos. "Perdemos alguns itens, mas a grande maioria vamos conseguir restaurar", indica Faria.
Existe, ainda, uma força-tarefa de restauradores dos três Poderes e de órgãos especializados, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para a troca de informações sobre técnicas e materiais. Com informações da assessoria de imprensa do STF.
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